porque convergimos e integramos com AMOR, VERDADE, RETIDÃO, PAZ E NÃO-VIOLÊNCIA

dedicamos este espaço a todos que estão na busca de agregar idéias sobre a condição humana no mundo contemporâneo, através de uma perspectiva holística, cujos saberes oriundos da filosofia, ciência e espiritualidade nunca são divergentes; pelo contrário exige-nos uma postura convergente àquilo que nos move ao conhecimento do homem e das coisas.
Acredito que quanto mais profundos estivermos em nossas buscas de respostas da consciência melhor será para alcançarmos níveis de entendimento de quem somos nós e qual o propósito que precisaremos dar as nossas consciências e energias objetivas e sutis para se cumprir o projeto de realização holística, feliz, transcendente, consciente e Amorosa.

"Trata-se do sentido da unidade das coisas: homem e natureza, consciência e matéria, interioridade e exterioridade, sujeito e objeto; em suma, a percepção de que tudo isso pode ser reconciliado. Na verdade, nunca aceitei sua separatividade, e minha vida - particular e profissional - foi dedicada a explorar sua unidade numa odisseia espiritual". Renée Weber

PORTANTO, CONVERGIR E INTEGRAR TUDO - TUDO MESMO! NAS TRÊS DIMENSÕES:ESPIRITUAL-SOCIAL-ECOLÓGICO

O cientista (psicólogo e reitor da Universidade Holística - UNIPAZ) PIERRE WEIL (1989) aponta os seguintes elementos para a falta de convergência e integração da consciência humana em geral: "A filosofia afastou-se da tradição, a ciência abandonou a filosofia; nesse movimento, a sabedoria dissociou-se do amor e a razão deixou a sabedoria, divorciando-se do coração que ela já não escuta. A ciência tornou-se tecnologia fria, sem nenhuma ética. É essa a mentalidade que rege nossas escolas e universidades"(p.35).

"Se um dia tiver que escolher entre o mundo e o amor...Lembre-se: se escolher o mundo ficará sem o amor, mas se escolher o amor, com ele conquistará o mundo" Albert Einstein

domingo, 31 de agosto de 2008

A DISCIPLINA QUE TRANSFORMA E LIBERTA: MENTALIZAÇÃO, REFLEXÃO E ORAÇÃO

Em 1988 passei por uma experiência mística-espiritual que me marcou profundamente. Ao longo desses 20 anos tentei dar uma explicação e encontrar uma resposta racional para um fenômeno que eu havia vivenciado: o poder da imaginação da luz violeta. A pergunta que me fiz nesses longos vinte anos era: como a mentalização contínua de uma chama violeta havia provocado uma mudança radical e ontológica no caráter do meu ser? “Isso é coisa para místico e não para um cientista”– era a minha crítica e perplexidade! Como uma mente racional de engenheiro como a minha havia se libertado de repente das lógicas e dos paradigmas do mundo moderno para entrar e perceber um universo jamais imaginado e vivenciado por uma mente racional? Hoje, após assistir um vídeo emprestado por uma amiga retornei a fazer um exercício que havia quase abandonado desde 1988. Isto porque uma pessoa entrevistada, que aparece no vídeo, afirmou algo que encontrou ressonância em mim e me fez voltar no tempo. Hoje, comecei a especular baseado nos conhecimentos acumulados da física quântica que muito provavelmente o sistema sutil que antecede ao sistema físico é um sistema que se “alimenta” de vibrações sutis tais como pensamentos, imaginações, mentalizações, emoções, repetições de sons etc. Isso implica dizer que o cérebro e o restante do corpo são parte de um sistema complexo no processo de transformação de energias sutis (altíssima freqüência) em energias de baixa freqüência. Em outras palavras, tudo o que percebemos no mundo objetivo são matéria-prima no processo de transformação e circulação de energias em planos e dimensões do multiverso humano. Isso implica dizer que uma “simples” (mas contínua) mentalização de uma luz violeta, ou outra qualquer, desencadeia um fluxo de energia que percorre as diversas dimensões da natureza humana podendo trazer bem-estar, paz e cura para quem se disciplina em manter o exercício por longo “tempo” (as orações das rezadeiras e as meditações dos iogues também!). Por isso, Albert Einstein chegou afirmar: “A imaginação é mais importante do que o conhecimento”. E ele disse ainda : “estudem a fé”.
A realidade que vemos e participamos é análoga à percepção do som ou da imagem que saem de uma TV, mas a energia que está por detrás do som e da imagem não é percebida e sentida por nós. Percebemos os efeitos, mas não a causa. A causa está no plano sutil e invisível que “alimenta” o mundo concreto do corpo e da psique. E por que não conseguimos compreender esse universo sutil? Por que queremos através da razão “ver” um fenômeno que a antecede – isso é impossível! É como se quiséssemos “ver” a natureza do som ou “escutar” a natureza da imagem: para cada plano da realidade humana exige-se uma percepção específica. A mentalização ou meditação em verdade é um exercício de focalização ou concentração da energia sutil de tal forma que a intensidade desse exercício produz uma potencialização da energia acumulada, elevando e acelerando o poder de transformação humana. E dependendo do sentido da orientação do fluxo de energia podemos ter dois processos: materialização (condicionamento) e desmaterialização (descondicionamento). Os físicos quânticos já descobriram que a consciência do observador afeta a experiência observada. E por isso estão afirmando: somos criadores de realiadades! A ciência moderna está começando a experimentar e revelar um novo mundo – o nascimento de um novo paradigma revolucionário que mudará nossa concepção do cosmo e do ser!Prof. Bernardo Melgaço da Silva – (88)92019234 – bernardomelgaco@hotmail.com

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

A EMPRESA IDEOLÓGICA UNIVERSITÁRIA PÚBLICA (II): A QUEDA DE FLORA NO DUELO COM DONATELA


Dizem os especialistas que a novela copia a vida social. Na novela da TV GLOBO a vilã-mocinha FLORA usou toda a astúcia para esconder sua personalidade obsessiva e doentia. E fez assim por muito tempo até que a verdade se cansou da trama e mostrou sua face mentirosa: FLORA foi “desmascarada”, mas não foi destituída de seu poder maquiavélico. Nas empresas ideológicas universitárias ocorre de encontrarmos indivíduos que no afã de alcançar o poder a qualquer custo faz de tudo – tudo mesmo! – para mudar a realidade a seu favor como FLORA tenta inconscientemente fazer. E assim o primeiro passo é esconderem as suas verdadeiras intenções e personalidades maquiavélicas para garantirem a supremacia de um dia poderem mandar e planejar soberanamente a propagação das suas ideologias imorais e obsessivas. O intuito desses indivíduos é propagar e buscar novas adesões para fortalecerem seus desequilíbrios psíquicos. E muitos acabam também entrando (como soldados ideológicos!) nessa guerra maquiavélica planejada, pois desprovidos de sensibilidade mais refinada acreditam que a realidade do “mal” se encontra na resistência do outro em não aceitar ou acatar suas mensagens carregadas de retóricas. E de mentira em mentira FLORA vai envolvendo a – quase! – todos, e da mesma forma as personalidades maquiavélicas tramam criar uma realidade contra a própria realidade dos fatos. E assim, chocam-se duas realidades a de FLORA “maquiavélica” e a própria realidade dos acontecimentos. Duas energias combatem entre si para instituírem a verdade “inquestionável” no campo das possibilidades infinitas da natureza criadora. E quem é esse personagem? Que papel ele exerce na vida social? É a vida inconsciente na trama de se revelar e se garantir de poder porque necessita sobreviver na aparência ilusória de ser sem ser de verdade. Nas empresas ideológicas universitárias o personagem de FLORA está numa luta perdida contra si mesmo, contra a verdade das forças criadoras (que não é de esquerda ou de direita) da vida e da paz. E todos aqueles que inventam e incentivam a luta contra a paz encontram a guerra da morte na derrota e humilhação do ego. Logo cedo amargam o poder dos fatos e assim sucumbem na SOMBRA de suas próprias mentiras e ilusões – seus amigos se transformam em inimigos, seus valores se transformam em pó, seus ideais acabam caindo no abismo profundo da decepção e por causa disso perdem a sabedoria e a força interior que está latente no próprio Espírito da Verdade, da Paz e do Amor!
No dia seguinte muitos festejarão com alegria a queda e solidão de FLORA!
Prof. Bernardo Melgaço da Silva (88)9201-9234

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

A EMPRESA IDEOLÓGICA UNIVERSITÁRIA PÚBLICA


Eu conheço uma instituição que no momento sofre de uma grave crise de identidade. Isto porque em sua constituição atual ela funciona como uma pequena empresa, um sistema político partidário e está inserida num ambiente universitário. Em sua estrutura de pequena empresa desorganizada observa-se que as ações são executadas apenas no nível operacional sem nenhuma estratégia de longo e médio prazo. Em outras palavras, ela funciona porque seus membros sabem o que fazer no dia-a-dia. É como um barco que navega apenas pela orientação e força do vento que sopra – não há comando e nem comandante! Todos nós sabemos que numa empresa capitalista a administração superior visa gerar lucros porque é a sua finalidade primeira. E para alcançar esse objetivo precisa utilizar todos os conhecimentos atualizados e técnicas modernas de gestão para administrar bem sem comprometer o capital e a missão da empresa. Entretanto, nessa empresa ideológica universitária pública a finalidade primeira não é o lucro (que bom!), mas ganhos sociais e acadêmicos promissores. E para alcançar esse objetivo maior precisa ter em suas bases conceituais princípios estratégicos tais que orientem os outros dois níveis que são o tático (médio prazo) e o operacional (curto prazo). E além disso, precisa ter no seu comando pessoas altamente qualificadas capazes de liderar grupos com características diversificadas tanto na sua formação humana quanto política-acadêmica. Todavia nessa empresa que conheço isso não foi possível porque a escolha de seus gestores não foi por mérito, mas por voto partidário e alianças extra-acadêmicas. Ou seja, a cabeça que governa o corpo sofre de uma esquizofrenia grave. Isto porque possui duas personalidades: acadêmica e política partidária. E o lado esquizofrênico partidário sofre de múltiplas esquizofrenias porque está em luta consigo mesmo no comando da personalidade – quem vai ser dominante ou responsável na trama partidária (Donatela ou Flora)?
Assim sendo, diz o ditado: “no comando onde tem cabeças esquizofrênicas todos mandam e ninguém governada nada”. Essa instituição – infelizmente! – precisa de um tratamento psiquiátrico – urgente! Ela precisa de doses homeopáticas e alopáticas de um remédio chamado UNIDADE, para sanar a sua grave doença de dupla visão: acadêmica-política partidária. Isto porque a visão partidária obscurece aqueles que vieram da sombra (ou SOMBRA) e não conseguem sentir a luz da sabedoria. O “mal” que contamina essa instituição problemática é que a cabeça não percebe que na sombra partidária não se governa e não se enxerga nada. Faz-se necessário, muita luz acadêmica com compreensão, organização, ética, verdade, respeito, amizade, sociabilidade, inteligência, filosofia, ciência, visão global, polidez, diplomacia, sinceridade e camaradagem com todos os seus membros - atores principais no grande palco da vida acadêmica! E segundo o ditado popular: “na casa onde não tem visão (pão) todos brigam e ninguém tem comando (razão) – só escuridão, fragmentação e confusão!”.
Prof. Bernardo Melgaço da Silva – bernardomelgaco@hotmail.com

sexta-feira, 18 de julho de 2008

I SIMPÓSIO EM CIÊNCIA DAS RELIGIÕES: PLURALISMOS - UFPB

I SIMPÓSIO EM CIÊNCIA DAS RELIGIÕES: PLURALISMOS
UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA
(http://www.cchla.ufpb.br/simposioreligio/index.php?option=com_content&task=view&id=2&itemid=3)
“Justificativa

