porque convergimos e integramos com AMOR, VERDADE, RETIDÃO, PAZ E NÃO-VIOLÊNCIA

dedicamos este espaço a todos que estão na busca de agregar idéias sobre a condição humana no mundo contemporâneo, através de uma perspectiva holística, cujos saberes oriundos da filosofia, ciência e espiritualidade nunca são divergentes; pelo contrário exige-nos uma postura convergente àquilo que nos move ao conhecimento do homem e das coisas.
Acredito que quanto mais profundos estivermos em nossas buscas de respostas da consciência melhor será para alcançarmos níveis de entendimento de quem somos nós e qual o propósito que precisaremos dar as nossas consciências e energias objetivas e sutis para se cumprir o projeto de realização holística, feliz, transcendente, consciente e Amorosa.

"Trata-se do sentido da unidade das coisas: homem e natureza, consciência e matéria, interioridade e exterioridade, sujeito e objeto; em suma, a percepção de que tudo isso pode ser reconciliado. Na verdade, nunca aceitei sua separatividade, e minha vida - particular e profissional - foi dedicada a explorar sua unidade numa odisseia espiritual". Renée Weber

PORTANTO, CONVERGIR E INTEGRAR TUDO - TUDO MESMO! NAS TRÊS DIMENSÕES:ESPIRITUAL-SOCIAL-ECOLÓGICO

O cientista (psicólogo e reitor da Universidade Holística - UNIPAZ) PIERRE WEIL (1989) aponta os seguintes elementos para a falta de convergência e integração da consciência humana em geral: "A filosofia afastou-se da tradição, a ciência abandonou a filosofia; nesse movimento, a sabedoria dissociou-se do amor e a razão deixou a sabedoria, divorciando-se do coração que ela já não escuta. A ciência tornou-se tecnologia fria, sem nenhuma ética. É essa a mentalidade que rege nossas escolas e universidades"(p.35).

"Se um dia tiver que escolher entre o mundo e o amor...Lembre-se: se escolher o mundo ficará sem o amor, mas se escolher o amor, com ele conquistará o mundo" Albert Einstein

quinta-feira, 26 de junho de 2008

O ANO EM QUE O “MILAGRE” ACONTECE: DINHEIRO E OBRAS NAS ELEIÇÕES


No ano das eleições um “milagre” acontece. Dinheiro e obras surgem do “nada” e começam a fazer realizações. Nesse sentido, as ruas e estradas são asfaltadas, as universidades recebem mais dinheiro para custeio, restaurantes populares são criados, escolas são reformadas etc. E tudo muito perto da data da eleição. O povo, coitado, ainda acredita que tudo isso é verdade e que as intenções são sinceras e puras. Mas, com um olhar crítico nos perguntamos: por que será que esse “milagre” não aconteceu antes? É verdade! A política moderna vem substituindo o planejamento estratégico. Em outras palavras, diria um crítico: “que plano que nada o que vale é a “estratégia” do voto”. Os recursos são aplicados (e/ou atrasam propositalmente) segundo a perspectiva de se ganhar o apoio das comunidades e de indivíduos influentes antes e bem próximo das eleições. E assim, durante vários anos o povo não vê a cor do dinheiro e nem das obras importantes. Mas, quando se aproxima as eleições, uma multidão se engaja em servir aos senhores da política e da politicagem. É dinheiro rolando em cascata e enchendo o pequeno recipiente (bolsos) de pobres criaturas esperançosas de um lugar ao sol (ninguém quer ficar excluído!).
Nesse contexto, as almas receptoras ficam “felizes” mesmo que iludidas. O imediatismo é a lógica que atrai multidões e faz manter o mundo ilusório da politicagem. Raros são aqueles que cobram projetos baseados em planos bem elaborados e estratégias viáveis. A maioria quer resolver imediatamente a sua necessidade sem importar se essa solução afetará ou prejudicará mais tarde uma população maior. E o dinheiro de onde vem? Poucos sabem de fato a sua origem. Será que vem dos cofres das políticas públicas que foram “acumuladas” pelas burocracias e espertezas administrativas de governantes inescrupulosos? Ou será que vem de financiamentos externos de cunho ideológico ou empresarial? É preciso nesse mundo ser bonzinho como uma pomba, mas prudente como uma serpente. A vida social raramente é governada pela intenção e planejamento de mentes brilhantes, mas por mentes astutas e negociadoras de interesses escusos. Um ou outro governante ou administrador segue a linha reta da ética e da boa intenção. Uma boa parcela faz alianças de interesses ideológicos ou financeiros. E as necessidades dos indivíduos governados são partes desse jogo frio e anti-ético.
O enriquecimento ilícito “com prosperidade para todos” é a intenção que acalma a frieza das decisões políticas inescrupulosas. Nesse sentido, a idéia de que “a política é a arte de governar” é uma bela retórica. Pois, a verdadeira política (a original) caminhava lado a lado com a ética. Hoje, a política é antagônica a ética. Elas não se conversam, não se combinam. Vivem em mundos diferentes e distantes. O povo é apenas uma peça no jogo de xadrez dos poderosos (?).

Prof. Bernardo Melgaço da Silva – bernardomelgaco@hotmail.com

terça-feira, 24 de junho de 2008

O corpo de um homem assassinado há 65 anos (foto) foi encontrado em perfeito estado de conservação em seu túmulo


O corpo de um homem assassinado há 65 anos (foto) foi encontrado em perfeito estado de conservação em seu túmulo, durante a exumação de seus restos no município de Acapetahua, no estado mexicano de Chiapas. Foto:Ho/AFP

sábado, 21 de junho de 2008

MOVIMENTO DO POVO TIBETANO: CULTURA, IDENTIDADE E LIBERDADE


Nessa semana que se passou iniciamos (nos núcleos de estudos NERE e NECEF) na URCA um movimento intitulado MOVIMENTO DO POVO TIBETANO: CULTURA, IDENTIDADE E LIBERDADE. A exposição com banners e vídeos abriu um espaço para reflexão sobre a cultura espiritual tibetana e a história da invasão comunista chinesa no Tibet em 1949. Sobre o pretexto de que os tibetanos viviam numa escravidão ditada pelos monges, os chineses invadiram o Tibet em 1949 onde a partir desta data mataram – pasmem! – 1 milhão de tibetanos dentre eles monges que só sabiam meditar. Um exército muito superior a resistência dos “soldados” tibetanos arruinaram 6 mil monastérios além da carnificina que fizeram nas cidades pacíficas dessa cultura espiritual milenar. Sinto-me impelido de informar a todos os cidadãos brasileiros das artimanhas dessa ideologia criminosa que com argumentos tão insensatos e desumanos mantém sob vigilância implacável (patrulhamento ideológico) os rituais desses monges que ainda conseguem manter a muito custo sua bela tradição espiritual nos poucos monastérios que ainda resistem em pé. Além disso, 110 mil tibetanos vivem exilados na India – na fronteira com a China – sem poderem retornar à sua terra natal e praticarem a sua cultura espiritual. E o seu venerado líder espiritual – Dalai Lama – também não pode retornar e ser adorado ou ter sua foto carregada na carteira de seus liderados. Um verdadeiro crime contra a humanidade!
O quanto ainda ficaremos calados contra um regime que se diz democrático com ações tão vergonhosas como essa? Cadê os direitos humanos? Sinceramente o que nós precisamos mesmo fazer é valorizar todas as culturas porque assim preservaremos as identidades de seus membros. Isto porque um povo sem cultura é um povo sem identidade e, portanto, sem liberdade para expressar suas vocações e tradições. Creio que, devemos todos divulgar essa máxima: “povo que perde sua cultura, perde a sua identidade, perde a sua liberdade, perde também o sentido de viver e existir em paz”. Eu não tenho dúvidas sobre a grandeza da cultura espiritual tibetana, porque entendo por vivência própria a dimensão de suas práticas e valores fundados na meditação, no desapego e no respeito a todos – todos mesmos! - os seres vivos.
Hoje, o mundo se questiona sobre as ideologias e valores praticados pelas superpotências (E.U.A, China etc) que estão destruindo o planeta (e o Brasil com o desmatamento da Amazônia também está nesse grupo). A China, por exemplo, está num processo de destruição ecológica a tal ponto que sua capital está cercada por um imenso deserto com tempestades de areia sem igual no mundo. Lagos, rios e imensas plantações estão sendo poluídos e destruídos. E quando acabarem de destruírem o que têm avançarão, como está fazendo o E.U. A, sobre as riquezas dos outros países (p. ex,: a Amazônia brasileira).
A vida humana só tem sentido na preservação da diversidade de suas culturas materiais e imateriais. Uma vida com uma visão única, um poder único e cultura única é uma grande estupidez. Viva a diversidade cultural e ecológica! Intelectuais do Cariri e do Brasil gritem e se indignem contra essas ideologias totalitárias (de esquerda ou de direita) que querem transformar o mundo numa estupidez de suas visões de mundo infundadas e pequenas, e que jamais conseguirão compreender a complexidade da vida em todas as suas dimensões. Assim, se ficarmos calados a voz da estupidez totalitária um dia estará nos fazendo reféns de suas premissas e suas ordens fundadas no medo, no terror e na morte.
A liberdade é um dom de Deus e está associada a nossa capacidade de preservação de nossas culturas e identidades diversificadas. Abracem essa causa – porque se não fizerem isso o Brasil poderá sofrer como o Tibet está sofrendo desde 1949. Nada acontece por acaso!
A OLIMPIADA DE PEQUIM É UMA GRANDE HIPOCRISIA – VAMOS BOICOTAR – NÃO ASSISTAM PELA TV E NÃO LEIAM NADA SOBRE ELA.
Divulguem esse texto para todos os seus amigos da Internet – a PAZ de DEUS agradece!
Prof. Bernardo Melgaço da Silva – (88) 9201-9234 – bernardomelgaco@hotmail.com

segunda-feira, 9 de junho de 2008

O HOMEM MODERNO CIVILIZADO: ESQUERDA, DIREITA...NATUREZA... VOLVER!


O homem moderno civilizado criou o Estado de Direito, mas não conseguiu impedir a criação do Estado de Injustiça. Ele criou o conceito de Estado de Natureza, mas não conseguiu formar uma aliança com a Natureza. As poluições química e biológica ameaçam o equilíbrio da Natureza e a ordem do Estado. Nesse contexto, o povo e o Estado chinês são referências negativas porque estão sofrendo devido à força da natureza desequilibrada. Isto porque o processo de desertificação na China nos séculos XX e XXI gerou um “monstro” natural: as grandes tempestades de areia. As tempestades de areia na China estão matando animais, plantações e vidas humanas. Os desmatamentos na Amazônia vão produzir a mesma desgraça chinesa se políticas de preservação ambiental não forem aplicadas com rigor. Lagos, rios e ambientes naturais na China estão morrendo na mesma velocidade que o progresso avança aumentando o PIB e diminuindo também a sustentabilidade dessa potência econômica. O sistema de governo autoritário chinês impede que se questione e freie coletivamente a destruição em curso. O poder do partido único autocrático desse país, de proporções continentais, está levando a uma falência ambiental que o povo chinês não conseguirá reverter. O liberalismo no Brasil e o comunismo na China nos alertam que a razão da sobrevivência dos povos não depende de mudanças de posição (volver) de poder ideológico, mas essencialmente no caráter, na alteridade e na identidade de uma relação direta e respeitosa com a natureza. Nesse sentido, tanto a esquerda socialista quanto a direita liberal não demonstram competência para solucionar a mega-crise ética-energética-ecológica. Ambas doutrinas são coniventes com a decadência da qualidade de vida para uma grande parcela ignorada ou excluída. Os índios e os quilombolas, por exemplo, não são tratados com o mesmo respeito que o trabalhador das empresas e indústrias. A idéia de progresso está numa perspectiva associada ao da exclusão e exploração humana e numa outra perspectiva na exploração e dominação da natureza. Mas, uma está associada a outra e tem nos levado a um processo acelerado de autodestruição, isto porque o homem é natureza também. Os avanços do homem moderno civilizado se reproduzem paradoxalmente: descobrimos, desequilibramos e destruímos simultaneamente.
Hoje, estamos diante de um inimigo comum: as idéias de exploração e separação entre o homem e a natureza. Segundo o jornalista Washington Novaes, 2/3 da população brasileira se considera fora da natureza. E por que? Porque ao longo de séculos fomos bombardeados por crenças e ideologias que pregavam (e pregam ainda!) que a vida humana se dava (e se dá ainda) unilateralmente num plano de relações de poder econômico-político: vencer e se separar do outro e controlar a natureza. E assim, se perdeu toda uma visão mítica e natural do homem como ser integrado a tudo e a todos. Em outras palavras, perdemos a sábia visão de que nada nos separa da vida natural. A vida nos liga a tudo! Viver é essencialmente se integrar cosmicamente através de elos visíveis e invisíveis. A separação, partição ou partidarização é uma grande ilusão. Por isso mesmo, que não acredito na perspectiva desintegradora de qualquer coisa, principalmente na política partidária. Existe uma ordem maior de integração natural. Ainda sofreremos muito por ignorarmos e assim não percebermos essa ordem supra-humana integradora – nem a esquerda e nem a direita poderão evitar a fragmentação dolorosa do ser e da natureza. Eles lutarão ad infinitum entre si pelo poder, mas serão vencidos por um inimigo muito superior: a natureza explorada e desequilibrada.


