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porque convergimos e integramos com AMOR, VERDADE, RETIDÃO, PAZ E NÃO-VIOLÊNCIA

dedicamos este espaço a todos que estão na busca de agregar idéias sobre a condição humana no mundo contemporâneo, através de uma perspectiva holística, cujos saberes oriundos da filosofia, ciência e espiritualidade nunca são divergentes; pelo contrário exige-nos uma postura convergente àquilo que nos move ao conhecimento do homem e das coisas.
Acredito que quanto mais profundos estivermos em nossas buscas de respostas da consciência melhor será para alcançarmos níveis de entendimento de quem somos nós e qual o propósito que precisaremos dar as nossas consciências e energias objetivas e sutis para se cumprir o projeto de realização holística, feliz, transcendente, consciente e Amorosa.

"Trata-se do sentido da unidade das coisas: homem e natureza, consciência e matéria, interioridade e exterioridade, sujeito e objeto; em suma, a percepção de que tudo isso pode ser reconciliado. Na verdade, nunca aceitei sua separatividade, e minha vida - particular e profissional - foi dedicada a explorar sua unidade numa odisseia espiritual". Renée Weber

PORTANTO, CONVERGIR E INTEGRAR TUDO - TUDO MESMO! NAS TRÊS DIMENSÕES:ESPIRITUAL-SOCIAL-ECOLÓGICO

O cientista (psicólogo e reitor da Universidade Holística - UNIPAZ) PIERRE WEIL (1989) aponta os seguintes elementos para a falta de convergência e integração da consciência humana em geral: "A filosofia afastou-se da tradição, a ciência abandonou a filosofia; nesse movimento, a sabedoria dissociou-se do amor e a razão deixou a sabedoria, divorciando-se do coração que ela já não escuta. A ciência tornou-se tecnologia fria, sem nenhuma ética. É essa a mentalidade que rege nossas escolas e universidades"(p.35).

"Se um dia tiver que escolher entre o mundo e o amor...Lembre-se: se escolher o mundo ficará sem o amor, mas se escolher o amor, com ele conquistará o mundo" Albert Einstein