O Programa de Pós-Graduação em Ciências das Religiões – PPGCR – foi autorizado pela CAPES em julho de 2006. É o primeiro programa do Nordeste e o segundo do Brasil a ser oferecido por uma universidade federal; todos os demais são programas oferecidos por universidades confessionais.
Mais que um curso novo, somos inovadores. O PPGCR resultou do GIP-RELIGARE - Grupo Interdisciplinar de Pesquisa em Religião e Religiosidade - e do êxito da experiência do Curso de Especialização em Ciências das Religiões - CECR . Vale ressaltar que o PPGCR é o primeiro programa de pós-graduação a se intitular no plural – CiênciaS das ReligiõeS - por acreditarmos na existência da multiplicidade dos métodos para se chegar ao conhecimento, tanto quanto na multiplicidade do nosso objeto de estudo: as Religiões.
Depois de séculos de predomínio polarizado entre religião e ciência, hoje temos condições de olhar para trás e ver que, se a ciência foi redutora em seus primórdios, por presumir que detinha a "verdade absoluta", ela foi grandiosa no combate à intolerância, ao livrar o Ocidente da estreiteza da "verdade absoluta” imposta pelo catolicismo romano, deixado por Constantino e aprofundado nos tempos inquisitoriais. Depois de ter sido adotado oficialmente pelo Império Romano, a “religião” passou a ser sinônimo de "Igreja Católica Romana" ou, no máximo, "cristianismo". Assim, nada mais “natural” do que a utilização monolítica dos termos "ciência" e "religião" no singular.
Entretanto, a realidade é dinâmica e tudo muda. Depois de séculos de dogmatismos, religioso ou científico, a humanidade está redescobrindo que tudo é relativo, que neste mundo dialético não é possível nenhuma verdade absoluta, que ela é sempre relativa, não importa de onde venha.
Ernest Cassirer[1] no Ensaio sobre o Homem, afirma que “deveríamos definir o ser humano como animal simbolicum, e não como animal rationale”. Para Cassirer, a dimensão racional exclui a dimensão imagética e emocional reduzindo o ser humano a apenas um aspecto de sua inteireza. O ser humano é muito mais que um ser racional. O ser humano só é o que é pela interação complementar entre compreender e sentir, entre razão e sensibilidade, e ambas são expressas através da dimensão simbólica.
Observada a linha do tempo, as Ciências das Religiões parecem ser uma área recente de estudos, mas quando cotejada com as Ciências Sociais, ambas têm a mesma origem e os mesmos fundadores. Embora nascido concomitantemente com as Ciências Sociais, o estudo das religiões permaneceu como sub-área dentro da Sociologia e da Antropologia e só, recentemente, vem adquirindo relevância cada vez mais expressiva, não pelo desejo dos seus teóricos, mas por um imperativo colocado pela própria realidade.
Acreditamos que os graves problemas colocados pelo mundo contemporâneo estão dando à humanidade a oportunidade de refletir sobre dogmas e intolerâncias. Questioná-los e discuti-los pode levar a humanidade a dar-se conta de uma outra possibilidade, a de que Deus foi, é, e sempre será re-criado à imagem e semelhança dos seres humanos, homens e mulheres de cada tempo, de cada lugar, de cada civilização. Os seres humanos são produto e produtores de cultura. Cultura é diversidade, é multiplicidade, é metamorfose constante, integrada aos diferentes tempos históricos e espaços geográficos. A tarefa do mundo científico é compreender esta dimensão humana e suas repercussões para a vida em sociedade.
Este é o propósito do PPGCR. Ele nasceu plural e laico, portanto, não se coloca na perspectiva de um curso de teologia. Seu objeto de estudo não é Deus, mas compreender como os seres humanos criam os seus deuses e suas religiões, e, consequentemente, os códigos de conduta que se relacionam a estas representações. Esta dimensão será abordada na linha de pesquisa intitulada Religião, Cultura e Produções Simbólicas.
A segunda linha de pesquisa do programa se intitula Espiritualidade e Saúde. Ela busca estudar a correlação entre fé e cura, e nisso o PPGCR é igualmente inovador, por ter lançado uma linha de pesquisa que se propõe estudar a relação entre Espiritualidade e Saúde dentro dos métodos científicos.
A proposição desta linha de pesquisa só foi possível por fazermos parte de uma universidade federal que tem curso de medicina há mais de 30 anos. Três dos cinco docentes integrantes desta linha de pesquisa são professores de medicina há mais de 20 anos, sendo dois professores de Imunologia, cujos estudos de ponta abarcam as dimensões psicológica e imagética do paciente (psiconeuroimunendocrinologia).
Por outro lado, estudos recentes internacionais comprovam a eficácia de certas práticas “complementares” à medicina tradicional, que atuam favoravelmente sobre a saúde, ocasionando as chamadas "curas milagrosas" realizadas pelas vias espirituais. Estamos diante de um campo tangencial entre ciência e religião, entre fé e cura, o estudo científico da cura obtida através de mecanismos ditos espirituais.
A dimensão religiosa é inerente ao ser humano, portanto, é legítima sua adoção como objeto de estudo, além de profundamente necessária na atual conjuntura globalizada em que vivemos. Nossa compreensão é que o estudo da dimensão religiosa se faz através da dimensão simbólica, ou, como diria Durkheim, através das representações.
As dimensões simbólica e religiosa do ser humano devem ser compreendidas como expressões culturais de cada povo, que, por natureza, são múltiplas. A compreensão de que estes fenômenos não podem existir no singular, que eles sempre serão manifestações múltiplas, é a base da tolerância. Ao compreender que a humanidade é única, pois não existem múltiplas humanidades, ao aceitar que esta única humanidade produz uma fabulosa miríade de produções culturais singulares, dá-se um grande passo no sentido do acolhimento do “outro” e de suas “crenças”. É a resolução da diversidade na unidade. Entretanto, este acolhimento da multiplicidade não é espontâneo, ele deve ser ensinado desde a infância, no ambiente escolar, visto que o ambiente familiar é o espaço adequado para a adoção (ou não) de uma religião. Contudo, nem a profissão de um credo, nem a negação de todos os credos é impedimento para que a criança compreenda como as religiões surgiram, como se desenvolveram e como interagem com as demais em cada período histórico. O domínio destas informações faz parte do bom convívio em sociedade e pouco tem a ver com fé.
Embora entendamos desta forma, pois nos alinhamos com as resoluções do FONAPER, Fórum Nacional Permanente de Ensino Religioso, que existe há mais de uma década, o Brasil ainda está envolto numa dificuldade epistemológica ao confundir “Ensino Religioso” com “Ensino das Religiões”.
A denominação "Ensino Religioso" é incorreta e seu uso pela Escola Pública deveria ser evitado, pois, assim como não existe "ensino matemático", "ensino histórico", "ensino geográfico", "ensino sociológico", "ensino filosófico", não deveria existir o "ensino religioso". O Ensino não pode ser adjetivado.
É bem verdade que a denominação "Ensino Religioso" reflete o tempo do domínio católico romano e seu amálgama com o Estado. É preciso mudá-la, mas isto exige uma mudança na própria Constituição, no seu art. 210, e consequentemente na LDB, no seu art. 33.
O Estado deve oferecer o Ensino das Religiões, entendido como estudo do fenômeno religioso, uma das dimensões que compõem o ser humano e a vida em sociedade, baseado, portanto, nas dimensões sociológica, antropológicas histórica e social dos indivíduos e grupos, fenômeno relacionado a um tempo histórico e uma localização espacial. Mas, assim como outro qualquer, este conteúdo só pode ser repassado aos alunos se o professor tiver uma formação específica para isso.
O professor de Ciências das Religiões tem um papel significativo no globalizado mundo contemporâneo, que requer o exercício da convivência com as diferenças, sobretudo religiosas. Mais do que nunca é fundamental compreender – para poder ensinar – o significado do fenômeno religioso na formação individual e na conduta social dos indivíduos. Entretanto, como o professor do ensino fundamental não foi capacitado para isso, esse componente curricular, por mais que o FONAPER envide esforços propondo os conteúdos através dos Parâmetros Curriculares do Ensino Religioso, existe uma tendência por parte dos professores, em trabalhar de forma confessional porque não existe uma formação específica, salvo em alguns Estados da Federação que já caminham neste sentido desde o advento da nova Lei. Temos conhecimento que nas escolas públicas estaduais da Paraíba, se faz um esforço de trabalhar tais conteúdos de forma correta, inicialmente como prevê a Lei 5.692/71 (Valores) e agora com a Lei 9.394/96 (Fenômeno Religioso). Sendo este o segundo ano de implantação do Ensino Religioso no Sistema Municipal de Educação, os conteúdos são trabalhados de acordo com os PCNs do Ensino Religioso, ainda de forma precária por não haver professores com a devida habilitação.
Pelo exposto, a proposta do I Simpósio Internacional de Ciências das Religiões é discutir amplamente as temáticas aqui levantadas, conforme a seguinte programação:”



[1] CASSIRER, Ernest. Ensaio sobre o homem: Introdução a uma filosofia da cultura humana. SP: Martins Fontes

O DONO DA VERDADE: PhDeus - O Fenômeno!

O mundo social tem seus símbolos, seus personagens e suas histórias. Nesse mundo, encontramos seres humanos de diversas configurações de personalidade. E um deles é o “fenômeno” denominado “PhDeus”. Essa configuração de personalidade está em todos os cantos onde o poder humano se faz necessário. E por isso, ele é mais encontrado nos centros de pesquisa de qualquer universidade. Ele se “destaca” pela maneira como se comporta e trata os demais seres “inferiores” (não-doutores ou não-sábios). Ele não se identifica pelo nome de batismo tal como João, Maria, José, Antonio, Sérgio, Cremilda, etc., mas pelo título que possui: “Doutor da Universidade Fulana de Tal”. Ele mais parece um político em campanha do que pesquisador. A sua face sisuda demonstra um distanciamento do mundo dos mortais. O seu sorriso artificial demonstra a sua total desestruturação emocional. No fundo ele é uma criança grande competindo (brincando de se esconder) com o mundo. Ele é carente de reconhecimento e por isso precisa afirmar o tempo todo a sua posição intelectual em relação aos demais. O “PhDeus” se acha acima do bem e do mal. A “sabedoria” é sua serva; o mundo é um brinquedo e um divertimento intelectual. Ele tudo “sabe”; ele tudo domina. Nesse sentido, não existe ninguém acima dele. Ele reina soberano acima das “mentes primitivas” que desconhecem o que é fazer ciência. O “PhDeus” geralmente é cético: se existisse Deus estaria competindo com ele. E isso não é possível e nem admissível! E quando acredita em Deus, a sua atitude é de se sentir um privilegiado: somente Deus fala com ele e mais ninguém!
Nesse sentido, se um dia encontrares um “PhDeus” a sua frente, tome muito cuidado. Mas, não precisa chamar a polícia e nem o padre. Ele não é um fora da lei e nem tampouco tem o diabo no corpo. O que ele precisa urgentemente é de um psiquiatra que o interne como louco. Pois, como muito bem afirmou Buda: “o louco que se diz louco, esse é prudente. Mas, o louco que se diz sábio esse é louco mesmo”. Buda, há 2500 anos já havia detectado esse desvio de personalidade. O “PhDeus” é capaz de tudo mesmo. Aparentemente ele é inteligente, mas só aparentemente. No seu interior existe um conflito eterno. Ele cresceu apenas intelectualmente! Ele perdeu a sensibilidade e por isso só enxerga a realidade pela razão funcional. Em outras palavras, em verdade ele é muito limitado. A sua limitação é percebida pela arrogância, vaidade, soberba, insensibilidade, niilismo e complexo de superioridade.
O “PhDeus” geralmente tem obsessão pelo poder intelectual. Em que tudo que faz deixa marcas inconfundíveis de seu poder doente mental. O “outro” é visto por ele como um objeto para sua insatisfação egocêntrica. A relação com o “outro” não é repleta de alteridade, carinho e amor. A sua relação com o “outro” é superfical, utilitária e funcional; é uma relação eu-isso (na linguagem buberiana). Ou seja, vazia de significados transcendentais e espirituais. Em síntese, o “PhDeus” não é Ético. É uma falsa imagem de saber, moral e poder. Ele esconde a sua máscara egocêntrica através de uma linguagem racional e uma identidade artificial. Ele é apenas um ser humano que ainda não se descobriu verdadeiramente. E por isso cria um ar de superioridade e sabedoria que na verdade é uma maneira de fugir do compromisso de se revelar tal como ele é - ignorante de si mesmo! - ou seja, uma travessia ontológica desastrosa do ser para o não-ser ou da razão para a intuição. O mundo está cheio de “PhDeuses” e por isso mesmo é que temos tanta criação anti-ética danosa ao homem e ao seu meio ambiente social.
Aqui vai um alerta: todo cuidado é pouco. Nunca deseje se tornar um “PhDeus”! O conhecimento sem a consciência de si é a ruína da alma (segundo Rabelais: “A ciência sem consciência [de si] é a ruína da alma”). É preferível ser ignorante e humilde do que ser um “PhDeus” vaidoso e arrogante. É mais fácil um homem ignorante e humilde entrar no Reino de Deus do que um “PhDeus” orgulhoso e desequilibrado emocionalmente sair do seu inferno astral. Nesse sentido, devemos lembrar as sábias mensagens de Jesus Cristo: “Eu vim trazer luz aos cegos [os ignorantes e humildes] e cegar os que estão vendo [os “PhDeuses”]”. Ser sábio e humilde é uma façanha para poucos: “Sei que nada sei” – Sócrates.
Aqui vai um conselho: busque a sabedoria em ti mesmo de maneira simples e humilde. E lembre-se que por detrás dessa simplicidade e humildade está a consciência cósmica do todo poderoso Deus. Nunca tome para si as descobertas alcançadas – seja ela qual for! - pela sua mente racional. Em verdade essas descobertas foram em ti reveladas. Pois conforme Einstein: “Penso 99 vezes e nada descubro. Mergulho em profundo silêncio. E eis que a verdade me é revelada”. Ele disse mais ainda: “Estudem a fé”. De modo que, se você é um “PhDeus” (e quem nunca foi atire a primeira pedra!) enrustido ainda é tempo para mudar e se converter. Você é muito mais do que isso: Você é FILHO de DEUS! E assim seja verdadeiramente humano e irmão (ã) de todos!
E viva feliz em paz com todos. A Verdade é indizível!
Prof. Bernardo Melgaço da Silva – E-mail: bernardomelga10@hotmail.com – Tel.: 88-92019234

