Considerado um importante cientista da atualidade ele tem instigado os meios acadêmicos com sua busca de uma ponte entre a ciência e a espiritualidade. Amit Goswami vive nos Estados Unidos. É PHD em física quântica e professor titular de física da Universidade de Oregon. Há mais de quinze anos está envolvido em estudos que buscam construir o ponto de união entre a física quântica e a espiritualidade. Já foi rotulado de místico, pela comunidade científica, e acabou acalmando os críticos através de várias publicações técnicas a respeito de suas idéias. Em seu livro O UNIVERSO AUTOCONSCIENTE - publicado no Brasil - ele procura demonstrar que o Universo é matematicamente inconsistente sem a existência de um conjunto superior - no caso, DEUS. E diz que, se esses estudos se desenvolverem, logo no início do terceiro milênio Deus será objeto de ciência e não mais de religião.
A bancada de entrevistadores será formada por Mário Sérgio Cortella, filósofo e dir.em educação, prof. do Depto. Teologia e ciências religião da Puc SP; Cláudio Renato Weber Abramo, jornalista e mestre em filosofia da ciência; Pierre Weil, educador e reitor da Universidade Holísitica Internacional de Brasília; Rose Marie Muraro, escritora e editora; Leonor Lia Beatriz Diskin Pawlowicz, jornalista e Pres.da Assoc. Palas Athena; Joel Sales Giglio, psiquiatra, ex chefe do Depto.de Psic. Médica e psquiatria da Unicamp, analista junguiano da Assoc. Junguiana do Brasil e membro da International Assossiation for Analitical Psychology; Carlos Ziller Camenietzki, físico, dr. em filosofia e pesquisador do Museu de Astronomia do Min. da Ciência e Tecnologia.
Heródoto Barbeiro: Dr. Amit Goswami, Boa Noite. Inicialmente eu gostaria que o senhor dissesse aos telespectadores da TV Cultura, que ao longo do século XX os cientistas estiveram ligados muito mais ao materialismo do que à religiosidade. A impressão que eu tenho é que nessa virada para o século XXI, essas coisas estão mudando. O senhor poderia nos explicar o porque dessa aproximação entre a ciência e a espiritualidade?
Amit Goswami: Com prazer. Esta mudança da ciência, de uma visão materialista para uma visão espiritualista, foi quase totalmente devida ao advento da Física Quântica. Ao mesmo tempo, houve algumas mudanças em Psicologia transpessoal, em Biologia evolucionista, e em medicina. Mas acho que é correto dizer que a revolução que a Física Quântica causou na Física, na virada do século, seria baseada nessas transições contínuas, não apenas movimento contínuo, mas também descontínuo. Não localidade. Não apenas transferência local de informações, mas transferência não-local de informações. E, finalmente, o conceito de causalidade descendente. É um conceito interessante, pois os físicos sempre acreditaram que a causalidade subia a partir da base: partículas elementares, átomos, para moléculas, para células, para cérebro. E o cérebro é tudo. O cérebro nos dá consciência, inteligência, todas essas coisas. Mas descobrimos, na Física Quântica que a consciência é necessária, o observador é necessário. É o observador que converte as ondas de possibilidades, os objetos quânticos, em eventos e objetos reais. Essa idéia de que a consciência é um produto do cérebro nos cria paradoxos. Em vez disso, cresceu a idéia de que é a consciência que também é causal. Assim, cresceu a idéia da causalidade descendente. Eu diria que a revolução que a Física Quântica trouxe, com três conceitos revolucionários, movimento descontínuo, interconectividade não-localizada e, finalmente, somando-se ao conceito de causalidade ascendente da ciência newtoniana normal, o conceito de causalidade descendente, a consciência escolhendo entre as possibilidades, o evento real. Esses são os três conceitos revolucionários. Então, se houver causalidade descendente, se pudermos identificar essa causalidade descendente como algo que está acima da visão materialista do mundo, então Deus tem um ponto de entrada. Agora sabemos como Deus, se quiser, a consciência, interage com o mundo: através da escolha das possibilidades quânticas.
Rose Marie Muraro: O que mais me espanta na Física é o problema da medição quântica de Heisemberg, que voce, realmente, acha que deve ter um observador olhando e que modifica a realidade, por exemplo, transforma a onda em partícula. Eu gostaria de saber... isso aí houve uma grande briga de Einstein com Niels Bohr. Eu gostaria de saber, em escala cósmica, onde não há observadores, se há um observador supremo, na sua opinião, e se ele cria matéria ou como se faz esse fenômeno?
