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porque convergimos e integramos com AMOR, VERDADE, RETIDÃO, PAZ E NÃO-VIOLÊNCIA

dedicamos este espaço a todos que estão na busca de agregar idéias sobre a condição humana no mundo contemporâneo, através de uma perspectiva holística, cujos saberes oriundos da filosofia, ciência e espiritualidade nunca são divergentes; pelo contrário exige-nos uma postura convergente àquilo que nos move ao conhecimento do homem e das coisas.
Acredito que quanto mais profundos estivermos em nossas buscas de respostas da consciência melhor será para alcançarmos níveis de entendimento de quem somos nós e qual o propósito que precisaremos dar as nossas consciências e energias objetivas e sutis para se cumprir o projeto de realização holística, feliz, transcendente, consciente e Amorosa.

"Trata-se do sentido da unidade das coisas: homem e natureza, consciência e matéria, interioridade e exterioridade, sujeito e objeto; em suma, a percepção de que tudo isso pode ser reconciliado. Na verdade, nunca aceitei sua separatividade, e minha vida - particular e profissional - foi dedicada a explorar sua unidade numa odisseia espiritual". Renée Weber

PORTANTO, CONVERGIR E INTEGRAR TUDO - TUDO MESMO! NAS TRÊS DIMENSÕES:ESPIRITUAL-SOCIAL-ECOLÓGICO

O cientista (psicólogo e reitor da Universidade Holística - UNIPAZ) PIERRE WEIL (1989) aponta os seguintes elementos para a falta de convergência e integração da consciência humana em geral: "A filosofia afastou-se da tradição, a ciência abandonou a filosofia; nesse movimento, a sabedoria dissociou-se do amor e a razão deixou a sabedoria, divorciando-se do coração que ela já não escuta. A ciência tornou-se tecnologia fria, sem nenhuma ética. É essa a mentalidade que rege nossas escolas e universidades"(p.35).

"Se um dia tiver que escolher entre o mundo e o amor...Lembre-se: se escolher o mundo ficará sem o amor, mas se escolher o amor, com ele conquistará o mundo" Albert Einstein

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Pensamento para o Dia 31/12/2009


“O homem, quando nasce, está equipado com um bilhete de regresso. Segurando-o em suas mãos, ele ganha e gasta, sobe e desce, canta e dança, chora e geme, esquecendo-se do final da viagem. Mas, embora ele se esqueça, o vagão da vida se move em direção ao cemitério, que é a sua última parada. Ela não traz nenhuma glória para o homem se ele está irremediavelmente ligado à roda de nascimento e morte. Sua glória e grandeza consistem em livrar-se de tal roda giratória.”
Sathya Sai Baba

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Pensamento para o Dia 30/12/2009


“As atividades de serviço que empreendemos destinam-se a experimentar a unidade na sociedade. É um grande erro pensar que você está servindo aos outros. De fato, você não deveria considerar pessoa alguma como “o outro”, pois todos são as encarnações da Divindade. Mas o homem não se esforça para compreender essa verdade e, portanto, está sujeito a dificuldades. Quando o homem compreender que Deus é todo-penetrante, ele estará livre do sofrimento. Para se livrar do sofrimento, o homem precisa praticar o princípio da unidade na sociedade. Quando entender o princípio da unidade, o homem poderá alcançar o princípio Cósmico.”
Sathya Sai Baba

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“É um devoto verdadeiro aquele que considera a felicidade de Deus como a sua própria. Ele sempre aspira a dar felicidade ao Senhor e não quer causar qualquer inconveniência a Ele. Você nunca deveria causar inconveniência a Deus em nome da devoção. Considere que a felicidade de Deus é sua felicidade e que sua felicidade é a felicidade de Deus. Absorva este espírito de unidade. Atualmente, a maioria dos devotos é egoísta. Eles possuem somente devoção com interesses egoístas (Swartha Bhakti). Eles se preocupam com sua própria felicidade e não com a felicidade de Deus. Você deveria cuidar para que seu amor seja sempre puro. Deus é a encarnação do amor. Tal Amor Divino está presente em todos. Compartilhe seu amor com todos. Isso é o que Deus espera de você.”
Sathya Sai Baba

sábado, 26 de dezembro de 2009

FELIZ VIDA NOVA NO ANO NOVO QUE SE APROXIMA!

Bernardo Melgaço da Silva


IMAGENS RECEBIDAS PELA INTERNET

Que no Novo Ano cada alma humana seja uma PONTE ILUMINADA PARA A LIBERDADE E FELICIDADE DE TODOS!

Desejo de coração que nesse ano novo possamos nos libertar de tudo o que é passado. Que nossos vícios – todos eles! – possam ser trabalhados para que de fato se renove o ser, livre da estreita visão de mundo, da pequena sensibilidade ética, da crise de percepção da realidade, da inversão de valores, do egoísmo sub-humano, do consumo acelerado, da destruição da natureza, da indiferença com as diferenças raciais, sociais, culturais, religiosas e morais. Que nesse ano novo possamos ter sensibilidade e inteligência para corrigir a rota do futuro. Para percebermos definitivamente a ilusão do caminho sem visão das possibilidades latentes infinitas em cada um. E assim, encontrarmos na alteridade da filosofia perene uma vida holística e irmã onde o Todo não é simplesmente a soma das partes da nossa riqueza e nem a subtração da oportunidade de vida digna do nosso irmão semelhante. Que assim, possamos perceber as interligações cósmicas em cada micro realização seja do rico, do pobre e excluído. Que a sorte não seja apenas um jogo, mas o produto das energias humanas em busca de uma finalidade maior, ou seja, que a nossa sorte não seja o azar do outro; que nossa riqueza não seja a miséria ou pobreza do outro; que a nossa liberdade não seja a exploração alheia; que o nosso bem não seja o mal em alguém; que o nosso deus não seja o inferno astral e desespero de um irmão.



Desejo a todos de coração que nesse ano novo possamos compreender a dimensão humana do ser integral em si mesmo. Que o conhecimento não seja utilizado apenas para formar ideologias de luta e morte, mas que de fato eleve a consciência humana para níveis jamais imaginados ou sequer pensados existir. Que a infinita potencialidade humana possa fazer-nos ver que somos muito mais que acreditamos ser nesse mundo político, econômico, social, tecnológico ou cultural; que nossa verdade incorpore a essência criadora da natureza ilimitada e invisível. Que o dinheiro não seja apenas uma moeda, um artifício comum de troca-compra-venda, mas a força de mudança social na doação de si para a construção de uma economia solidária e sustentável. Que esse valor monetário não compre a nossa oportunidade de transcendência para ir além dos benefícios e privilégios gerados pela sua circulação. Que a fraternidade seja uma cultura adorada por todos. E que a bondade seja amiga, solidária e irmã. Que nosso discurso incorpore a ética universal dos sábios gregos, do Cristo e de todos os sábios espiritualistas; incorpore o saber e a verdade da consciência maior: luz e caminho da transformação e libertação!

Desejo a todos de coração que cada um escute a voz doce e suave interior que nossos maiores sábios - Gandhi, Jesus, Buda, Einstein, Ami Goswami, Sócrates, Platão, Madre Teresa de Calcutá e tantos outros - perceberam num estado incomum de sensibilidade fina. E assim, guiados pela estrela da verdade possamos descobrir e revelar a verdadeira vida que se oculta em nosso escuro céu de ignorância histórica de sofrimento, insensibilidade, egoísmo e destruição da humanidade. Enfim, que sejamos conscientes de si e do Todo. E que Deus, Cristo, Jeová, Brahmam, Maomé etc., sejam a face pintada do mesmo Criador. E que a ciência não negue a sua alma gêmea: a religião! E que, conforme EINSTEIN, a ciência sem a religião não seja manca, e também que a religião sem a ciência não seja cega. De modo que, possamos andar reto com a visão correta e completa de que a realidade é infinitamente superior e mágica - que nossa vã filosofia ou ciência ou religião possam sequer imaginar!



Desejo a todos um Feliz Ano novo de descobertas e realizações porque nada nos impede de sermos felizes se assim desejarmos com fé, vontade e coração. Pois, toda Criação é o próprio Criador em Ação! Crie, Ame e Viva Feliz de acordo com o nível de compreensão de sua consciência. Pense: Existe Algo Criador que vive em Nós, e não sabemos como Ele em Nós entrou. Ele nunca morre, e não sabemos como viver em harmonia, paz e Amor sem Ele!

Bernardo Melgaço da Silva

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Pensamento para o Dia 24/12/2009


“Se um homem deseja ser feliz, o primeiro exercício que deve fazer é remover de sua mente cada mau pensamento, sentimento e hábito. Tristeza e alegria são frente e verso da mesma experiência. A alegria é quando a dor termina; tristeza é quando a alegria acaba. O que é exatamente tristeza? É apenas uma reação à perda de algo que se ganhou ou o fracasso na obtenção de algo desejado. Portanto, a única maneira de escapar da tristeza e do sofrimento é superar o desejo pelo ilusório. O segredo da felicidade não está em fazer aquilo que se gosta, mas em gostar do que se tem que fazer. Independentemente do trabalho que se deva fazer, você deve fazê-lo com prazer e gosto.”
Sathya Sai Baba

Carlos Castaneda por Miguel Duclós

(http://cariricaturas.blogspot.com/)

Carlos Castaneda (1935- 1998) nasceu no Brasil, numa cidade do Vale do Paraíba, e passou a infância em uma fazenda próxima de Mairiporã, interior de São Paulo. A fazenda era de seu avô paterno, e sua mãe foi provavelmente uma emprega Castaneda declara que foi um ato sexual pobre, que os pais mal se deram conta do que haviam feito, pois eram muito jovens (15 e 17 anos) . Teria passado a infância com visitas periódicas do pai nessa fazenda. Caçava. Fazia travessuras na cidadezinha próxima e saía correndo. Foi continuar seus estudos na Argentina, país que lhe agradou. Então, com ajuda paterna e muito esforço próprio foi para Los Angeles, fazer antropologia na UCLA. Era um aluno aplicado. Namorou uma moça loira. Teve um filho, que não criou. Apesar disto, sempre gostou de crianças.