quarta-feira, 28 de maio de 2008

A IMPORTÂNCIA E O PAPEL DA IMPRENSA NA REGIÃO DO CARIRI CEARENSE: TEXTO DE APOIO AO JORNALISMO ÉTICO E CRÍTICO

Hoje as imprensas escrita, falada e eletrônica desempenham um papel importante na formação crítica da consciência humana num mundo cada vez mais acelerado, mais interdependente (hiper conectado), mais informal e mais “próximo” em virtude das inovações tecnológicas nos campos da tecnologia da informação e da comunicação. A tarefa dos meios de comunicação se torna extremamente árdua em função da rapidez com que a leitura, a interpretação e a divulgação dos fatos e fenômenos demandam precisão na ocorrência da imagem captada e comunicada. Nesse contexto, a observação e a análise dos fatos e fenômenos exigem dos profissionais da imprensa uma sensibilidade refinada e uma fundamentação intelectual e ética renovada e atualizada.
Em virtude dessa nova perspectiva da era da informação e do conhecimento, que transforma e é transformada rapidamente em seu próprio movimento em si mesmo, o leitor ou ouvinte necessita de notícias e relatos com um baixo índice de “ruído” e interferência prejudicial, e sem contaminação ideológica perversa. Nesse contexto, a imprensa na região do cariri sofre do mesmo problema global que é ser permanentemente crítica e fiel aos fatos e fenômenos sociais ocorridos. E crítica significa aqui, segundo Marilena Chauí – “Convite à Filosofia”, o espaço do dito do que ainda não foi dito, do julgamento claro que ainda está obscuro, da visão larga que ainda não está de toda aberta, da perspectiva profunda que ainda está superficial e limitada, da teoria inédita que transcende sem negar a verdade da teoria anterior. Crítica, nesse sentido, não é ataque baixo, retórico, vulgar, imoral, corporativo, chulo e sem fundamento. Ela é sempre construtiva mostrando o que ainda não foi mostrado, refazendo o olhar viciado e condicionado sobre o mundo objetivo, apontando para valores corrompidos na alma humana.
Nesse contexto, a imprensa caririense tem a função de informar, comunicar, esclarecer, anunciar, contestar, promover, divulgar, educar, divertir, criticar e canalizar as diversas demandas que surgem naturalmente no seio da sociedade. Pois, a ponte comunicativa entre o Indivíduo e a Sociedade pode ser compreendida também a partir das ações dos veículos de comunicação que aproximam esses dois pólos. O mesmo fenômeno ocorre entre o Estado e a Sociedade, pois cabe a imprensa ajudar a tornar visível ou transparente os atos, desmandos, abusos de poder (das esferas privada e pública: judiciário, legislativo e executivo), fatos importantes (p.ex.: mensalão, cuecão, tragédias, terremotos etc) e comuns, comunicados no sentido de fazer com que o cidadão comum se torne consciente do que acontece no seu mundo objetivo e dos seus direitos e deveres legais. É através do espaço livre da imprensa que o cidadão pode reivindicar ou apelar – sem gastar um tostão sequer! - para que a Constituição Brasileira seja respeitada (para todos!) e saia da sua dimensão escrita, estática e restritiva (para poucos privilegiados!) para de fato se fazer valer no mundo concreto das ações, desejos e movimentos legais e humanos. É através da imprensa que se pode combater de forma democrática as retóricas persuasivas que tentam manipular ou controlar as verdades nas mentes desatentas, desinformadas e incautas; cobrar os atos políticos desviados ou prometidos em campanhas eleitorais; identificar os responsáveis pelas corrupções dos atos ilícitos e imorais.
Enfim, a imprensa de um modo geral tem o dever moral de fazer valer a voz da indignação e a dor do coração daqueles que são injustiçados, discriminados, excluídos, abandonados, ignorados, atacados e explorados. E no Cariri, essa voz – que tentam calar! - vem sendo utilizada não só para divulgar as verdades sociais, econômicas, científicas, religiosas, culturais e políticas partidárias, mas também como instrumento de emancipação daqueles que necessitam de proteção, justiça - p. ex.: as mulheres violentadas e feridas mortalmente - e incorporação das políticas públicas em suas comunidades. Além de noticiar acontecimentos próximos e longínquos, ela também vem servindo para informar sobre arte, ciência, filosofia e religião em suas diversas e variadas perspectivas. A imprensa caririense vem cobrindo diariamente os diversos movimentos culturais e religiosos que atraem milhões de romeiros para essa região intensamente ligada ao mundo sagrado. Ela também comunica as potencialidades naturais, suas carências e suas riquezas ecológicas, infelizmente, em processo de destruição gradativa. Ela vem servindo para reforçar a identidade de um povo que luta para sobreviver numa terra esquecida pelas políticas públicas, mas lembrada pela Fé de Deus.
A sua importância é vital porque seu modo de ser é um espaço democrático que abre um canal direto para o homem comum, o intelectual, o político, o acadêmico, o religioso, o filósofo, o místico, o espiritualista que necessitam criar um diálogo e identidade com a vida humana a sua volta. A sua importância reflete em síntese na expressão da consciência humana que busca dialogar para aperfeiçoar, educar, informar, divertir e encantar os corações com suas diversidades comunicativas em seus diversos campos de atuação. E propagadas por atores que se engajam na arte e na ciência de transformar dados em informação, e informação em conhecimento e cultura. E assim, ajudam a preparar cada indivíduo humano para se conectar ao mundo interior da sabedoria perene, transformando conhecimento em autoconhecimento, indivíduo em pessoa, sofrimento em alegria, inconsciência em consciência de - e em - si mesmo!
Prof. (DSc) Bernardo Melgaço da Silva – (88)9201-9234 – bernardomelgaco@hotmail.com