quarta-feira, 16 de julho de 2008

O QUE É CIÊNCIA? PARA QUE FAZER CIÊNCIA?

O reconhecimento da energia-consciência no processo de transcendência humana, e suas conseqüências sociais, dependerá do homem fazer ciência de si mesmo. Mas, cabe aqui algumas perguntas: O que é fazer ciência? Qual é a dimensão do seu desvelamento? Será que é descobrir um novo sentido para a vida? Ou será, que é desenvolver um novo modelo de explicação da realidade? Tem a função de comprovar uma teoria? Ou será algo muito mais do que isso? De onde vem o conhecimento científico? Vem do homem e do seu modo de observar a realidade? Ou será que vem de uma natureza transcendental? Já li várias e várias teorias a respeito do processo de produção de conhecimento científico. A maioria delas tem um ponto em comum: a razão. A maioria tem razão a respeito do modo de se fazer ciência.
Existem vários teóricos e filósofos da ciência. Uns dizem que o cientista é uma pessoa neutra que não tem emoções e desejos. Uma pessoa fria que está sempre pronta para olhar a realidade com a imparcialidade de um juíz de direito. Outros afirmam que o cientista é aquele sujeito introspectivo reservado e isolado em seu laboratório-mundo. E têm aqueles que dizem que o cientista é um procurador da verdade da natureza. Nesse contexto, a natureza é algo que possa sempre ser interrogada e ouvida sempre que se quiser representá-la. A teoria seria a carta de procuração da natureza dada ao cientista para representá-la numa situação e contexto de alienação de seus bens naturais.
Mas, o que é mesmo fazer ciência? Para que nos debruçamos sobre uma parte da realidade? Qual é o impulso que nos move em direção a busca científica? Será por que somos um ser questionador e interrogador por natureza de criação? Ou será por que somos um ser produtor de conhecimento? Ou melhor ainda por que somos uma natureza curiosa por novas descobertas e invenções? Podemos ver que existem diversas possibilidades para a questão do homem na ação de fazer ciência.
Qual é o objetivo da ciência? Será que é proporcionar ao homem uma melhor vida de conforto, paz e progresso social? Ou será o objetivo da ciência encontrar o caminho mais curto para se resolver o problema da fome, da miséria e da ignorância? Será que o objetivo da ciência é o poder? Ou será que é somente o saber? Ou as duas coisas? Ou será o objetivo da ciência construir gradativamente uma verdade a respeito da realidade que se oculta? Nesse caso, a realidade por estar encoberta com um espesso pano de mistério precisa de um modo especial para olhá-la escondida. Mas, porque a natureza teria que se esconder dos cientistas? Será por medo, por precaução ou por timidez?
Qual é o caminho da ciência? Será a ciência um caminho? Ou será que ela é O caminho? Como saber? Como podemos responder essas questões? Podemos usar o mesmo caminho da ciência para descobrir que a ciência é o caminho? Ou será que temos que fazer ciência para descobrir que não existe caminho além do caminho da própria ciência? Sinceramente acho essas questões um tanto complicadas. Ufa! Deixa eu sair desse caminho!
Num certo dia tentei ler e entender um caderno de textos sobre metodologia científica. Quando tentei me aprofundar a respeito dessas questões de cunho filosófico fiquei um pouco cansado mentalmente. Abri e reabri diversas vezes o caderno em qualquer página. E assim percebi que as explicações eram tantas que se tornava quase impossível definir um caminho claro de como fazer ciência. Descubri que Galileu pertencia ao naturalismo; F. Bacon ao empirismo; R. Descartes ao racionalismo; Kant ao criticismo; A. Comte ao positivismo; Husserl à fenomelogia; Popper ao neo-positivismo; K. Marx ao materialismo dialético; Sartre à filosofia existencialista; M. Foucault à arqueologia/genealogia. E ....
Para que tantas correntes de pensamentos? Será que apenas uma não daria conta do recado? Ou será que nem um milhão de correntes resolve esse problema de explicar porque o homem faz ciência? Será por que a natureza é extremamente complexa o que justificaria essa quantidade enorme de correntes de pensamentos e práticas científicas? Ou será que a complexidade está no interior do próprio homem? Ou será que é a fusão das duas coisas? Que caminho da ciência pode nos ajudar para responder essas duas últimas questões?
Será que a ciência não é um modo de comunicação do homem com a natureza? Ou será que é um modo de a natureza responder para o homem aquilo que não pode ser compreendido diretamente (naturalmente) pelo homem? Por isso se faz ciência! Se por hipótese (já estou eu usando o método científico) essa última afirmação é verdadeira então bastaria apenas o homem deixar de interrogar a natureza e esperar e aprender mais sobre a linguagem natural da natureza em seu exato momento de interrogar o homem. Surge aqui uma outra questão: o que é ser verdadeiro?
Será que o método nos conduz sempre a verdade? Ou será que a verdade transcende o método científico? Se a verdade transcende o método como podemos descobrir as leis verdadeiras utilizando o método? A menos que por hipótese admitamos que o método é superior a verdade. Aí tudo bem. Mas, se não for? Estariam então os cientistas mapeando uma cópia da realidade e não diretamente a própria realidade? Como podemos saber se a ciência está olhando para um espelho e não diretamente para o fenômeno? Com que sensibilidade? Uma sensibilidade maquinal? Uma sensibilidade reflexiva racional? Uma meditação? Uma oração? Ou não sabemos? (pode marcar um “x” na “questão correta”).
Será que fazer ciência é um modo de prever o futuro? Será o futuro algo sempre previsível? Por que queremos saber o futuro? Para agirmos com segurança no presente? Para evitarmos danos a espécie humana? Para prevenir contra a carência de recursos naturais essenciais ao homem? Ou será por que o homem é inseguro por natureza? E por isso tem medo de uma possível destruição ou ataque inimigo conhecido ou desconhecido? Ou será que não é nada disso, mas porque simplesmente o homem foi educado de geração em geração na cultura do futuro e por isso projeta uma expectativa exagerada? Como podemos saber a respeito da existência de um futuro certo? O método científico tem meios para responder essa delicada questão? Ou será que o futuro pertence ao domínio da fé? Ou será que o futuro a Deus pertence?
E a fé pode ser avaliada por um método que dúvida e questiona tudo? Quando é que o cientista tem que duvidar e quando é que ele tem que ter fé? A fé é um momento de ter ou um momento de ser? O método deve incluir tanto a fé quanto a dúvida? Como resolver o impasse de se agir em nome da fé duvidando? Ou se agir duvidando da fé? Por que será que Einstein afirmou “estudem a fé”? A fé pode ser estudada e analisada em sala de aula?
A ciência estaria livre do contexto da consciência? Ou a consciência livre no contexto da ciência? O cientista é um ser consciente de sua liberdade de fazer ciência? Será que o cientista sabe reconhecer o limite e a relação entre as formas de energia que ele busca compreender e a sua própria consciência? Ele sabe de fato distinguir a diferença sutil entre a liberdade e a responsabilidade? Ou será que ele não sabe porque não foi preparado para saber? Ou será que foi preparado e mesmo assim não quer definir para si mesmo qual é a diferença? Ou será que a diferença é tão sutil que o método científico é incapaz de ajudá-lo? Seria o cientista vítima da sua própria ciência insensível e racional? Ou será que ele não tem que se preocupar com isso? Ou será que ele já sabe desde que nasceu? E por isso ele sabe sempre que nunca vai acontecer um dano acidental (p.ex.: guerra nuclear ou poluição ambiental generalizada) ou intencional ao homem e à sociedade.
Será a ciência capaz de oferecer também uma base moral às pessoas? Ou será que essa base moral não pode ser definida pelo método científico? Como saber? A ciência pode viver alheia a essa questão? Ou será que essa questão deveria ser a prioridade número um dos cientistas? Pode a ciência produzir algo de bom e duradouro sem saber se é eticamente válido? Fabricar armas é ético ou anti-ético? Fazer do ser humano uma cobaia viva é ético ou anti-ético? O sofrimento alheio é parte também da ciência? Clonar seres humanos é ético ou não é ético? A ética é apenas um fator socio-cultural? A ética é apenas uma questão econômica? Ou será que ética é uma questão apenas conceitual? Será que existe uma definição adequada e esclarecedora? Será que ética são regras sociais? Ou será que não pode ser definida no contexto da razão? Como podemos saber?
Mas, o que é mesmo fazer ciência? Será que é buscar a inspiração em Deus? A ciência admite a existência de Deus como Criador e legislador das leis do universo? Por que será que Cristo disse que devíamos separar o joio do trigo? Será o joio essa inspiração divina? E o trigo a nossa vaidade humana? Como podemos saber? Se o joio é a mente divina como fica a nossa postura ética perante a vida e o conhecimento da vida? Podemos fazer qualquer coisa em nome da ciência? Não seria melhor fazer em nome e com a vontade de Deus? Por que tantas guerras e crimes num mundo “evoluído” tecnologicamente? O ato de fazer ciência moderna estaria isento desses graves problemas humanos? Qual a possibilidade do homem se autodestruir sem a separação do joio e do trigo na ação de se fazer ciência sem consciência?
( ) nenhuma
( ) dez porcento de chance
( ) cinqüenta porcento
( ) cem porcento
( ) não me interessa
( ) estou preocupado com outras coisas mais importantes
( ) isso nunca vai acontecer
( ) o homem sempre teve bom senso de sua preservação
( ) a paz virá no equilíbrio de armas atômicas, químicas e biológicas
( ) o homem sempre esteve em conflito - é natural!
( ) não sei o que fazer
Pode marcar um “x” na resposta que melhor lhe convier. E depois espere o que vai acontecer com o planeta caso continuemos destruindo nossa casa (eco)...
Qual é o fim da ciência afinal? Creio, ser bastante complicado dar uma definição concreta do que seja a finalidade da ciência: "Ciência sem consciência é a ruína da alma" - Rabelais. Para mim, é mais fácil dizer o que ela não é - o que não se propõe a realizar. Ela não é uma busca aleatória, mas um esforço sistematizado, estruturado e disciplinado. Ela não se propõe a descobrir o domínio da energia divina e do poder da Consciência-de-Deus. O contexto da ciência (racional-funcional) é o domínio da existência racional e da realidade objetiva. O que todas as ciências buscam é a verdade proveniente de um nível de consciência que dá sentido e significado à existência e à realidade do ser concreto: o indivíduo imbricado com o poder da energia do mundo material. E o que é "verdade"? A verdade é o próprio caminho de se fazer ciência com consciência. Em outras palavras, é o próprio "caminhar", ou seja, é a ação da consciência em sua jornada de transcendência de si mesma. Nesse sentido, a verdade não pode ser definida porque ela transcende qualquer discurso racional. Ela é indizível, mas existe num contexto ontológico. Ela só pode ser vivida ("percorrida") mas nunca dita ou afirmada de forma absoluta. "Primum vivere, deinde philosophari" (Primeiro viver e depois filosofar).
Segundo Moacir GADOTTI (Comunicação docente, 1975):
"Cada homem tende para a verdade, tem impulso para a verdade, possui em si uma exigência de verdade, mas a verdade de cada homem nunca é a verdade, pois esta não é fruto de posse mas fruto de "tensão" para a verdade. Assim, "o sentido da verdade, para cada homem, é a sua luta pelo absoluto, a sua luta contra o absoluto" (p.83).
Ó senhora Verdade quantas faces o homem não criou para Ti! São tantas faces (política, tecnológica, científica, religiosa, mística, espírita, evangélica, etc) que não sabemos naturalmente dizer qual é a sua própria identidade. Mas, com um pouco de esforço de abstração podemos classificá-la em duas: a lógica e a ontológica. A verdade lógica é aquela construída pelo processo dialógico psicológico do ser com o mundo - é a verdade da razão. E a verdade ontológica é aquela criada pelo processo dialógico do ser consigo mesmo (o Outro em si mesmo), é a verdade da revelação.
Descobri que Einstein (ele dizia que ouvia o "Velho"), Descartes ("busquei o falso e o verdadeiro dentro de mim") e Marx ("a religião é a consciência de si que o homem perdeu ou não adquiriu ainda") tiveram algo em comum: descobriram a verdade revelada na consciência-visão de si mesmo. Eles evoluiram da consciência do mundo racional para a consciência de si (supra-racional), ou seja, eles conseguiram realizar a façanha de dar o salto-dialógico (quântico) ontológico em si mesmo. A maioria das tradições orientais fala desse salto e diálogo evolutivo. O hinduismo, Brahmanismo, os contos sufis e o próprio cristianismo apontam para esse caminho. Que caminho é esse? Ou melhor, que ciência é essa? Para identificarmos esse modo de fazer ciência faz-se necessário olhar o domínio da ciência com outros olhos, ou seja, com outra sensibilidade (não confundir com emocionalidade). A ciência pode ser dividida quanto à natureza do (da):
a) objeto (ciência natural e ciência social);
b) problema (ciência pura e ciência aplicada);
c) realização (ciência do mundo e ciência do ser).
Nesse sentido, podemos facilmente perceber algumas diferenças básicas. Assim, é fácil perceber que uma mesa não chora, não tem depressão, não tem mágoa, não se irrita, e nem reclama de ninguém. Esses comportamentos fazem parte da natureza da energia-consciência humana, ou seja, faz parte do objeto de estudo das ciências humanas ou sociais. E da mesma forma, se um sujeito tem dificuldade em resolver o problema da falta de água em sua residência, sabendo que muito próximo de sua casa tem um rio de água potável, ele não vai investigar - durante anos a fio! - a origem do universo e o segredo do cosmos para tentar descobrir uma técnica que possibilite transportar a água até a sua casa. A busca do segredo do cosmo faz parte do contexto das ciências puras (básicas), enquanto que a descoberta de uma técnica que facilite a condução da água faz parte das ciências aplicadas (a informática é uma ciência aplicada enquanto que os fundamentos da física quântica (que deu origem à micro-eletrônica e a informática) é do domínio da ciência pura).
E quanto a questão da realização é preciso especificar o sentido de transformação. Assim, se o indivíduo se sente insatisfeito e desconfortado com a construção de sua casa, ele não vai buscar uma montanha para meditar a respeito de sua inserção no mundo social. Ele certamente precisará estudar (ou contratar alguém) para realizar um novo projeto de construção de casa com a intenção de fazer adaptações ou para construir uma nova casa. A busca do silêncio e da paz da montanha faz parte do domínio da ciência tradicional (transformação do ser), enquanto que a transformação de um projeto de casa numa construção em alvenaria com todas as facilidades da tecnologia moderna faz parte do contexto da ciência moderna (transformação do mundo).
A crise do homem moderno sempre foi em decorrência da sua incapacidade de identificar o modo apropriado de fazer ciência (tomar consciência) de acordo com o limite da sua observação do objeto a ser abordado, da formulação e definição do problema e das expectativas de sua realização. O que buscar? O que compreender? O que ou quem transformar? Uma vez o homem tendo tomado consciência de si, essas questões ficam mais claramente definidas. A questão, portanto, passa a ser: o que eu quero transformar, a dinâmica do mundo ou a energia do ser? Qual é a natureza do meu problema, concreta ou abstrata? E qual é o objeto da minha investigação, natural ou social? Creio, que a partir daí o homem não mais se perde na eterna busca da verdade da realidade e da existência. Em outras palavras, a pessoa se torna verdadeiramente cientista, ou seja, aquela que busca a verdade conscientemente por puro amor ao saber filosófico. Por isso mesmo, Sócrates afirmou com muita propriedade e sabedoria: "Conhece-te a ti mesmo". O realismo ingênuo é querer ver e conhecer o mundo ignorando a imagem e a compreensão que tem de si mesmo.
A mudança de natureza da sensibilidade e a conseqüente leitura de novos princípios superiores proporcionará ao homem a construção qualitativa de imagens reais do mundo como resultado do melhoramento das imagens reais de nós mesmos.
O sentido da vida tem o seu mistério desvendado quando damos orientação a nossa própria transformação da energia interior a partir da constatação do processo dialógico ontológico. A água ferve porque recebe calor. O homem age no presente porque no passado em seu interior a sua ação intelectual teve significado e valor. Ele não age apenas por um impulso de causa-efeito, mas porque dotado de consciência se insere num universo de significados complexos encadeados e sutilmente interligados em milhões de contextos energéticos - desde a sua criação que foi feita com puro Amor! Já dizia um sábio: "Qualquer homem é a última palavra do passado e a primeira do futuro".
A descoberta dos princípios criadores-transformadores do universo é um ato de fé, vontade e sensibilidade. A verdadeira inteligência é filha desses princípios ontológicos: "Nada se cria, nada se perde. Tudo se transforma" - Lavoisier. Mais vale aquele que age com virtude do que aquele que fala sem consciência do que diz ser e ver: "Estudem a fé" - A. Einstein. "Audiens sapiens, sapientior erit" (Ainda que saibas, ouvindo [ontologicamente] saberás mais).
"A filosofia que se tem depende do homem que se é" - Fichte.
Prof. Bernardo Melgaço da Silva - bernardomelgaco@hotmail.com