APÓS INVASÃO DA CHINA COMUNISTA EM 1949:

1 MILHÃO DE TIBETANOS MORTOS (EXTERMÍNIO EM MASSA)

6 MIL MOSTEIROS DESTRUÍDOS (POR QUE?)

100 MIL TIBETANOS EXILADOS NA ÍNDIA


Enquanto isso milhões de homens e mulheres morrem na lógica do mercado capitalista....ainda não temos uma saída digna a vista...se correr o bicho pega...se ficar o bicho come....



Prof. Bernardo Melgaço da Silva (88)9201-9234

quarta-feira, 28 de maio de 2008

A IMPORTÂNCIA E O PAPEL DA IMPRENSA NA REGIÃO DO CARIRI CEARENSE: TEXTO DE APOIO AO JORNALISMO ÉTICO E CRÍTICO

Hoje as imprensas escrita, falada e eletrônica desempenham um papel importante na formação crítica da consciência humana num mundo cada vez mais acelerado, mais interdependente (hiper conectado), mais informal e mais “próximo” em virtude das inovações tecnológicas nos campos da tecnologia da informação e da comunicação. A tarefa dos meios de comunicação se torna extremamente árdua em função da rapidez com que a leitura, a interpretação e a divulgação dos fatos e fenômenos demandam precisão na ocorrência da imagem captada e comunicada. Nesse contexto, a observação e a análise dos fatos e fenômenos exigem dos profissionais da imprensa uma sensibilidade refinada e uma fundamentação intelectual e ética renovada e atualizada.
Em virtude dessa nova perspectiva da era da informação e do conhecimento, que transforma e é transformada rapidamente em seu próprio movimento em si mesmo, o leitor ou ouvinte necessita de notícias e relatos com um baixo índice de “ruído” e interferência prejudicial, e sem contaminação ideológica perversa. Nesse contexto, a imprensa na região do cariri sofre do mesmo problema global que é ser permanentemente crítica e fiel aos fatos e fenômenos sociais ocorridos. E crítica significa aqui, segundo Marilena Chauí – “Convite à Filosofia”, o espaço do dito do que ainda não foi dito, do julgamento claro que ainda está obscuro, da visão larga que ainda não está de toda aberta, da perspectiva profunda que ainda está superficial e limitada, da teoria inédita que transcende sem negar a verdade da teoria anterior. Crítica, nesse sentido, não é ataque baixo, retórico, vulgar, imoral, corporativo, chulo e sem fundamento. Ela é sempre construtiva mostrando o que ainda não foi mostrado, refazendo o olhar viciado e condicionado sobre o mundo objetivo, apontando para valores corrompidos na alma humana.
Nesse contexto, a imprensa caririense tem a função de informar, comunicar, esclarecer, anunciar, contestar, promover, divulgar, educar, divertir, criticar e canalizar as diversas demandas que surgem naturalmente no seio da sociedade. Pois, a ponte comunicativa entre o Indivíduo e a Sociedade pode ser compreendida também a partir das ações dos veículos de comunicação que aproximam esses dois pólos. O mesmo fenômeno ocorre entre o Estado e a Sociedade, pois cabe a imprensa ajudar a tornar visível ou transparente os atos, desmandos, abusos de poder (das esferas privada e pública: judiciário, legislativo e executivo), fatos importantes (p.ex.: mensalão, cuecão, tragédias, terremotos etc) e comuns, comunicados no sentido de fazer com que o cidadão comum se torne consciente do que acontece no seu mundo objetivo e dos seus direitos e deveres legais. É através do espaço livre da imprensa que o cidadão pode reivindicar ou apelar – sem gastar um tostão sequer! - para que a Constituição Brasileira seja respeitada (para todos!) e saia da sua dimensão escrita, estática e restritiva (para poucos privilegiados!) para de fato se fazer valer no mundo concreto das ações, desejos e movimentos legais e humanos. É através da imprensa que se pode combater de forma democrática as retóricas persuasivas que tentam manipular ou controlar as verdades nas mentes desatentas, desinformadas e incautas; cobrar os atos políticos desviados ou prometidos em campanhas eleitorais; identificar os responsáveis pelas corrupções dos atos ilícitos e imorais.
Enfim, a imprensa de um modo geral tem o dever moral de fazer valer a voz da indignação e a dor do coração daqueles que são injustiçados, discriminados, excluídos, abandonados, ignorados, atacados e explorados. E no Cariri, essa voz – que tentam calar! - vem sendo utilizada não só para divulgar as verdades sociais, econômicas, científicas, religiosas, culturais e políticas partidárias, mas também como instrumento de emancipação daqueles que necessitam de proteção, justiça - p. ex.: as mulheres violentadas e feridas mortalmente - e incorporação das políticas públicas em suas comunidades. Além de noticiar acontecimentos próximos e longínquos, ela também vem servindo para informar sobre arte, ciência, filosofia e religião em suas diversas e variadas perspectivas. A imprensa caririense vem cobrindo diariamente os diversos movimentos culturais e religiosos que atraem milhões de romeiros para essa região intensamente ligada ao mundo sagrado. Ela também comunica as potencialidades naturais, suas carências e suas riquezas ecológicas, infelizmente, em processo de destruição gradativa. Ela vem servindo para reforçar a identidade de um povo que luta para sobreviver numa terra esquecida pelas políticas públicas, mas lembrada pela Fé de Deus.
A sua importância é vital porque seu modo de ser é um espaço democrático que abre um canal direto para o homem comum, o intelectual, o político, o acadêmico, o religioso, o filósofo, o místico, o espiritualista que necessitam criar um diálogo e identidade com a vida humana a sua volta. A sua importância reflete em síntese na expressão da consciência humana que busca dialogar para aperfeiçoar, educar, informar, divertir e encantar os corações com suas diversidades comunicativas em seus diversos campos de atuação. E propagadas por atores que se engajam na arte e na ciência de transformar dados em informação, e informação em conhecimento e cultura. E assim, ajudam a preparar cada indivíduo humano para se conectar ao mundo interior da sabedoria perene, transformando conhecimento em autoconhecimento, indivíduo em pessoa, sofrimento em alegria, inconsciência em consciência de - e em - si mesmo!
Prof. (DSc) Bernardo Melgaço da Silva – (88)9201-9234 – bernardomelgaco@hotmail.com

quinta-feira, 22 de maio de 2008

CIÊNCIA E ESPIRITUALIDADE


Desde pequeno tive a felicidade de perceber diretamente que a minha realidade era constituída de pelo menos dois planos: material (natural) e espiritual (sobrenatural). Acredito que a maioria dos indivíduos de alguma forma foi tocada pela experiência mística do sobrenatural, mas procurou evitar, esquecer ou esconder. Ainda tenho na memória a lembrança de vovó Catarina. Vovó Catarina era uma entidade espiritual que incorporava frequentemente na minha madrasta. Havia um ritual que antecedia a incorporação. Minhas duas irmãs mais novas se trancavam no quarto com minha madrasta e preparavam o ambiente espiritual para a recepção da entidade: a roupa branca, o cachimbo, o banquinho, o altar com velas e a reza. E o ambiente onde se realizava a manifestação do transcendente era a nossa residência. Tanto a voz (muito fraca) quanto os movimentos lentos da entidade incorporada sinalizavam uma pessoa bem idosa, bem diferente do modo de ser da minha madrasta. As vezes minhas irmãs se colocavam como tradutoras pois a linguagem utilizada pela entidade não era costumeira (p.ex.: apartamento ela chamava de caixote).
Eu gostava de me consultar com a entidade incorporada. E por várias vezes pude confirmar a previsão - com precisão! - dela sobre questões da minha vida. E assim com essa iniciação espiritual fui crescendo cheio de interrogações a respeito do mundo espiritual e a influência dele no nosso mundo material. Hoje, sou um cientista cercado ainda de dúvidas, mas muito mais convicto da existência da espiritualidade que cerca e envolve o mundo material, como um epifenômeno (“Fenômeno cuja presença ou ausência não altera o fenômeno que se toma principalmente em consideração” Novo Dicionário Aurélio, p.544). Em outras palavras, vivemos simultaneamente entre duas experiências de mundo só que por falta de sensibilidade e muita racionalização a realidade espiritual se torna periférica e pouca vivenciada por uma grande população.
Assim, onde estaria a fronteira entre a percepção do mundo material e a percepção do mundo espiritual? A resposta que encontrei foi essa: SENSIBILIDADE-FÉ-VONTADE. Essa tríade difere da outra tríade RAZÂO-CRENÇA-DESEJO. Enquanto a primeira tríade potencializa a consciência para poder acessar (vivenciar) e perceber o mundo espiritual, a segunda tríade, por sua vez, potencializa a consciência para poder acessar (experimentar) e perceber o mundo material. No primeiro caso temos a Ciência de si ou autoconhecimento, e no segundo caso temos a Ciência ou conhecimento. A realidade humana é, portanto, um epifenômeno existencial onde se busca a unidade e o equilíbrio cósmico entre dois mundos ou reinos (em Física: matéria e anti-matéria).
Prof. DSc. Bernardo Melgaço da Silva – bernardomelgaco@hotmail.com

sábado, 10 de maio de 2008

A VISÃO DO TODO NO PROCESSO DE PLANEJAMENTO-ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO E OS SEUS IMPACTOS NO MUNDO MODERNO PRODUTIVO E ACADÊMICO HIPERVELOZ