Amit Goswami: Essa é a questão fundamental, Rose Marie, porque.. qual é o papel do observador? É a pergunta que abre a integração entre Física e espiritualidade. Na Física Quântica, por sete décadas, tentou-se negar o observador. De alguma forma, achava-se que a Física deveria ser objetiva. Se dessem um papel ao observador, a Física não seria mais objetiva. A famosa disputa entre Böhr e Einstein, a que se refere essa disputa, basicamente, sempre terminava com Bohr ganhando a discussão, mostrando que não há fenômeno no mundo a menos que ele seja registrado. Bohr não usou a consciência.. mas atualmente, vem crescendo o consenso, muito lentamente, de que a Física Quântica não está completa, a menos que concordemos que nenhum fenômeno é um fenômeno, a menos que seja registrado por um observador, na consciência de um observador. E isso se tornou a base da nova ciência. É a ciência que, aos poucos, mas com certeza, vem integrando os conceitos científicos e espirituais.
Cláudio Abramo: Em sua fala inicial, o senhor mencionou, deu como fato, que teria crescido a idéia de que haveria uma causalidade no sentido inverso àqueles do tradicional que se considera, e daí saltou para a afirmação de que isso abriria a porta para a entrada de Deus. A minha pergunta se divide em duas. Em primeiro lugar, essa idéia cresceu aonde? Quem, além do senhor, defende esse tipo de visão de mundo? E... dois, o porque Deus entrou aí nessa equação?
Amit Goswami: Na Física Quântica há um movimento contínuo. A Física Quântica prevê isso. Não há dúvida que a Matemática Quântica é muito capaz, muito competente, e ela prevê o desenvolvimento de ondas de possibilidades, a matéria é retratada como ondas de possibilidades. O modo como elas se espalham é totalmente previsto pela Física Quântica. Mas agora temos probabilidades de possibilidades. Nenhum evento real é previsto pela Física Quântica. Para conectar a Física Quântica a observações reais, embora não vejamos possibilidades e probabilidades, na verdade vemos realidades. Esse é o problema das medições quânticas. E luta-se com esse problema há décadas, como eu já disse, mas nenhuma solução materialista, uma solução mantida dentro da primazia da matéria foi bem sucedida. Por outro lado, se considerarmos que é a consciência que escolhe entre as possibilidades, teremos uma resposta, mas a resposta não é matemática. Teremos de sair da matemática. Não existe Matemática Quântica para este evento de mudança de possibilidades em eventos reais, que os físicos chamam de 'colapso da onda de possibilidade em realidade'. É essa descontinuidade do colapso que nos obriga a buscar uma resposta fora da Física. O que é interessante é que se postularmos que a consciência, o observador, causa o colapso da onda de possibilidades, escolhendo a realidade que está ocorrendo, podemos fazer a pergunta: qual é a natureza da consciência? E encontraremos uma resposta surpreendente. Essa consciência que escolhe e causa o colapso da onda de possibilidades não é a consciência individual do observador. Em vez disso, é uma consciência cósmica. O observador não causa o colapso em um estado de consciência normal, mas em um estado de consciência anormal, no qual ele é parte da consciência cósmica. Isso é muito interessante. O que é a consciência cósmica diante do conceito de Deus, do qual os místicos e teólogos falam?
Mário Cortella: Uma questão para o doutor Amit que é a seguinte: o senhor é originado de uma cultura, que é a cultura da Índia, onde o hinduísmo, como religião, tem uma profusão de deuses ou de divindades, ou de deidades. Alguns chegam a falar em 300 milhões de deidades dentro da religião hindu. De outro lado, seu pai foi um guru brâmane, o senhor tem um irmão que é filósofo. Esta mescla de situações induziu no senhor uma compreensão em relação a um ponto de chegada, na religião, partindo da Física, ou o senhor já partiu da religião e, por isso, chegou até a Física e supõe que a Física Quântica é uma das formas de praticar teologia?