Os livros de Castaneda são autobiográficos, e por ter um conteúdo extraordinário, por muitos são considerados fantasiosos. São um relato de seu aprendizado com Don Juan Matus e de suas experiências de iniciação à feitiçaria, entendida como um conhecimento formado a partir da antiga cultura tolteca pré-colombiana. Juan Matus é um nome falso, porque nomes tem poder, e não devem ser manipulados em vão. Castaneda estava se formando em sua faculdade quando partiu em pesquisa de campo afim de levantar dados para sua tese de doutorado, cujo assunto era o uso de plantas medicinais entre os índios mexicanos. Preencheu muitas páginas com anotações e entrevistas nessa pesquisa. Então resolveu ir atrás de informações sobre alucinógenos usados em rituais, como o peiote, a erva do diabo (estramônio) e o cogumelo mexicano. O peiote já havia sido objeto de pesquisa ocidental acadêmica. Sintetizaram o seu agente químico, a mescalina. Aldous Huxley tomou essa droga e sua experiência serviu de base para o ensaio As Portas da percepção e Céu e Inferno.
Através de um conhecido de Castaneda, Bill, ele teve um primeiro encontro com Don Juan, numa estação de ônibus. Bill havia falado que aquele velho sabia do assunto mas era intratável e vivia bêbado. Castaneda foi logo pedindo informações sobre o peiote, dizendo que sabia muitas coisas sobre isso quando na verdade sabia pouco. Don Juan captou sua mentira e refletiu-a com um olhar. Esse olhar marcou Castaneda. Mais tarde Don Juan afirmou que lhe mostrou pela primeira vez a segunda atenção. Envergonhado, Castaneda se preparou durante seis meses e voltou, descobrindo a casa de Don Juan por meio dos habitantes do vilarejo. Don Juan, muito caricato, o recebeu, e desde o início usou de subterfúgios, armou situações e explorou o sentido figurado das frases. Ele era um yaqui de Sonora, nascido por volta de 1875, mas é meio mítico. Nunca entrou em algum contato com o público ocidental e seus ensinamentos envolviam uma sutil manipulação da realidade perceptível. Pouco se sabe de seu passado. Teria perdido o pai e mãe ainda jovem. Era muito forte. Trabalhou em uma fazenda, sendo explorado por um empregado, que ele chama de pequeno tirano, como escravo. Levou um tiro dos capangas e foi achado e curado pelo seu benfeitor, nagual Julian. Um de seus primeiros ensinamentos - conforme relata Castaneda em seu terceiro livro, Viagem a Ixtlan - é para se apagar a história pessoal. Pois você tem de alimentar a opinião dos outros com ela, com relatos. Assim deve uma obrigação, fica fixo. Se começar a não falar realmente o que você faz, fala Don Juan, ficará envolto numa áurea de mistério.

Ocorrem muitos desentendimentos entre o jovem estudante e o velho índio. Castaneda passa a impressão que é inepto e medroso. Mas essa é uma artimanha e uma forma humilde de passar sua mensagem. Para se livrar das amarras da realidade consensual e entrar na consciência e percepção mágica, adquirindo fluidez, o bruxo tem que preencher muitos requisitos e fazer muitas tarefas, até mergulhar no mistério da essência e adquirir a percepção extraordinária conhecida como ver. Há muitas coisas para se ver, como os ovos luminosos, a realidade última do ser humano. Essas revelações foram dadas aos poucos por Don Juan. Castaneda foi entrando profundamente até se ver engolido pelo sistema de crenças que se dispôs a estudar como antropólogo. Os dois primeiros livros, A erva do diabo- um caminho yaqui para o conhecimento (no título original Os ensinamentos de Don Juan) e Uma estranha realidade, lançados em 1968 e 1971, falam das experiências com alucinógenos. Mas Castaneda, que estava adquirindo prática na feitiçaria, retoma o início da aprendizagem de 1960, 1961 no terceiro livro, de 1973 - Viagem a Ixtlan. Don Juan no princípio se recusou a falar do peiote, e as experiências alucinógenas, de fato, não são a parte principal do pensamento do autor, como ficou disseminado. Cada capítulo em Viagem a Ixtlan funciona como uma martelada. O objetivo de Don Juan desde o princípio foi fazer o aprendiz parar o mundo. O mundo é o que é porque desde o início das nossas vidas somos obrigados a empregar um sistema de interpretações pela influência dos mais velhos em nós. Com um inventário de memórias e de ítens, e com um diálogo interno progressivamente mais complexo, nossa percepção se torna fixa e enxergamos o mundo da mesma forma todos os dias. Assim, parar o mundo é parar o modo como o Ego conduz subjetivamente nossa consciência. Don Juan bombardeou sucessivamente o Ego de Castaneda, realçando sua pequenez diante da eternidade e da vida. É preciso perder a importância própria para apreciar realmente o mundo ao redor. A vaidade faz com que nos ocupemos com nossos problemas como se fôssemos a coisa mais importante do mundo, e nós tratamos a realidade com uma mesquinharia tremenda. Assim, um bom exercício para se perder a importância própria é conversar em voz alta com as plantas.

De fato, se compararmos os acontecimentos ordinários com a morte, eles perderão a importância. Por isso a morte deve ser usada como uma conselheira. Devemos perguntar à ela, ensina Don Juan, se já chegou a hora de seu toque. Sem Castaneda falar nada, Don Juan viu nele o dia em que sua morte deu um aviso. Foi quando ele era criança e estava caçando um falcão albino. Don Juan também fez Castaneda ver uma sombra de relance. Era sua morte. Ela sempre está à nossa esquerda, a um braço de distância. No O Fogo Interior, livro que relata as experiências na segunda atenção, com a consciência em estado intensificado, Castaneda explica melhor. A morte é uma sombra negra na luminosidade da pessoa que chega a ficar do tamanho dessa e dar uma estocada na fenda que temos no ovo luminoso, debaixo do umbigo. A força rolante, uma força do universo martela nesse ponto sem cessar, até que a pressão se torna muito forte e o casulo se enrola, como um tatu-bola, e é levado para ser consumido.

Em 1961, Castaneda aprendeu a ser um caçador. Um caçador é humilde, fala pouco e caça o necessário. Não tem rotina, pois são elas que fazem o mundo parecer fixo e maçante. A rotina cria uma força, que enfraquece e molda os hábitos. Devemos romper com ela. Castaneda conseguiu romper com ela fazendo coisas como escrever noturnamente e comer apenas quando sentia fome. Don Juan passa a levar mais a sério e se dispor mais com Castaneda quando percebe augúrios ou presságios do espírito, indicando Castaneda como discípulo. Um feiticeiro sabe ler o mundo, e o Espírito dá sinais o tempo inteiro para quem sabe observar. Don Juan adverte que corvos não são simples corvos. Podem muito bem dar indicações importantes para as pessoas, como o sentido em que se deve prosseguir. Don Juan tinha uma ligação com corvos. Na verdade, adorava-os.

Um bruxo, ou guerreiro assume a responsabilidade por seus atos. Cumpre sua missão de forma impecável, e não se preocupa com as conseqüências. Uma maneira de ser impecável é seguir o caminho do guerreiro, que é um modo ético de se servir o Espírito. Um guerreiro é inacessível. toca o mundo sem exagero e não está disponível para o capricho das pessoas. Mas caça o poder, se mostrando para ele.

No breu absoluto da noite do deserto mexicano, Don Juan ensina à seu aprendiz o passo do poder. Fala para ele confiar no nosso seu poder pessoal, e usar de passo especial, levantando o joelho até o abdômen. Assim, pode-se correr à noite. É uma maneira de desenvolver seu propósito, sua intenção. Matreiramente, Don Juan observa que um velho como ele correr a noite no deserto seria suícidio, não fosse o passo de poder. E para incentivar Castaneda, dá pequenas voltas troteando em torno dele, dizendo que não sabe caminhar nestas condições, só correr. Sozinho na escuridão, Castaneda precisa seguir o pio de coruja de Don Juan para chegar até ele. Mas, depois de um tempo, o pio passa a ser imitado pelos entes da noite. Assim, Castaneda narra um primeiro contato marcante com os seres inorgânicos. Os seres inorgânicos são melhores explicados no último livro, A arte de sonhar. Sonhar significa sonhar com um propósito, consciente e controlando os sonhos. O primeiro portão do sonhar se atinge quando estamos conscientes de estarmos caindo no sono. Um exercício para treinar a atenção é olhar as mãos no sonho. Assim, você se lembra de uma ordem dada quando estava acordado. Olhando para um item e para sua mão, sucessivamente os sonhos não se alteram. É uma técnica um tanto rudimentar, mas de início, dá resultado. O segundo portão se atinge pulando de um sonho para outro, ou acordando de um sonho para outro sonho. A verdadeira tarefa do segundo portão é isolar e seguir um batedor. Um batedor é um ser de alguma parte do universo infinito que freqüenta os nossos sonhos, sem sabermos. Os seres inorgânicos mandam batedores para os nossos sonhos. Eles se destacam nos sonhos porque são objetos estranhos. Os seres inorgânicos podem se tornar aliados de um bruxo, conversar telepaticamente. Não são bons nem maus, mas aos olhos de quem não vê são apavorantes. Tem um poder muito grande. Castaneda relata diversas aparições desses seres enquanto estava acordado. Os bruxos antigos adoravam seus aliados. A nova linhagem os vê com mais distância. A nova linhagem surgiu com a reagrupamento de bruxos depois da conquista espanhola, que massacrou populações. Don Juan fazia parte dessa linhagem, cujo objetivo é alcançar a liberdade e o abstrato, atingir um estado explicado em O fogo interior como a terceira atenção, quando todos os lugares que o ponto de aglutinação do bruxo esteve são acendidos de uma só vez, e ele se torna o que realmente é, uma explosão de energia. Os bruxos dessa linhagem não são necessariamente índios. Há o relato de diversos brancos que participaram dela. Don Juan faz uma crítica ao poder mesquinho que a segunda atenção pode despertar. Alguns usam esse poder para se apegar às coisas do mundo, como o dinheiro ou fixar a atenção em outras pessoas até fazer-lhes mal. O homem tem um lado sombrio que é refletido também na segunda atenção.

Falando em voz alta sua intenção no sonho, pode-se seguir um aliado até o reino deles. O reino deles é descrito como tendo várias partes e três tipos de seres inorgânicos. É escuro e cheio de corredores. Castaneda fez diversas visitas para esse reino, até que caiu numa armadilha e ficou preso lá. Don Juan reuniu seu grupo e foi buscá-lo, com o corpo físico. Assim, Castaneda ficou livre para o terceiro portão. O terceiro portão é alcançado quando vemos a nós próprios dormindo. O guerreiro está preparado para esse momento, e em vez de acordar, como fariam a maioria das pessoas, passa a examinar o lugar que seu corpo está dormindo. Porque ele está no corpo energético. Através da prática do sonhar, chega-se ao corpo energético, ou corpo sonhador. Nesse portão o corpo sonhador move-se como a energia, rápida e diretamente. O quarto portão é alcançado quando se sonha o mesmo sonho junto com outra pessoa. Castaneda sonhou com um bruxo pré colombiano e voou nas asas do intento. O intento é a força que permeia tudo, perscrutando o ser e o tornando consciente. O intento é a potência do espírito. O bruxo desenvolve seu intento através da vontade. Com um propósito inflexível, se põe num nível maior que ele mesmo, mais louco do que poderia imaginar. Mas esse são os ensinamentos da segunda atenção. O bruxo de que falei é conhecido como o inquilino, ou o desafiador da morte. Pegando energia dos naguais da linha de Don Juan, consegue fechar sua fenda e escapar da morte. É um grande feiticeiro, poderosíssimo, o último da original linhagem tolteca vivo. Vive num espaço diferente, como em sonho. Castaneda se encontrou com ele e ficou dez dias na segunda atenção. A segunda atenção é o círculo extra de poder que o bruxo desenvolve. As pessoas tem um círculo de poder que é posto em funcionamento no momento em que nascem. Ele faz com que vejamos o mundo. O feiticeiro desenvolve um segundo círculo de poder, para perceber mais. É uma metáfora. A atenção é o resultado final da percepção. É o estado de vigília incessante. A primeira atenção é a do mundo ordinário, a segunda faz parte de uma coisa maior, como ver energia. A atenção do ser humano é divida pelo tonal e o nagual. O tonal é tudo o que podemos imaginar e consta na nossa mente e no nosso inventário. O nagual faz parte da atenção do ser consciente de sua luminosidade. Se tudo o que conhecermos for posto numa mesa, todos os itens, poderíamos supor que a mesa é o tonal. O universo à volta é nagual. O bruxo sai da segurança do tonal para encarar o inconcebível. Essa teoria é exposta no quarto livro, Porta para o Infinito. Para desenvolver a segunda atenção, é necessário não fazer. Fazer é o que torna o mundo do jeito que o enxergamos. Uma pedra só é uma pedra porque conhecemos o fazer necessário para isso. Não fazer seria tudo aquilo que nós não temos um valor cognitivo. É o corpo quem Não faz. É um método, conseguido por coisas estranhas à razão, que torna o mundo diferente. O mundo é uma sensação, e a realidade é uma interpretação. Não fazer é necessário para parar o mundo. Um ponto importante para se seguir adiante no aprendizado é conseguir parar o diálogo interno. O diálogo interno é mais uma coisa que mantém a percepção fixa, sendo necessário pará-lo e ficar apenas sentindo para romper com o esquema de direção e norteamento que a razão dá. Assim, pode-se entrar num transe e outras coisas.