quinta-feira, 22 de maio de 2008

CIÊNCIA E ESPIRITUALIDADE


Desde pequeno tive a felicidade de perceber diretamente que a minha realidade era constituída de pelo menos dois planos: material (natural) e espiritual (sobrenatural). Acredito que a maioria dos indivíduos de alguma forma foi tocada pela experiência mística do sobrenatural, mas procurou evitar, esquecer ou esconder. Ainda tenho na memória a lembrança de vovó Catarina. Vovó Catarina era uma entidade espiritual que incorporava frequentemente na minha madrasta. Havia um ritual que antecedia a incorporação. Minhas duas irmãs mais novas se trancavam no quarto com minha madrasta e preparavam o ambiente espiritual para a recepção da entidade: a roupa branca, o cachimbo, o banquinho, o altar com velas e a reza. E o ambiente onde se realizava a manifestação do transcendente era a nossa residência. Tanto a voz (muito fraca) quanto os movimentos lentos da entidade incorporada sinalizavam uma pessoa bem idosa, bem diferente do modo de ser da minha madrasta. As vezes minhas irmãs se colocavam como tradutoras pois a linguagem utilizada pela entidade não era costumeira (p.ex.: apartamento ela chamava de caixote).
Eu gostava de me consultar com a entidade incorporada. E por várias vezes pude confirmar a previsão - com precisão! - dela sobre questões da minha vida. E assim com essa iniciação espiritual fui crescendo cheio de interrogações a respeito do mundo espiritual e a influência dele no nosso mundo material. Hoje, sou um cientista cercado ainda de dúvidas, mas muito mais convicto da existência da espiritualidade que cerca e envolve o mundo material, como um epifenômeno (“Fenômeno cuja presença ou ausência não altera o fenômeno que se toma principalmente em consideração” Novo Dicionário Aurélio, p.544). Em outras palavras, vivemos simultaneamente entre duas experiências de mundo só que por falta de sensibilidade e muita racionalização a realidade espiritual se torna periférica e pouca vivenciada por uma grande população.
Assim, onde estaria a fronteira entre a percepção do mundo material e a percepção do mundo espiritual? A resposta que encontrei foi essa: SENSIBILIDADE-FÉ-VONTADE. Essa tríade difere da outra tríade RAZÂO-CRENÇA-DESEJO. Enquanto a primeira tríade potencializa a consciência para poder acessar (vivenciar) e perceber o mundo espiritual, a segunda tríade, por sua vez, potencializa a consciência para poder acessar (experimentar) e perceber o mundo material. No primeiro caso temos a Ciência de si ou autoconhecimento, e no segundo caso temos a Ciência ou conhecimento. A realidade humana é, portanto, um epifenômeno existencial onde se busca a unidade e o equilíbrio cósmico entre dois mundos ou reinos (em Física: matéria e anti-matéria).
Prof. DSc. Bernardo Melgaço da Silva – bernardomelgaco@hotmail.com

sábado, 10 de maio de 2008

A VISÃO DO TODO NO PROCESSO DE PLANEJAMENTO-ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO E OS SEUS IMPACTOS NO MUNDO MODERNO PRODUTIVO E ACADÊMICO HIPERVELOZ