AS DEFICIÊNCIAS SOCIALMENTE TRANSMISSÍVEIS (DSTs)

A cada dia uma multidão está se contaminando. E está se contaminando tanto pelas doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) quanto pelas deficiências socialmente transmissíveis (DSTs). A primeira DST (doença sexualmente transmissível) já foi amplamente divulgada e mecanismos já estão sendo empregados para impedir o seu avanço. Mas, a segunda DST (deficiência socialmente transmissível) ainda não foi detectada porque a própria ciência responsável pela sua descoberta ainda está se descobrindo enquanto ciência. Em outras palavras, a sociologia é uma ciência jovem demais para perceber a sutileza dessa síndrome que ataca o caráter e a personalidade de milhões de indivíduos inconscientes. Enquanto as doenças sexualmente transmissíveis são percebidas pelos sintomas no corpo concreto, ou seja, no corpo físico, as deficiências socialmente transmissíveis só podem ser percebidas nos corpos sutis, ou seja, na alma ou psique. A psicologia desenvolveu instrumentos para diagnosticar os desequilíbrios mentais, no entanto a sociologia ainda não conseguiu desenvolver instrumentos para perceber a contaminação sutil provocada nas relações, ou seja, nos contatos psicológicos entre indivíduos. Nesse sentido, a deficiência socialmente transmissível é também um tipo de patologia que ocorre quando um grupo perde a referência dos valores-forças em sua natureza. Esses valores-forças são os princípios responsáveis pela elevação do homem à categoria de ser intuitivo-amoroso. Eles são forças justamente porque são capazes de “puxar” a condição racional-instintiva do homem comum para os níveis mais elevados da consciência. Eles diferem dos valores-fardos que, por sua vez, são responsáveis por “puxar” ou manter preso o homem comum nos níveis de consciência menos elevados. Esse último fenômeno é semelhante à lei da gravidade no plano físico. As deficiências socialmente transmissíveis são tantas e tão sutis que dominam o nosso aparelho psíquico desde a infância. Em verdade, nos tornamos escravos dessas deficiências quando perdemos ou não adquirimos ainda a capacidade de olhar para dentro de si mesmo (A . Einstein chegou afirmar: “A maioria prefere olhar para fora do que para dentro de si mesmo”). O mundo externo dos valores e modelos de comportamentos humanos é responsável pela propagação das deficiências socialmente transmissíveis. Assim, quanto mais nos relacionamos superficialmente com o “outro” no campo social mais propagamos e também nos contaminamos seriamente. Raros são aqueles que conseguem perceber a sua participação na grande cadeia de relações humanas desequilibradas e doentes. A síndrome da insensibilidade (Alexitimia) é uma das doenças provocadas por esse fenômeno social. Essa síndrome torna os indivíduos frios, calculistas e insensíveis, impedindo que o ser humano contaminado tenha empatia, carinho e amor pelos seus semelhantes. Nesse contexto, podemos inferir que o progresso tecnológico não é garantia para a evolução humana. E tudo indica que o mundo tecnicista dos dias de hoje vem tornando os indivíduos mecanicistas e insensíveis para o “outro” semelhante. Os valores humanos, são na verdade, os nutrientes que alimentam a alma de cada indivíduo. Assim, se esses valores carecem de qualidade ontológica-espiritual a sociedade se alimenta pessimamente, o que provoca deficiências nos corpos sutis da natureza humana. A ciência moderna ainda não detectou os vários corpos-consciências que existem na estrutura energética da natureza humana, e por isso mesmo ignora os impactos que os valores produzem nessas dimensões sutis. As “ciências alternativas” ocidentais (p. ex.: a teosofia) e orientais (principalmente hinduístas) já perceberam ou constataram a existência de um sistema energético-multidimensional na realidade humana. Nos EUA os pesquisadores (Dr.) Richard Gerber e a (Dra) Barbara Ann Brennam já detectaram essa multidimensionalidade-energética do ser. Os dois produziram alguns livros mostrando as suas fantásticas descobertas. A Dra Barbara é física da Nasa e publicou um belo livro com o título MÃOS DE LUZ. E o Dr. Richard também escreveu um belíssimo livro a respeito com o título MEDICINA VIBRACIONAL: A MEDICINA DO FUTURO. Em vários países, cientistas tentam quebrar a hegemonia da ciência racional reducionista, para poder ampliar a esfera do conhecimento na direção dos mundos metafísicos. A Física Quântica tem possibilitado avançar nesse intuito porque ela mesma vem quebrando o paradigma mecanicista da visão clássica newtoniana e cartesiana. No futuro a ciência precisará se abrir para as novas descobertas realizadas por esses dois cientistas citados acima. De modo que a partir do cientista (físico) Fritjof Capra (com o livro Tao da Física) um mundo de possibilidades vem se abrindo e assim novos cientistas começam a ousar e sair da camisa-de-força do modelo newtoniano-cartesiano de construção do conhecimento da realidade. As deficiências socialmente transmissíveis somente podem ser detectadas a partir de uma abordagem da ciência moderna e das “ciências alternativas” (a ioga é uma delas também). Enquanto isso, nos preocupamos com as doenças sexualmente transmissíveis e não vemos as deficiências socialmente transmissíveis. E o pior de tudo não conseguimos perceber a conexão entre elas. Um dia a ciência avançará de fato e de forma holística, e por causa disso os dois mundos (externo e interno) serão compreensíveis de modo a permitir relacionar doenças biológicas com deficiências de personalidade. Algumas pesquisas já demonstraram alguns sinais, por exemplo, de que a maneira como o ser se posiciona ontologicamente (com fé, por exemplo) modifica o seu quadro de saúde.
As deficiências socialmente transmissíveis podem ser caracterizadas como doenças que afetam o caráter ético. Em outras palavras, adoecemos porque perdemos o sentido ético greco-cristão da vida. Os sintomas podem ser facilmente percebidos: egoísmo, corporativismo, individualismo, niilismo, capitalismo, competitivismo, produtivismo, reducionismo, bairrismo, racismo, dogmatismo, cientificismo, ideologismo etc. As deficiências socialmente transmissíveis operam no mecanismo emocional das psiques tornando-as violentas, corruptas, idolatras, indiferentes, inimigas, insensíveis, gananciosas, mesquinhas, retóricas e instintivas. Nesse contexto, o homem perde a sua referência transcendental espiritual tornando-se um animal que defende ou ataca para assegurar a sua propriedade ou domínio. O homem entra num processo de decadência e a sociedade o estimula a permanecer nessa jornada até a sua morte. A evolução humana freia os seus passos e a maioria se cristaliza ou se hipnotiza a continuar inconsciente ad infinitum. Por isso mesmo, CRISTO afirmou que poucos conseguiriam entrar no Reino do Céu. Esse Reino, em verdade, é a transcendência das deficiências humanas.
Prof. Bernardo Melgaço – bernardomelga10@hotmail.com – Tel.: (088) 9201-9234