Amit Goswami: Obrigado pela pergunta, porque costumam me perguntar se minha formação como indiano hindu afeta o modo como pratico a Física. Na verdade, fui materialista por um bom tempo. Fui físico materialista dos 14 anos de idade até cerca de 45 anos. O materialismo foi importante para mim. Eu trabalhei com ele, filosofei nele, cresci nele. Eu obtive sucesso em Física dentro da Física materialista. Mas quando comecei a trabalhar no problema da medição quântica, eu realmente tentei resolvê-lo dentro do materialismo. Enquanto todos nós trabalhávamos, falei com muitos físicos que trabalhavam no problema (este é o problema mais estudado da Física, um dos mais estudados). E todos tentávamos resolver este paradoxo: se a consciência é um fenômeno cerebral, obedece à Física Quântica, como a observação consciente de um evento pode causar o colapso da onda de possibilidades levando ao evento real que estamos vendo? A consciência em si é uma possibilidade. Possibilidade não pode causar um colapso na possibilidade. Assim, eu tive de abandonar esse pensamento materialista. Embora fosse interessante, em minha vida pessoal eu sentia necessidade de mudar. Alguns consideraram uma transição de meia-idade, e os dois problemas, crescimento na vida pessoal e o problema da medição quântica, se confundiram, e eu comecei a ver a consciência não apenas como um problema físico, mas também como um problema pessoal. O que é que deixa alguém feliz? Qual é a natureza da consciência, da qual as pessoas falam quando se pensa além do materialismo? Então, comecei a meditar e a me aproximar de alguns místicos, e isso ajudou. E um dia, quando falava com um místico, e ele me dava a tradicional visão mística do mundo, que eu já ouvira muitas vezes antes, mas, de algum modo, essa conversa causou uma nova impressão em mim. Eu pude ver, eu realmente vi além do pensamento, tive a percepção de que a consciência é a base do ser, e essa percepção soluciona o problema da medição quântica. Não só isso: pode ser usada como base para a ciência. Normalmente, os cientistas presumem que a ciência deve ser objetiva, etc, mas eu vi, naquele momento, que a ciência deve ser objetiva até um certo ponto. Eu chamo de objetividade fraca, mas isso pode ser alcançado nessa nova Metafísica. Consciência é a base de todos os seres. Então, para mim, foi o contrário, eu fui da Física para a espiritualidade, sob o aspecto da Física. Porque minha formação espiritual, embora em retrospecto, eu possa dizer que foi saudável, deve ter sido, como Freud diria, no subconsciente. Mas conscientemente foi o oposto. Eu vim de uma questão muito inquietante, de como resolver um problema físico, um problema do mundo, pois esse é o problema mais importante do século XX. E a partir disso, esse salto conceitual, esse salto quântico perceptivo me fez reconhecer que o modo como espiritualistas vêem a consciência é o modo certo de ver a consciência. E esse modo de ver a consciência resolve o problema da medição quântica. Ele nos dá a base para uma nova ciência.
Carlos Ziller: Eu gostaria de fazer uma pergunta, dando um passo mais atrás no sentido da própria Física clássica. Porque nós sabemos, hoje em dia, que os fundadores da Física clássica, Newton, Déscartes e outros grandes cientistas do século XVII, para eles, para os projetos científicos que propunham, Deus era uma parte constitutiva inseparável do mundo que eles imaginavam, seja como sendo quem garantia a eficácia, eficiência, o funcionamento das leis do mundo, seja como alguém que operava os próprios fenômenos naturais. Bom, isso foi sendo afastado, expulso do mundo da ciência ao longo do século XVIII, século XIX, ou século XX, talvez, até os anos 50 tenha sido o ápice dessa questão, os cientistas, os físicos, sobretudo, não gostavam totalmente nada de falar sobre esse assunto. Deus era um problema. Talvez o seu estudo e a sua reflexão esteja tentando recolocar no seu próprio lugar, pelo menos foi assim que eu interpretei, algumas idéias do próprio século XVII, dos fundadores da ciência moderna. Eu gostaria de saber se essa aproximação do Deus do Newton, o que garantia que as leis naturais funcionavam, se esse Deus tem algum paralelo com a consciência, supra-consciência que o senhor propõe como sendo o princípio a partir do qual os fenômenos do mundo, a realidade estaria constituída?