Por volta de 1984 fui convidado para trabalhar em São Paulo, na Empresa ELEBRA S. A, no Departamento de Engenharia de Produto. Tal convite partiu da Diretoria Técnica daquela empresa. Na época eu trabalhava como engenheiro de Produto na Cobra Computadores S. A, no Rio de Janeiro (fui para a ELEBRA ganhando duas vezes mais!). A minha missão era ajudá-los a resolver um problema na organização da documentação e estruturação das informações técnicas dos vários projetos de engenharia daquela empresa. Era uma empresa muito grande que trabalhava com tecnologia de ponta na área de eletrônica avançada e informática. Logo que cheguei e tomei consciência do problema solicitei ao meu chefe que adotássemos uma estratégia de ação. Ele ficaria a frente na parte operacional e político do Departamento e eu ficaria numa posição de investigar o processo que estava gerando um gargalo no fluxo de informação do nosso setor com os demais setores da empresa, principalmente o de Produção. E os problemas de comunicação eram graves a ponto de parar quase todos os dias o chão-de-fábrica. Isso acarretava um prejuízo de milhares de dólares por mês uma vez que a nossa empresa, além de outros compromissos inclusive com a Marinha do Brasil, fabricava e exportava placas de circuito impresso para a empresa CONTROL DATA dos E. U. A .
Então, durante 6 meses consecutivos estudei com afinco os fundamentos técnicos que estavam por detrás do sistema de informação e comunicação técnica da empresa toda. E no final após muita interação e troca de experiências com meu chefe pude finalmente detectar o que estava causando o gargalo. O problema era essencialmente de filosofia de administração técnica equivocada. Em síntese, o problema consistia na fragilidade do controle de mudanças técnicas e na ausência de um órgão ou assembléia que estabelecesse regras e parâmetros claros para que uma mudança técnica fosse solicitada e implementada na fase de desenvolvimento e produção de quaisquer produtos da empresa. Em outras palavras, as mudanças técnicas dos produtos eram tantas, e sem um critério de julgamento sobre os seus impactos, que refletia gravemente no processo de comunicação da informação alterada e consequentemente na falha de tomada de decisão dos diversos setores da empresa. Então, o que fizemos foi obrigar que toda mudança técnica solicitada teria que ser fundamentada (com gráficos, tabelas, desenhos, especificações e justificativas persuasivas inclusive analisando o impacto técnico e econômico em todas as áreas da empresa e fora dela no cliente). Conclusão: por um “milagre” o problema sumiu. E eu e meu chefe recebemos menção honrosa através de uma carta enviada pelo Diretor Técnico para todos os Departamentos da empresa (de quase dois mil funcionários!). A informação desestruturada (ou não comunicada) é tão danosa quanto a total desinformação!
Hoje, vejo o mesmo problema, porém num outro contexto: produção acadêmica da Universidade Regional do Cariri – URCA. A produção acadêmica é também um problema de visão e organização da Produção! Pois, todo processo de produção, aprendi na prática nas várias empresas pelas quais atuei, depende essencialmente de um processo e hierarquia: ESTRATÉGIA/PROJETO – PLANEJAMENTO – ORGANIZAÇÃO/COORDENAÇÃO – PROGRAMAÇÃO – AÇÃO/COMUNICAÇÃO-DA-AÇÃO. Esse esquema deve ser alimentado, realimentado e atualizado continuamente por um sistema de normalização, informação e comunicação eficaz e eficiente. O que acontece hoje na URCA, acontecia na outrora (e saudosa !) ELEBRA. Os Departamentos Acadêmicos atuam com “liberdade” de forma semelhante aos Departamentos que atuavam naquela grande empresa. E se não há (ou ela não opera de forma eficiente) uma filosofia de administração das mudanças acadêmicas na universidade, com certeza todos pagarão o preço da desorganização. Vamos a um exemplo simples. Imagine hipoteticamente (mas que de fato ocorre!) que um Departamento da URCA decida, sem consultar (e discutir os impactos) a ninguém, retirar da matriz (ou grade) curricular as disciplinas de Metodologia da Pesquisa, Ética, Sociologia e Filosofia por achar que o seu curso não precisa oferecer essa formação científica e humana a seus discentes. Que impacto causará? É claro, que os Departamentos que ofertavam essas disciplinas terão que realocar seus professores para outros Departamentos ou então oferecer a eles disciplinas que não estavam muito bem preparados, ou na pior das hipóteses deixá-los abaixo de suas cargas horárias mínimas. Assim, toda uma estratégia política pedagógica pode ir por água abaixo! E quando a Pró-Reitoria de Ensino vier analisar a carga horária de cada um dos professores daqueles Departamentos afetados chegará a “brilhante” conclusão que aqueles Departamentos em questão estão com vários professores “ociosos”. Então, o que precisa ser feito? A Universidade não deve se comportar como uma empresa capitalista, mas ninguém pode descartar ou ignorar (o que é pior!) os princípios da administração moderna das empresas. A URCA precisa adotar medidas urgentes de administração moderna para acompanhar o mundo veloz da informação e das mudanças hipervelozes da realidade contemporânea, senão se tornará um centro de excelência acadêmico-ideológico fossilizado.
Obs.: Não basta apenas arranjar ou caçar culpados – precisamos demonstrar que sabemos administrar e bem!
Prof. DSc. (COPPE/UFRJ) Bernardo Melgaço da Silva – (88) 9201-9234

quinta-feira, 8 de maio de 2008

A GÊNESE DO CONHECIMENTO E DO AMOR HUMANO


O ser humano ao longo da história sempre teve a curiosidade de saber sobre a origem da consciência e do conhecimento humano. Do esforço humano de querer saber mais e melhor - e responder as suas dúvidas ou incertezas - nasceram obras e criações que encantaram gerações. E todos os dias continuamos a nos surpreender com os relatos de pessoas simples e com as explicações complexas de teorias construídas por cientistas brilhantes. Então, nos perguntamos com a velha curiosidade dos nossos antepassados: de onde vem esse poder criador e revelador de leis, princípios e fenômenos em suas diversas e infinitas manifestações? Em que área do cérebro ou da consciência se processa a criatividade e a sensibilidade fina onde a beleza e a inteligência humana se destacam e nos deixam num estado de assombro, encantamento e mistério? Entendo que não existe uma área ou lugar específico, mas um PROCESSO DIALÉTICO natural-existencial nas profundezas da consciência humana. É, portanto, nesse processo dialético sutil que a mente humana se conecta ou se re-liga (religare) para sintonizar e captar de uma esfera transcendente as leis e os princípios do mundo imanente. Em outras palavras, é no fundo da consciência no limite entre o físico e o metafísico que se dá o processo dialético-existencial. “Penso 99 vezes e nada descubro. Mergulho em profundo silêncio. E eis que a verdade me é revelada” - Einstein. E como muito bem afirmou Albert Einstein, a verdade é um processo de revelação. E também como ele mesmo chegou afirmar essa revelação acontece através de um “salto” de consciência. Esse “salto” de consciência é semelhante ao salto quântico da partícula no processo de formação da luz. E é interessante esse processo porque os cientistas que estudam o comportamento do cérebro humano já perceberam que áreas do cérebro acendem (se iluminam) quando se está num processo de reflexão.
A fronteira entre a dimensão física e a dimensão metafísica da consciência é semelhante a existente entre as dimensões da matéria e da anti-matéria. É como se houvesse um mundo paralelo ao da consciência comum onde pudéssemos atravessar e visitar assim que desejarmos e soubermos (é o que eu sinto em mim!). Na dimensão “física” da consciência somos seres imanentes, racionais, concretos, culturais, sociais, temporais - meio homem e meio animal - é o estado Eu-Isso na linguagem buberiana! Na dimensão “metafísica” da consciência somos seres transcendentes, intuitivos, sutis, cósmicos, a-temporais – meio homem e meio divino – é o Estado Eu-Tu na linguagem buberiana! E não é por acaso que em várias culturas e épocas a natureza humana foi representada por estátuas ou símbolos que caracterizavam esses dois estados: homem-animal, homem-divindade. Os santos da igreja católica representam essa dimensão e poder transcendente: homem-divindade. As esfinges no Egito antigo representavam essa dimensão e poder imanente: homem-animal. E na Grécia antiga os relatos míticos misturam a dimensão racional (humana-instintiva) com a dimensão irracional (divina-amorosa).
A luta feroz pela manutenção da consciência material insere o homem na sua dimensão “física” e o faz abandonar a sua dimensão “metafísica” num processo de exclusão ou “negação” da sua própria consciência superior transcendente. Nesse sentido, a nossa identidade se realiza na dimensão que nos incluímos consciente ou inconscientemente. O produto dessa inclusão é a evolução de cada um e ao mesmo tempo dos grupos sociais. Pois, a evolução se dá no grau de inclusão e experiência individual e coletivo que realizamos em quaisquer das duas dimensões. Seremos extremamente racionais e pragmáticos se escolhermos e nos incluirmos nas experiências “físicas”, ou seja, objetivas, históricas, sociais, funcionais e fragmentadas. E seremos extremamente intuitivos e sensíveis se escolhermos e nos incluirmos nas experiências vividas “metafísicas”, ou seja, subjetivas, a-históricas, cósmicas, compreensíveis e holísticas. A primeira corresponde ao que chamamos de experiências do CONHECIMENTO DA REALIDADE MATERIAL (humana-animal-mineral-vegetal), e a segunda corresponde ao que chamamos de vivências do AUTOCONHECIMENTO DA REALIDADE ESPIRITUAL (humana-divina). Historiadores descobriram que existiram em várias partes do planeta, culturas (p.ex.: TEOTIHUACAN no México) muito antigas que concebiam a realidade em pelo menos três mundos-dimensões: inframundos (realidade da fertilidade e dos mortos), mundo humano (realidade social) e o mundo celestial (realidade dos deuses). O teólogo brasileiro Leonardo Boff utiliza a imagem da árvore para representar as três dimensões dos mundos-realidades: a raiz (plano do corpo físico imanente), o tronco (plano da psique) e a copa (plano espiritual transcendente). O saber completo se realiza nessa inclusão e experiência-vivência desses três planos. Então, cada um DECIDE a sua própria re-evolução na inclusão e escolha consciente ou inconsciente (induzida) para realização das transformações, experiências e vivências necessárias!
Prof. Bernardo Melgaço da Silva – bernardomelgaco@hotmail.com - Núcleo de Estudos sobre Ciência, Espiritualidade e Filosofia – NECEF - URCA (http://www.urca.br/)

sábado, 3 de maio de 2008

A CIÊNCIA-PRIMEIRA

A ciência em toda a sua história foi uma atividade humana em busca de respostas e revelações sobre a realidade em seus diversos contextos, níveis e dimensões. Historicamente a ciência buscou responder o enigma da ordem, da causa e da origem de tudo. A realidade sempre se revelou ao homem insatisfeito e inquiridor, mas também guardou segredos tornando a busca humana sempre incompleta e indefinida. A ciência avança em cada descoberta, mas sempre se depara com o silêncio cósmico como se fosse uma falha natural e proposital colocada pela realidade em sua eterna manifestação de princípios e leis naturais. As ciências surgiram com o esforço espetacular da mente humana em querer compreender esse silêncio nas diversas facetas da realidade aparente e ao mesmo tempo invisível e transcendente. Hoje, temos vários tipos de ciência tais como as naturais, humanas, formais e sociais dentre tantas outras. As falhas foram sempre preenchidas com as críticas científicas, mas apesar disso a realidade continuou incessantemente criando inúmeras outras falhas provocando novas críticas num eterno movimento entre buracos e espaços preenchidos nos tempos vividos pela consciência humana. Nesse sentido, o diálogo nunca cessará entre a ciência e a realidade.
Hoje, empregamos no campo científico uma nova abordagem para dialogar com a realidade. E essa nova abordagem nasceu da necessidade humana em querer saber mais a respeito da estrutura sutil da matéria. No final do século XIX e início do século XX as mentes brilhantes de vários cientistas daquela época abriram uma porta da percepção que permitiu a ciência ver mundos jamais vistos pela mente e os sentidos humanos. A ciência rompeu com barreiras conceituais e ideológicas impregnadas nas teorias cartesianas e newtonianas e assim transcendeu a percepção e construção racional da ciência desse período histórico de sucesso. Uma nova linguagem, atitude e visão de realidade surgiu decorrente do salto qualitativo dado pela ciência a partir do final do século XIX. Mas, apesar desse salto qualitativo a ciência não percebeu que precisava desenvolver uma outra ciência paralela. A outra ciência paralela é a ciência de si ou a ciência-primeira: a ciência da ciência ou a metaciência.
Tudo indica, entretanto, que nesse século XXI a física quântica se aproximará das bases conceituais e metodológicas da ciência-primeira. Acredito que pelo fato da física quântica ter penetrado nos domínios da matéria sutil e ter-se defrontado com níveis de energia em diversos estratos da realidade microcósmica - e também pelo fato de alguns cientistas já terem percebido que o que chamamos de “consciência” é energia pura manifestada em decorrência das potencialidades humanas naturais intrínsecas - teremos num futuro muito próximo a compreensão definitiva de que a energia humana é parte indissociável da energia cósmica criadora presente no universo.
Em outras palavras, a ciência do futuro será aquela que unirá ciência e espiritualidade em prol da unidade e do equilíbrio ético-ecológico. Isto implica dizer que chegaremos definitivamente a percepção de que nossos valores éticos contribuem significativamente no diálogo profundo com a natureza e na formatação do mundo que criamos. Em síntese, a ciência do futuro constatará definitivamente que consciência é energia criadora e vice-versa, ou seja, que energia é também consciência criadora. Por isso, que a responsabilidade de todos – mesmo! - no “controle de qualidade” (aperfeiçoamento) dos pensamentos e sentimentos será vital para a preservação do planeta e da vida sustentável nele. Pois, se gerarmos pensamentos (ou visões de mundo) infundados (as) e estreitos (as) o mundo será conseqüência direta do que criamos nesse domínio sutil da consciência-energia: dor ou Amor, escuridão ou luz.
Prof. Bernardo Melgaço da Silva – bernardomelgaco@hotmail.com