Em um certo período, Castaneda teve de se preocupar com seu adversário valoroso,La Catalina. La Catalina era uma conhecida de don Juan, amistosa com ele. Mas ele falou que era sua inimiga para Castaneda enfrentá-la e usar tudo que tinha aprendido. Ela o atacou, se transformava em pássaro e usave de outros meios para apavorá-lo.

Depois que Castaneda se tornou realmente aprendiz de Don Juan, este deu plantas de poder para ele. Elas era necessária para Castaneda vencer sua razão. A razão nos faz encarar o mundo de forma rígida, não admitindo percepções extraordinárias. Para ficar mais fluído, Castaneda tomou essas plantas. Mascou peiote e viu um cachorro brilhando, seus fluídos internos. Don Juan interpretou como o Mescalito, divindade contida na planta de peiote. Mescalito ensinou uma canção à Castaneda. Sob a influência do mescalito e de Don juan, adquiriu a percepção de um corvo. Sentiu seu corpo se transformando em um, e voou com seus companheiros pássaros. Foi o inquilino que ensinou essa técnica para Don Juan, que a passou para Castaneda. Castaneda também usou a erva do diabo. Don Juan alerta que é uma planta perigosa e muito poderosa, cheia de caprichos. Faz-se um extrato da planta, e passa-se pelo corpo. Não pode passar na testa. Castaneda passou e entrou fundo na Segunda atenção. Com dois lagartos, um no ombro falando para ele, teve muitas visões. Fez uma pergunta acerca do mundo real e ela foi respondida.



E Castaneda teve suas experiência com um fumo de cogumelo alucinógeno. Viu o guardião do outro mundo, uma aberração gigantesca. Quando estava entrando na segunda atenção, fixou-a num mosquito, e viu a aberração. Não quis mais fumar, e ficava desesperado quando Don Juan sugeria o uso. Igualmente desesperado ficava quando Don Genaro, um companheiro de Don Juan, lhe mostrava o não fazer. Don Genaro era extremamente potente, brincalhão e alegre. Tinha outros aprendizes, Pablito, Nestor e Benigno. Genaro mostrou as linhas de energia do mundo. Pulava para uma montanha a quilometros de distância. E quando Castaneda perguntava como isso era possível, a visão desaparecia. Tinha muitas danças de poder. O grupo todo de Don Juan tinha dezesseis pessoas, sendo que doze mulheres. Depois que Don Juan foi embora, Castaneda teve um período de interação com os outros aprendizes. Foi muito conflitante. Destacava-se Elena, a La Gorda, que o ajudou a se lembrar da sua segunda atenção e a organizar seu saber. Castaneda brigou com Soledad, suposta mãe de Pablito. Fez o seu duplo sair algumas vezes. Esses relatos estão no amedontrador livro O Segundo círculo do poder. No livro seguinte, O presente da Águia, depois de mais interações com os aprendizes, Castaneda conta que se lembrou da segunda atenção.

O seu aprendizado se divide em duas partes: uma de 1960 a 1965, quando deixou o aprendizado, outra de 1968 a 1973, quando Don Juan partiu do mundo. A última instrução direta de Don Juan para Castaneda foi para ele pular de um abismo, e entrar totalmente no lado esquerdo, ou segunda atenção. Castaneda pulou, e depois de uma série de visões, voltou a terra. Nunca mais viu Don Juan. Mas, se lembrando do lado esquerdo, são outros livros com ensinamentos mais profundos. Castaneda aprendeu o regulamento que fala da Águia. A Águia seria a fonte de tudo, responsável por uma realidade transcedente, que forma o mundo. O mundo é constituído de filamentos infinitos de energia, que exudam consciência e provém da Águia, pois emanam dela. É o poder que governa o destino de todos os seres vivos. O vidente olha a Águia e quatro relâmpagos revelam como ela é e o que está fazendo. A Águia está devorando a consciência de todas as criaturas mortas, pois consciência é o seu alimento. Como uma recicladora de matéria espiritual. A Águia é impiedosa, e com ela não se brinca. Ela concede um presente a cada uma nas criaturas vivas: o de perpetuar a consciência depois da morte. Para isso, a criatura tem que buscar a abertura. Para se guiar até essa abertura, a Águia criou o nagual. O nagual é uma criatura duplicada, que tem o poder de ser um conduto do espírito. Por causa disso, os seres que conduzem ao nagual (segunda atenção) são chamados de naguais. Os naguais tem quatro compartimentos de energia, enquanto as criaturas normais tem apenas dois. Don Juan e Castaneda são naguais. Só que Castaneda não é um nagual completo, pois tem só três compartimentos. Don Juan havia se enganado na interpretação de sua visão. Os outros quatro tipos de criaturas , nos homens, são: os homens de conhecimento, estudiosos. O segundo é o homem de ação. O terceiro é o organizador por trás dos bastidores, misterioso, o quarto é o mensageiro. Seu papel é viajar adiante do nagual e contar seu relato. Não funciona por si só. No grupo de Don Juan, Vicente é do primeiro tipo, Genaro do segundo, Silvio Manuel do terceiro. As mulheres , além das naguais, são de quatro tipos, ou quatro direções: norte, sul, leste e oeste, cada qual com características predominantes de essência e comportamento. As mulheres podem ser sonhadoras ou espreitadoras.

Na realidade transcendente das emanações da Águia, os videntes descobriram, ao ver um ovo luminoso, que a consciência é um brilho e pode ser usada como um elemento do ambiente. Pode se fundir na água e usá-la para viajar na segunda atenção. Nessa interpretação, o ovo luminoso também é constituído de emanações da Águia. É um casulo luminoso, e as emanações que estão dentro se alinham com as que estão fora. A percepção é o alinhamento, quando há a compatibilidade entre o ser e o exterior, se constrói o mundo. O mundo não é fixo, pois é infinito. Apenas uma ínfima parte das emanações são percebidas pelos humanos, reduzida ainda mais pela consciência cotidiana. Essa pequena parte é selecionada por um ponto no casulo: o ponto de aglutinação da percepção. Esse ponto seleciona uma parte das faixas que compõe o universo e fixa um mundo. São infinitas posições, mas uma, que a humanidade atualmente usa é a da razão. O ponto de aglutinação está fixo em um lugar na humanidade. Quando isso acontece, vêm o esquecimento de outras posições, e no caso, vem o esquecimento da condição do homem como criatura de pura energia, de luz, assim como o mundo. Para movê-lo, os bruxos desenvolveram três técnicas, a da espreita, a da consciência e a do sonho.

Espreitar consiste em controlar o comportamento. Quando se comporta de maneira fora do usual, o ponto de aglutinação se move um pouco. Dá para usar seu comportamento para um objetivo em mente, iludir as pessoas, etc. Espreitar possui várias técnicas sutis. A mestria da consciência e desenvolvida a partir de ver. É poderosa, consiste na elaboração de técnicas enquanto videntes. A outra mestria é a do intento.

O ponto máximo, a coroação do desenvolvimento da segunda atenção implica uma maneira alternativa de morrer. Um homem de conhecimento que manipulou seu ponto de aglutinação em muitos lugares pelo ovo luminoso e recapitulou sua vida pode passar pela Águia e ser iluminado pelo Fogo Interior. Castaneda fala que isso aconteceu com Don Juan. Todas as células de seu corpo se tornaram conscientes de si mesma, e todas as emanações contidas no interior do casulo são iluminadas. Passou então para outro plano de existência, outro mundo. Definitivamente. Quando se dorme, o ponto de aglutinação se move levemente para a esquerda, criando o sonho. Sonhar é usado para fixar a nova posição do ponto de aglutinação. O ponto crucial de toda a feitiçaria é mover o ponto de aglutinação. Castaneda diz também, que ele é a espinha atravessada na garganta da humanidade, que não sabe de sua existência. O caminho do guerreiro é um modo de fechar as os pontos de escape, e economizar energia, necessária para ver. Considerando o lado mágico da consciência, Castaneda fala que fez uma recapitulação completa de sua vida. Recapitulou todas as interações com todas as pessoas, minuciosamente. Assim , ficou livre para sonhar.