Amit Goswami: É uma pergunta muito boa. Os conceitos da Física clássica, no início, não separavam Deus, como disse, mas então, aos poucos, descobriu-se que Deus não era necessário. Depois que Deus estabeleceu o movimento do mundo, ele passou a ser guardião de seu jardim, e isso é o que a maioria dos físicos clássicos pode fazer. Mas na Física Quântica, há o problema da medição. Como as possibilidades tornam-se eventos reais, temos espaço para uma consciência, e ela deve ser uma consciência cósmica. Há uma semelhança com o modo como Deus é retratado, pelo menos na subespiritualidade tradicional, não na mente popular. A mente popular considera Deus um imperador, um super-humano sentado no céu. Essa imagem de Deus não é científica, e espero que esteja claro que não estamos falando em Deus dessa forma, mas Deus nessa consciência mais cósmica, nessa forma mais estrutural. Esse tipo de Deus está retornando porque, se voce se recorda, o debate entre teólogos e cientistas sempre foi: Deus é o guardião ou Deus intervém? Teólogos afirmam que Deus intervém nos seres biológicos. E então surgiu Darwin. Foi um grande golpe nos teólogos, porque antes, apesar de Newton, os teólogos podiam citar o exemplo da Biologia, cujo propósito é muito óbvio, pelo menos, óbvio para a maioria. Mas a teoria de Darwin foi um golpe porque se dizia que a evolução ocorria... mas ela era natural? Darwin disse que ela era natural. Oportunidade e necessidade. Não há necessidade de Deus na evolução e não há necessidade de Deus na biologia. Então, no século XX, surgiu o behaviorismo e a idéia de que temos livre-arbítrio subjetivo. Essa idéia também foi superada, porque experimentos mostraram que somos muito condicionados, não há livre-arbítrio. Contra tudo isso, vejam só, a Física Quântica também cresceu ao mesmo tempo que o behaviorismo, e a Física Quântica tem uma coisa peculiar: o princípio da incerteza. O mundo não está determinado como imaginamos. Deus não é o guardião. O princípio da incerteza levou à onda de possibilidades, depois o colapso da onda de possibilidades para a introdução da idéia do colapso da consciência. Paradoxalmente, fomos criados contra essa idéia, mas nos anos 90, eu, Henry Stab, Fred Allan Wolf, Nick Herbert, todos mostramos que esse paradoxo pode ser resolvido. Não há paradoxo se presumirmos que a consciência que causa o colapso da onda de possibilidades em eventos reais é uma consciência cósmica. E o evento do colapso em si nos dá a separação matéria-objeto do mundo. Assim, não só resolvemos o problema da medição quântica como também demos uma nova resposta de como a consciência de um torna-se várias. Como ela se divide em matérias e objetos, para poder ver a si mesma. E essa idéia de que o mundo é um jogo da consciência, um jogo de Deus, que é uma idéia muito mística, voltou à tona. Então, podemos voltar à biologia. Deus intervém na biologia? Deus intervém na vida das pessoas? Essas perguntas continuam tendo respostas muito positivas. Vi, em um jornal sobre Biologia evolucionista, que há muitos furos conhecidos na teoria darwiniana. Esses furos são chamados sinais de pontuação. A teoria da evolução de Darwin explica alguns estágios homeostáticos da evolução, ou seja, como as espécies adaptam-se a mudanças ambientais. Mas não explica como uma espécie torna-se outra. Essa especiação, mudança de uma espécie em outra, é uma nova mudança na evolução, não está na teoria de Darwin. Experimentalmente, isso é demonstrado em lacunas de fósseis. Não temos uma continuidade de fósseis mostrando como um réptil tornou-se um pássaro. A idéia é que sejam sinais de pontuação, estágios muito rápidos de evolução. Eu sugiro que isto seja um salto quântico, um salto quântico na evolução. Nesse salto quântico, a consciência interveio, não de um modo subjetivo, de um modo caprichoso, mas de um modo muito objetivo.. muito objetivo, e essas idéias objetivas ficam claras com o trabalho de Rupert Sheldrake e outros, o modo como isso pode ser objetivo. Mas, sem dúvida alguma, há uma intervenção da causalidade descendente. Não se pode explicar a Biologia evolucionista só com a causalidade ascendente. Essa é a coisa mais interessante, a partir do pensamento original dos físicos de que Deus deve ser o guardião, pois tudo pode ser explicado e tudo é determinado, que não precisamos de Deus. Agora, estamos fechando o círculo, e vemos que não só precisamos de Deus: há movimentos descontínuos no mundo para os quais não existe explicação matemática ou lógica. Ainda assim, é totalmente objetivo, não é arbitrário. Deus age de forma objetiva, bem definida. A consciência cósmica não é subjetiva, não é a consciência individual que afeta o mundo. Isso ocorre de forma cósmica, podemos discutir objetivamente. A ciência detém seu poder, sua objetividade e, ainda assim, temos agora a descontinuidade, temos a interconectividade e podemos falar sobre vários assuntos dos quais os místicos tradicionalmente falam.