domingo, 13 de julho de 2008

EVENTO HOLÍSTICO APOIADO PELA UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ (UFC)

Esse evento tem o apoio da Universidade Federal do Ceará (UFC). Infelizmente em outras universidades do interior cearense esse evento será tachado de "pseudos cientistas". Parabéns para a UFC e outras instituições que apoiam esse belo evento. Um dia quem sabe eses críticos cresçam e vejam a importância de discutir temas transversais também.
Prof. Bernardo Melgaço da Silva - bernardomelgaco@hotmail.com

EVENTO HOLÍSTICO APOIADO PELA UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ (UFC) - CONTINUAÇÃO


Esse evento tem o apoio da Universidade Federal do Ceará (UFC). Infelizmente em outras universidades do interior cearense esse evento será tachado de "pseudos cientistas". Parabéns para a UFC e outras instituições que apoiam esse belo evento. Um dia quem sabe eses críticos cresçam e vejam a importância de discutir temas transversais também.

Prof. Bernardo Melgaço da Silva - bernardomelgaco@hotmail.com

sexta-feira, 4 de julho de 2008

MUNDO CÃO...MUNDO DE MÚSICA....MUNDO DE SOM...IMAGEM... E CONFUSÃO

No momento em que escrevo estas linhas estou vendo a TV esperando ver o Jornal das oito e meia, e ao mesmo tempo estou escutando, no meu belíssimo equipamento que comprei hoje, CDs de músicas nacionais e francesas. Sinto-me encantado pelas lindas músicas e ao mesmo tempo enjoado quando olho para a TV ligada onde passa uma novela por demais boba – quase idiota! Acabei de ler os blogs do crato e do cariricult. Os meus sentimentos estão misturados, pois li coisas interessantes e outras sem muito sentido. Concordo com o movimento COLETIVO CAMARADAS e com o grande Ariano Suassuna. A coisa é mais embaixo – mesmo! As bandas e os empresários seguem a ordem do mercado, do fútil, do consumo imediato e fácil, dos valores que pregam a negação do ócio (segundo Oswald de Andrade ao se referir ao negócio como negação do ócio sagrado) da ideologia do descartável, da negação e substituição dos valores profundos e sagrados da natureza humana. Esse processo é parte de um fenômeno social complexo porque é resultado de um longo caminho de perda de identidade e desencantamento com a vida em geral. A cultura que se expressa é uma manifestação do processo de formação da identidade de um povo, comunidade ou nação. Em outras palavras, uma sociedade ou comunidade ao manifestar uma determinada cultura sinaliza o caminho que vem seguindo de construção, perda ou substituição de valores, ideais, perspectivas, visão de mundo e cosmologia. O que plantamos, educamos e idealizamos no passado, hoje colhemos, aprendemos e "ideologizamos". Isso implica dizer, segundo a moderna Física Quântica, que somos produtores de realidades. Nesse sentido, a cultura que vivenciamos é uma linha reta dentre várias que criamos da realidade. E se não estamos gostando dessa linha em particular precisamos criar em paralelo uma outra que desejamos ou preferimos seguir. Nada podemos fazer, mas tudo pode ser criado de novo – paradoxal! O passado não pode ser mudado, mas o futuro pode ser moldado conforme assim desejarmos com fé e vontade. Cada um é responsável pelo que acredita, pensa, sente ou deseja. Nesse contexto, culturas nascem – culturas morrem! Impérios surgem – impérios sucumbem! Nada é eterno no mundo humano. Cabem aos artistas investirem na criação de culturas que elevem a sensibilidade humana; cabem aos educadores investirem na formação de ideais nobres que elevem a consciência humana. Por isso, concordo em se pressionar o Estado para respeitar a cultura local e valorizar os seus artistas. Xô cultura e forró do besteirol!

Prof. Bernardo Melgaço da Silva

Visitem o meu site: bernardomelgaco.blogspot.com

quarta-feira, 2 de julho de 2008

EU NÃO SOU PARTIDO: EU SOU UNIDO PELA JUS-TIÇA DO AMOR

Nos blogs e na mídia em geral discute-se atualmente o processo de mudança ou transição de poder através da competição acirrada entre partidos políticos. Nesse sentido, devemos refletir profundamente sobre a essência desse processo de reorganização das forças sociais. O que se pretende afinal através da participação e competição popular na eleição de novos representantes do povo? A resposta não poderia ser outra: JUSTIÇA SOCIAL. Em verdade, o que se busca é a justiça social onde os diferentes possam ter oportunidades de produção e acesso “iguais” a todos os bens, valores e serviços oferecidos ou aplicados pelo Estado ou Sociedade. Então, o princípio básico que nos une nessa empreitada é, portanto, a JUSTIÇA. Mas, o que significa a expressão JUSTIÇA? Entendemos no mundo moderno pragmático como sendo o direito e dever de todos sustentados sob a mesma ordem e valor aplicados segundo a Constituição do país em seu Estado de Direito Democrático. É claro, que esta é uma definição conceitual que criei nesse momento. A definição etimológica de JUSTIÇA nos remete, segundo o conceituado e respeitado jurista Miguel Reale no seu livro Filosofia do Direito, a idéia de união e junção. Segundo REALE, o radical JUS (de Justiça) se origina de uma expressão sânscrita que significa exatamente UNIÃO e JUNÇÃO. Isso implica dizer que o princípio que orienta a idéia de justiça é a união, junção ou integração da consciência humana.
Mas, essa idéia se encontra muito distante de uma sociedade moderna unida que está fragmentada entre partidos políticos os quais buscam a qualquer custo o cume do poder temporal. MAX WEBER chegou afirmar que a razão (instrumental) desencantou o mundo. Eu diria que fez muito mais do que isso, pois fragmentou em pedaços muito pequenos tudo o que nos cerca (famílias, raças, religiões, ciências, ideologias, países, sentimentos, ideais e valores). O problema de hoje é conseqüência de uma práxis grega milenar (“penso, logo existo” – Descartes) que enveredamos e raramente nos questionamos sobre o seu sentido e significado. A razão instrumental produziu um universo de tecnologias e benefícios materiais que fez com que esquecêssemos ou não buscássemos a verdade de sua identidade e finalidade. E a finalidade da vida depende da identidade ontológica (ego ou self) que alcançamos conquistando com mérito em nosso processo evolutivo cósmico.
Existe uma contradição que solta aos olhos: “fragmentar para integrar”. A razão fragmenta, mas não integra a vida humana. Por isso, que a política partidária é a arte de dividir, fragmentar, separar os elos humanos na grande cadeia de relações e conexões da vida universal. Em verdade, ela é um processo que caminha no sentido contrário ao do princípio da vida cósmica. A ciência moderna, p. ex.: a física quântica, vem afirmando com fundamentação que o universo é um sistema integrado onde todos os seres são elos intermináveis na formação da grande cadeia universal em que os pólos opostos são forças complementares em equilíbrio. Assim sendo, a vida política não foge a essa regra. Ou respeitamos os princípios da natureza universal, ou então, sofreremos uma desintegração com perda de consciência e sofrimento da alma e do corpo - numa escala planetária! A natureza destruída (desmatamento, aquecimento global, tempestade etc) que vemos ao nosso redor simboliza o processo interior das forças cósmicas agindo em desequilíbrio nas ações das almas humanas. “Decifra-me ou eu te devoro”. Os egípcios já sabiam disso! Enquanto caminharmos unilateralmente num processo de desintegração da consciência teremos dias difíceis e penosos – com certeza! - pela frente. O conflito ou combate (ideológico, religioso, racial, científico etc) não nos levará a uma unidade e justiça social. Precisamos de solidariedade, humanidade, doçura e sensibilidade. Fora desse marco de integração cósmica teremos DOR e FRAGMENTAÇÃO COM PERDA DE CONSCIÊNCIA. Não existe acaso – o acaso é a nossa ignorância das forças cósmicas agindo em nosso mundo e realidade humana. Ou mudamos profundamente, ou então, pereceremos – Amem ou Amém! Prof. Bernardo Melgaço da Silva

quinta-feira, 26 de junho de 2008

O ANO EM QUE O “MILAGRE” ACONTECE: DINHEIRO E OBRAS NAS ELEIÇÕES


No ano das eleições um “milagre” acontece. Dinheiro e obras surgem do “nada” e começam a fazer realizações. Nesse sentido, as ruas e estradas são asfaltadas, as universidades recebem mais dinheiro para custeio, restaurantes populares são criados, escolas são reformadas etc. E tudo muito perto da data da eleição. O povo, coitado, ainda acredita que tudo isso é verdade e que as intenções são sinceras e puras. Mas, com um olhar crítico nos perguntamos: por que será que esse “milagre” não aconteceu antes? É verdade! A política moderna vem substituindo o planejamento estratégico. Em outras palavras, diria um crítico: “que plano que nada o que vale é a “estratégia” do voto”. Os recursos são aplicados (e/ou atrasam propositalmente) segundo a perspectiva de se ganhar o apoio das comunidades e de indivíduos influentes antes e bem próximo das eleições. E assim, durante vários anos o povo não vê a cor do dinheiro e nem das obras importantes. Mas, quando se aproxima as eleições, uma multidão se engaja em servir aos senhores da política e da politicagem. É dinheiro rolando em cascata e enchendo o pequeno recipiente (bolsos) de pobres criaturas esperançosas de um lugar ao sol (ninguém quer ficar excluído!).
Nesse contexto, as almas receptoras ficam “felizes” mesmo que iludidas. O imediatismo é a lógica que atrai multidões e faz manter o mundo ilusório da politicagem. Raros são aqueles que cobram projetos baseados em planos bem elaborados e estratégias viáveis. A maioria quer resolver imediatamente a sua necessidade sem importar se essa solução afetará ou prejudicará mais tarde uma população maior. E o dinheiro de onde vem? Poucos sabem de fato a sua origem. Será que vem dos cofres das políticas públicas que foram “acumuladas” pelas burocracias e espertezas administrativas de governantes inescrupulosos? Ou será que vem de financiamentos externos de cunho ideológico ou empresarial? É preciso nesse mundo ser bonzinho como uma pomba, mas prudente como uma serpente. A vida social raramente é governada pela intenção e planejamento de mentes brilhantes, mas por mentes astutas e negociadoras de interesses escusos. Um ou outro governante ou administrador segue a linha reta da ética e da boa intenção. Uma boa parcela faz alianças de interesses ideológicos ou financeiros. E as necessidades dos indivíduos governados são partes desse jogo frio e anti-ético.
O enriquecimento ilícito “com prosperidade para todos” é a intenção que acalma a frieza das decisões políticas inescrupulosas. Nesse sentido, a idéia de que “a política é a arte de governar” é uma bela retórica. Pois, a verdadeira política (a original) caminhava lado a lado com a ética. Hoje, a política é antagônica a ética. Elas não se conversam, não se combinam. Vivem em mundos diferentes e distantes. O povo é apenas uma peça no jogo de xadrez dos poderosos (?).