Carlos Castaneda influenciou muitos jovens interessados em adentrar no mistério da consciência, alterando sua percepção e buscando interpretações alternativas do mundo. Muitos são os autores exotéricos e esotéricos que beberam dessa fonte, pois em muitos pontos seu trabalho . O antigo grupo, de Pablito e La Gorda se dissolveu, pois Castaneda não era o líder apropriado para eles. Castaneda conta que passou a interagir com um novo grupo, reunido por Don Juan antes de morrer, e formado por mulheres, Florinda Donner Grau, Taisha Abelar (que escreveram livros) e Carol Tiggs. Existem muitos pretensos herdeiros de sua obra, e m,mesmo uma corporação fundada sob seu nome que vende exercícios de "passes mágicos". Em todo caso, numa obra deste teor, surgem sempre inevitáveis dúvidas. Como por exemplo, ele explicaria o fato de passar dias em consciência intensificada e não se lembrar depois, nem dar conta disso quando estava normal? Nem sequer supunha saber algo a mais, como descreveu no Segundo círculo do poder. E a guinada de estilo que aconteceu entre o livro O poder do silêncio e o A Arte de sonhar? No mês de junho de 1998 veio a notícia, discreta, de sua morte. Um furo do jornal Los Angeles Times. A agente do autor revela que ele morrera dois meses antes, de câncer. Como ele mesmo relata, jamais conseguiu reunir conhecimento suficiente para se tornar um feiticeiro do porte de seus mestres. Fica a dúvida se o contato com don Juan fez bem ou não para ele, visto que 24 anos depois da morte de seu guia, ainda estava tentando recordar tudo o que acontecera, e continuava falando do velho índio. Ainda vivia sob a sombra de Don Juan ou apenas explorava o valor literário desse fascinante personagem? Uma coisa é influenciar um indivíduo a tal ponto que ele queira viver sob a mesma regência que a sua, mas depois de ensinado e feito tudo o que podia, esse indivíduo tem que ter a heteronomia de buscar ir além, ao mesmo não entrar em círculos viciosos de consciências, que tudo o que fazem são enfraquecer. Principalmente se tratando de um mundo tão sério e tão impiedosamente cruel e difícil como o mundo da energia, da consciência intensificada. De qualquer forma estamos em dívida. O contato com uma cultura diferente é sempre engrandecedor, e podemos divisar o fim do etnocentrismo quando um antropólogo de cultura ocidental estudando povos indígenas admite para si e para o mundo que seu objeto de estudo é mais vasto e profundo do que o de sua formação.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

OLHAR PARA TRÁS E PARA FRENTE: OLHAR PARA O MUNDO E OLHAR PARA O SER


IMAGENS RECEBIDAS PELA INTERNET

Bernardo Melgaço da Silva

"O que distingue o homem ordinário e o homem gênio é que, para ser feliz, o primeiro tem de se esquecer de si mesmo e de perder a consciência da sua individualidade, o segundo tem de se concentrar em si mesmo e de tomar posse do seu ser" (FEUCHTERSLEBEN,1914,p.186).

Já perdi as contas dos erros que cometi nessa vida. Foram tantos e tão variados que fica difícil classificá-los e quantificá-los. Mas, o que me conforta é eu saber que todos os que me rodeiam passaram e estão passando pelo processo de tentativa e erro - a base do método experimental da ciência moderna! Em outras palavras, somente aprendemos quando nos disciplinamos a olhar nossos erros e em seguida tentar acertar de novo. Isso se chama aperfeiçoamento do caráter da alma e também do pensamento reflexivo. Ninguém nasce pronto ou acabado. Todos estão num processo de construção onde precisa se desconstruir o que não é mais adequado e conveniente, e assim a partir daí se construir um novo modo de ser e estar no mundo. Consciente ou inconscientemente precisamos lavar ou higienizar a alma através de uma disciplina de limpeza interior. Os hindus chamam esse processo de SADHANA. Os seguidores do espiritismo denominam de EXAME DE CONSCIÊNCIA.

Por isso, temos que estar atentos e olhar para trás e aprender com que se passou de errado em nossas ações e condutas. A vida é uma escola e por isso precisamos aceitar os méritos das provas que somos submetidos todos os dias. Ninguém passa por esse mundo sem ser submetido a um desafio de superação de sua condição humana. Aos 16 anos de idade li – e nunca mais esqueci! - um pensamento de Francisco Otaviano que dizia assim:

“Quem nasceu em brancas nuvens
E em plácido repouso adormeceu
Quem não sentiu o frio da desgraça
Quem passou pela vida e nunca sofreu
Foi espectro de homem – não foi homem
Passou pela vida
E não viveu”

A vida é uma grande travessia evolutiva onde temos que usar nossas faculdades humanas intrínsecas: força de vontade, fé, sensibilidade, intuição, razão, instinto etc. E reconhecer que o passado já se foi e não pode mais ser mudado. Só nos resta aprender a olhar para melhorar o que virá pela frente no futuro. Daí a música cantada (por Simone) com o refrão: “ O que será o amanhã...”.


Ainda aos 16 anos de idade recebi de um amigo, que era seguidor do espiritismo, uma mensagem que dizia assim: “Se choras sem apoio e vive sem paz...Não reclames do mundo...Ame...Lute...Espere...e Vencerás”. Por isso, não devemos nos perturbar com as novas situações que aparecem como desafios para superação. Devemos enfrentá-los sabendo que depois de uma noite de tempestade vem o dia com um sol deslumbrante.

Pois, tudo passará para que possamos renovar o que não deu certo e ter uma nova oportunidade para colocar mais alegria, paz e amor no que virá pela frente ainda. A vida não tem fim. A morte é uma porta que se abre para a eternidade numa outra vida de desafios transcendentais.

Recomendo a todos assistir um filme belíssimo e muito emocionante: “Minha Vida na Outra Vida”. É uma história verídica e seus personagens ainda estão vivos.

Nesse mundo de tantas setas desorientadoras precisamos usar a nossa capacidade inata de discernimento para se descobrir o caminho da verdade do mundo que começa na consciência do ser. E esse discernimento é um esforço ou disciplina pessoal que pode durar anos ou mesmo uma vida inteira de contemplação, reflexão, meditação e busca implacável do fio condutor da verdade da existência humana. Faça-se luz-consciência e todos viverão como um sol irradiante de felicidade, paz incondicional e amor. Eu garanto isso, pois já tive essa experiência de limpeza da alma e constatei que ao se limpar a camada grossa e suja do ego encontramos o sol da verdade: Self-Deus-Amor!

Um Feliz Natal e Paz no Novo Ano que se aproxima!

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FEUCHTERSLEBEN, Barão de. Higiene da Alma, 8ª ed., Lisboa: Parceria Antonio Maria Pereira, 1914.

Pensamento para o Dia 23/12/2009


“Vocês todos são dotados de discernimento (Viveka), vocês têm uma consciência sussurrando Retidão (Dharma) em seus ouvidos; assim, vocês mesmos são capazes de selecionar e escolher. Lustre sua mente e a grandeza sublime do Senhor estará refletida em seu coração. Assim como você alimenta o corpo e cuida da sua conservação e manutenção, a consciência (Chitta) e o intelecto (Buddhi) também devem ser alimentados com alimentos bons e nutritivos. Se você não fizer isso, então eles terão fome e buscarão todos os tipos de alimento impróprio. Dêem-lhes alimentação adequada e eles funcionarão bem, iluminando o Atma e ajudando-os a perceber que o Atma está em tudo.”
Sathya Sai Baba

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“O homem nunca obterá felicidade dando rédea solta a seus sentidos. Ele permite que a mente – um simples amontoado de pensamentos e desejos – guie suas ações, ao invés do intelecto, que pode discernir, investigar e analisar. Enquanto a mente segue cegamente todo capricho e fantasia, o intelecto ajuda o homem a identificar seu dever e responsabilidade. Duas coisas são essenciais para a vida feliz: Dhaanya e Dhyana – Dhaanya, ou grãos para o sustento do corpo, e Dhyana ou contemplação do Senhor e fusão em Sua glória.”
Sathya Sai Baba

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

A CEIA E O VERDADEIRO PRESENTE DE NATAL


 
Eu vou montar um pequeno presépio e preparar uma bela ceia de natal
Colocarei sobre a mesa muitas castanhas, nozes, rabanadas, uvas e a minha fé fenomenal
E também colocarei valor de alimento espiritual
Um pouco de compaixão
Um pouco de inclusão
Um pouco de esperança
Um pouco de coração
Acenderei uma bela vela de chama ardente
  Para iluminar as consciências
  Para orientar com ciência
  Para reacender a chama da transcendência
  Para acabar de vez  com a escuridão da violência
Encherei uma taça e nela “brindarei” com lágrimas
  A paz que ainda não veio (e não virá tão cedo)
  A (des)globalização que não creio
  A oportunidade injusta para “todos”
Na quântica probabilidade dos sorteios
 Entoarei com fervor
  A oração dos desgraçados
  A oração dos esfomeados
  A oração dos desabrigados
  A oração dos desvalidos
  A oração dos penalizados
  A oração dos necessitados
  A oração dos desafortunados
  A oração dos desesperados
  A oração dos desempregados
  A oração dos refugiados
E de joelho humildemente com imensa compaixão rogarei:
ABBA, ABBA, ABBA
Venha a nós urgentemente  o Seu Reino Fenomenal
Traga de volta a Luz do Menino Transcendente
A Sua Presença Imanente
O Seu Poder Onipresente
A Sua Estrela Cadente de Natal
Revele de novo a esse Homem Moderno  inconsciente
Fazendo todos perceberem que o Natal
Não é coisa material e nem fe$ta do idolatrado Real
Mas a  Verdadeira Festa de Caridade, Amizade e Irmandade
Ela simboliza o nascimento do  Menino Jesus
O Único Presente-Valor  Real de Verdade
Pois, Não basta dar alguns presentes
E depois continuar longe dos pobres
E ausente da humilde gente carente
Faz-se necessário ser a própria Ética Permanente
Fonte e Luz de Amor Transcendente!

Porque para mim Natal é Deus presente
E Deus  não é apenas uma palavra bonita e atraente
Deus não tem rosto permanente
Deus se oculta na face imanente de seus vários filhos transcendentes
Deus é alegria nos rostos dos simples, pacíficos e carentes
Deus é pura energia e Amor envolvente
Deus é a encarnação e renascimento do universal no individual
O Amar do ser total no parcial
A Verdade do sagrado no mundo profano
O casamento da divindade com o ser humano
Com direito a lua de mel no Reino do Céu
Deus, ó meu Deus!
Expressão tão repetida e muito pouco vivida
Nas várias bocas esquecidas
Dos filhos inconscientes do poder e glória
Da Fonte Eterna e Materna de todas as vidas

Deus é Real
Deus é Natal Todos os Dias
A Todos Desejo de coração: Seja Feliz Amando o Verdadeiro Natal!

Bernardo Melgaço da Silva

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Pensamento para o Dia 21/12/2009



“A vida sustentada pelo alimento é curta; a vida sustentada pelo Atma é eterna. Não reivindique uma vida longa, mas uma vida divina. Não se esforce para permanecer na Terra por mais anos, mas por mais virtudes no coração. Buda conhecia a Verdade e a propagava ao mundo. Tudo é tristeza. Tudo é vazio. Tudo é efêmero e poluído. Desse modo, o homem sábio deve cumprir os deveres que lhe são atribuídos com discernimento, diligência e desprendimento. Desempenhe o papel, mas mantenha sua identidade não afetada.”
Sathya Sai Baba

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Comentário de Bernardo Melgaço:

As palavras de Sai Baba encontram ressonância em minha alma. Por isso, gosto de divulgar as palavras desse santo homem indiano. Feliz daquele que sentir essa ressonância em seu coração, pois terá a experiência da centelha divina falando para sua própria alma. E para mim esse fenõmeno de percepção e sintonia é a Verdade de Deus se manifestando doce e sabiamente.
Certa vez, em 1988, me ajoelhei e implorei escondido (no banheiro para ninguém ver)para que a intuição (a voz da centelha divina) não mais falasse na minha consciência. E ao sair (com o máximo cuidado para que ninguém da casa visse o que estava acontecendo)do banheiro com os olhos cheios de lágrimas  fui para o meu quarto no fundo da minha casa e me joguei na cama (segurando as lágrimas e a emoção), e por surpresa minha surgiu de repente a minha madrasta para me consolar dizendo: "Bernardo, você não pode pedir isso, pois você é........(o conteúdo dessa última frase é algo que guardo como segredo entre eu e Deus).

domingo, 20 de dezembro de 2009

O SIGNIFICADO MAIS ELEVADO DO NATAL: REVELAÇÃO DO AMOR DE DEUS-PAI


Quando decidimos, por livre e espontânea vontade, mudar primeiro a nossa visão, então, entenderemos com um leve sorriso nos lábios essa afirmativa magistral de Platão: "Tente mover o mundo - o primeiro passo será mover a si mesmo". E daí para frente poderemos saborear não só Platão, mas também os conteúdos de sabedoria de Sócrates, Jesus Cristo, Buda, Einstein, Kant, Pascal, Voltaire, Descartes, Alan Kardec, André Luiz, Zarastruta, Gandhi, Charles Chaplin e tantos outros personagens da história humana.