Pierre Weil: Durante essa discussão eu me coloquei como educador do ponto de vista do telespectador, e estou um pouco com medo de que alguns já desligaram o aparelho diante do alto nível científico do debate, que é necessário e indispensável. Eu queria ressaltar a importância da sua presença aqui em termos mais simples. Para o telespectador... tem telespectadores que acreditam em Deus, acreditam em espiritualidade e tem outros que não acreditam em Deus, não acreditam... são os materialistas versus os espiritualistas. Entre os dois têm os que não sabem ou os que nem se interessem para isto. Nestas três categorias, a sua presença aqui tem uma importância muito grande. Ela tem uma importância porque nesse século que passou, nós estivemos assistindo a três grandes movimentos: o primeiro movimento, em que muitos espiritualistas, muitas pessoas que acreditavam em Deus, abalados pelas "provas", pelas evidências da ciência, largaram a religião e só acreditaram na matéria. E nisso foram até muitos sacerdotes de várias religiões. Largaram a batina, largaram a sua fé e se transformaram em protagonistas do materialismo. Estamos assistindo, atualmente, a um movimento contrário. Eu tenho, por exemplo, dois amigos meus. Um, Matew, grande biólogo francês, largou a biologia e hoje ele é monge budista tibetano. O outro era astrofísico, colega seu, largou a astrofísica e hoje ele é rabino. Então estamos assistindo a um movimento contrário. A sua presença aqui apresenta uma terceira saída, e que me parece a mais conveniente e a mais razoável, a mais holística, que é a minha também. A sua, como Física Quântica, fez com que, vindo do materialismo, não caísse no extremo do espiritualismo, mas integrou os dois. Eu fiz isso também como psicólogo, através da psicologia transpessoal... o senhor através da Física Quântica, eu, através da Psicologia Transpessoal... e nos encontramos muito bem e nos abraçamos o tempo todo. A minha pergunta é uma pergunta pessoal: poderia contar para os telespectadores, em termos mais simples, o que fez com que Amit Goswami ficasse no meio do caminho e fizesse um encontro dentro dele, da razão da Física, da razão materialista, e do outro lado, da Intuição? Falou nos seus amigos místicos, mas pela minha experiência eu sei que a segurança pela qual eu falo, não é apenas racional, ela é baseada numa experiência chamada interior, chamada subjetiva, chame como quiser, de luz, e de saber mais ou menos como que é esse mundo espiritual. Qual é a sua experiência que fez com que unisse, na sua pessoa, o lado masculino, racional, e o lado feminino, intuitivo, sentimental? O que aconteceu com a sua pessoa? Eu acho que isso nos vai reconciliar com os telespectadores.
Amit Goswami: Sim, obrigado. Esta é a questão fundamental. Às vezes, eu digo que todos nós, todas as pessoas, espectadores, cientistas, o orador, todos aqui, todos nós temos dois lados. Um é semelhante a Newton, que quer entender tudo em termos de objetividades, ciências e matemática, e o outro é William Blake, que é místico e ouve diretamente, intuitivamente, e desenvolve seu retrato do mundo baseado nessa percepção intuitiva. O que ocorre nessa integração, o que ocorreu por um tempo, mesmo antes de essa integração começar, é que começamos a entender a natureza da criatividade. E a falsa idéia de que cientistas só trabalham com idéias racionais e matemáticas, está, aos poucos, caindo. Einstein disse isso muito claramente: "Não descobri a Teoria da Relatividade apenas com o pensamento racional". As pessoas não levam a sério tais declarações. Mas Einstein falou sério. Ele sabia que a criatividade era importante. Agora, quase cem anos de pesquisas sobre criatividade estão mostrando que os cientistas também dependem da intuição. Eles também dependem de visões criativas para desenvolver sua ciência. Nem tudo é racional, matemático; nem tudo é pensamento racional. Voce perguntou sobre minha experiência pessoal. Eu já compartilhei a experiência fundamental pessoal que tive quando troquei... nem devo dizer que troquei, eu tive uma percepção. Não posso descrevê-la em termos de espaço-tempo. Eu estava fora do espaço-tempo, experimentando diretamente a consciência como a base do ser. É esse tipo de experiência que dá a base para ficarmos convencidos, para termos certeza de que a realidade é algo mais do que o espaço-tempo no mundo em movimento faz parecer. Este é o escopo fundamental para