Por volta de 1984 fui convidado para trabalhar em São Paulo, na Empresa ELEBRA S. A, no Departamento de Engenharia de Produto. Tal convite partiu da Diretoria Técnica daquela empresa. Na época eu trabalhava como engenheiro de Produto na Cobra Computadores S. A, no Rio de Janeiro (fui para a ELEBRA ganhando duas vezes mais!). A minha missão era ajudá-los a resolver um problema na organização da documentação e estruturação das informações técnicas dos vários projetos de engenharia daquela empresa. Era uma empresa muito grande que trabalhava com tecnologia de ponta na área de eletrônica avançada e informática. Logo que cheguei e tomei consciência do problema solicitei ao meu chefe que adotássemos uma estratégia de ação. Ele ficaria a frente na parte operacional e político do Departamento e eu ficaria numa posição de investigar o processo que estava gerando um gargalo no fluxo de informação do nosso setor com os demais setores da empresa, principalmente o de Produção. E os problemas de comunicação eram graves a ponto de parar quase todos os dias o chão-de-fábrica. Isso acarretava um prejuízo de milhares de dólares por mês uma vez que a nossa empresa, além de outros compromissos inclusive com a Marinha do Brasil, fabricava e exportava placas de circuito impresso para a empresa CONTROL DATA dos E. U. A .
Então, durante 6 meses consecutivos estudei com afinco os fundamentos técnicos que estavam por detrás do sistema de informação e comunicação técnica da empresa toda. E no final após muita interação e troca de experiências com meu chefe pude finalmente detectar o que estava causando o gargalo. O problema era essencialmente de filosofia de administração técnica equivocada. Em síntese, o problema consistia na fragilidade do controle de mudanças técnicas e na ausência de um órgão ou assembléia que estabelecesse regras e parâmetros claros para que uma mudança técnica fosse solicitada e implementada na fase de desenvolvimento e produção de quaisquer produtos da empresa. Em outras palavras, as mudanças técnicas dos produtos eram tantas, e sem um critério de julgamento sobre os seus impactos, que refletia gravemente no processo de comunicação da informação alterada e consequentemente na falha de tomada de decisão dos diversos setores da empresa. Então, o que fizemos foi obrigar que toda mudança técnica solicitada teria que ser fundamentada (com gráficos, tabelas, desenhos, especificações e justificativas persuasivas inclusive analisando o impacto técnico e econômico em todas as áreas da empresa e fora dela no cliente). Conclusão: por um “milagre” o problema sumiu. E eu e meu chefe recebemos menção honrosa através de uma carta enviada pelo Diretor Técnico para todos os Departamentos da empresa (de quase dois mil funcionários!). A informação desestruturada (ou não comunicada) é tão danosa quanto a total desinformação!
Hoje, vejo o mesmo problema, porém num outro contexto: produção acadêmica da Universidade Regional do Cariri – URCA. A produção acadêmica é também um problema de visão e organização da Produção! Pois, todo processo de produção, aprendi na prática nas várias empresas pelas quais atuei, depende essencialmente de um processo e hierarquia: ESTRATÉGIA/PROJETO – PLANEJAMENTO – ORGANIZAÇÃO/COORDENAÇÃO – PROGRAMAÇÃO – AÇÃO/COMUNICAÇÃO-DA-AÇÃO. Esse esquema deve ser alimentado, realimentado e atualizado continuamente por um sistema de normalização, informação e comunicação eficaz e eficiente. O que acontece hoje na URCA, acontecia na outrora (e saudosa !) ELEBRA. Os Departamentos Acadêmicos atuam com “liberdade” de forma semelhante aos Departamentos que atuavam naquela grande empresa. E se não há (ou ela não opera de forma eficiente) uma filosofia de administração das mudanças acadêmicas na universidade, com certeza todos pagarão o preço da desorganização. Vamos a um exemplo simples. Imagine hipoteticamente (mas que de fato ocorre!) que um Departamento da URCA decida, sem consultar (e discutir os impactos) a ninguém, retirar da matriz (ou grade) curricular as disciplinas de Metodologia da Pesquisa, Ética, Sociologia e Filosofia por achar que o seu curso não precisa oferecer essa formação científica e humana a seus discentes. Que impacto causará? É claro, que os Departamentos que ofertavam essas disciplinas terão que realocar seus professores para outros Departamentos ou então oferecer a eles disciplinas que não estavam muito bem preparados, ou na pior das hipóteses deixá-los abaixo de suas cargas horárias mínimas. Assim, toda uma estratégia política pedagógica pode ir por água abaixo! E quando a Pró-Reitoria de Ensino vier analisar a carga horária de cada um dos professores daqueles Departamentos afetados chegará a “brilhante” conclusão que aqueles Departamentos em questão estão com vários professores “ociosos”. Então, o que precisa ser feito? A Universidade não deve se comportar como uma empresa capitalista, mas ninguém pode descartar ou ignorar (o que é pior!) os princípios da administração moderna das empresas. A URCA precisa adotar medidas urgentes de administração moderna para acompanhar o mundo veloz da informação e das mudanças hipervelozes da realidade contemporânea, senão se tornará um centro de excelência acadêmico-ideológico fossilizado.
Obs.: Não basta apenas arranjar ou caçar culpados – precisamos demonstrar que sabemos administrar e bem!
Prof. DSc. (COPPE/UFRJ) Bernardo Melgaço da Silva – (88) 9201-9234