O ato de conhecer, a partir dessa transformação real, não terá um fim, um objetivo utilitário, ideológico e mecânico de acumulo de informações em nossa psique, mas se tornará uma "fruta deliciosa" da qual sempre gostaremos de comê-la sem ficarmos enfastiados. O ato de saber se qualificará. As nossas críticas deixarão de ser invejosas, passando a ser respeitosas, compreensivas e até mesmo admiradoras.

Puxa vida! Como me delicio com esta frase-pensamento de Kafka: "Da vida se tira vários livros, mas dos livros se tira pouco, bem pouco a vida". E esta de Buda: "O louco que se diz louco esse tem algo de prudente, mas o louco que se diz sábio esse é realmente louco". E como o mestre Einstein foi brilhante. Vejamos o que ele disse: "Raros são aqueles que vêem com os próprios olhos e, sentem com sua própria sensibilidade". Jesus Cristo, nem se fala, vejamos: "Vim para trazer luz aos cegos e cegar os que estão vendo".

Nessa nova etapa existencial, desenvolveremos um sentido incomum de compaixão por todos aqueles que ainda não viram em si mesmo, sua própria fonte de luz-sabedoria-Amor. Em outras palavras, o próprio Deus-Pai manifestado, presente num estado de contemplação e benção a todos os seus Filhos. E a consciência de Deus-Pai é o caminho iluminado que devemos seguir em nossa viagem interior.

A qualidade de vida essencial é precisamente um salto ontológico. Um gigantesco salto além do pensamento e da visão racional do homem moderno. Esse salto é a transcendência do homem em direção à consciência cósmica. Uma consciência de sabedoria em Amor. E quando penetramos na atmosfera desse universo-consciência, começamos a compreender o porquê do desespero, da angustia, da infelicidade, da dor, da desigualdade social e da miséria espiritual de milhões ou bilhões de seres que estão vivendo nesse planeta.

Mesmo com a sabedoria e visão que alcançamos ao entrar nessa "atmosfera", nossos esforços estarão sempre dependentes de um princípio básico e universal: a liberdade de Deus-Pai. A liberdade de ser, de cada um, é algo profundamente sagrado. Por isso, mais do que nunca precisamos saber o significado ontológico da palavra "renúncia". É preciso renúncia para a vida dos valores terrenos, uma vez que esse princípio sagrado de liberdade coloca o ser humano numa questão de decisão e escolha que somente o próprio homem, o próprio indivíduo poderá (auto)solucionar.

Mas, o que realmente pretendemos com a conquista da liberdade ontológica? Essa resposta é na verdade um longo caminho de desenvolvimento da sensibilidade, da inteligência e da vontade humana. E a meta, sem dúvida, é o Amor. Mas, qual deles?

O homem vem buscando incessantemente o Amor. Em várias épocas, encontramos referências das experiências humanas com "algo" que o homem vem denominando de "Amor". A reverência para com esse fenômeno, é visível. Seja na poesia, na música, no cinema, nas novelas, nos contos românticos etc. Podemos falar de algo que transcende qualquer semântica? Ficamos mudo quando queremos falar do Amor Cósmico de Deus-Pai. É uma aparente contradição.

Mas, o que é Amor? Podemos caracterizá-lo ou defini-lo segundo os nossos condicionamentos? Qualquer definição é uma incógnita. A única coisa que todos têm em comum, na descrição do Amor, é na personalização do fenômeno: "ele é agradável", "nos dá satisfação" e "nos faz sentir bem".

Amor -palavra que não define a grandeza do que seja o próprio, o significado de sua manifestação. Vivemos tendo como referência um encontro futuro com algo que denominamos de "Amor". Queremos experienciar em nós e no outro o Amor. Queremos Amar. E compartilhar o Amor. Quem não quer Amar? É difícil imaginar alguém que não queira Amar. E ser feliz no Amor. Mas, o que será mesmo esse tal Amor que buscamos? A que fim ele nos leva ou eleva? O que está por detrás da busca desse desconhecido Amor? Buscamos a experiência do Amor, porque instintivamente e intuitivamente sabemos que ele é necessário e imprescindível. A vida humana depende do Amor para se manter equilibrada e harmoniosa.

As nossas experiências nos dão a idéia e o indício do que seja Amor, mas o Amor em sua plenitude se distancia dessas experiências. E assim, ficamos a mercê de um nível de vibração do Amor, acreditando que estamos vivenciando o próprio. As experiências que realizamos em busca do Amor, nos faz criar uma contraparte desse fenômeno: o objeto do Amor ou desejo sensual. Esse objeto, criado e recriado em cada nova experiência assume o papel do próprio. Assim, se perdemos ou nos distanciamos desse objeto, acabamos sofrendo. Identificamos o Amor, a partir do seu objeto. Várias são as identificações dadas para o objeto do Amor. Essas identificações, são manifestações subjetivas tais como: sensualidade, sexualidade, carência afetiva, bondade, paixão, desejo, etc.

Em nome do Amor, ou melhor, do objeto do Amor, construímos uma realidade de relações humanas. Agimos segundo as orientações dessas relações criadas e convencionadas pela sociedade. O Amor passa ser definido segundo um modelo estático, ou melhor, segundo um protótipo, um modelo de relação objetiva ou subjetiva tal como: "Amar é fazer..." ou "Amar não é fazer...", e assim por diante.

Nesse sentido, a luz não pode ser descoberta, mas ao contrário é ela quem nos revela e nos des-cobre da escuridão da criação no processo de evolução no salto a partir de si mesma. A luz é Deus. E Deus é AMOR CÓSMICO UNIVERSAL. O homem é uma centelha dessa LUZ de Deus. E o homem somente consegue revelar essa Verdade no caminho do autoconhecimento da luz do Amor de Deus em si e para si mesmo. Bem-Aventurados são aqueles que conseguem por seu próprio esforço sair da escuridão da visão racional e alcançam a luz da estrela interior que anuncia o nascimento daquele que veio para nos mostrar o caminho verdadeiro do Amor de Deus.

AS GRANDES CRISES DO MUNDO ATUAL: UM CENÁRIO POSSÍVEL DE ACONTECER?


As crises sempre rondaram nosso modo de viver e ser. E quando menos esperamos somos assaltados novamente por elas. E para que não sejamos pegos de surpresa precisamos estar bem informados e criar estratégias para uma situação de emergência. Posso citar as principais crises do mundo moderno: a) crise da razão instrumental; b) crise moral e ética; c) crise energética; d) crise ecológica; e) crise econômica; f) crise ideológica; g) crise existencial. Em síntese vivemos uma mega-crise geral que nos afeta e nos impede de sermos livres e felizes de fato.

O grande desafio é entender essa mega-crise quando estamos a um passo de sentir sua força destruidora e transformadora, por exemplo, na crise econômica da maior economia do mundo (E.U.A). Podemos compará-la a um furacão que vai se formando lentamente no oceano. E assim, logo que cresce em força destrói tudo que encontra pela frente no continente. E com certeza os prognósticos apontam indícios de que ela poderá acontecer (ou não) de fato varrendo economias nacionais no mundo inteiro. Isto porque, o sistema econômico mundial está interligado e interdependente. E se a economia americana entrar de novo em recessão puxará de vez as economias nacionais em crescimento: Japão, China, índia, Brasil etc. O olho desse furacão em formação é sem dúvida a economia dos E.U.A. Os especialistas afirmam que a dívida do povo americano corresponde ao PIB americano, ou seja, 11 trilhões de dólares. E a dívida pública americana está nesse mesmo tamanho – 11 trilhões de dólares! E como o Brasil ainda tem sua moeda atrelada ao dólar – imagine o que vai acontecer quando o dólar despencar de vez? Uma pessoa bem informada agiria com prudência sabendo dessa situação, poupando agora para se manter seguro na hora em que o furacão econômico provocar a grande crise recessiva.

A outra grande crise em curso é sem dúvida a energética. Vejamos porque. A força produtiva do mundo depende do consumo de energia básica ou primária (petróleo, gás, carvão, energia nuclear, hidrelétrica etc.) para a produção de energia secundária (energia elétrica e outras formas de energia). A matriz energética mundial é bem diversificada. Alguns países como o Brasil utilizam-se de energia “limpa” como a hidrelétrica. Outros ao contrário consomem energias não limpas (p.ex.: queima de petróleo (e seus derivados) e carvão mineral e vegetal) que por sua vez põe em risco a qualidade de vida do planeta. Grandes potências, como os E.U.A, optaram estrategicamente, em séculos passados, por energias não limpas, e agora além de sofrer pressões internacionais precisam mudar sua matriz energética, uma vez que o impacto (social e ambiental) e o custo dessas energias aumentam a cada ano. E eles sabem que não podem mudar sua matriz energética de uma hora para outra (por isso mesmo que os E.U.A não assinaram o tratado de KIOTO). A crise energética puxa uma outra crise: a crise ecológica.

Na busca crescente de novas fontes de energia (não renováveis) o impacto é inevitável. Para se produzir precisa-se explorar e retirar recursos e explorar fontes de energia da natureza – não existe mágica ou milagre! Estudos vêm mostrando que a produção de alimentos sofrerá grandes alterações devido à mudança climática já em curso. O aumento de temperatura do planeta de 2 ou mais graus Celsius afetará diversas culturas no campo, fazendo com que se invista em novas pesquisas genéticas ou provocando a migração dessas culturas para países de clima frio (p.ex.: o café de São Paulo poderá ir para a Argentina).

A crise ecológica afetará populações imensas - os chamados refugiados do clima. Ou seja, uma imensa massa humana terá que deixar sua terra natal em busca de um clima que permita uma sobrevivência mínima. Essa massa de gente faminta, sem terra e sem perspectiva de sobrevivência inchará os grandes centros urbanos, fazendo com que se mude o planejamento dessas cidades e conseqüentemente o controle social e as políticas públicas. A violência tenderá a aumentar e com isso novas formas ou mecanismos de coação, por parte do Estado através de suas leis, deverão tornar a vida social altamente regulada.