o ponto de encontro dos cientistas e espiritualistas. Porque os espiritualistas ouviram esse chamado, essa intuição, muito antes. Os cientistas também a ouviram. Mas por eles sempre expressarem suas percepções em termos de lógica, em termos de razão, isso ocorre mais tarde. Eles esquecem a origem de seu trabalho, a origem de sua percepção. Já para os espiritualistas, a percepção leva à transformação do modo de vida. Assim, eles nunca esquecem que foi a intuição que trouxe a felicidade, foi ela que os fez quem são. Essa é a diferença. Cientistas usam a intuição para desenvolver sistemas que estão fora deles, o que chamo de criatividade externa. E isso torna-se uma camuflagem dos verdadeiros mecanismos do mundo para eles. Enquanto espiritualistas mantêm-se com a percepção, mudam suas vidas, e incidentalmente, mudam o mundo externo. Mas eles sabem que aquela percepção que tiveram é a coisa fundamental que gere o mundo. Para eles, a consciência é cósmica, isto é algo determinado. Para os cientistas, a mesma descoberta é possível, mas eles ignoram o chamado e prestam mais atenção ao que ocorre no cenário externo. Acho que, se todos nós compartilharmos isso, o mundo poderá mudar. Agradeço pela pergunta. Estou disposto a compartilhar: escrevi um livro sobre criatividade, no qual conto minhas histórias pessoais. Em todos os meus livros conto minhas histórias pessoais. É importante compartilharmos nossas histórias pessoais, e acabar com o mito de que os cientistas são apenas pensadores racionais. Eles também têm percepções que vão muito além do pensamento racional.
Heródoto Barbeiro: Doutor Goswami, o senhor falou muito em Deus durante a primeira parte deste programa, e aqui no ocidente, quando se fala em Deus, se imagina que exista o seu contraponto. E aqui no ocidente se dá uma série de nomes a ele. Eu gostaria de saber como é que o senhor explica essa... se o senhor concebe a existência desse contraponto, dessas outras forças que não são necessariamente Deus.
Amit Goswami: Essa questão de Deus contra o Mal é interessante. Segundo a visão da Física Quântica, existem as forças da criatividade e as forças do condicionamento. Não falamos muito sobre isso, mas eu defendo a idéia que a Física Quântica nos dá, de que é a consciência cósmica que escolhe entre as possibilidades para trazer à realidade o evento real que ocorre. A questão é: então temos de entrar nesse estado incomum de consciência, no qual somos cósmicos, no qual escolhemos e, então... como entrar nessa consciência individual na qual somos uma pessoa? Na qual temos personalidade e caráter? Ao trabalharmos com a matemática disso, descobrimos que essa condição ocorre porque todas as nossas experiências aparecem após serem refletidas no espelho da nossa memória, muitas vezes. É essa memória que causa o condicionamento. Uma propensão a agir do modo como já agi antes. Uma propensão para responder a estímulos do modo como já respondi antes. Todas as pessoas sabem disso. Elas passam a manhã no cabeleireiro e o marido volta para casa e diz: "O que há para o almoço?", sem notar o novo penteado da esposa, o que é muito irritante, tenho certeza. Mas esse condicionamento é o que nos torna indivíduos. Então, a questão é que, na Física Quântica, vemos claramente o papel da consciência cósmica, que eu chamo de "ser quântico", no qual há criatividade, há forças criativas. E então perdemos essa criatividade, ficamos condicionados. E o condicionamento nos faz parecidos com máquinas. Assim, o mal maior que a nova ciência nos traz é o condicionamento. Pois é ele que nos faz esquecer a divindade que temos, o poder criativo que temos, a força criativa que realmente representa o que buscamos quando invocamos Deus. Mas isso também está incompleto. Essa questão pode ser estudada mais a fundo e há um escopo maior, trazendo idéias como emoções negativas e positivas. Assim, teremos uma exposição maior do Bem contra o Mal. Mas, de fato, a consciência cósmica inclui tudo. Esse é o conceito esotérico, não tanto exotérico, mas esotérico, por trás de todas as religiões, de que há apenas Deus, e que o Bem e o Mal são uma divisão, uma necessidade da criação, mas não é fundamental, ou seja, o diabo não é igual a Deus; o diabo é uma criação subsequente. É útil pensarmos em termos de Bem e Mal mas, às vezes, é preciso transcender isso, é preciso perceber que Deus é tudo. Esse é o cenário que a Física Quântica defende.