Prof. Bernardo Melgaço da Silva – bernardomelgaco@hotmail.com

terça-feira, 24 de junho de 2008

O corpo de um homem assassinado há 65 anos (foto) foi encontrado em perfeito estado de conservação em seu túmulo


O corpo de um homem assassinado há 65 anos (foto) foi encontrado em perfeito estado de conservação em seu túmulo, durante a exumação de seus restos no município de Acapetahua, no estado mexicano de Chiapas. Foto:Ho/AFP

sábado, 21 de junho de 2008

MOVIMENTO DO POVO TIBETANO: CULTURA, IDENTIDADE E LIBERDADE


Nessa semana que se passou iniciamos (nos núcleos de estudos NERE e NECEF) na URCA um movimento intitulado MOVIMENTO DO POVO TIBETANO: CULTURA, IDENTIDADE E LIBERDADE. A exposição com banners e vídeos abriu um espaço para reflexão sobre a cultura espiritual tibetana e a história da invasão comunista chinesa no Tibet em 1949. Sobre o pretexto de que os tibetanos viviam numa escravidão ditada pelos monges, os chineses invadiram o Tibet em 1949 onde a partir desta data mataram – pasmem! – 1 milhão de tibetanos dentre eles monges que só sabiam meditar. Um exército muito superior a resistência dos “soldados” tibetanos arruinaram 6 mil monastérios além da carnificina que fizeram nas cidades pacíficas dessa cultura espiritual milenar. Sinto-me impelido de informar a todos os cidadãos brasileiros das artimanhas dessa ideologia criminosa que com argumentos tão insensatos e desumanos mantém sob vigilância implacável (patrulhamento ideológico) os rituais desses monges que ainda conseguem manter a muito custo sua bela tradição espiritual nos poucos monastérios que ainda resistem em pé. Além disso, 110 mil tibetanos vivem exilados na India – na fronteira com a China – sem poderem retornar à sua terra natal e praticarem a sua cultura espiritual. E o seu venerado líder espiritual – Dalai Lama – também não pode retornar e ser adorado ou ter sua foto carregada na carteira de seus liderados. Um verdadeiro crime contra a humanidade!
O quanto ainda ficaremos calados contra um regime que se diz democrático com ações tão vergonhosas como essa? Cadê os direitos humanos? Sinceramente o que nós precisamos mesmo fazer é valorizar todas as culturas porque assim preservaremos as identidades de seus membros. Isto porque um povo sem cultura é um povo sem identidade e, portanto, sem liberdade para expressar suas vocações e tradições. Creio que, devemos todos divulgar essa máxima: “povo que perde sua cultura, perde a sua identidade, perde a sua liberdade, perde também o sentido de viver e existir em paz”. Eu não tenho dúvidas sobre a grandeza da cultura espiritual tibetana, porque entendo por vivência própria a dimensão de suas práticas e valores fundados na meditação, no desapego e no respeito a todos – todos mesmos! - os seres vivos.
Hoje, o mundo se questiona sobre as ideologias e valores praticados pelas superpotências (E.U.A, China etc) que estão destruindo o planeta (e o Brasil com o desmatamento da Amazônia também está nesse grupo). A China, por exemplo, está num processo de destruição ecológica a tal ponto que sua capital está cercada por um imenso deserto com tempestades de areia sem igual no mundo. Lagos, rios e imensas plantações estão sendo poluídos e destruídos. E quando acabarem de destruírem o que têm avançarão, como está fazendo o E.U. A, sobre as riquezas dos outros países (p. ex,: a Amazônia brasileira).
A vida humana só tem sentido na preservação da diversidade de suas culturas materiais e imateriais. Uma vida com uma visão única, um poder único e cultura única é uma grande estupidez. Viva a diversidade cultural e ecológica! Intelectuais do Cariri e do Brasil gritem e se indignem contra essas ideologias totalitárias (de esquerda ou de direita) que querem transformar o mundo numa estupidez de suas visões de mundo infundadas e pequenas, e que jamais conseguirão compreender a complexidade da vida em todas as suas dimensões. Assim, se ficarmos calados a voz da estupidez totalitária um dia estará nos fazendo reféns de suas premissas e suas ordens fundadas no medo, no terror e na morte.
A liberdade é um dom de Deus e está associada a nossa capacidade de preservação de nossas culturas e identidades diversificadas. Abracem essa causa – porque se não fizerem isso o Brasil poderá sofrer como o Tibet está sofrendo desde 1949. Nada acontece por acaso!
A OLIMPIADA DE PEQUIM É UMA GRANDE HIPOCRISIA – VAMOS BOICOTAR – NÃO ASSISTAM PELA TV E NÃO LEIAM NADA SOBRE ELA.
Divulguem esse texto para todos os seus amigos da Internet – a PAZ de DEUS agradece!
Prof. Bernardo Melgaço da Silva – (88) 9201-9234 – bernardomelgaco@hotmail.com

segunda-feira, 9 de junho de 2008

O HOMEM MODERNO CIVILIZADO: ESQUERDA, DIREITA...NATUREZA... VOLVER!


O homem moderno civilizado criou o Estado de Direito, mas não conseguiu impedir a criação do Estado de Injustiça. Ele criou o conceito de Estado de Natureza, mas não conseguiu formar uma aliança com a Natureza. As poluições química e biológica ameaçam o equilíbrio da Natureza e a ordem do Estado. Nesse contexto, o povo e o Estado chinês são referências negativas porque estão sofrendo devido à força da natureza desequilibrada. Isto porque o processo de desertificação na China nos séculos XX e XXI gerou um “monstro” natural: as grandes tempestades de areia. As tempestades de areia na China estão matando animais, plantações e vidas humanas. Os desmatamentos na Amazônia vão produzir a mesma desgraça chinesa se políticas de preservação ambiental não forem aplicadas com rigor. Lagos, rios e ambientes naturais na China estão morrendo na mesma velocidade que o progresso avança aumentando o PIB e diminuindo também a sustentabilidade dessa potência econômica. O sistema de governo autoritário chinês impede que se questione e freie coletivamente a destruição em curso. O poder do partido único autocrático desse país, de proporções continentais, está levando a uma falência ambiental que o povo chinês não conseguirá reverter. O liberalismo no Brasil e o comunismo na China nos alertam que a razão da sobrevivência dos povos não depende de mudanças de posição (volver) de poder ideológico, mas essencialmente no caráter, na alteridade e na identidade de uma relação direta e respeitosa com a natureza. Nesse sentido, tanto a esquerda socialista quanto a direita liberal não demonstram competência para solucionar a mega-crise ética-energética-ecológica. Ambas doutrinas são coniventes com a decadência da qualidade de vida para uma grande parcela ignorada ou excluída. Os índios e os quilombolas, por exemplo, não são tratados com o mesmo respeito que o trabalhador das empresas e indústrias. A idéia de progresso está numa perspectiva associada ao da exclusão e exploração humana e numa outra perspectiva na exploração e dominação da natureza. Mas, uma está associada a outra e tem nos levado a um processo acelerado de autodestruição, isto porque o homem é natureza também. Os avanços do homem moderno civilizado se reproduzem paradoxalmente: descobrimos, desequilibramos e destruímos simultaneamente.
Hoje, estamos diante de um inimigo comum: as idéias de exploração e separação entre o homem e a natureza. Segundo o jornalista Washington Novaes, 2/3 da população brasileira se considera fora da natureza. E por que? Porque ao longo de séculos fomos bombardeados por crenças e ideologias que pregavam (e pregam ainda!) que a vida humana se dava (e se dá ainda) unilateralmente num plano de relações de poder econômico-político: vencer e se separar do outro e controlar a natureza. E assim, se perdeu toda uma visão mítica e natural do homem como ser integrado a tudo e a todos. Em outras palavras, perdemos a sábia visão de que nada nos separa da vida natural. A vida nos liga a tudo! Viver é essencialmente se integrar cosmicamente através de elos visíveis e invisíveis. A separação, partição ou partidarização é uma grande ilusão. Por isso mesmo, que não acredito na perspectiva desintegradora de qualquer coisa, principalmente na política partidária. Existe uma ordem maior de integração natural. Ainda sofreremos muito por ignorarmos e assim não percebermos essa ordem supra-humana integradora – nem a esquerda e nem a direita poderão evitar a fragmentação dolorosa do ser e da natureza. Eles lutarão ad infinitum entre si pelo poder, mas serão vencidos por um inimigo muito superior: a natureza explorada e desequilibrada.


APÓS INVASÃO DA CHINA COMUNISTA EM 1949:

1 MILHÃO DE TIBETANOS MORTOS (EXTERMÍNIO EM MASSA)

6 MIL MOSTEIROS DESTRUÍDOS (POR QUE?)

100 MIL TIBETANOS EXILADOS NA ÍNDIA


Enquanto isso milhões de homens e mulheres morrem na lógica do mercado capitalista....ainda não temos uma saída digna a vista...se correr o bicho pega...se ficar o bicho come....