Nesse contexto, a crise política surge porque as classes excluídas reivindicarão e lutarão por terra, trabalho e capital. E com a crise econômica em andamento, não se permitirá uma distribuição equitativa da riqueza nacional, o caos moral se instalará de vez. A vida social perderá seu eixo de equilíbrio, e milhões de pessoas no mundo inteiro sucumbirão (p. ex.: na África) devido à carência de informação, conhecimento, matéria-prima, trabalho, água e terras habitáveis. É importante frisar que a população mundial aumentou 6 vezes de 1840 para cá (de 1 bilhão para 6 bilhões). E o processo de desertificação aumenta ano a ano. Isso implica dizer e inferir, que se a população mundial aumenta e os recursos do planeta (a matéria-prima diminui também devido à alta produção e o alto consumo dos países industrializados) o cenário que se apresenta é de escassez para os pobres e acumulação para os ricos numa guerra ideológica e cultural - entre nações desiguais! A luta pela sobrevivência vem se dando no campo científico e tecnológico.

A divisão de tarefas no mundo globalizado vem acontecendo em três partes: os criadores, os produtores e os consumidores. Os criadores exigem atualização de conhecimento em função da demanda de novos produtos, novas tecnologias e novos serviços. A riqueza dos criadores vem sendo realizada a custa da exploração da natureza, submissão e dependência dos outros dois (os produtores e os consumidores). Essa situação conduz a massa humana global a se voltar para sua realização material mínima (para não sucumbir ou ficar excluída e morrer) forçando a todos negarem sua realização espiritual e existencial.

No grande encontro das nações – COP-15 – em Copenhague ficou evidente que os grandes não querem se comprometer em contribuir para resolver de fato a mega crise ecológica que poderá inviabilizar a vida saudável no planeta. Milhões de indivíduos perderão suas terras e terão suas vidas ameaçadas diante dos impactos do aquecimento global. O cenário está sendo montado, mas mesmo assim as decisões são lentas no sentido de frear ou minimizar os efeitos das mudanças climáticas já em curso. No meio de tudo isso se encontra o cidadão comum, trabalhador, trabalhadora, empregado ou patrão tocando suas vidas sem poder interferir ou mudar a lógica da destruição planetária: eles são peças da própria engrenagem alienada de produção e consumo desequilibrado.

O fascínio da ciência humana em controlar e dominar a natureza vem provocando o seu próprio descontrole e desgoverno no processo de criação, produção e consumo. As ideologias (de esquerda ou de direita) nada poderão fazer para criar um novo paradigma revolucionário e transformador para a união e bem de todos sem distinção. E como conseqüência desse caos social, ecológico, ético e tecnológico teremos dois mundos distintos: os excluídos e os incluídos. Os excluídos serão aqueles dominados e explorados pela cultura do mais forte e do melhor. Os incluídos, por sua vez, serão aqueles que conseguiram impor suas ideologias e culturas do darwinismo social: vence o mais qualificado e mais insensível a dor alheia. A solidariedade, nesse contexto, será um princípio muito disseminado, mas pouco praticado. A busca mais elevada de sua natureza interior será substituída pela busca menos elevada exterior na disputa por um pedaço de chão, de pão, de recurso e de capital. Daí surgirá uma mega crise interior como conseqüência de um processo de conquista fora de sua própria natureza e consciência de si-existencial. Atualmente nos tornamos seres dependentes do trabalho pragmático e instrumental em busca de uma “felicidade” apenas formal, ilusória e material.

O poder da lógica racional alienante e predominante na estratégia de produção e consumo acelerado, impedirá a evolução da sensibilidade humana. E assim, a lógica do coração será esquecida e o Amor se esfriará mais ainda, gelando cada coração humano. E a vida perderá sentido de ser e existir – se as crises continuarem crescendo como estão atualmente!

Prof.(URCA) Bernardo Melgaço da Silva – bernardomelgaco@hotmail.com

Pensamento para o Dia 20/12/2009


“A vida é um mosaico de prazer e dor; a tristeza é um intervalo entre dois momentos de alegria. A paz é uma pausa entre duas guerras. Não há rosa sem espinho; o colhedor diligente evitará as picadas e colherá a flor. Não há abelha sem ferrão; a habilidade reside, a despeito disso, em recolher o mel. Os problemas e as angústias podem assaltá-lo, mas você não deve permitir que eles o desviem do caminho do dever e da dedicação. O mundo hoje é afligido por ansiedade, medo, depressão, ódio, ganância e desconfiança. A única maneira de o mundo corrigir-se é o ser humano perceber seu destino elevado, pois todo homem anseia por duas bênçãos – obtenção de alegria e fuga da dor.”
Sathya Sai Baba

sábado, 19 de dezembro de 2009

Pensamento para o Dia 19/12/2009


“Você deve praticar moderação na alimentação, no sono e no exercício. Bom alimento, em quantidades moderadas, em intervalos regulares: essa é a prescrição. Alimento sátvico promove o autocontrole e a inteligência, mais que os alimentos rajásicos e tamásicos. O sono também deve ser regulado e moderado; ele é tão importante quanto o trabalho e o alimento. O alimento deve ser limpo e puro, e obtido através de meios puros, e a força dele derivada deve ser dirigida para objetivos sagrados.”
Sathya Sai Baba

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“O Atma não é afetado por qualquer que seja o assunto ou objeto. Mesmo se os sentidos, a mente e a inteligência estiverem inativos, isso não afetará o Atma. Eles não têm nada a ver com o Atma, aquilo que você realmente é. Reconhecer o Atma como tal entidade, impassível e desapegada, é o segredo da Sabedoria (Jnana). O ser humano é fundamentalmente saudável e feliz. Sua natureza é a alegria. Então, quando ele está feliz e saudável, ninguém está surpreso ou preocupado. Mas angústia e tristeza são estranhas a sua constituição. Elas são o resultado de uma ilusão que tem dominado sua natureza. Assim, as pessoas ficam preocupadas e começam a descobrir como se tornaram tão iludidas.”
Sathya Sai Baba

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

A PARANORMALIDADE E A OUTRA VIDA ALÉM DESSA VIDA: FATOS INCOMPREENSÍVEIS DA MINHA VIDA

Desde garoto fui instigado, por experiência própria, em saber mais sobre o que estava além dessa vida. Então, com meus doze ou treze anos de idade tive a minha primeira experiência que me abalou profundamente sobre se existia ou não seres vivendo em outros mundos invisíveis. Assim, aconteceu na minha presença onde minha madrasta foi repreendida por uma entidade espiritual, incorporada numa menina de 13 anos de idade, caso continuasse com as agressões físicas e morais sobre minha natureza humana. E o que afirmou a entidade sobre o que iria acontecer com ela caso continuasse com as agressões – o que de fato aconteceu um pouco tempo depois! Por volta de 15 anos de idade novamente um fato aconteceu que me deixou perplexo e envergonhado por ter que admitir algo que nenhum olho humano poderia ver. Uma entidade espiritual viu a minha alma chorando e me denunciou na frente de várias crianças num dia de São Cosme e São Damião. E aos 18 anos, mais ou menos, um fenômeno espiritual me deixou assustado e depois curioso em querer saber mais sobre um ser que se manifestou, quando eu estava tentando acordar por volta das 6 horas da manhã, na minha frente com as características de um fantasma (sem um rosto definido e todo branco – muito branco!).

E aos 27 anos, mais ou menos, “vi” e fui orientado espiritualmente por um ser que se incorporou na minha (segunda) madrasta na frente da minha família reunida na sala da nossa casa (caso raro e incomum de acontecer). Essa entidade afirmou algo que eu estava pensando há meses e que ninguém mais sabia: por que Deus era tão passivo diante das guerras, tragédias, desastres, injustiças e doenças no mundo humano? O ser espiritual, então, disse para mim: “Não coloque Deus como responsável de tudo isso que você vem apontando. Tudo o que acontece de mal na Terra é consequência das ações humanas. Deus não tem nada a ver com isso. Foram vocês que criaram esse mundo assim. Por favor, pare de pensar dessa forma”.

E aos 36 anos de idade depois de tantos sinais paranormais ou espirituais finalmente tive a experiência mística do Eu Cósmico se manifestando nas profundezas da minha consciência. E como conseqüência dessa vivência deslumbrante tive, a experiência rara do Amor Divino explodindo no centro do meu peito. E tudo aconteceu quando orei e implorei de joelhos para saber a Verdade Dele, e depois comecei a investigar a diferença entre ser e não-ser, razão e intuição, razão e fé, ser superior e ser inferior, energia negativa e energia positiva em mim mesmo de forma implacável. Vivenciei tanta coisa bonita que quase me desliguei do mundo social para querer viver isolado numa floresta ou caverna. Fiquei sem chão!

Eu não sabia mais afirmar com convicção o que era a vida humana. Até hoje vivo uma polaridade existencial (Eu social e Eu Universal). Em minha consciência duas vidas e duas vozes preenchem a minha condição humana. Um lado meu, humano, sofre e se angustia por sentir que o livro da minha vida humana já está nas últimas páginas da leitura. E por outro lado, não-humano, diz: “Não turbe seu coração...tudo passará...confie em mim...Sou Deus em você mesmo”.

Assim, o rio da vida corre no seu rumo com as ondas sendo guiadas por duas margens: a dor e o Amor. É preciso ter muita fé e suportar o destino onde as águas do rio cósmico nos leva para um outro lugar ou dimensão. É preciso aprender que a vida não se resume apenas viver num lado da margem do rio, mas que precisa fluir e oscilar docemente ao sabor dos ventos físicos e metafísicos sutis.

Então, o que é a vida para mim? É aceitar que nada tem início e fim. Só existe o caminho do meio no fluir dos acontecimentos,transformações, sabores, dissabores e descobertas que fazemos a cada dia. O discernimento de QUEM SOMOS NÓS é o mais elevado grau de sabedoria. Pois, no final de tudo descobriremos que sempre fomos deuses em estágios diferentes de aprendizagem. E nesse percurso os erros e acertos contarão pontos e méritos na escalada da consciência cósmica de Deus.

A Verdade é o Amor indizível, mas que pode ser vivenciada por cada um num encontro (casamento)cósmico metafísico e interior (da alma desejosa em querer se descobrir e amar incondicionalmente).