sexta-feira, 2 de maio de 2008

A INSUSTENTÁVEL TRAJETÓRIA DO EGO

Muito tem se falado da condição instável da vida humana. A cada dia que se passa sentimos que caminhamos por trilhas de sofrimento, ilusão, violência e ignorância. Num mundo onde a roupa vale mais do que o corpo, e o corpo mais do que Espírito, o que poderemos esperar num futuro próximo? E quantos se enganam pensando estarem certos? O que vale mais: o poder do ouro ou o poder do caráter? Olhamos a nossa volta e encontramos uma vida planejada, mas desequilibrada; uma vida calculada, mas insensível; uma vida de luxúria, mas cercada por imensos oceanos de pobreza; uma vida cheia de setas psicológicas e ideológicas, mas sem sentido verdadeiro. O pequeno cone de percepção da vida utilitária não consegue mostrar a imensidão da vida multidimensional, interdependente e conectada com o cosmos em tudo e em todos. Busca-se poder sem perceber que nenhum poder material salva o homem da ignorância de se afastar do verdadeiro poder superior que transcende a conquista efêmera - – apenas psicológica! - do mundo externo material.
Quantas vezes intui o quanto acertei e fui atendido – em agosto de 1988 - ao pedir a Deus em oração uma vida e caminho sem poder material pragmático. Olho agora a minha volta e me certifico do mundo selvagem que vem se manifestando no campo das relações humanas. A luta pela sobrevivência apaga a memória espiritual de que somos seres transcendentes criadores de realidades. E que podemos escolher a realidade que assim desejarmos viver e trilhar rumo ao infinito da perfeição. E quase todos são envolvidos pelo véu do esquecimento de suas origens. Pois, raros são aqueles que se lembram de suas origens e identidades ontológicas – cósmicas! As ideologias que praticam obscurecem o mundo dos valores. As ciências que conhecem acabam desconhecendo a natureza da sua essência criadora. As religiões que seguem contemplam um deus limitado pelo raio de ação de suas razões sem Amor incondicional.
Mas, a natureza criadora é sábia e fará tudo para retornar ao eixo e ao centro da evolução e unidade cósmica. Aqueles que se acham superiores cairão em desgraças simplesmente pelo fato de não perceberem que na trajetória e força das leis criadoras não existe diferença entre bem e mal, céu e terra, macrocosmo e microcosmo, física e metafísica. Só existe complementariedade na identidade profunda em cada existência criada! A vida é renovação constante das forças complementares que agem na origem da criação-consciência. A morte não existe para quem já morreu um dia em vida. Isto porque, recebeu da natureza a vivência da experiência renovadora da criação. E a este fenômeno divino denomino TRANSCENDÊNCIA DO PODER CRIADOR. Em outras palavras, não existe um fim, mas recomeço e renovação, uma espécie de salto quântico evolucionário da existência.
Pobres daqueles que clamam por revolução fora da consciência de si mesmo! Estão cegos tentando conduzir milhares ou milhões de cegos como eles. Sinto compaixão por não poder agir num contexto onde é garantido o direito de experimentar e escolher, podendo-se como conseqüência – mesmo inconsciente! - amar ou sofrer, destruir o outro ou se autodestruir.
Assim, quem vê o outro como inimigo não sabe o que vê e muito menos sabe ser e perceber a sua imagem refletida na construção e criação psicológica do outro. Somos CRIADORES , inclusive e principalmente de imagens e falsas identidades. O que criamos pode ser tão profundo e belo guiado pelo poder do Amor, quanto pode ser tão superficial e feio guiado pelo poder do terror. Esses são os dois extremos criadores possíveis de serem experimentados e vivenciados por cada um de nós. Somos verdadeiramente heróis ou santos quando nos salvamos dando (morrendo para) a vida que criamos egoisticamente.
Portanto – VOCÊ MESMO DECIDE, SALVA E CRIA O SEU PRÓPRIO DESTINO!
Prof. Bernardo Melgaço da Silva e-mail: bernardomelgaco@hotmail.com

segunda-feira, 24 de março de 2008

MENSAGEM DE CHICO XAVIER: Se eu morrer antes de você (video) - PARA ASSISTIR CLICK EM LINKS CONVERGENTES AO LADO


LIVRO RECOMENDADO PELO NOSSO BLOG: O CÓDIGO CÓSMICO



Física: a mensagem e o código

- O CÓDIGO CÓSMICOHeinz R. Pagels.

Um cientista responde ao desafio actual de divulgar a ciência e tornar a tecnologia, compreensível.
Jorge Dias de Deus
"1 - A CONTINUADA situação de crise económica por que têm passado os países industrializados mais ou menos desenvolvidos em especial na Europa Ocidental, levou a um retraimento no investimento em Investigação Científica e Desenvolvimento. Os bons tempos do pós-guerra, que se estenderam até à década de 60, quando a confiança, na Ciência e na Tecnologia ainda era cega e os orçamentos fáceis, já passaram e talvez não estejam para voltar.
O que cientistas e tecnológicos, individualmente ou em instituições (caso da Royal Society), e em alguns casos até governos (caso da França), têm vindo a descobrir é que se a Ciência e a Tecnologia quiserem receber apoio social e económico têm que conquistar a população, os representantes políticos eleitos, os governantes, os empresários. À atitude «generosa» do cientista que se esforça por explicar ao «povo» as delicadezas e complicações da alta ciência está-se a sobrepor a atitude «política» do cientista que se esforça por explicar ao «público» as vantagens e interesse da ciência e tecnologia. É neste quadro de mudança, tendo talvez pouco a ver com épocas passadas, que deve hoje em dia ser vista a questão da divulgação científica.
A tarefa de divulgar a Ciência e de tornar a Tecnologia compreensível é actualmente uma tarefa essencial que se coloca à comunidade de cientistas e tecnológos nos países desenvolvidos. Sob pena dessa comunidade perder aceitação social e apoio da população que vota e que, em última análise, influencia as decisões. Em sociedades abertas e democráticas não podem de facto existir actividades acima de toda a suspeita, fechadas nos seus universozinhos de marfim - mas reclamando uma fatia no orçamento e uma fracção, pequena é certo, dos impostos.
A situação para os cientistas e tecnológos é (ou deveria ser) perfeitamente clara: há que chegar junto do público em geral, utilizar desinibidamente os meios de comunicação e toda a arte de cativar e entreter. Sem quaisquer complexos, sem timidez.
Como fizeram e fazem os charlatões da paraciência e os mestres da ficção científica.
Reconversão da imaginação
2 - VÊM estas linhas a propósito da observação do patriarca e prémio Nobel da Física Isidor Rabi de que os cientistas fizeram menos para transmitir ao grande público o que é a actividade científica do que os escritores de ficção científica. A observação é profunda e transmite bem o mal-estar da comunidade científica. É verdade que alguns nomes, poucos, se mostraram capazes de competir com os escritores de ficção científica ou de ser eles próprios escritores de ficção científica. Gamow, Asimov, Hoyla, Bronowski, Sagan são exemplos clássicos. Mas tal não chega. A mensagem de Rabi, sendo profunda, é ao mesmo tempo simples: há um espaço dos que se aproveitam da ciência a ser explorado pelos que fazem ciência.
A mensagem foi ouvida pelo profissional de ciência Heinz Pagels que decidiu, após ouvir Rabi - assim ele conta - escrever O Código Cósmico. O objectivo, apresentado na Introdução, é, aparentemente, claro «... eu desejo partilhar a excitação das recentes descobertas em física com as outras pessoas - descobertas que fornecem uma visão sobre a estrutura última da matéria, a origem e fim do universo, e a nova realidade quântica. Nos últimos dez anos os físicos aprenderam mais acerca do universo do que - nos séculos anteriores - eles desvendaram um novo quadro da realidade que requer uma reconversão da nossa imaginação. O mundo visível não é nem matéria nem espírito mas a invisível organização da energia.»
Como se vê Heinz Pagels propõe-se francamente responder às necessidades actuais da divulgação científica: abandono da torre de marfim e «desejo de partilhar» com os outros a vivência científica; uso da linguagem viva da ficção científica com chamada fácil à «origem e fim do universo»; um pouco de jornalismo sensacionalista com referência aos «últimos dez anos, etc.»; e um pouco de retórica cara à literatura para-científica com um mundo que «não é nem matéria nem espírito»...
3 – Quanto ao livro em si, ele é excelente. A primeira parte e também a mais longa, «0 Caminho para a Realidade Quântica», é a mais interessante e deveria constituir leitura obrigatória com a visão científica actual do mundo e compreender algumas das componentes subterrâneas que impregnam a cultura moderna. Pagels cumpre bem a promessa de explicar e transmitir aos outros a sua visão apaixonada e contagiante da ciência contemporânea.
Einstein, cuja biografia e actividade científica vêm descritas com bastante pormenor e de forma atraente,. é apresentado como o último grande clássico antes da época moderna. A sua crença na realidade objectiva exterior, na descrição completa espaço-temporal dessa mesma realidade, na construção lógica da teoria a partir de dados empíricos não o tornavam muito diferente de Newton.
De facto, pode imaginar-se o mundo de Einstein superiormente presidido por um clássico Deus que tem perante si o passado, o presente e o futuro, que vê as ligações todas entre as coisas e que conhece as causas e os mecanismos de transformação. Por outras palavras, Einstein tinha fé no determinismo clássico.
Ora, a nova ciência, que borbulhava no começo do século, a física quântica, iria abalar severamente todo esse esquema de super-homens e de realidades exteriores extra-humanas. Se Einstein tinha uma fé a defender, os jovens turcos de Mecânica quântica - Bohr, Heisenberg, Schrödinger, Dirac, Pauli e muitos outros - tinham um mundo a conquistar. Einstein fica para trás, isolado no seu grande génio, incapaz de percorrer os caminhos do acaso e da incerteza que os outros abriam.
O fim do determinismo
Segue-se no livro a história fascinante da Mecânica Quântica. Aí se assiste ao empenhamento da jovem geração em construir uma matemática consistente com as experiências sem quaisquer preocupações epistemológicas ou metafísicas. Heisenberg e Dirac, por um lado, elaboram a mecânica das matrizes. Broglie e Schrödinger, por outro, chegam à mecânica ondulatória. Uns e outros fazem, de facto, a Mecânica Quântica. Em ambos os casos se anuncia o fim do determinismo rígido e duma objectividade sem sujeitos. Com as relações de incerteza de Heisenberg afirma-se que não se pode ao mesmo tempo saber tudo sobre as partículas do mundo quântico. Com Max Born explicita-se a ideia de que o conhecimento da física quântica tem só um valor probabilístico. Não há caminhos pré-determinados e não há certezas absolutas.
É Niels Bohr que, com a. sua «Escola de Copenhague» fornece à fundamentação filosófica para a Mecânica Quântica. «É errado pensar que a tarefa da física é descobrir como se comporta a Natureza. A física trata só daquilo que nós podemos dizer sobre a Natureza» - afirma Bohr. Não há realidade em si, mas realidade observada. E há aspectos complementares dicotómicos, dessa realidade que impedem a descrição completa e o determinismo. Para Bohr, o fim do determinismo - tal como anteriormente o fim do geocentrismo ou do criacionismo - não era um defeito ou uma limitação da Mecânica Quântica. Representava um progresso na compreensão da realidade, com implicações filosóficas da maior importância.
A física quântica cresceu, desenvolveu-se e continua de boa saúde. Estendeu-se a muitos domínios como a electrónica, a biologia molecular, a supercondutividade. A Escola de Copenhague tornou-se dominante e aceite pela esmagadora maioria dos cientistas.
Mas não foi aceite por Einstein, que continuou agarrado ao determinismo e ao realismo clássicos. Se a mecânica quântica não era capaz de chegar ao realismo objectivo e ao determinismo rígido isso dever-se-ia ao facto da teoria ser incompleta, de existirem grandezas, variáveis que não estavam a ser tomadas em
conta. Nascia a famosa ideia, algo não científica, das variáveis escolhidas. Einstein, juntamente com Podolsky e Rosen, imaginaram em 1935 uma experiência que provaria o carácter incompleto e portanto insatisfatório da mecânica quântica. A discussão reacendeu-se envolvendo filósofos e físicos e foi-se mantendo, embora não muito animada e sem passar de discussão, durante cerca de 30 anos. Até que em 1965 John Bell descobre uma maneira experimental de decidir quem tinha razão, se o grupo de Einstein (e o realismo objectivo de determinismo rígido) ou a Escola de Copenhague (e o realismo de observação e o determinismo probabilístico). As experiências foram finalmente feitas em 1982-83 e muitas vezes repetidas, sempre com resultado favorável à mecânica quântica e à interpretação de Bohr.
As questões da objectividade e do determinismo nos termos postos pela teoria quântica não podem mais ser iludidas - essa a conclusão a tirar da discussão de Pagels. Fazem parte da cultura e fazem parte do futuro.
Decifrar o código
4 - A segunda parte do livro constitui uma breve história da física das partículas elementares: convencional, acessível, actualizada e útil.
Na terceira parte Pagels revela-nos a sua ideia sobre o Código Cósmico: «Eu penso que o universo é uma mensagem escrita em código, o código cósmico, e é tarefa do cientista decifrar esse código». A ideia em si não traz grande novidade, pois trata-se do velho problema da leitura do Livro da Natureza. O que é novo é considerar que esse código é fornecido pela física quântica.
E aqui voltamos à discussão da mecânica quântica e ao desenvolvimento nos últimos anos da física das partículas elementares, nos domínios do infinitamente grande e do infinitamente pequeno. Para Pagels, o contacto da humanidade com o mundo invisível dos quanta, e com as escalas do infinitamente grande e do infinitamente pequeno irá influenciar o destino da espécie humana. «O desafio está em tornar conscientes estas realidades invisíveis e em tornar humano os poderes encontrados». Um desafio que fica para a nossa Civilização: ou é capaz de social e culturalmente integrar a ciência e imaginar um futuro contando com os conhecimentos do código cósmico, ou irá antes perecer-ingloriamente por ignorância, por medo, por incapacidade de adaptação à nova ordem cósmica?
Ou estará Pagels a exagerar?"