Prof. Bernardo Melgaço da Silva (88)9201-9234

quarta-feira, 28 de maio de 2008

A IMPORTÂNCIA E O PAPEL DA IMPRENSA NA REGIÃO DO CARIRI CEARENSE: TEXTO DE APOIO AO JORNALISMO ÉTICO E CRÍTICO

Hoje as imprensas escrita, falada e eletrônica desempenham um papel importante na formação crítica da consciência humana num mundo cada vez mais acelerado, mais interdependente (hiper conectado), mais informal e mais “próximo” em virtude das inovações tecnológicas nos campos da tecnologia da informação e da comunicação. A tarefa dos meios de comunicação se torna extremamente árdua em função da rapidez com que a leitura, a interpretação e a divulgação dos fatos e fenômenos demandam precisão na ocorrência da imagem captada e comunicada. Nesse contexto, a observação e a análise dos fatos e fenômenos exigem dos profissionais da imprensa uma sensibilidade refinada e uma fundamentação intelectual e ética renovada e atualizada.
Em virtude dessa nova perspectiva da era da informação e do conhecimento, que transforma e é transformada rapidamente em seu próprio movimento em si mesmo, o leitor ou ouvinte necessita de notícias e relatos com um baixo índice de “ruído” e interferência prejudicial, e sem contaminação ideológica perversa. Nesse contexto, a imprensa na região do cariri sofre do mesmo problema global que é ser permanentemente crítica e fiel aos fatos e fenômenos sociais ocorridos. E crítica significa aqui, segundo Marilena Chauí – “Convite à Filosofia”, o espaço do dito do que ainda não foi dito, do julgamento claro que ainda está obscuro, da visão larga que ainda não está de toda aberta, da perspectiva profunda que ainda está superficial e limitada, da teoria inédita que transcende sem negar a verdade da teoria anterior. Crítica, nesse sentido, não é ataque baixo, retórico, vulgar, imoral, corporativo, chulo e sem fundamento. Ela é sempre construtiva mostrando o que ainda não foi mostrado, refazendo o olhar viciado e condicionado sobre o mundo objetivo, apontando para valores corrompidos na alma humana.
Nesse contexto, a imprensa caririense tem a função de informar, comunicar, esclarecer, anunciar, contestar, promover, divulgar, educar, divertir, criticar e canalizar as diversas demandas que surgem naturalmente no seio da sociedade. Pois, a ponte comunicativa entre o Indivíduo e a Sociedade pode ser compreendida também a partir das ações dos veículos de comunicação que aproximam esses dois pólos. O mesmo fenômeno ocorre entre o Estado e a Sociedade, pois cabe a imprensa ajudar a tornar visível ou transparente os atos, desmandos, abusos de poder (das esferas privada e pública: judiciário, legislativo e executivo), fatos importantes (p.ex.: mensalão, cuecão, tragédias, terremotos etc) e comuns, comunicados no sentido de fazer com que o cidadão comum se torne consciente do que acontece no seu mundo objetivo e dos seus direitos e deveres legais. É através do espaço livre da imprensa que o cidadão pode reivindicar ou apelar – sem gastar um tostão sequer! - para que a Constituição Brasileira seja respeitada (para todos!) e saia da sua dimensão escrita, estática e restritiva (para poucos privilegiados!) para de fato se fazer valer no mundo concreto das ações, desejos e movimentos legais e humanos. É através da imprensa que se pode combater de forma democrática as retóricas persuasivas que tentam manipular ou controlar as verdades nas mentes desatentas, desinformadas e incautas; cobrar os atos políticos desviados ou prometidos em campanhas eleitorais; identificar os responsáveis pelas corrupções dos atos ilícitos e imorais.
Enfim, a imprensa de um modo geral tem o dever moral de fazer valer a voz da indignação e a dor do coração daqueles que são injustiçados, discriminados, excluídos, abandonados, ignorados, atacados e explorados. E no Cariri, essa voz – que tentam calar! - vem sendo utilizada não só para divulgar as verdades sociais, econômicas, científicas, religiosas, culturais e políticas partidárias, mas também como instrumento de emancipação daqueles que necessitam de proteção, justiça - p. ex.: as mulheres violentadas e feridas mortalmente - e incorporação das políticas públicas em suas comunidades. Além de noticiar acontecimentos próximos e longínquos, ela também vem servindo para informar sobre arte, ciência, filosofia e religião em suas diversas e variadas perspectivas. A imprensa caririense vem cobrindo diariamente os diversos movimentos culturais e religiosos que atraem milhões de romeiros para essa região intensamente ligada ao mundo sagrado. Ela também comunica as potencialidades naturais, suas carências e suas riquezas ecológicas, infelizmente, em processo de destruição gradativa. Ela vem servindo para reforçar a identidade de um povo que luta para sobreviver numa terra esquecida pelas políticas públicas, mas lembrada pela Fé de Deus.
A sua importância é vital porque seu modo de ser é um espaço democrático que abre um canal direto para o homem comum, o intelectual, o político, o acadêmico, o religioso, o filósofo, o místico, o espiritualista que necessitam criar um diálogo e identidade com a vida humana a sua volta. A sua importância reflete em síntese na expressão da consciência humana que busca dialogar para aperfeiçoar, educar, informar, divertir e encantar os corações com suas diversidades comunicativas em seus diversos campos de atuação. E propagadas por atores que se engajam na arte e na ciência de transformar dados em informação, e informação em conhecimento e cultura. E assim, ajudam a preparar cada indivíduo humano para se conectar ao mundo interior da sabedoria perene, transformando conhecimento em autoconhecimento, indivíduo em pessoa, sofrimento em alegria, inconsciência em consciência de - e em - si mesmo!
Prof. (DSc) Bernardo Melgaço da Silva – (88)9201-9234 – bernardomelgaco@hotmail.com

quinta-feira, 22 de maio de 2008

CIÊNCIA E ESPIRITUALIDADE


Desde pequeno tive a felicidade de perceber diretamente que a minha realidade era constituída de pelo menos dois planos: material (natural) e espiritual (sobrenatural). Acredito que a maioria dos indivíduos de alguma forma foi tocada pela experiência mística do sobrenatural, mas procurou evitar, esquecer ou esconder. Ainda tenho na memória a lembrança de vovó Catarina. Vovó Catarina era uma entidade espiritual que incorporava frequentemente na minha madrasta. Havia um ritual que antecedia a incorporação. Minhas duas irmãs mais novas se trancavam no quarto com minha madrasta e preparavam o ambiente espiritual para a recepção da entidade: a roupa branca, o cachimbo, o banquinho, o altar com velas e a reza. E o ambiente onde se realizava a manifestação do transcendente era a nossa residência. Tanto a voz (muito fraca) quanto os movimentos lentos da entidade incorporada sinalizavam uma pessoa bem idosa, bem diferente do modo de ser da minha madrasta. As vezes minhas irmãs se colocavam como tradutoras pois a linguagem utilizada pela entidade não era costumeira (p.ex.: apartamento ela chamava de caixote).
Eu gostava de me consultar com a entidade incorporada. E por várias vezes pude confirmar a previsão - com precisão! - dela sobre questões da minha vida. E assim com essa iniciação espiritual fui crescendo cheio de interrogações a respeito do mundo espiritual e a influência dele no nosso mundo material. Hoje, sou um cientista cercado ainda de dúvidas, mas muito mais convicto da existência da espiritualidade que cerca e envolve o mundo material, como um epifenômeno (“Fenômeno cuja presença ou ausência não altera o fenômeno que se toma principalmente em consideração” Novo Dicionário Aurélio, p.544). Em outras palavras, vivemos simultaneamente entre duas experiências de mundo só que por falta de sensibilidade e muita racionalização a realidade espiritual se torna periférica e pouca vivenciada por uma grande população.
Assim, onde estaria a fronteira entre a percepção do mundo material e a percepção do mundo espiritual? A resposta que encontrei foi essa: SENSIBILIDADE-FÉ-VONTADE. Essa tríade difere da outra tríade RAZÂO-CRENÇA-DESEJO. Enquanto a primeira tríade potencializa a consciência para poder acessar (vivenciar) e perceber o mundo espiritual, a segunda tríade, por sua vez, potencializa a consciência para poder acessar (experimentar) e perceber o mundo material. No primeiro caso temos a Ciência de si ou autoconhecimento, e no segundo caso temos a Ciência ou conhecimento. A realidade humana é, portanto, um epifenômeno existencial onde se busca a unidade e o equilíbrio cósmico entre dois mundos ou reinos (em Física: matéria e anti-matéria).
Prof. DSc. Bernardo Melgaço da Silva – bernardomelgaco@hotmail.com

sábado, 10 de maio de 2008

A VISÃO DO TODO NO PROCESSO DE PLANEJAMENTO-ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO E OS SEUS IMPACTOS NO MUNDO MODERNO PRODUTIVO E ACADÊMICO HIPERVELOZ

Por volta de 1984 fui convidado para trabalhar em São Paulo, na Empresa ELEBRA S. A, no Departamento de Engenharia de Produto. Tal convite partiu da Diretoria Técnica daquela empresa. Na época eu trabalhava como engenheiro de Produto na Cobra Computadores S. A, no Rio de Janeiro (fui para a ELEBRA ganhando duas vezes mais!). A minha missão era ajudá-los a resolver um problema na organização da documentação e estruturação das informações técnicas dos vários projetos de engenharia daquela empresa. Era uma empresa muito grande que trabalhava com tecnologia de ponta na área de eletrônica avançada e informática. Logo que cheguei e tomei consciência do problema solicitei ao meu chefe que adotássemos uma estratégia de ação. Ele ficaria a frente na parte operacional e político do Departamento e eu ficaria numa posição de investigar o processo que estava gerando um gargalo no fluxo de informação do nosso setor com os demais setores da empresa, principalmente o de Produção. E os problemas de comunicação eram graves a ponto de parar quase todos os dias o chão-de-fábrica. Isso acarretava um prejuízo de milhares de dólares por mês uma vez que a nossa empresa, além de outros compromissos inclusive com a Marinha do Brasil, fabricava e exportava placas de circuito impresso para a empresa CONTROL DATA dos E. U. A .
Então, durante 6 meses consecutivos estudei com afinco os fundamentos técnicos que estavam por detrás do sistema de informação e comunicação técnica da empresa toda. E no final após muita interação e troca de experiências com meu chefe pude finalmente detectar o que estava causando o gargalo. O problema era essencialmente de filosofia de administração técnica equivocada. Em síntese, o problema consistia na fragilidade do controle de mudanças técnicas e na ausência de um órgão ou assembléia que estabelecesse regras e parâmetros claros para que uma mudança técnica fosse solicitada e implementada na fase de desenvolvimento e produção de quaisquer produtos da empresa. Em outras palavras, as mudanças técnicas dos produtos eram tantas, e sem um critério de julgamento sobre os seus impactos, que refletia gravemente no processo de comunicação da informação alterada e consequentemente na falha de tomada de decisão dos diversos setores da empresa. Então, o que fizemos foi obrigar que toda mudança técnica solicitada teria que ser fundamentada (com gráficos, tabelas, desenhos, especificações e justificativas persuasivas inclusive analisando o impacto técnico e econômico em todas as áreas da empresa e fora dela no cliente). Conclusão: por um “milagre” o problema sumiu. E eu e meu chefe recebemos menção honrosa através de uma carta enviada pelo Diretor Técnico para todos os Departamentos da empresa (de quase dois mil funcionários!). A informação desestruturada (ou não comunicada) é tão danosa quanto a total desinformação!
Hoje, vejo o mesmo problema, porém num outro contexto: produção acadêmica da Universidade Regional do Cariri – URCA. A produção acadêmica é também um problema de visão e organização da Produção! Pois, todo processo de produção, aprendi na prática nas várias empresas pelas quais atuei, depende essencialmente de um processo e hierarquia: ESTRATÉGIA/PROJETO – PLANEJAMENTO – ORGANIZAÇÃO/COORDENAÇÃO – PROGRAMAÇÃO – AÇÃO/COMUNICAÇÃO-DA-AÇÃO. Esse esquema deve ser alimentado, realimentado e atualizado continuamente por um sistema de normalização, informação e comunicação eficaz e eficiente. O que acontece hoje na URCA, acontecia na outrora (e saudosa !) ELEBRA. Os Departamentos Acadêmicos atuam com “liberdade” de forma semelhante aos Departamentos que atuavam naquela grande empresa. E se não há (ou ela não opera de forma eficiente) uma filosofia de administração das mudanças acadêmicas na universidade, com certeza todos pagarão o preço da desorganização. Vamos a um exemplo simples. Imagine hipoteticamente (mas que de fato ocorre!) que um Departamento da URCA decida, sem consultar (e discutir os impactos) a ninguém, retirar da matriz (ou grade) curricular as disciplinas de Metodologia da Pesquisa, Ética, Sociologia e Filosofia por achar que o seu curso não precisa oferecer essa formação científica e humana a seus discentes. Que impacto causará? É claro, que os Departamentos que ofertavam essas disciplinas terão que realocar seus professores para outros Departamentos ou então oferecer a eles disciplinas que não estavam muito bem preparados, ou na pior das hipóteses deixá-los abaixo de suas cargas horárias mínimas. Assim, toda uma estratégia política pedagógica pode ir por água abaixo! E quando a Pró-Reitoria de Ensino vier analisar a carga horária de cada um dos professores daqueles Departamentos afetados chegará a “brilhante” conclusão que aqueles Departamentos em questão estão com vários professores “ociosos”. Então, o que precisa ser feito? A Universidade não deve se comportar como uma empresa capitalista, mas ninguém pode descartar ou ignorar (o que é pior!) os princípios da administração moderna das empresas. A URCA precisa adotar medidas urgentes de administração moderna para acompanhar o mundo veloz da informação e das mudanças hipervelozes da realidade contemporânea, senão se tornará um centro de excelência acadêmico-ideológico fossilizado.
Obs.: Não basta apenas arranjar ou caçar culpados – precisamos demonstrar que sabemos administrar e bem!
Prof. DSc. (COPPE/UFRJ) Bernardo Melgaço da Silva – (88) 9201-9234