Joel Giglio: Doutro Amit, eu sou psiquiatra, analista Junguiano, formado pela Associação Junguiana do Brasil, e tenho muitas perguntas a fazer ao senhor. Mas em vista do tempo e dos objetivos desse programa, vou me centrar numa delas. Eu pensei muito, quando li seu livro, em questões que ainda são incógnitas à nossa prática psicoterápica. A questão do 'insight'... O 'insight' nós não sabemos, em psicoterapia, quando ele vai acontecer, como vai acontecer. Ele simplesmente aparece e quase que do nada, embora a gente intua que o 'insight' vá aparecer. A questão da criatividade... a questão da sincronicidade... mas eu gostaria de fazer uma questão sobre os arquétipos. O senhor menciona no seu livro, idéias de arquétipos de objetos mentais. Cita Platão e cita Jung, que é o criador da psicologia analítica, setor da psicologia onde eu me situo. A questão que tem me perturbado muito é: os arquétipos evoluem, embora eles estejam fora do eixo espaço-tempo? Alguns autores dizem que está havendo uma evolução dos arquétipos. Quem fala isso, por exemplo, é Sheldrake, que o senhor mencionou há pouco e que não é psicólogo, é biólogo, mas que tem uma visão diferente dentro do campo da biologia. Como é que a teoria da Física Quântica explicaria, supondo que os arquétipos evoluem, a evolução dos próprios pensamentos arquetípicos, por exemplo, a evolução do arquétipo de Deus, se é que ele está evoluindo ou não. Essa questão... e muitos outros arquétipos, nós supomos que estejam evoluindo sem anularem os arquétipos anteriores.
Amit Goswami: Obrigado pela pergunta. Sou um grande seguidor de Jung. Acho que Jung foi dos precursores da integração que está ocorrendo agora. Nos meus primeiros textos, eu citava muito a afirmação de Jung de que, um dia, a Física Nuclear e a Psicologia se unirão. E acho que Jung ficaria satisfeito com esta conversa e, em geral, com a integração da Física e da Psicologia transpessoal que vemos hoje. Isto posto, acredito no conceito de arquétipo de Jung, e acho que o modo como Jung o apresentou, e Platão o apresentou, de que são aspectos eternos da consciência, contextos eternos da consciência... a consciência tem um corpo contextual no qual os arquétipos são definidos e, então, eles governam o movimento do nosso pensamento. Acho que é um conceito muito poderoso. Mas, ao mesmo tempo, na Física Quântica, existe a idéia de que todos os corpos de consciência, tudo o que pertence à consciência, inconsciência, são possibilidades. E por causa disso, por tudo ser possibilidade, surge a questão: alguém pode ir além de arquétipos fixos e considerar arquétipos evolucionistas? Não se pode descartar o que Rupert tenta dizer. Houve uma idéia semelhante, de Brian Josephson, um físico que publicou um trabalho na Physical Review Letters, revista de grande prestígio, dizendo que as leis da Física podem estar evoluindo. Da mesma forma, outras pessoas, cientistas muito sérios, sugeriram que, talvez, forças gravitacionais mudem com o tempo. Essa idéia de arquétipos fixos é uma idéia muito importante. Eu a apóio totalmente. Mas também vejo que na Física Quântica há espaço para a evolução dos arquétipos. Não devemos descartar totalmente idéias que dizem que arquétipos evoluíram. Ainda seremos capazes de determinar isso experimentalmente. Obrigado pela pergunta.
Lia Diskin: O senhor manifesta certo interesse pelas questões éticas, grande parte do final de sua obra se dedica a essa questão. O senhor nos disse que há necessidade da participação da ambiguidade para dar garantias de criatividade no campo ético. Entretanto, no mesmo contexto, nos fala imediatamente das linhas e instruções éticas numa obra monumental da tradição indiana que se chama "Bhagavad Gitâ". E a "Bhagavad Gitâ" se inicia pelo pressuposto da instrução do mestre para um discípulo, de que ele deve agir, de que ele deve entrar no combate, que ele deve assumir sua parte de ação, porque pertence a uma casta, a uma tradição de guerreiros, em que há ação da própria. Como fica o livre-arbítrio, como fica a ambiguidade como necessidade da criatividade dentro de um contexto de que existe um pressuposto, obviamente não-ambíguo e não-escolhível, que não pôde escolher? O que fazer... mas se está cominado a fazer, está cominado a agir? Como será isso, Professor?