(Ed. Gradiva, col. «Ciência Aberta», 1986, 416 págs./1000$00)

RESUMO DA PALESTRA A SER REALIZADA PELO PROF. BERNARDO MELGAÇO QUE ACONTECERÁ NO DIA 26 DE MARÇO DE 2008 (a partir das 16 hs) NO SALÃO DE ATOS DA URCA

RESUMO DA PALESTRA A SER REALIZADA PELO PROF. BERNARDO MELGAÇO QUE ACONTECERÁ NO DIA 26 DE MARÇO DE 2008 (a partir das 16 hs) NO SALÃO DE ATOS DA URCA COMO PARTE DO EVENTO “FESTA ANUAL DA ÁRVORE”
TÍTULO DA PALESTRA: A CRISE DO HOMEM MODERNO E A NOVA ABORDAGEM SISTÊMICA E HOLÍSTICA (HOMEM-NATUREZA-SOCIEDADE) DA REALIDADE
Vários cientistas no mundo inteiro vêm se esforçando para explicar o novo paradigma holístico e sistêmico da visão de mundo. Vários filmes, documentários, livros foram e estão sendo publicados, montados e socializados em vários países desenvolvidos no intuito de questionar a abordagem vigente cartesiana-newtoniana que ainda nos direciona e predomina em nossas universidades, escolas e na vida social costumeira - de como encaramos e reagimos nas relações com o mundo a nossa volta! A mente humana comum continua ainda presa, vivendo uma realidade construída nos séculos passados (até o final do século XVIII). Ainda não conseguimos romper ou quebrar culturalmente com a visão tradicional (cartesiana-newtoniana), por isso mesmo a ciência moderna encontra dificuldades em mudar e libertar a consciência (como ponto de vista do observador) social a partir de um novo paradigma construído como parte de um processo sutil, complexo e interdependente que existe e que afeta a todos diretamente, e que se encontra em outros níveis sutis de consciência, muito além do nosso campo de percepção (como matéria-prima para formação da consciência) racional comum.
Na concepção de realidade de FRITJOF CAPRA (O Ponto de Mutação) a “nova percepção não nasceu ainda, e a velha não morreu também”. Isso significa dizer, que estamos num processo de transição de estados de consciência, na passagem do estado de consciência da razão instrumental e pragmática para um nível superior de estado de consciência da intuição holística e sistêmica. Ou seja, estamos ainda no “meio da travessia de uma ponte hipotética entre o animal e o supra-humano”, segundo NIETSZCHE.
Essa palestra discutirá como poderemos entender a crise de mundo atual que se reflete nas diversas manifestações sociais e naturais (conflitos, guerras, escassez de energia, aquecimento global, inversão de valores etc.), a partir de uma abordagem emergente holística e sistêmica.

A FILOSOFIA DE VIDA DE CHARLES CHAPLIN (VIDEO) - PARA ASSISTIR CLICK NOS LINKS CONVERGENTES AO LADO


domingo, 23 de março de 2008

VISÃO GERAL DO PROCESSO DE PESQUISA

VISÃO GERAL DO PROCESSO DE PESQUISA. Esse esquema de orientação foi elaborado pelo professor Bernardo Melgaço após anos de pesquisa e também ministrando aulas na pós-graduação da Universidade Cândido Mendes (RJ). A figura acima aponta para três eixos básicos de qualquer processo de pesquisa: a) planejamento; b) empírico; c) teórico. O que significa dizer que a pesquisa passa necessariamente por uma construção que se apóia numa base teórica onde o pesquisador procura justificar e garantir sua tese a partir da seleção do tema, a formulação do problema e o enunciado das hipóteses. Esse esquema em blocos contém várias apostilas que fornecem o conteúdo para o entendimento completo do processo. Esse material está em CD gravado pelo professor MELGAÇO (com mais de 200 páginas). E está disponível para qualquer um que tenha interesse em pesquisar ou ministrar aulas sobre o assunto. Esse material gravado está fundamentado nos melhores livros e textos de projeto de pesquisa e elaboração de monografias.

sábado, 15 de março de 2008

O DESESPERO DA BUSCA ESPIRITUAL!


O DESESPERO DA BUSCA ESPIRITUAL!
primeira cena: os primeiros sinais de conflito e início da busca, qunado criança, de algo que não sabemos nada.
segunda cena: a idéia de religião como ponte de encontro de algo metafísico como resposta para os conflitos internos.
terceira cena: o psicanalista passa ser o sujeito que intervém em nossas confusões mentais para tentar colocar ordem sobre o desconhecido.
quarta cena: a disciplina do trabalho contínuo se torna o caminho das realizações materiais como parte do processo de transformação que desejamos realizar interiormente mas que acabamos projetando no mundo das realizações profissionais.
quinta cena: a droga (p. ex.: a cocaína) se torna a saída para nossas depressões e incompreensões sobre o mundo que não vemos e o mundo que nos vê e nos comanda.
sexta cena: o casamento é a instituição social que vai propor um caminho de felicidade que não alcançamos conscientemente no encontro e casamento do ego com o Self.
sétima cena: um belo dia acordamos e escutamos pela primeira vez a intuição falar de dentro de nós mesmos.
oitava cena: então corremos para o espelho do banheiro e olhamos para os nossos próprios lábios dizerem: você é a resposta - pare de ME (Eu divino) buscar fora de você!

quarta-feira, 12 de março de 2008

A FALTA DE CONSCIÊNCIA DE SI É O ÓPIO DO POVO

O caminho do autoconhecimento é "estreito e sua porta pequena". Poucos serão aqueles que conseguirão transcender o caminho do conhecimento racional em direção ao autoconhecimento, ou seja, da ciência para a ciência de si. Por isso, com muita maestria K. MARX afirmou: "Não é a religião que faz o homem. A religião é a consciência de si que o homem perdeu ou não adquiriu ainda..a falta da verdadeira religião [a consciência de si] é o ópio do povo".

A CIÊNCIA E SUA CLASSIFICAÇÃO


A ciência e a sua classificação (pelo Prof. Bernardo Melgaço). Os dois caminhos de ciência que a figura mostra refere-se aos dois caminhos trilhados pelo próprio professor-pesquisador MELGAÇO em 1988 momento em que iniciou sua dissertação de mestrado na COPPE/UFRJ.

AS TRÊS DIMENSÕES DA NATUREZA HUMANA E AS DUAS POSIÇÕES EXISTENCIAIS: INDIVÍDUO E PESSOA


AS TRÊS DIMENSÕES QUE O SER HUMANO MANIFESTA SEM SE PERCEBER, NA MAIORIA DAS VEZES, EM SEUS DOIS ESTADOS EXISTENCIAIS: SER INDIVÍDUO PERTENCENTE AO MUNDO CULTURAL, SOCIAL E TEMPORAL, E O SER PESSOA PERTENCENTE AO MUNDO ESPIRITUAL, A-TEMPORAL E CÓSMICO

CIÊNCIA E AUTOTRANSCENDÊNCIA: AMOR


Toda busca científica tem a finalidade, mesmo que inconsciente, de alcançar o estado alterado e transcendente do Amor - também conhecido como SAMADHI ou NIRVANA pelos orientais hinduistas e budistas. Já dizia FREUD (no livro MAL-ESTAR DA CIVILIZAÇÃO) que não havia dúvida sobre o que todos os homens e mulheres buscavam em suas vidas: a FELICIDADE (ou Amor). O ser humano perdido na direção e sentido desse "objeto" de realização máxima humana acaba se defrontando entre seguir dois caminhos: o desejo (libido), e o Amor profundo e espiritual. O primeiro ele definiu como Objeto do Amor, o segundo como o Fundamento da Civilização (ou seja a verdadeira Felicidade).

É PRECISO DEIXAR DE QUERER SER O CENTRO DO UNIVERSO


LIVRO RECOMENDADO PELO NOSSO BLOG: COMO SE FAZ UMA TESE

Na segunda capa encontramos:
“Umberto Eco enquanto professor a extrair, da sua atividade de pesquisador, os traços que alimentam sua relação com alunos na sala de aula, ou a nutrir a argúcia da sua investigação com as sugestões que brotam do quotidiano do professor. Em resumo, não se sabe a quem cabe a precedência, ao pesquisador ou ao professor; porém Como se Faz uma Tese é, sem sombra de dúvida, o relato da experiência de um pesquisador traduzida, praticamente, nas fórmulas didáticas de um professor que conhece o ofício”. Lucrécio D’Aléssio Ferrara

O FENÔMENO MAIS IMPORTANTE DA NOSSA EXISTÊNCIA “(...) O MAIOR DESTES É O AMOR": O DOM SUPREMO

“Todos nós, em algum momento, já fizemos esta pergunta: Qual é a coisa mais importante da nossa existência?
Queremos empregar nossos dias da melhor maneira, pois ninguém mais pode viver pela gente. Então, precisamos saber: para onde devemos dirigir nossos esforços, qual o supremo objetivo a ser alcançado?
Estamos acostumados a escutar que o tesouro mais importante do mundo espiritual é a fé. Nesta simples palavra se apóiam muitos séculos de religião.
Consideramos a Fé a coisa mais importante do mundo? Pois bem, estamos completamente errados.
“Ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei.”
(I Coríntios 13).
Paulo comparou a Fé com o Amor e concluiu: “(...) o maior destes é o Amor”. Deve ter sido muito difícil para Paulo dizer isto. Um homem costuma recomendar aos outros aquilo que, nele, é o ponto forte.
O amor não era o ponto forte de Paulo. Uma pessoa com senso de observação irá notar que, à medida que envelhecia, o apóstolo tornava-se mais tolerante, mais terno. Mas a mão que escreveu “ porém, o maior destes é o amor”, esteve muitas vezes manchada de sangue na juventude.
Além disso, esta carta aos coríntios não é o único documento a mostrar o Amor como o Dom Supremo. Todas as obras-primas do cristianismo concordam a este respeito. Pedro diz: “ acima de tudo, porém, tende amor intenso uns com os outros, porque o amor cobre multidão de pecados’.
E João vai mais longe: “Deus é amor’. Podemos ler, também, em outro texto de Paulo: “o cumprimento da lei é o Amor”.
Por que Paulo disse isto? Nessa época, os homens procuravam chegar até o paraíso cumprindo os dez mandamentos - e as centenas de outros mandamentos que eles haviam fabricado tendo como base as tábuas da Lei. Cumprir a lei era tudo. Era mais importante, inclusive, que viver.
Então Cristo disse: eu vou mostrar a vocês uma maneira mais simples de chegar ao pai. Se vocês aprenderem isto, podem fazer centenas de outras coisas sem medo de ofender a Deus. Amor.Se vocês amarem, estão cumprindo a lei, mesmo que não tenham consciência disto.
Podemos verificar por nós mesmos que este conselho funciona.
Peguemos um mandamento qualquer: “amar a Deus sobre todas as coisas” . Eis o Amor. “ Não tomar seu santo nome em vão” Ousaríamos falar superficialmente de alguém que não amamos?
“Guardar domingos e festas”.
Não ficamos muitas vezes ansiosos, esperando o dia de encontrar com quem amamos para nos dedicarmos ao Amor? Então, se amamos Deus, o mesmo há de acontecer.
O amor exige que obedeçamos todas as leis de Deus.
Quando um homem ama, é desnecessário exigir que honre seu pai e sua mãe, ou que não mate. Para o homem que quer bem a seu próximo é uma ofensa exigir que não roube – Como poderia roubar quem ama? E seria supérfluo pedir que não levante falso testemunho – pois jamais faria isto, como seria incapaz de desejar a pessoa que o outro ama.
Portanto, “o amor é o cumprimento da lei”.
O amor é a regra que resume todas as outras regras.
O amor é o mandamento que justifica todos os outros mandamentos.
O amor é o segredo da vida.
Paulo terminou aprendendo isto, e nos deu, na carta aos coríntios acima citada a melhor e mais importante descrição do Dom Supremo.