quinta-feira, 8 de maio de 2008

A GÊNESE DO CONHECIMENTO E DO AMOR HUMANO


O ser humano ao longo da história sempre teve a curiosidade de saber sobre a origem da consciência e do conhecimento humano. Do esforço humano de querer saber mais e melhor - e responder as suas dúvidas ou incertezas - nasceram obras e criações que encantaram gerações. E todos os dias continuamos a nos surpreender com os relatos de pessoas simples e com as explicações complexas de teorias construídas por cientistas brilhantes. Então, nos perguntamos com a velha curiosidade dos nossos antepassados: de onde vem esse poder criador e revelador de leis, princípios e fenômenos em suas diversas e infinitas manifestações? Em que área do cérebro ou da consciência se processa a criatividade e a sensibilidade fina onde a beleza e a inteligência humana se destacam e nos deixam num estado de assombro, encantamento e mistério? Entendo que não existe uma área ou lugar específico, mas um PROCESSO DIALÉTICO natural-existencial nas profundezas da consciência humana. É, portanto, nesse processo dialético sutil que a mente humana se conecta ou se re-liga (religare) para sintonizar e captar de uma esfera transcendente as leis e os princípios do mundo imanente. Em outras palavras, é no fundo da consciência no limite entre o físico e o metafísico que se dá o processo dialético-existencial. “Penso 99 vezes e nada descubro. Mergulho em profundo silêncio. E eis que a verdade me é revelada” - Einstein. E como muito bem afirmou Albert Einstein, a verdade é um processo de revelação. E também como ele mesmo chegou afirmar essa revelação acontece através de um “salto” de consciência. Esse “salto” de consciência é semelhante ao salto quântico da partícula no processo de formação da luz. E é interessante esse processo porque os cientistas que estudam o comportamento do cérebro humano já perceberam que áreas do cérebro acendem (se iluminam) quando se está num processo de reflexão.
A fronteira entre a dimensão física e a dimensão metafísica da consciência é semelhante a existente entre as dimensões da matéria e da anti-matéria. É como se houvesse um mundo paralelo ao da consciência comum onde pudéssemos atravessar e visitar assim que desejarmos e soubermos (é o que eu sinto em mim!). Na dimensão “física” da consciência somos seres imanentes, racionais, concretos, culturais, sociais, temporais - meio homem e meio animal - é o estado Eu-Isso na linguagem buberiana! Na dimensão “metafísica” da consciência somos seres transcendentes, intuitivos, sutis, cósmicos, a-temporais – meio homem e meio divino – é o Estado Eu-Tu na linguagem buberiana! E não é por acaso que em várias culturas e épocas a natureza humana foi representada por estátuas ou símbolos que caracterizavam esses dois estados: homem-animal, homem-divindade. Os santos da igreja católica representam essa dimensão e poder transcendente: homem-divindade. As esfinges no Egito antigo representavam essa dimensão e poder imanente: homem-animal. E na Grécia antiga os relatos míticos misturam a dimensão racional (humana-instintiva) com a dimensão irracional (divina-amorosa).
A luta feroz pela manutenção da consciência material insere o homem na sua dimensão “física” e o faz abandonar a sua dimensão “metafísica” num processo de exclusão ou “negação” da sua própria consciência superior transcendente. Nesse sentido, a nossa identidade se realiza na dimensão que nos incluímos consciente ou inconscientemente. O produto dessa inclusão é a evolução de cada um e ao mesmo tempo dos grupos sociais. Pois, a evolução se dá no grau de inclusão e experiência individual e coletivo que realizamos em quaisquer das duas dimensões. Seremos extremamente racionais e pragmáticos se escolhermos e nos incluirmos nas experiências “físicas”, ou seja, objetivas, históricas, sociais, funcionais e fragmentadas. E seremos extremamente intuitivos e sensíveis se escolhermos e nos incluirmos nas experiências vividas “metafísicas”, ou seja, subjetivas, a-históricas, cósmicas, compreensíveis e holísticas. A primeira corresponde ao que chamamos de experiências do CONHECIMENTO DA REALIDADE MATERIAL (humana-animal-mineral-vegetal), e a segunda corresponde ao que chamamos de vivências do AUTOCONHECIMENTO DA REALIDADE ESPIRITUAL (humana-divina). Historiadores descobriram que existiram em várias partes do planeta, culturas (p.ex.: TEOTIHUACAN no México) muito antigas que concebiam a realidade em pelo menos três mundos-dimensões: inframundos (realidade da fertilidade e dos mortos), mundo humano (realidade social) e o mundo celestial (realidade dos deuses). O teólogo brasileiro Leonardo Boff utiliza a imagem da árvore para representar as três dimensões dos mundos-realidades: a raiz (plano do corpo físico imanente), o tronco (plano da psique) e a copa (plano espiritual transcendente). O saber completo se realiza nessa inclusão e experiência-vivência desses três planos. Então, cada um DECIDE a sua própria re-evolução na inclusão e escolha consciente ou inconsciente (induzida) para realização das transformações, experiências e vivências necessárias!
Prof. Bernardo Melgaço da Silva – bernardomelgaco@hotmail.com - Núcleo de Estudos sobre Ciência, Espiritualidade e Filosofia – NECEF - URCA (http://www.urca.br/)