quinta-feira, 8 de maio de 2008

A GÊNESE DO CONHECIMENTO E DO AMOR HUMANO


O ser humano ao longo da história sempre teve a curiosidade de saber sobre a origem da consciência e do conhecimento humano. Do esforço humano de querer saber mais e melhor - e responder as suas dúvidas ou incertezas - nasceram obras e criações que encantaram gerações. E todos os dias continuamos a nos surpreender com os relatos de pessoas simples e com as explicações complexas de teorias construídas por cientistas brilhantes. Então, nos perguntamos com a velha curiosidade dos nossos antepassados: de onde vem esse poder criador e revelador de leis, princípios e fenômenos em suas diversas e infinitas manifestações? Em que área do cérebro ou da consciência se processa a criatividade e a sensibilidade fina onde a beleza e a inteligência humana se destacam e nos deixam num estado de assombro, encantamento e mistério? Entendo que não existe uma área ou lugar específico, mas um PROCESSO DIALÉTICO natural-existencial nas profundezas da consciência humana. É, portanto, nesse processo dialético sutil que a mente humana se conecta ou se re-liga (religare) para sintonizar e captar de uma esfera transcendente as leis e os princípios do mundo imanente. Em outras palavras, é no fundo da consciência no limite entre o físico e o metafísico que se dá o processo dialético-existencial. “Penso 99 vezes e nada descubro. Mergulho em profundo silêncio. E eis que a verdade me é revelada” - Einstein. E como muito bem afirmou Albert Einstein, a verdade é um processo de revelação. E também como ele mesmo chegou afirmar essa revelação acontece através de um “salto” de consciência. Esse “salto” de consciência é semelhante ao salto quântico da partícula no processo de formação da luz. E é interessante esse processo porque os cientistas que estudam o comportamento do cérebro humano já perceberam que áreas do cérebro acendem (se iluminam) quando se está num processo de reflexão.
A fronteira entre a dimensão física e a dimensão metafísica da consciência é semelhante a existente entre as dimensões da matéria e da anti-matéria. É como se houvesse um mundo paralelo ao da consciência comum onde pudéssemos atravessar e visitar assim que desejarmos e soubermos (é o que eu sinto em mim!). Na dimensão “física” da consciência somos seres imanentes, racionais, concretos, culturais, sociais, temporais - meio homem e meio animal - é o estado Eu-Isso na linguagem buberiana! Na dimensão “metafísica” da consciência somos seres transcendentes, intuitivos, sutis, cósmicos, a-temporais – meio homem e meio divino – é o Estado Eu-Tu na linguagem buberiana! E não é por acaso que em várias culturas e épocas a natureza humana foi representada por estátuas ou símbolos que caracterizavam esses dois estados: homem-animal, homem-divindade. Os santos da igreja católica representam essa dimensão e poder transcendente: homem-divindade. As esfinges no Egito antigo representavam essa dimensão e poder imanente: homem-animal. E na Grécia antiga os relatos míticos misturam a dimensão racional (humana-instintiva) com a dimensão irracional (divina-amorosa).
A luta feroz pela manutenção da consciência material insere o homem na sua dimensão “física” e o faz abandonar a sua dimensão “metafísica” num processo de exclusão ou “negação” da sua própria consciência superior transcendente. Nesse sentido, a nossa identidade se realiza na dimensão que nos incluímos consciente ou inconscientemente. O produto dessa inclusão é a evolução de cada um e ao mesmo tempo dos grupos sociais. Pois, a evolução se dá no grau de inclusão e experiência individual e coletivo que realizamos em quaisquer das duas dimensões. Seremos extremamente racionais e pragmáticos se escolhermos e nos incluirmos nas experiências “físicas”, ou seja, objetivas, históricas, sociais, funcionais e fragmentadas. E seremos extremamente intuitivos e sensíveis se escolhermos e nos incluirmos nas experiências vividas “metafísicas”, ou seja, subjetivas, a-históricas, cósmicas, compreensíveis e holísticas. A primeira corresponde ao que chamamos de experiências do CONHECIMENTO DA REALIDADE MATERIAL (humana-animal-mineral-vegetal), e a segunda corresponde ao que chamamos de vivências do AUTOCONHECIMENTO DA REALIDADE ESPIRITUAL (humana-divina). Historiadores descobriram que existiram em várias partes do planeta, culturas (p.ex.: TEOTIHUACAN no México) muito antigas que concebiam a realidade em pelo menos três mundos-dimensões: inframundos (realidade da fertilidade e dos mortos), mundo humano (realidade social) e o mundo celestial (realidade dos deuses). O teólogo brasileiro Leonardo Boff utiliza a imagem da árvore para representar as três dimensões dos mundos-realidades: a raiz (plano do corpo físico imanente), o tronco (plano da psique) e a copa (plano espiritual transcendente). O saber completo se realiza nessa inclusão e experiência-vivência desses três planos. Então, cada um DECIDE a sua própria re-evolução na inclusão e escolha consciente ou inconsciente (induzida) para realização das transformações, experiências e vivências necessárias!
Prof. Bernardo Melgaço da Silva – bernardomelgaco@hotmail.com - Núcleo de Estudos sobre Ciência, Espiritualidade e Filosofia – NECEF - URCA (http://www.urca.br/)

sábado, 3 de maio de 2008

A CIÊNCIA-PRIMEIRA

A ciência em toda a sua história foi uma atividade humana em busca de respostas e revelações sobre a realidade em seus diversos contextos, níveis e dimensões. Historicamente a ciência buscou responder o enigma da ordem, da causa e da origem de tudo. A realidade sempre se revelou ao homem insatisfeito e inquiridor, mas também guardou segredos tornando a busca humana sempre incompleta e indefinida. A ciência avança em cada descoberta, mas sempre se depara com o silêncio cósmico como se fosse uma falha natural e proposital colocada pela realidade em sua eterna manifestação de princípios e leis naturais. As ciências surgiram com o esforço espetacular da mente humana em querer compreender esse silêncio nas diversas facetas da realidade aparente e ao mesmo tempo invisível e transcendente. Hoje, temos vários tipos de ciência tais como as naturais, humanas, formais e sociais dentre tantas outras. As falhas foram sempre preenchidas com as críticas científicas, mas apesar disso a realidade continuou incessantemente criando inúmeras outras falhas provocando novas críticas num eterno movimento entre buracos e espaços preenchidos nos tempos vividos pela consciência humana. Nesse sentido, o diálogo nunca cessará entre a ciência e a realidade.
Hoje, empregamos no campo científico uma nova abordagem para dialogar com a realidade. E essa nova abordagem nasceu da necessidade humana em querer saber mais a respeito da estrutura sutil da matéria. No final do século XIX e início do século XX as mentes brilhantes de vários cientistas daquela época abriram uma porta da percepção que permitiu a ciência ver mundos jamais vistos pela mente e os sentidos humanos. A ciência rompeu com barreiras conceituais e ideológicas impregnadas nas teorias cartesianas e newtonianas e assim transcendeu a percepção e construção racional da ciência desse período histórico de sucesso. Uma nova linguagem, atitude e visão de realidade surgiu decorrente do salto qualitativo dado pela ciência a partir do final do século XIX. Mas, apesar desse salto qualitativo a ciência não percebeu que precisava desenvolver uma outra ciência paralela. A outra ciência paralela é a ciência de si ou a ciência-primeira: a ciência da ciência ou a metaciência.
Tudo indica, entretanto, que nesse século XXI a física quântica se aproximará das bases conceituais e metodológicas da ciência-primeira. Acredito que pelo fato da física quântica ter penetrado nos domínios da matéria sutil e ter-se defrontado com níveis de energia em diversos estratos da realidade microcósmica - e também pelo fato de alguns cientistas já terem percebido que o que chamamos de “consciência” é energia pura manifestada em decorrência das potencialidades humanas naturais intrínsecas - teremos num futuro muito próximo a compreensão definitiva de que a energia humana é parte indissociável da energia cósmica criadora presente no universo.
Em outras palavras, a ciência do futuro será aquela que unirá ciência e espiritualidade em prol da unidade e do equilíbrio ético-ecológico. Isto implica dizer que chegaremos definitivamente a percepção de que nossos valores éticos contribuem significativamente no diálogo profundo com a natureza e na formatação do mundo que criamos. Em síntese, a ciência do futuro constatará definitivamente que consciência é energia criadora e vice-versa, ou seja, que energia é também consciência criadora. Por isso, que a responsabilidade de todos – mesmo! - no “controle de qualidade” (aperfeiçoamento) dos pensamentos e sentimentos será vital para a preservação do planeta e da vida sustentável nele. Pois, se gerarmos pensamentos (ou visões de mundo) infundados (as) e estreitos (as) o mundo será conseqüência direta do que criamos nesse domínio sutil da consciência-energia: dor ou Amor, escuridão ou luz.
Prof. Bernardo Melgaço da Silva – bernardomelgaco@hotmail.com

sexta-feira, 2 de maio de 2008

A INSUSTENTÁVEL TRAJETÓRIA DO EGO

Muito tem se falado da condição instável da vida humana. A cada dia que se passa sentimos que caminhamos por trilhas de sofrimento, ilusão, violência e ignorância. Num mundo onde a roupa vale mais do que o corpo, e o corpo mais do que Espírito, o que poderemos esperar num futuro próximo? E quantos se enganam pensando estarem certos? O que vale mais: o poder do ouro ou o poder do caráter? Olhamos a nossa volta e encontramos uma vida planejada, mas desequilibrada; uma vida calculada, mas insensível; uma vida de luxúria, mas cercada por imensos oceanos de pobreza; uma vida cheia de setas psicológicas e ideológicas, mas sem sentido verdadeiro. O pequeno cone de percepção da vida utilitária não consegue mostrar a imensidão da vida multidimensional, interdependente e conectada com o cosmos em tudo e em todos. Busca-se poder sem perceber que nenhum poder material salva o homem da ignorância de se afastar do verdadeiro poder superior que transcende a conquista efêmera - – apenas psicológica! - do mundo externo material.
Quantas vezes intui o quanto acertei e fui atendido – em agosto de 1988 - ao pedir a Deus em oração uma vida e caminho sem poder material pragmático. Olho agora a minha volta e me certifico do mundo selvagem que vem se manifestando no campo das relações humanas. A luta pela sobrevivência apaga a memória espiritual de que somos seres transcendentes criadores de realidades. E que podemos escolher a realidade que assim desejarmos viver e trilhar rumo ao infinito da perfeição. E quase todos são envolvidos pelo véu do esquecimento de suas origens. Pois, raros são aqueles que se lembram de suas origens e identidades ontológicas – cósmicas! As ideologias que praticam obscurecem o mundo dos valores. As ciências que conhecem acabam desconhecendo a natureza da sua essência criadora. As religiões que seguem contemplam um deus limitado pelo raio de ação de suas razões sem Amor incondicional.
Mas, a natureza criadora é sábia e fará tudo para retornar ao eixo e ao centro da evolução e unidade cósmica. Aqueles que se acham superiores cairão em desgraças simplesmente pelo fato de não perceberem que na trajetória e força das leis criadoras não existe diferença entre bem e mal, céu e terra, macrocosmo e microcosmo, física e metafísica. Só existe complementariedade na identidade profunda em cada existência criada! A vida é renovação constante das forças complementares que agem na origem da criação-consciência. A morte não existe para quem já morreu um dia em vida. Isto porque, recebeu da natureza a vivência da experiência renovadora da criação. E a este fenômeno divino denomino TRANSCENDÊNCIA DO PODER CRIADOR. Em outras palavras, não existe um fim, mas recomeço e renovação, uma espécie de salto quântico evolucionário da existência.
Pobres daqueles que clamam por revolução fora da consciência de si mesmo! Estão cegos tentando conduzir milhares ou milhões de cegos como eles. Sinto compaixão por não poder agir num contexto onde é garantido o direito de experimentar e escolher, podendo-se como conseqüência – mesmo inconsciente! - amar ou sofrer, destruir o outro ou se autodestruir.
Assim, quem vê o outro como inimigo não sabe o que vê e muito menos sabe ser e perceber a sua imagem refletida na construção e criação psicológica do outro. Somos CRIADORES , inclusive e principalmente de imagens e falsas identidades. O que criamos pode ser tão profundo e belo guiado pelo poder do Amor, quanto pode ser tão superficial e feio guiado pelo poder do terror. Esses são os dois extremos criadores possíveis de serem experimentados e vivenciados por cada um de nós. Somos verdadeiramente heróis ou santos quando nos salvamos dando (morrendo para) a vida que criamos egoisticamente.
Portanto – VOCÊ MESMO DECIDE, SALVA E CRIA O SEU PRÓPRIO DESTINO!
Prof. Bernardo Melgaço da Silva e-mail: bernardomelgaco@hotmail.com