Paulo nos diz que o amor é uma coisa composta de muitas outras.
Como a luz. Aprendemos na escola que, se pegarmos um prisma e fizermos com que um raio de sol o atravesse, este raio se divide em sete cores.
As cores do arco-íris.
Paulo então pega o amor e faz com que atravesse o prisma de sua sensibilidade, dividindo-o nos seus elementos.
Paulo nos mostra o Arco-íris do amor, como o prisma atravessado por um raio nos mostra o Arco-íris da Luz.
E quais são estes elementos? São virtudes das quais ouvimos falar todos os dias, virtudes que podemos praticar em qualquer momento de nossas vidas. O amor é composto de nove ingredientes: Paciência, Bondade, generosidade, delicadeza, entrega, tolerância, inocência, sinceridade. Estas coisas compõem o bem supremo, estão na alma do homem que quer estar presente no mundo e próximo a Deus. Nós sempre escutamos falar muito do Amor a Deus.
Mas cristo nos fala do Amor ao homem.
Nós buscamos a paz nos Céus.
Cristo busca a paz na Terra.
Existe apenas uma coisa mais importante que a felicidade: é a santidade. Isto não está ao nosso alcance. Mas está ao nosso alcance fazer os outros felizes. Deus colocou isto em nossas mãos, e não nos custa quase nada. Se olharmos com cuidado, verificaremos que não nos custa absolutamente nada.Mesmo assim, por que relutamos em alegrar nosso próximo? A felicidade não é um bem, que se multiplica em cativeiro, nem é nada que diminui quando se dá. Ao contrário, somente semeando felicidade é que conseguimos aumentar nossa cota.
“Você procura grandes coisas em sua vida?”, pergunta o profeta. “Não as procure”. Por quê? Porque não existe grandeza nas coisas. As coisas não podem ser maiores do que elas mesmas. A única grandeza que existe é na entrega proporcionada pelo amor.
Sei que é muito difícil abrir mão de uma recompensa.
Mas é muito mais difícil não buscar uma recompensa naquilo que fazemos.
Quase todo mundo, neste momento, está seguindo uma pista falsa para chegar até a casa da felicidade. Pensa-se muito em ter e receber, em exibir, em conquistar, em ser servido um dia pelos outros. Isto é o que a maior parte das pessoas chama de realização.
Realização, entretanto, é dar e servir. O que quiser ser maior entre todos vocês, disse Cristo, que sirva a seu próximo. Quem quiser ser feliz deve colocar no amor o seu encontro com a vida. O resto não tem importância
Deus é amor. Um amor que, ao nos penetrar, suaviza, purifica, e a tudo transforma.Afasta o que está errado, renova, regenera, reconstrói o interior do homem.
O poder da vontade não transforma o homem.
O amor transforma.
Devemos fazer com que as pessoas confiem em nós assim estaremos bem perto do Amor. Só vamos conseguir isto se confiarmos nas pessoas.Podem nos ferir por causa na nossa atitude inocente, não significa nada perto da alegria que vamos passar e sentir diante da vida, não será mais necessário carregar pesadas armaduras, incômodos escudos, armas perigosas. A inocência nos protege.
Só podemos ajudar alguém, se nele confiarmos. Pois o respeito pelos outros termina fazendo com que recuperemos o respeito por nós mesmos.
Se acreditarmos que uma pessoa pode melhorar, e esta pessoa sente que a consideramos igual a nos mesmos, terá ouvidos para nossas palavras. Acreditará que pode se tornar uma pessoa melhor.
O crescimento espiritual aplica as mesmas leis usadas pelo corpo e pela alma. Se um homem não exercita seu braço jamais terá músculos. Se não exercita sua alma, jamais terá fortaleza de caráter, nem ideais, nem a beleza do crescimento espiritual.
O amor não é um momento de entusiasmo.
O amor é uma rica, forte e generosa expressão de nossas vidas – a personalidade do homem em seu mais completo desenvolvimento.
E, para construir isto, precisamos de uma prática constante.
Lembre-se das palavras de Goethe: “O talento se desenvolve na solidão; o caráter no rio da vida”.
O talento se desenvolve na solidão; a prece, a Fé, a meditação, a visão clara da vida.Lembre-se aqui o Amor não foi definido, porque jamais isto pode ser feito.Foram abordados apenas aspectos.
A luz é muito mais que a soma de seus componentes – é algo que brilha, fulgurante, no espaço.
E o amor é muito mais que as soma de todos os seus ingredientes - è uma coisa viva, palpitante, divina.
Se misturarmos todas as cores do arco-íris, tudo que conseguimos criar é a cor branca – não conseguimos fazer a luz.
Portanto tente livrar-se do preconceito de que a busca espiritual existe por acaso, ou capricho, ou por nosso gosto por mistério. Ela está ai por causa de uma lei natural – ou melhor, espiritual, porque é uma lei divina. Edward Irving visitava um menino que estava morrendo. Ao entrar no quarto, colocou a mão na testa do garoto e disse: “Garoto, Deus te ama.”
Não disse mais nada. Saiu em seguida.
O garoto levantou-se, chamou todas as pessoas da casa, e gritava: Deus me ama! Deus me ama!A mudança foi completa; a certeza de que deus o amava lhe deu forças, destruiu o que havia de mal, e permitiu sua transformação.
Da mesma maneira, o amor derrete o mal que existe no coração de um homem, e o transforma em uma nova criatura – paciente, humilde, tolerante, gentil, entregue, sincera.
Não existe nenhuma outra maneira de conseguir amar – e tampouco há qualquer mistério sobre isto. Nós amamos os outros, amamos a nós mesmos, amamos nossos inimigos, porque, primeiro, fomos amados por Ele (Deus)”.
Texto retirado do livro O DOM SUPREMO de Henry Drummond

HOMENAGEM AO MESTRE EGIDIO VECCHIO


"Um dia chegaste a meu consultório pedindo que eu te curasse
Nesse dia, eu te esperava, pretendendo curar-te.
Eram duas esperanças duas ilusões, duas necessidades
Eu necessitava confirmar que tanta ciência era eficaz.
Tratei-te, tecnicamente, como se fosses uma máquina
Com motores desajustados e peças soltas
Quis diagnosticar-te, colocar ordem em ti, modificar-te
Fracassei, fracassei, fracassei, fracassei
Tu procuravas um mágico que te desse receitas
Um doutor que te curasse, com pílulas ou com palavras
E eu te tratei quase como um objeto sem vida
Como uma coisa enferma, sem alma
Eu sabia, sabia, sabia muitas coisas...que tu necessitavas
Não te dei as pílulas que procuravas
Não pronunciei as mágicas palavras que esperavas
Fracassamos. Tu em tuas expectativas. Eu nas minhas.
Todavia não havia descoberto
Que a Terapia é função do Encontro
Todavia eu não sabia que não podia curar
E que, se te queria ajudar,
Antes devia esquecer minha ciência e meus doutorados
Para te ouvir, para te ajudar, para te amar,
Hoje já aprendi que na terapia
Não somos dois: Um doutor OK e um paciente Não OK
Somos uma mesma coisa no Encontro terapêutico
Eu sou tu, sentindo teu problema
Sem envolver-me nele
Tu és eu, vivendo uma nova experiência
Sem depender de mim.
Te aceito e me aceitas, me dou e te dás
Surge o diálogo, profundamente humano
Onde tu sabes e eu sei
Onde tu aprendes e eu aprendo
Onde eu te escuto para que tu possas escutar-te.
Onde o muito que sei é só para ajudar-te
Onde o muito que sabes te ajuda e me ajuda
A aprender mais.
Nosso diálogo não consiste em um mútuo falarmos
Consiste em escutarmos um ao outro
Calmamente, atenciosamente, profundamente
Quando aprendes a escutar a minha voz
Logo mesmo podes aprender a escutar tua própria voz
[...]Se queres aprender a viver
Desaprende o que aprendeste a não-viver
Condicionaram-te, condicionaram-te
Ensinaram-te a ser egoísta e a competir
Ensinaram-te como as feras, a matar para viver
Disseram-te que deves conquistar tua oportunidade
E nunca perdoar, e sempre desconfiar
E que não deves mostrar o que sentes
E que se és um lobo deves vestir pele de cordeiro
Teus pensamentos e teus sentimentos se tornaram divergentes
[...] Pais, educadores, sociedade, tradições
Cada um descarregou seu passado em ti
Vestes cada um desses modelos
Quando te comportas como eles te ensinaram
Mensagens de pureza branca
Mensagens negras de morte e suicídio
Mensagens cor-de-rosa, ingênuas,
Que só esperam Papai Noel
Vermelhas de raiva, esverdeadas de ódio
Amarelas de melancolia e tristeza
Cinzentas e apagadas com a depressão
Mensagens de angústia na competição
Portadoras de ansiedade na insegurança
Mensagens, mensagens, mensagens
Mil cores, mil estímulos, mil setas
Penetrando em tua mente nova
Não existas, Não penses, Não sintas".