sábado, 3 de maio de 2008

A CIÊNCIA-PRIMEIRA

A ciência em toda a sua história foi uma atividade humana em busca de respostas e revelações sobre a realidade em seus diversos contextos, níveis e dimensões. Historicamente a ciência buscou responder o enigma da ordem, da causa e da origem de tudo. A realidade sempre se revelou ao homem insatisfeito e inquiridor, mas também guardou segredos tornando a busca humana sempre incompleta e indefinida. A ciência avança em cada descoberta, mas sempre se depara com o silêncio cósmico como se fosse uma falha natural e proposital colocada pela realidade em sua eterna manifestação de princípios e leis naturais. As ciências surgiram com o esforço espetacular da mente humana em querer compreender esse silêncio nas diversas facetas da realidade aparente e ao mesmo tempo invisível e transcendente. Hoje, temos vários tipos de ciência tais como as naturais, humanas, formais e sociais dentre tantas outras. As falhas foram sempre preenchidas com as críticas científicas, mas apesar disso a realidade continuou incessantemente criando inúmeras outras falhas provocando novas críticas num eterno movimento entre buracos e espaços preenchidos nos tempos vividos pela consciência humana. Nesse sentido, o diálogo nunca cessará entre a ciência e a realidade.
Hoje, empregamos no campo científico uma nova abordagem para dialogar com a realidade. E essa nova abordagem nasceu da necessidade humana em querer saber mais a respeito da estrutura sutil da matéria. No final do século XIX e início do século XX as mentes brilhantes de vários cientistas daquela época abriram uma porta da percepção que permitiu a ciência ver mundos jamais vistos pela mente e os sentidos humanos. A ciência rompeu com barreiras conceituais e ideológicas impregnadas nas teorias cartesianas e newtonianas e assim transcendeu a percepção e construção racional da ciência desse período histórico de sucesso. Uma nova linguagem, atitude e visão de realidade surgiu decorrente do salto qualitativo dado pela ciência a partir do final do século XIX. Mas, apesar desse salto qualitativo a ciência não percebeu que precisava desenvolver uma outra ciência paralela. A outra ciência paralela é a ciência de si ou a ciência-primeira: a ciência da ciência ou a metaciência.
Tudo indica, entretanto, que nesse século XXI a física quântica se aproximará das bases conceituais e metodológicas da ciência-primeira. Acredito que pelo fato da física quântica ter penetrado nos domínios da matéria sutil e ter-se defrontado com níveis de energia em diversos estratos da realidade microcósmica - e também pelo fato de alguns cientistas já terem percebido que o que chamamos de “consciência” é energia pura manifestada em decorrência das potencialidades humanas naturais intrínsecas - teremos num futuro muito próximo a compreensão definitiva de que a energia humana é parte indissociável da energia cósmica criadora presente no universo.
Em outras palavras, a ciência do futuro será aquela que unirá ciência e espiritualidade em prol da unidade e do equilíbrio ético-ecológico. Isto implica dizer que chegaremos definitivamente a percepção de que nossos valores éticos contribuem significativamente no diálogo profundo com a natureza e na formatação do mundo que criamos. Em síntese, a ciência do futuro constatará definitivamente que consciência é energia criadora e vice-versa, ou seja, que energia é também consciência criadora. Por isso, que a responsabilidade de todos – mesmo! - no “controle de qualidade” (aperfeiçoamento) dos pensamentos e sentimentos será vital para a preservação do planeta e da vida sustentável nele. Pois, se gerarmos pensamentos (ou visões de mundo) infundados (as) e estreitos (as) o mundo será conseqüência direta do que criamos nesse domínio sutil da consciência-energia: dor ou Amor, escuridão ou luz.
Prof. Bernardo Melgaço da Silva – bernardomelgaco@hotmail.com