Bernardo Melgaço da Silva

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

SER HUMANO

Pra que vives?
Pra que choras?
Lágrimas e lágrimas
Dor e violência
Crítica e impaciência
Pra que vives?
Pra que choras?
Teu peito dói, mas já não sente ou finges que não sente
Acostumastes a prender e conviver com a dor
Aprendestes muita coisa
Mas muita coisa não aprendestes
Aprendestes a andar, falar, correr, escrever, ensinar e aprender racional
Mas não aprendestes o que deve aprender de principal, de fundamental:
Quem sois?
És apenas células, órgãos, carnes, ossos, uma mente e uma emoção?
Aprendestes a racionalizar, reduzir e por isso reduz a si mesmo
Tu não és apenas isso
És muito mais
Não és apenas professor, aluno, aprendiz, místico, religioso, ufólogo ou ateu
És uma natureza física "conhecida" e uma natureza metafísica desconhecida como eu
Acorda meu irmão (ã)!
Já é hora de semear o grão
De molhar o chão e comer o pão
É hora de traduzir a ciência
É hora de abrir a consciência
E de mudar a velha percepção
De olhar o mundo da natureza com outros sentidos que jamais havias imaginado de suas existências
Chega de sofrimento e luta!
Estais cansado(a), eu sei disso!
Comi também desse pão
Derramei também minhas lágrimas nesse chão
Eu e você somos semelhantes: a diferença é física mas não metafísica
Fui ao limiar da loucura para aprender que tu és meu irmão(ã)
Derramei rios de lágrimas em conflito para perceber aquilo que não conseguia ver
Lutei contra mim mesmo a cada segundo durante horas, semanas, meses e anos
Para agora escrever estes versos de coração
A realidade é muito maior e mais ampla que nossa percepção possa alcançar
Vamos acorde! Eu posso lhe dar a mão
Posso lhe carregar nos meus ombros
E juntos caminharmos em solidão
Para que tu possas escutar o silêncio e aquilo que era impossível de perceber
Para ver o que era impossível de ver
Para que tu possas ir além dos seus limites físicos
Deixe que com humildade e compaixão lhe estender a minha boa mão
Escuta meu irmão: os teus próprios sentidos te enganam
Não te deixam enxergar a realidade da vida
Só percebes coisas e seres coisificados
O outro chora a teu lado
E vive te pedindo a mão
E tu apenas o recebes com um não
É humanamente compreensível que tu mostres tua indignação
Que lutas contra os inimigos da tua própria imaginação
Deixe as armas da crítica de lado
Abra teu coração
E comece aprender que existem verdades e princípios
Se acumulas negras verdades
Os princípios se esvaziam
Se enches de toda razão
Perdes a sutil intuição
Se enches de muito poder
Perdes a força de vontade
Se segues meu conselho
Verás com teus próprios sentidos ocultos que és também filho(a)-senhor (a) da verdade
E que o Amor é o refrão oculto criador desses versos
Amor, Amor, Amor...Rei Senhor Criador de todo Universo
Bernardo Melgaço da Silva - 1988

EM VERDADE EM VERDADE EU VOS DIGO...

Assim como consigo distinguir a voz de João e Joana, de Fernando e Fernanda, de Renato e Renata, de Mário e Maria, consigo também distinguir a voz do homem e a voz de Deus. Assim como o sol ilumina e aquece o meu corpo físico, assim também o sol da verdade de Deus ilumina a minha consciência e me enche de sabedoria.

Bem-Aventurado é aquele que podendo pecar não peca, podendo negociar a fé não negocia, podendo julgar o cisco no olho do outro não julga, podendo condenar a fraqueza alheia não condena, e ao invés disso se esforça continuamente em orar e vigiar a si mesmo. Pois, somente acendendo a luz é que se pode ver a mobília no quarto escuro. E é orando que se age na intenção de acender a luz; e é vigiando (meditando) que se distinguem os objetos iluminados.

Em verdade em verdade, eu vos digo que a paz de Deus é a chave do tesouro da felicidade e da justiça eterna. E esse tesouro enterrado em nosso solo da percepção precisa ser descoberto. A fé de Deus é a pá com a qual devemos lançar mão e trabalhar para retirar o tesouro enterrado. Bem-Aventurados os que podendo ter o tesouro do valor-dinheiro não buscam esse tesouro para si porque sabem que a sua riqueza é ilusória e transitória. E sabem também que o tesouro dos tesouros somente pode ser aberto com a chave da paz de Deus. Além disso, sabem mais ainda que com o tesouro Divino se obtém o valor que nenhum dinheiro paga. Esse valor que vos falo é a glória do Amor de Deus.

Bem-Aventurados são aqueles que ao ouvirem a mensagem de Jesus (e de todos os mestres espirituais de verdade) conseguem perceber imediatamente a gloriosa voz suave do Cristo. E que depois colocam em prática os seus ensinamentos do caminho do Reino de Deus: ORAI E VIGIAI (a si mesmo). Pois, assim como o tesouro foi criado para ser descoberto, da mesma forma a sua riqueza espiritual foi glorificada para ser compartilhada entre todos.

Bem-Aventurados são aqueles que orando e meditando não duvidam das mensagens profundas que brotam de suas próprias consciências. Pois, se o tesouro foi aberto é natural que o seu brilho se projete para fora do baú iluminando a tudo e a todos. E é inevitável o seu brilho e sua clareza de verdade. Somente aqueles que estão cegos pelo poder do dinheiro e pelo poder da fama não reconhecerão o brilho que reluz do tesouro aberto.

Em verdade em verdade, eu vos digo que a verdade é Deus-Pai em sua manifestação gloriosa e poderosa no Reino Humano. Bem-Aventurados os que forem batizados pelo Espírito Santo. De suas próprias bocas eles ouvirão o seu próprio Criador falar diretamente. De suas bocas o Verbo de Deus se fará carne. E nesse momento o homem se confundirá com Deus. Bem-Aventurados são aqueles que não conseguirem mais distinguir entre a modéstia do seu verbo humano e a grandeza do Verbo de Deus.

Bem-Aventurados são os Filhos de Deus que não querem nada ganhar para si, mas querem tudo ganhar de Deus em si mesmos. Esses reconheceram, em si mesmos, o Pai eterno e decidiram retornar para o seu convívio amigo, fraterno e amoroso.

Em verdade em verdade, eu vos digo que Cristo nunca morre, mas sempre nasce nas consciências daqueles que sacrificam (transmutam) os seus próprios egos.

Cristo vive. Cristo sempre volta. Aleluia, aleluia, ELE voltou em paz e amor no homem e na mulher de fé!

Não deixe para amanhã o que pode ser encontrado e (auto)conhecido, revelado, amado, querido, glorificado, sentido no aqui e agora em ti mesmo: Deus!

Bernardo Melgaço da Silva

Pensamento para o Dia 17/12/2009


“Um provérbio honrado pelo tempo diz: ‘A felicidade real e duradoura não pode ser conseguida através dos prazeres físicos’ (‘Na Sukhaath Labhyathe Sukham’). A felicidade duradoura pode surgir apenas pela disciplina da mente e fé no Senhor que não é diminuída pela boa ou má sorte. O homem deve usar o poder do discernimento dado a ele para combater as forças do mal dentro de si e fomentar os elementos Divinos em si através de seu próprio esforço, ouvindo a voz de sua consciência. O homem deve usar a liberdade de discernir entre o certo e o errado, o bem e o mal.”
Sathya Sai Baba

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“A educação deve cultivar a humildade e a disciplina, mas atualmente ela está produzindo uma colheita de orgulho e inveja. “Vidya” quer dizer “Vid” (Luz) e “Ya” (aquele que dá). Portanto, a educação deve verter luz e iluminar a escuridão na mente e no intelecto. Ela não representa o mero conhecimento livresco. Ela deve esclarecer o parentesco do homem com o homem e sua relação íntima com a natureza. Ela deve harmonizar as experiências anteriores de alguém com suas experiências atuais e guiá-lo a experiências benéficas no futuro. Ela deve validar o conhecimento obtido dos livros através das experiências e, no processo, fazer o homem crescer até que ele se torne Divino.”
Sathya Sai Baba

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

A Evolução Futura do Homem


O grande engano da civilização ocidental moderna foi ter se confundida ao misturar o “joio moral” com o “trigo ético”. E esse engano foi propiciado pela lógica racional de que a evolução técnica (“nas palavras de Max Planck: o real é o mensurável”) por si só levaria o homem a uma solução de seus problemas paralelamente a uma transcendência ética, ou seja, colocou virtual e inconscientemente a evolução ética como subproduto do progresso técnico. Tal engano – produzido pela excessiva racionalização! - está sendo fatal, pois sem a transcendência ética o mundo estará inexoravelmente se aproximando de uma grande crise ética-ecológica irreversível onde o homem utilizará toda a transcendência técnica contra si mesmo porque ainda não percebeu (porque não tem sensibilidade para ver essa problemática existencial em si mesmo!) que existem dois contextos ou caminhos evolutivos (transcendentes) independentes. Isso implica dizer que a evolução técnica não aperfeiçoa o caráter humano. Este tem uma dimensão de trabalho e caminho de transformação próprio (existencial-pessoal). A aproximação com o saber e práxis espiritual oriental é vital.

E segundo o filósofo e místico oriental SRI AUROBINDO :

“A espiritualidade é em sua essência um despertar para a realização interior de nosso ser, para um espírito, um si, uma alma, que é diferente de nossa mente, vida e corpo, uma aspiração interior a conhecer, sentir, ser isso, a entrar em contato com a Realidade maior que está além, que penetra o universo e habita também nosso próprio ser, a estar em comunhão com Ela, em união com Ela, e é uma guinada, uma conversão, uma transformação do nosso ser inteiro, como resultado da aspiração, do contato, da união, um crescimento ou um despertar para um novo vir-a-ser, ou um novo ser, um novo si, uma nova natureza.

Há quatro linhas principais que a Natureza seguiu em sua tentativa de começar a abrir o ser interior - religião, ocultismo, pensamento espiritual e uma realização e experiência espiritual interior; as três primeiras são aproximações, a última é a avenida decisiva de entrada. Todos estes quatros poderes trabalham em ação simultânea, mais ou menos relacionados, às vezes em uma independência isolada. A religião admitiu um elemento oculto em seu ritual, cerimônia e sacramento; ela se debruçou sobre o pensamento espiritual de apoio - o primeiro é ordinariamente o método ocidental, o último o oriental; mas a experiência espiritual é o objetivo e a consecução final da religião, seu céu e ápice.

Cada um desses meios ou aproximação corresponde a algo em nosso ser total, e portanto a algo necessário ao objetivo total de sua evolução. Há quatro necessidades da auto-expansão do homem, para ele não permanecer este ser da ignorância de superfície, procurando obscuramente a verdade das coisas, coletando e sistematizando fragmentos e secções de conhecimento, a pequena criatura limitada e semicompetente da Força cósmica, que ele é agora em sua natureza fenomênica. Ele deve conhecer-se, descobrir e utilizar todas as suas potencialidades: mas para conhecer a si próprio e ao mundo completamente, ele tem que ir atrás de si mesmo e de seu exterior, tem que mergulhar fundo, abaixo de sua própria superfície mental e da superfície física da Natureza” (p.64-65).

AUROBINDO, SRI - A Evolução Futura do Homem, s.e., São Paulo, Cultrix, 1976.