FIEL A TI - EGIDIO VECCHIO

O DOLOROSO PARTO DE UMA NOVA ERA

"Existem razões para crer que a Idade Moderna terminou. Muitos sinais indicam que estamos atravessando um período de transição em que algo está morrendo e algo está nascendo, num parto doloroso.
Está ocorrendo uma amálgama de culturas. Uma era está sucedendo a outra e, como nossa civilização não tem um estilo próprio unificado, nem um espírito próprio, nem uma estética própria, qualquer coisa pode acontecer. Tudo é possível, mas nada é certo.
Como em período de transição anteriores, estão sendo agora derrubados até os mais consistentes sistemas de valores e existe uma tendência a citar as opiniões alheias, a imitar e amplificar, em vez de afirmar com autoridade ou integrar.
O sinal central e característico deste período é a crise, ou a transformação da ciência como base da concepção moderna do mundo.
O vertiginoso desenvolvimento desta ciência, com sua fé incondicional na realidade objetiva e sua completa dependência das leis gerais e racionais do conhecimento, conduziu ao nascimento da civilização tecnológica moderna.
Mas a relação com o mundo, que a ciência moderna promove, parece agora ter esgotado sua potencialidade. Torna-se cada vez mais claro que está faltando alguma coisa a esta relação, pois não se consegue ligar à mais intrínseca natureza da realidade nem à experiência natural do homem e, na realidade, é mais uma fonte de desintegração e de dúvidas do que de integração e de sentido.
Produz um estado de esquizofrenia em que o homem, como observador, está se alienando completamente de si mesmo como ser. Embora atualmente saibamos infinitamente mais a respeito do universo do que nossos antepassados, parece cada vez mais claro que eles sabiam algo que nos escapa.
Quanto mais a fundo são descritos nossos órgãos e suas funções, tanto menos conseguimos captar o espírito, o propósito e o significado do sistema que eles formam em seu conjunto e constitui nosso próprio "eu".
Assim, estamos numa situação paradoxal. Desfrutamos de todas as conquistas da civilização moderna, mas não sabemos para onde ir. O mundo de nossas vivências parece caótico, desconexo e confuso.
Em nossa percepção do mundo parece não haver forças integradoras, nem significados unificadores, nem uma verdadeira compreensão interior dos fenômenos.
Esse estado de coisas tem conseqüências sociais e políticas. Esta singular civilização planetária, a que todos pertencemos, nos põe em confronto com desafios globais, perante os quais reagimos sem esperança, porque ela globalizou apenas a superfície de nossas vidas.
E, ao que parece, quanto menos respostas esta era de conhecimento racional oferece às perguntas básicas do ser humano, tanto mais profundamente as pessoas se aferram às velhas certezas de sua tribo. Por isso, as culturas individuais, cada vez mais misturadas pela civilização contemporânea, estão tentando com renovados impulsos readquirir ou reforçar sua identidade, reconhecendo-se em suas próprias características internas e ressaltando as diferenças que as separam das outras.
Daí resulta que os conflitos culturais são, logicamente, cada vez mais perigosos e mais difíceis de resolver do que em qualquer outro período da história.
O fim da era do racionalismo foi catastrófico: apetrechados com as mesmas armas supermodernas de outrora, freqüentemente obtidas das mãos dos fornecedores de sempre, e acompanhados pontualmente pelas câmaras de TV, os membros de variados cultos tribais estão em guerra entre si.
Durante o dia, trabalhamos com as estatísticas e, ao anoitecer, consultamos a astrologia e nos assustamos com histórias truculentas sobre vampiros.
O abismo entre o racional e o espiritual, a técnica e a moral ou universo e o singular se torna cada vez mais profundo.
Os políticos, logicamente, estão preocupados em garantir a sobrevivência de uma civilização ao mesmo tempo global e multicultural. Eles indagam como fazer para pôr em funcionamento mecanismos de convivência pacífica, respeitados por todos, e quais devem ser os princípios gerais a estabelecer. A necessidade de responder com urgência especial a estas perguntas foi ressaltada pelos dois mais importantes acontecimentos políticos da segunda metade do século 20: o colapso da hegemonia cultural e a queda do comunismo.
A ordem mundial artificial das décadas passadas desmoronou, mas ainda não surgiu uma ordem nova e mais justa.
A principal tarefa política dos últimos anos deste século é, portanto, criar um novo modelo de coexistência entre as diferentes culturas, povos, raças e esferas religiosas, dentro de uma única civilização interconectada.
Esta tarefa é sobretudo extremamente urgente, pois estão aumentando de forma mais séria do que nunca outras ameaças contra a humanidade, provocadas pelo desenvolvimento unidimensional. da civilização.
Na busca de fontes mais naturais para a criação de uma nova ordem mundial geralmente recorremos às idéias básicas da democracia moderna: respeito pelo ser humano como indivíduo, tanto homem como mulher, e por suas liberdades e direitos inalienáveis, bem como pelo princípio de que todo o poder vem do povo.
Sinto porém, com cada vez mais força, que estas idéias não são suficientes, mas devemos ir mais além e mais fundo. A solução que elas oferecem ainda é moderna e tem origem num clima do Século das Luzes, bem como numa visão do homem e de seu relacionamento com o mundo que foi característica da esfera euro-americana durante os dois últimos séculos.
Contudo, hoje em dia, as soluções clássicas da era moderna não dão por si mesmas uma resposta satisfatória aos problemas apresentados.
O mesmo princípio de que os direitos inalienáveis do homem foram concedidos pelo Criador nasceu da noção tipicamente moderna de que o ser humano era o pináculo da criação e o senhor do mundo.
Este moderno antropomorfismo pretende, inevitavelmente, dizer que o Criador, que, segundo se afirma, outorgou ao homem seus direitos inalienáveis, começa a desaparecer do mundo.
O Criador, que estava muito além da compreensão e do alcance da ciência moderna, foi sendo gradualmente empurrado para a esfera privada das pessoas e mesmo para a esfera das fantasias privadas, isto é, para um lugar onde os deveres públicos não se aplicavam mais.
Na minha opinião, a idéia de que os direitos e as liberdades do homem devem ser parte integral de toda ordem mundial legítima precisa ser aplicada num lugar diferente e de um modo diverso atual.
Para ser algo mais que um slogan repetido e não respeitado pela metade do mundo, esta idéia não pode ser expressa na linguagem desta era agonizante, caracterizada pela fé numa relação puramente científica com o mundo.
Hoje, a única verdadeira esperança das pessoas reside, provavelmente, na renovação da certeza de que estamos enraizados na terra e, ao mesmo tempo, no cosmos. A consciência deste enraizamento nos dá a capacidade de autotranscendência.
Nos foros internacionais, os políticos podem reiterar mil vezes que a base para uma nova ordem mundial é o respeito universal pelos direitos humanos, mas este não significará nada se o imperativo não vier do respeito pelo milagre do ser, do universo, da natureza e de nossa própria existência.
No mundo atual, multicultural, o único caminho seguro para a coexistência pacífica deverá ser inspirado pela autotranscendência, porque a transcendência é a única alternativa real para a extinção.
Penso que o homem só poderá se realizar na liberdade, se não esquecer que esta é um dom de seu Criador". Vaclav Havel
Vaclav Havel, escritor, é [ex-]presidente da República Checa.
(JORNAL O ESTADO DE SÃO PAULO - 23/04/95 - PAG.A2)

terça-feira, 11 de março de 2008

HOMENAGEM A SÃO FRANCISCO DE ASSIS: PAI, ILUMINE NOSSOS PASSOS


Senhor, colocaste Seus filhos aqui nesse pedaço de terra e cosmos. E o que eles aprenderam? Aprendemos a negar o outro, a competir com o outro, a ver o outro como cliente ou inimigo. Aprendemos muita coisa e desaprendemos o que deveria ser essencial: amarmos uns aos outros. O caminho foi longo cheio de enganos e desvios. Por todos os lados Seus filhos lutam pelo poder e supremacia sobre os demais. Em nome de uma verdade técnica, ideológica ou religiosa acabam se estranhando. Formamos feudos de interesses e negócios. A aproximação só se dá se há um interesse na relação! Muitos de nós não aceita que viemos do todo holístico da Sua Consciência Cósmica-Amorosa. Preferimos outras concepções onde o homem só faz sentido se lutar e diminuir o seu semelhante na escalada do sucesso material, técnico e ideológico. De nada adiantou as boas referências humanas que deixastes no caminho. A memória humana é fraca e volátil. Somos seres errantes e vulneráveis. Somos seres de pequenas grandezas e imensas falhas. Poucos são aqueles que conseguem se superar e inverter essa condição. O que vale é ser mais competitivo e intolerante. O que vale é ter mais razão e ser menos a intuição. Preferimos o instinto do que compreendermos as leis que governam o Seu universo; preferimos viver na escuridão e barulho mental das nossas crenças infundadas do que aprendermos a ouvir o silêncio da Sua Luz-Revelação; preferimos a morte da degradação do que a vida da superação. Somos escravos de nossas fraquezas. Estamos hipnotizados pelos nossos modelos e processos destrutivos. Acreditamos no terrível teatro do conflito do que na mágica maravilhosa do encontro irmão. Esquecemos a Sua Presença Divina e só lembramos das nossas identidades-necessidades egoístas.
Pai, por tudo isso ilumina nossos passos. E nos dê a consciência holística para que possamos de uma vez por toda compreender as conexões sutis das partes na formação do todo real subjacente. Eu sei que Tu habitas nas camadas profundas da nossa existência - a espera de um passo em Sua direção! Faça de nós sua Verdade nos dando sabedoria e paz interior. Vejo o mundo sem referências perdido nas invenções e projeções vazias de significado e valor. Assim, cria em nós um coração amante e sábio; faça de Seu Verbo a luz da nossa compreensão; faça com que sejamos homens de verdade e não apenas seres errantes em busca de prazeres e poderes materiais ou políticos. Creio, que a melhor maneira de Te ouvir é amar os Seus ensinamentos e praticá-los com fé e sinceridade. Faça de nossa consciência um canal de luz e verdade. Mas, por favor não nos deixe cair em tentação. E livra-nos do mal e de toda inverdade e difamação. E não permita que de nossas bocas pronunciemos acusações vãs. E que a Sua Justiça seja feita contra a nossa própria vontade para que possamos nos libertar do mal que é a nossa fraqueza e intolerância humana.
Pai, por favor ilumine nossas consciências e oriente nossos passos nessa estrada longa da vida. Ajuda-me a amar meus inimigos e vê-los como irmãos. Retire de nós o véu da ignorância e insensatez. Mostre-nos o caminho da Verdade e da Compaixão. Perdoe-nos dando a cada um o mérito da conquista na travessia difícil no mar da ilusão humana. Toque-nos com maestria e faça-nos acordar desse sono eterno. Cegue-me com sua Luz-Verdade e ressuscite a minha visão de Ti. Amém!
OBS.: Assista o filme FRANCESCO e ore por todos nós!
Prof. Bernardo Melgaço da Silva

LIVRO RECOMENDADO PELO NOSSO BLOG: AMI - O MENINO DAS ESTRELAS (DIÁLOGO ENTRE UMA CRIANÇA TERRESTRE (PEDRINHO) E UMA OUTRA EXTRATERRESTRE (AMI))