sexta-feira, 2 de maio de 2008

A INSUSTENTÁVEL TRAJETÓRIA DO EGO

Muito tem se falado da condição instável da vida humana. A cada dia que se passa sentimos que caminhamos por trilhas de sofrimento, ilusão, violência e ignorância. Num mundo onde a roupa vale mais do que o corpo, e o corpo mais do que Espírito, o que poderemos esperar num futuro próximo? E quantos se enganam pensando estarem certos? O que vale mais: o poder do ouro ou o poder do caráter? Olhamos a nossa volta e encontramos uma vida planejada, mas desequilibrada; uma vida calculada, mas insensível; uma vida de luxúria, mas cercada por imensos oceanos de pobreza; uma vida cheia de setas psicológicas e ideológicas, mas sem sentido verdadeiro. O pequeno cone de percepção da vida utilitária não consegue mostrar a imensidão da vida multidimensional, interdependente e conectada com o cosmos em tudo e em todos. Busca-se poder sem perceber que nenhum poder material salva o homem da ignorância de se afastar do verdadeiro poder superior que transcende a conquista efêmera - – apenas psicológica! - do mundo externo material.
Quantas vezes intui o quanto acertei e fui atendido – em agosto de 1988 - ao pedir a Deus em oração uma vida e caminho sem poder material pragmático. Olho agora a minha volta e me certifico do mundo selvagem que vem se manifestando no campo das relações humanas. A luta pela sobrevivência apaga a memória espiritual de que somos seres transcendentes criadores de realidades. E que podemos escolher a realidade que assim desejarmos viver e trilhar rumo ao infinito da perfeição. E quase todos são envolvidos pelo véu do esquecimento de suas origens. Pois, raros são aqueles que se lembram de suas origens e identidades ontológicas – cósmicas! As ideologias que praticam obscurecem o mundo dos valores. As ciências que conhecem acabam desconhecendo a natureza da sua essência criadora. As religiões que seguem contemplam um deus limitado pelo raio de ação de suas razões sem Amor incondicional.
Mas, a natureza criadora é sábia e fará tudo para retornar ao eixo e ao centro da evolução e unidade cósmica. Aqueles que se acham superiores cairão em desgraças simplesmente pelo fato de não perceberem que na trajetória e força das leis criadoras não existe diferença entre bem e mal, céu e terra, macrocosmo e microcosmo, física e metafísica. Só existe complementariedade na identidade profunda em cada existência criada! A vida é renovação constante das forças complementares que agem na origem da criação-consciência. A morte não existe para quem já morreu um dia em vida. Isto porque, recebeu da natureza a vivência da experiência renovadora da criação. E a este fenômeno divino denomino TRANSCENDÊNCIA DO PODER CRIADOR. Em outras palavras, não existe um fim, mas recomeço e renovação, uma espécie de salto quântico evolucionário da existência.
Pobres daqueles que clamam por revolução fora da consciência de si mesmo! Estão cegos tentando conduzir milhares ou milhões de cegos como eles. Sinto compaixão por não poder agir num contexto onde é garantido o direito de experimentar e escolher, podendo-se como conseqüência – mesmo inconsciente! - amar ou sofrer, destruir o outro ou se autodestruir.
Assim, quem vê o outro como inimigo não sabe o que vê e muito menos sabe ser e perceber a sua imagem refletida na construção e criação psicológica do outro. Somos CRIADORES , inclusive e principalmente de imagens e falsas identidades. O que criamos pode ser tão profundo e belo guiado pelo poder do Amor, quanto pode ser tão superficial e feio guiado pelo poder do terror. Esses são os dois extremos criadores possíveis de serem experimentados e vivenciados por cada um de nós. Somos verdadeiramente heróis ou santos quando nos salvamos dando (morrendo para) a vida que criamos egoisticamente.
Portanto – VOCÊ MESMO DECIDE, SALVA E CRIA O SEU PRÓPRIO DESTINO!
Prof. Bernardo Melgaço da Silva e-mail: bernardomelgaco@hotmail.com