Pensamento para o Dia 14/12/2009


“Enquanto o homem vive uma vida dedicada aos prazeres e vitórias do mundo objetivo, ele não pode escapar da tristeza, do medo e da ansiedade. Não há objeto sem defeito ou imperfeição, não há prazer que não esteja misturado com a dor, não há nenhuma ação que não esteja contaminada com egoísmo. Portanto, seja puro e desenvolva o desapego, o que lhe vai poupar da aflição. As tristezas da vida não podem terminar através do ódio e da injustiça, os quais somente geram mais de sua espécie. A tristeza irá produzir somente pensamentos mais nobres e elevados com experiências que germinam a partir do coração puro, onde o Senhor reside.”
Sathya Sai Baba

A PROFECIA ECOLÓGICA-ESPIRITUAL DE IEDA


No início da década de 80 decidi sair da casa de meu pai para ir morar sozinho. Um ano após minha saída, por questões econômicas, mudei de endereço no mesmo bairro do Flamengo. O Flamengo é um bairro nobre da zona sul do Rio de Janeiro. Os aluguéis lá eram e ainda são caros. Então, encontrei uma saída econômica que era morar num quarto alugado próximo à praia. E a moradora, uma gaucha de uns 40 anos de idade, me sub-alocou um pequeno quarto confortável para mim e meu irmão mais velho. Ieda era (ou é ainda (?)) uma mulher de convicções firmes e muito simpática. Sempre sorridente, Ieda cativava a todos com sua coragem , força de vontade e fé no processo de superação de uma doença raríssima no mundo. Era muito comum vê-la dopada para suportar as dores dos pequenos nódulos que surgiam por todo o seu corpo.
Num belo dia ela me contou como ficou sabendo, com bastante antecedência, o caminho de sofrimento que teria que passar nessa vida terrena. Contou-me ela que seu avô havia planejado ir à praia (no Rio Grande do Sul onde ela morava quando pequena) com ela e um garotinho. E assim aconteceu. Saíram cedo com o objetivo de voltar um pouco mais tarde. Em dada hora, o avô percebendo que precisava fazer o lanche que levara forrou a areia com um pano e retirou da sacola uma melancia para repartir entre eles. Buscou na sacola uma faca e foi aí que percebeu que havia esquecido a mesma em casa. Por um instante ficou confuso com o fato de ter esquecido a faca. Tentou encontrar uma maneira de executar a ação. Então, de repente surgiu do nada uma figura humana de um velhinho vestido todo de branco. Seus cabelos eram brancos e possuía uma grande barba branca também. O velhinho se aproximou disposto a ajudá-los. Ele fez um sinal da cruz sobre a melancia, e a melancia se repartiu milagrosamente em quatro pedaços. Após esse feito ele se apresentou como sendo Jesus Cristo. E em seguida orientou o avô dela para que não continuasse mais batendo na esposa. E quanto a ela, disse: “Você terá uma doença muito rara no mundo. Mas, não se preocupe porque é para seu próprio bem devido aos karmas adquiridos em outras vidas”. Após essa fala ele profetizou o que iria acontecer com o ser humano devido a sua ação destruidora da natureza. Ele afirmou: “Tudo o que o homem toma ou interfere na natureza provocará uma ação contrária fazendo com que surjam tempestades e todo tipo de catástrofes que envolvem a natureza. A natureza vai querer tudo de volta!”. E segundo minha amiga Ieda ele mencionou algumas cidades onde ocorreriam essas catástrofes (p.ex.: Santa Catarina, Rio de Janeiro etc).

E a partir dessa história contada por Ieda fiquei atento aos desastres naturais. E toda vez que acontece um desastre “natural” lembro-me de Ieda e do velhinho espiritual. Quando é que finalmente admitiremos que tudo está interligado: o social, o natural e o espiritual? Hoje, se discute quanto tempo temos (se é que temos) ainda para consertar os erros do passado e do presente. O mundo vive apreensivo sobre o destino da humanidade caso ações concretas não sejam realizadas a tempo para mudar o rumo da intervenção desastrosa da vida humana na Terra. Tudo será afetado: água, solo, subsolo, ar, florestas, cidades etc.: “O Sertão virará mar, e o mar virará Sertão” diz a música sertaneja. A conta desses desastres será paga por todos, principalmente os mais pobres e carentes de recursos. No COP-15, em Copenhague, se discute um acordo de como repartir as responsabilidades, ônus e bônus. Mas, não há consenso de quanto cada um deverá investir e doar de si para salvar o planeta.

Enquanto isso, continuamos poluindo, desmatando e destruindo o que resta ainda de original e sagrado ao nosso redor.

Bernardo Melgaço da Silva

domingo, 13 de dezembro de 2009

Pensamento para o Dia 13/12/2009


“Aqueles que buscam difundir para outros os valores da Verdade (Sathya), Retidão (Dharma), Paz (Shanti), Amor (Prema) e Não-violência (Ahimsa), devem primeiro procurar praticá-los de todo coração. Imaginar que os valores podem ser instalados através do ensino é um erro. Tal aprendizado não terá efeito permanente. Os educadores devem tomar conhecimento desse fato. Se a transformação deve ser realizada nos estudantes, o processo deve começar a partir de uma idade muito precoce.”
Sathya Sai Baba

sábado, 12 de dezembro de 2009

Pensamento para o Dia 12/12/2009


“Tristezas e desastres são as nuvens que voam no céu; elas não podem ferir as profundezas azuis do espaço da fé. Considere alegria e tristeza como professores de coragem e equilíbrio. A tristeza é um lembrete amigável, um bom mestre, até mesmo um professor melhor que a alegria. Não recue diante da dor. Receba com agrado o teste, porque depois o certificado lhe será concedido. É para medir seu progresso que os testes são impostos.”
Sathya Sai Baba

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

FÉ E CIÊNCIA - O Deus de Einstein

(http://www.amebrasil.org.br/portal/?q=node/20)

Como o maior de todos os gênios lidava com as questões metafísicas da humanidade. E o que o seu conceito pessoal do Todo-Poderoso pode ensinar à tropa de choque dos cientistas-ateus do século 21.

Marcelo Damato
Confira a seguir um trecho dessa reportagem que pode ser lida na íntegra na edição da revista Galileu de novembro/2007.

Em meados dos anos 1930, o diplomata e mecenas alemão conde Harry Kessler (1868-1937) chegou para o já renomado Albert Einstein e lançou: "Professor, ouvi dizer que você é profundamente religioso". Sem se alterar, o cientista respondeu: "Sim, você pode dizer isso. Tente penetrar, com os nossos meios limitados, os segredos da natureza. Você vai descobrir que, por trás de todas as concatenações discerníveis, há algo sutil, intangível e inexplicável. A veneração a essa força que está além de tudo o que podemos compreender é a minha religião. Até certo ponto, de fato, eu sou religioso".

Apesar de um tanto escorregadia, a resposta - e outras declarações ao longo da sua vida - não dá muita margem a dúvidas: Einstein acreditava em Deus. Embora seja bem menos complicada de entender do que a Teoria da Relatividade, a idéia que o cientista desenvolveu do Todo-poderoso é cheia de sutilezas e meios-tons. Isso fez com que, assim como suas descobertas científicas, seus conceitos religiosos gerassem controvérsias e discussões que chegam acessíssimas aos dias de hoje.

Fonte: Revista Galileu

O INÍCIO, O MEIO E O FIM PENDULAR: O IMANENTE, O MUTANTE E O TRANSCENDENTE


“Tudo está em constante mudança” assim diz o mestre indiano Sathya Sai Baba. “Nada se cria, nada se perde, tudo se transforma” foi o que disse o cientista Lavoisier. “O homem é uma ponte entre o animal e o supra-humano” afirmou Nietzsche. Tudo indica, segundo os sábios de todos os tempos, que a vida passa por um processo pendular metamorfósico de nascimento, crescimento e renascimento em direção a uma outra etapa de vida. Ou seja, nada morre, mas tudo se transforma e se transmuta segundo forças, naturezas, princípios e leis que governam o universo e a vida nele inserido. Consciente ou inconscientemente está o ser humano de um lado para o outro procurando compreender o pêndulo da vida metamorfósica que oscila entre um pólo e outro da realidade imanente e da realidade transcendente.

Então, o que está na base desse processo de mudança? Alguns afirmarão segundo suas crenças a visão do fenômeno que está mais próximo de sua compreensão, experiência objetiva ou vivência subjetiva e interior. A vida humana é análoga a um negativo de um filme que precisa ser revelado por cada um para mostrar a verdadeira imagem do ser numa visão clara e consciente do mundo. Nesse contexto, ser e mundo são partes de um mesmo processo de criação. O que está fora encontra-se dentro também. O que vemos somos também. A vida, então, nos cobra: “decifra-me ou eu te devoro”. É preciso reconhecer os princípios, impulsos e forças que agem na fonte da consciência. O pêndulo da vida oscila entre o pensamento e o sentimento que geramos ou apreendemos do mundo a nossa volta. Somos indutores e induzidos; partes e o todo; causa e efeito; verdade e ilusão; amor e ódio; paz e violência; céu e inferno; desejo animal e Amor Sagrado.

O objetivo da vida humana está de um lado entre a necessidade de satisfazer o pão e o prazer, e do outro a liberdade de revelar e sentir a felicidade do Amor. Normalmente optamos em satisfazer a necessidade do pão-prazer em primeiro lugar para depois empregar nossas energias em conquistar a felicidade do Amor que liberta o ser. Essa última façanha depende de uma série de fatores sociais, culturais, psicológicos e ontológicos interligados. No princípio somos uma criança extremamente vulnerável, em seguida somos um indivíduo adolescente envolvido e participante da cultura do seu meio social, e por último somos um idoso (consciente ou inconsciente) de sua jornada mais importante na Terra: ser pessoa transcendente e amorosa.

Em cada etapa somos conduzidos pelo amadurecimento das forças internas da psique e/ou do caráter (Self). A vida não nos permite uma parada para descanso. O descanso só é possível pelo exercício da meditação ou contemplação de si mesmo. Em outras palavras, somente conseguimos reduzir a velocidade do pêndulo da vida metamorfósica quando nos abstraímos e percebemos que somos o próprio pêndulo em movimento ininterrupto. Esse pêndulo nunca pára! Daí a necessidade da reclusão e do silêncio. A paz é conseqüência de um movimento suave do ser entre seus pólos de consciência (imanente e transcendente). Os outros valores vem a reboque dessa conquista: a tolerância, a felicidade, o equilíbrio interior, a calma, a compaixão, a doçura do ser etc.

A conquista maior passa a ser o controle do movimento do pêndulo da vida em si mesmo. A fé, a vontade, a sensibilidade e a disciplina implacável são as forças que permitem freiar parcialmente o pêndulo da vida. O autocontrole é fundamental para se atingir a meta do Nirvana, Samadhi ou Bem-Aventurança. Esse pontos ou marcos representam o topo da sabedoria do ser sobre si mesmo. E quem alcança esse nível de consciência consegue compreender (muito além da razão) o sentido da vida e o mistério do ser. E assim, vislumbra uma etapa de consciência onde não precisa mais valorizar o sofrimento, a perda e o medo de morrer. Esse pêndulo humano deixou de ser apenas e unilateralmente Ego-Indíviduo e se tornou também Self-Pessoa. Em síntese, o pêndulo da vida humana entra finalmente num ritmo vibracional suave, leve e agradável: a verdadeira sintonia e harmonia de movimento com o cosmo e o seu Criador. A sabedoria dos santos, místicos e iogues tem muito a nos ensinar – a abordagem quântica também!