Na página de apresentação do livro encontramos:
“É difícil aos dez anos de idade escrever um livro. Nesta idade ninguém entende muito de literatura... nem se interessa demais; mas eu [Pedrinho] vou ter que fazer isso, porque Ami disse que se eu o quisesse ver novamente deveria relatar em um livro o que eu vivi a seu lado.
Ele me advertiu que entre os adultos, muito poucos me entenderiam, porque para eles era mais fácil acreditar no terrível do que no maravilhoso.
Para evitar problemas ele me recomendou que dissesse que tudo era uma fantasia, uma história para crianças.
Eu vou obedecer-lhe ISTO É UMA HISTÓRIA” (p.3).
DIÁLOGO ENTRE O MENINO CHILENO (Pedrinho) E O "MENINO" EXTRATERRESTRE (Ami):
“- [Pedrinho] Mas talvez existam mundos com seres inteligentes e malvados...
- “Inteligentes e malvados”! - Ami dava risada - Isso é como dizer bons-maus.
Eu [Pedrinho] não conseguia compreender. E esses cientistas loucos e perversos que inventam armas para destruir o mundo, contra os quais Batman e Superman lutam? Ami captou meu pensamento e explicou rindo:
- Esses não são inteligentes; são loucos.
- Bom, então é possível que exista um mundo de cientistas loucos que poderiam nos destruir...
- Além dos daqui da Terra, impossível...
- Por quê?
- Porque se são loucos, destroem-se a si mesmos primeiro. Não conseguem obter o nível científico necessário para poder abandonar seus planetas e partir para invadir outros mundos. É mais fácil construir bombas do que naves intergaláticas, e se uma civilização não tem bondade e alcança um alto nível científico, mais cedo ou mais tarde vai utilizar seu poder científico contra si mesma, muito antes de poder partir para outros mundos.
- Mas em algum planeta poderiam sobreviver, por casualidade...
- Casualidade? No meu idioma não existe essa palavra. Que significa casualidade?
Tive de dar vários exemplos para que ele compreendesse. Quando consegui, ele achou engraçado. Disse que tudo está relacionado, mas que nós não compreendemos a lei que une todas as coisas, ou não a queremos ver.
- É que se são tantos os milhões de mundos, como você diz, poderiam sobreviver alguns malvados sem se destruir. Eu continuando na possibilidade dos invasores. Ami tentou fazer-me compreender:
- Imagine que muitas pessoas têm que pegar uma barra de ferro quente, uma a uma, com as mãos nuas. Qual é a possibilidade de que alguma não se queime?
- Nenhuma; todas se queimam - respondi.
- É assim mesmo, todos os malvados se autodestroem se não conseguem superar sua maldade. Ninguém escapa da lei que rege esse assunto.
- Que lei?
- Quando o nível científico de um mundo supera em muito o nível de amor, esse mundo se autodestrói...
- Nível de amor?
Podia entender com clareza o que é o nível científico de um planeta, mas não compreendia o que era o “nível de amor”.
- A coisa mais simples é, para alguns, a mais difícil de compreender...o amor é uma força, uma vibração, uma energia cujos efeitos podem ser medidos por nossos instrumentos. Se o nível de amor de um mundo é baixo, existe infelicidade coletiva, ódio, violência, separatismo, guerras e...com um nível perigosamente alto de capacidade destrutiva...compreende-me, Pedrinho?
- Em geral, não. O que você quer dizer?
- DEVO lhe dizer muitas coisas, mas vamos aos poucos. Começamos por suas dúvidas.
Ainda não podia acreditar que não existissem monstros invasores. Contei-lhe um filme no qual “extraterrestres lagartos” dominavam muitos planetas porque estavam muito bem organizados. Ele disse:
- Sem amor não pode existir uma organização duradoura. Nesse caso, é preciso obrigar, forçar. Ao final, aparece a rebeldia, a divisão e a destruição. Só existe uma forma universal perfeita de organização, capaz de assegurar a sobrevivência, e é possível naturalmente quando uma civilização se aproxima ao amor, quando evolui. Os mundos que chegam a isso são evoluídos, civilizados, não fazem mal a ninguém. Não existe nenhuma outra alternativa em todo o universo. Uma inteligência maior do que a nossa inventou tudo isso....
Eu continuei sem compreender nem uma palavra, apesar de que depois ele conseguiu me explicar melhor; no momento eu continuava com dúvidas a respeito dos monstros inteligentes e malvados.
- Televisão demais! - exclamou Ami, para logo acrescentar:
- Os monstros que imaginamos estão dentro de nós mesmos. Enquanto não os abandonamos, não merecemos alcançar as maravilhas do universo...Os malvados não são bonitos nem inteligentes.
- Mas... e essas mulheres lindas e malvadas que aparecem nos filmes?
- Ou não são lindas ou não são más...A verdadeira inteligência, a bondade e a beleza andam de mãos dadas; tudo é conseqüência do mesmo processo evolutivo que leva ao amor.
- Então você quer dizer que não há gente malvada no universo, além dos daqui da Terra?
- Claro que há. Existem mundos nos quais você não poderia sobreviver nem meia hora. Aqui mesmo, na Terra, há um milhão de anos... Existem mundos habitados por verdadeiros monstros humanos...
- Está vendo, está vendo? - exclamei triunfante - você mesmo reconhece, eu tinha razão; eu estava me referindo a esses monstros...
- Mas não se preocupe; eles estão “embaixo”, não “em cima”, habitam mundos mais atrasados do que este; suas mentes não lhes permitem nem mesmo conhecer a roda, assim que não vão chegar até aqui...
Isso era tranqüilizador.
- Então depois de tudo, os terrícolas não são os mais malvados do universo...
- Não; mas você é um dos mais bobinhos da galáxia!
Rimos como bons amigos.”(p.19-21).
“- Ah, sim! Você quer dizer que aqui também estamos correndo perigo, como nos mundos dos malvados?
- Existem muitas possibilidades. A relação entre a ciência e o amor está terrivelmente inclinada para o lado da ciência; milhões de civilizações como esta se autodestruíram. É um ponto de mudança...perigoso” (p.26).
“Eu estava realmente nervoso. Comecei a procurar uma solução para evitar a guerra e a possível destruição da humanidade. Pensei que os extraterrestres poderiam tomar o poder pela força na Terra, destruir as bombas e nos obrigar a viver em paz. Disse isso a ele. Quando parou de rir, afirmou que eu não conseguia deixar de ser terrícola ao pensar.
- Por quê?
- Pela força, destruir, obrigar, tudo isso é terrícola, incivilizado, violência. A liberdade humana é algo sagrado, tanto a nossa como a alheia. Obrigar não existe em nossos mundos; cada pessoa é valiosa e respeitada. Pela força e destruição é violência, o que vem de “violar”; violar a Lei do Universo...
- Então vocês não fazem a guerra? - Ainda não tinha terminado de fazer esta pergunta quando me senti estúpido por tê-la feito.
Olhou-me com carinho e colocando sua mão no meu ombro, disse:
- Nós não fazemos a guerra, porque acreditamos em Deus.
Sua resposta surpreendeu-me muito. Eu também acreditava em Deus, mas ultimamente estava pensando que somente os padres do meu colégio acreditavam Nele, e também as pessoas com pouca cultura, porque tenho um tio que é físico nuclear da Universidade e ele diz que “a inteligência matou Deus”.
- Seu tio é um tolo - afirmou Ami, depois de ler meus pensamentos.
- Não acho; ele é considerado um dos homens mais inteligentes do país.
- É um tolo - Ami insistia - a maçã pode matar a macieira? A onda pode matar o mar?’...
- Pensei que...
- Enganou-se. Deus existe.” (p.27).
“Começamos a andar pelo caminho que vai ao povoado. Colocou seu braço no meu ombro e senti nele o irmão que nunca tive.
De longe se escutavam algumas aves noturnas a grasnar. Ami parecia deleitar-se com esses sons; inspirou o ar marítimo e disse:
- Deus não tem aparência humana - seu rosto brilhava na noite ao falar do Criador - não tem forma alguma, não é uma pessoa como você ou como eu. É um Ser infinito, pura energia criadora...puro amor...
- Ah!
Ele dizia isso de uma maneira tão bela, que conseguia que eu me emocionasse.
- Por isso, o universo é lindo e bom...É maravilhoso” (p.28).
“- Ah, sim!
- Aqueles que viveram existências difíceis, violentas, quando conseguem atingir uma vida mais humana a valorizam como ninguém...Se nunca existisse noite, não poderíamos desfrutar o amanhecer...”(p.28).
“Enquanto caminhávamos, ele se detinha para olhar a lua entre as folhas de eucaliptos, às vezes me dizia que ficássemos a ouvir o coaxar das rãs, o canto dos grilos noturnos, o longínquo ruído das ondas. Detinha-se a respirar o aroma dos pinheiros, do córtex das árvores, da terra, a observar uma casa que ele achava bonita, uma rua ou um cantinho em uma esquina.
- Veja que lindos esses candeeiros...parecem um quadro...observe como cai a luz sobre essa trepadeira...e essas anteninhas recortadas contra as estrelas...A vida não tem outro propósito que o de se desfrutá-la de uma maneira sã, Pedrinho.
Procure colocar sua atenção em tudo o que a vida lhe proporciona...A maravilha está em cada instante...Tente sentir, perceber, em lugar de pensar. O sentido profundo da vida está além do pensamento...Sabe, Pedrinho, a vida é um conto de fadas feito realidade... é um dom maravilhoso que Deus lhe brinda... porque Deus o ama...
Suas palavras me faziam ver as coisas de um novo ponto de vista. Parecia-me incrível que esse mundo fosse o habitual, o de todos os dias, ao qual eu jamais prestava atenção...agora percebia que vivia no Paraíso, sem nunca ter percebido antes...”(p.31).
“- Incivilizados?
- Chamamos incivilizados aos mundos que não respeitam os três requisitos básicos...
- Quais são?
- Os três requisitos básicos que um mundo deve respeitar para ser considerado civilizado são: primeiro, conhecer a Lei fundamental do universo; uma vez que se conhece e se pratica esta lei, é muito fácil cumprir os outros dois. Segundo, constituir uma unidade: devem ter um só Governo Mundial. Terceiro, devem organizar-se de acordo com a Lei fundamental do universo” (p.32).
“Ami parecia saber mais de mim, do que eu mesmo...
- Esse livro vai ser informação também. Mais do que fazemos, não nos é permitido. Você gostaria que não existisse a menor possibilidade de que uma civilização de malvados venha invadir a Terra?
- Sim.
- Está vendo? Mas se vocês não deixam de lado a sua maldade e nós os ajudamos a sobreviver, rapidamente estariam tentando dominar, explorar e conquistar outras civilizações do espaço...mas o universo civilizado é um lugar de paz e de amor, de confraternização. Além disso, existem outras qualidades de energias muito poderosas. A energia atômica ao lado delas é como um fósforo ao lado do sol...Não podemos correr o risco de que uma espécie violenta chegue a controlar essa energia e colocar em perigo a paz dos mundos evoluídos, e, muito menos, que chegue a produzir um descalabro cósmico” (pp.34-35).
“Ami riu muito da minha afirmação.
- Você se lembra quando vínhamos pelo caminho?
- Sim, lembro-me.
- Ali tudo lhe pareceu diferente, tudo lhe pareceu lindo, não é verdade...?
- Ah, sim...parece que lá era como se eu estivesse hipnotizado...Talvez você tenha me hipnotizado!
- Estava acordado! Agora está adormecido, pensando que a vida não tem nenhuma maravilha, que tudo é perigoso. Você está hipnotizado, não escuta o mar, não percebe os aromas da noite, não toma consciência de seu caminhar nem de sua vista, não desfruta da sua respiração. Você está hipnotizado com hipnose negativa, está como essas pessoas [indivíduos] que pensam que a guerra tem algum sentido “glorioso”, como os que supõem que quem não compartilha sua própria hipnose é seu inimigo, todos estão hipnotizados, adormecidos. Cada vez que alguém começa a sentir que a vida ou um momento são lindos, então este alguém está começando a acordar. Uma pessoa desperta sabe que a vida é um paraíso maravilhoso e o desfruta instante a instante...mas não vamos pedir tanto a um mundo incivilizado...Imagine que tem pessoas [indivíduos] que se suicidam...já pensou que loucura? Suicidam-se!
...Veja, Pedrinho, todas as pessoas [indivíduos] têm um lado bom, um lado infantil. Quase ninguém é completamente mau. Se você quiser, vamos a uma prisão e rocuramos o pior criminoso.
- Não, obrigado.
- Em geral, as pessoas [o ser humano] são mais bondosas do que malvadas, inclusive neste planeta. Todos pensam que estão fazendo um bem com o que fazem. Alguns se enganam, mas não é maldade, é erro. É certo que quando estão adormecidos ficam sérios e até perigosos, mas se você os toca pelo lado bom, eles vão lhe devolver o que há de bom neles; se você os toca pelo lado negativo, eles vão lhe devolver o que há de negativo neles; apesar disso, todo mundo gosta de brincar de vez em quando.
- Então por que neste mundo existe mais infelicidade do que felicidade?
- Não é que as pessoas [indivíduos] sejam malvadas, são os sistemas que utilizam para se organizar que são velhos. As pessoas evoluíram, os sistemas ficaram atrasados. Sistemas ruins fazem as pessoas [indivíduos] sofre, vão fazendo as pessoas [indivíduos] ficar infelizes, e no final as levam a cometer erros. Mas um bom sistema de organização mundial é capaz de transformar os maus em bons.
Não compreendi muito bem suas explicações” (pp.37-38)
“Em outra das telas apareceu o homem, mas estava quase transparente. No centro de seu peito brilhava uma luz dourada muito linda.
- Que luz é essa?
- Podemos dizer que é a quantidade de amor que existe nele, mas não seria tão exato; é mais certo dizer que é o efeito que a força do amor exerce sobre a sua alma. E também seu nível de evolução. Ele tem setecentas e cinqüenta medidas.
- E isso que significa?
- Que ele é interessante.
- Interessante por quê?
- Porque seu nível de evolução é realmente bom...para ser terrícola.
- Nível de evolução?
- Seu grau de aproximação com o animal ou com o “anjo”” (pp.49-50)
“- Você tem razão, mas meu tio, o que é físico nuclear, também deve ser muito valioso...
- Famoso talvez...A que se dedica o seu tio, dentro da física?
- Esta desenvolvendo uma nova arma, um raio ultra-sônico.
- Se ele não acredita em Deus, e além disso se dedica à fabricação de armas...penso que tem um nível bem baixo.
- O quê?! Mas ele é um sábio! Protestei.
- Você está confundindo as coisas de novo. Seu tio tem muita informação, mas ter informação não significa necessariamente ser inteligente, e muito menos um sábio. Um computador pode ter armazenado muita informação, mas nem por isso é inteligente. Você acha muito sábio um homem que cava uma fossa, ignorando que ele mesmo vai cair nela?
- Não, mas...
- As armas se voltam contra aqueles que as apóiam...
Não me pareceu muito evidente essa afirmação de Ami, mas decidi acreditar nele. Quem era eu para duvidar de sua palavra? Apesar disso, estava confuso...meu tio era meu herói...um homem tão inteligente...
- Tem um bom computador na cabeça, isto é tudo. Aqui existe um problema de terminologia: na Terra dizem inteligentes ou sábios aos que têm uma boa capacidade cerebral em só um dos cérebros, mas temos dois...
- O quê!
- Um na cabeça. Esse é o “computador”, o único que vocês conhecem. O outro está no peito, não é visível, mas existe. É o mais importante, é essa luz que você viu pela tela no peito do homem. Para nós, inteligente ou sábio é aquele que tem ambos os cérebros em harmonia, mas isso quer dizer que o cérebro da cabeça, está a serviço do cérebro do peito, e não ao contrário, como na maioria dos “inteligentes”.
- Tudo isso me surpreende, mas agora entendo melhor. O que acontece com aqueles que têm mais desenvolvido o cérebro do peito do que o da cabeça? - perguntei.
- Esses são os “tolos bons”. São fáceis de enganar, é simples para os outros, os “inteligentes maus”, como você dizia, colocá-los a fazer o mal enquanto pensam que estão fazendo o bem...o desenvolvimento intelectual deve estar em harmonia com o desenvolvimento emocional, só assim se produz um verdadeiro inteligente ou sábio. Só assim a luz pode crescer” (p.50-51).