Amit Goswami: Acho que essa também é uma pergunta muito difícil, muito sutil. Realmente, se considerarmos a ética compulsória, não parece haver escolha. Mas a ética não é tão definida: é muito ambígua. Lembro de uma história que o grande filósofo Jean-Paul Sartre contava. Suponha que voce vá em uma expedição de natação, ou melhor, de barco, e o barco afunde. Voce está com um amigo, voce sabe nadar, mas ele não. Mas voce não é muito forte. Se tentar salvá-lo, os dois podem morrer. Voce tem uma boa chance de se salvar, mas ama seu amigo e seu dever ético com ele está muito claro. O que fazer? Casos assim mostram claramente que há ambiguidade mesmo em decisões éticas, em decisões morais. Na Física Quântica, é muito claro que devemos esperar, e esperar pela intuição, ver se há um salto quântico, uma resposta criativa como voce a chama, se uma resposta criativa irá surgir. E é essa resposta criativa que é a resposta correta para solucionar essa ambigüidade em questões éticas. Quando a moralidade ou a ética são apresentadas como um conjunto de regras, e as pessoas seguem essas regras, elas perdem essa parte ambígua e, por causa disso, as regras perdem o sentido. Passa a ser um conjunto de regras inútil, sem vida. Mas, se considerarmos a ética com vida, e reconhecermos que temos um papel a desempenhar em todas as situações éticas, temos um papel a desempenhar em termos de irmos para dentro de nós, como as pessoas criativas fazem, combatendo isso, combatendo a ambiguidade. Então, o salto quântico da percepção virá e vai-nos permitir tomar a ação correta. É nisso que a Física Quântica está nos ajudando, é nessa conclusão que ela está nos ajudando. E acho que Sartre também buscava essa resposta porque a ética fixa é uma coisa impossível de se seguir.
Cláudio Abramo: Eu vou, infelizmente, ter que me estender ligeiramente na minha pergunta. Ela é precedida de uma declaração... Vou fazer uma interpretação do que foi declarado até agora, que eu acho que deve ser útil para os telespectadores. Não estou fazendo isso para me expor, mas para esclarecer o que me parece ser algumas questões importantes nesse debate para o telespectador. O entrevistado faz menção a fenômenos inexplicados, a fenômenos desviantes, entre diversas disciplinas. Começa com a Física, passa pela Biologia, faz referência a problemas seculares com respeito à consciência humana, ao livre-arbítrio, ao modo como raciocinamos, ao modo como chegamos a conclusões, menciona casos como, por exemplo, Einstein declarando, como tantos outros cientistas, que não sabe muito bem como chegou a uma conclusão. Poincaré, antes dele, havia escrito muito sobre isso... Poincaré era uma matemático, o último grande matemático universalista francês... ele morreu no começo desse século (XX). Bom, esse tipo de anedota é completamente comum na ciência. Não há nenhuma originalidade nisso. Esse gênero de anedota, repito, fenômenos inexplicados que são característicos da ciência... a ciência quanto mais sabe, menos sabe... quanto mais a ciência sabe, quanto mais fenômenos são explicados, mais avenidas de desconhecimento se abrem. Um cientista diz "não sei" o tempo todo. Um não-cientista explica tudo, porque sempre tem uma resposta do tipo "todo abrangente" como é esta resposta. O fato de se ter isso, para os telespectadores entenderem, o fato de se formular uma pseudo-explicação a respeito de como o universo funciona não dá a essa explicação, foros de verdade. Simplesmente declarar coisas não confere verdade ao que se declara. Agora, no que o senhor declara existe uma característica que eu acho bastante preocupante, ou pelo menos intrigante, vinda de alguém conhecido aqui como Físico, como o senhor declarou... o senhor foi.. o senhor foi Físico. O senhor diz, em primeiro lugar, que aquilo que seria essa intervenção de uma consciência cósmica, não é matematizável, quer dizer, isto não é introdutível dentro da teoria física na forma como a teoria física aceita as suas idéias. Não existe outra maneira de introduzir na Física idéias senão a matemática. Não existe.. não é possível, não é Física... se é não-matematizável, não é Física. Muito bem, então esta idéia de consciência cósmica não é Física, quer dizer, certamente nenhum Físico aceitará isso. Em segundo lugar, ela também, já que se está falando de alguma coisa que existe no mundo, que é uma consciência cósmica que se reflete na consciência das pessoas e faz as pessoas fazerem saltos quânticos... o senhor não vai usar esse termo, mas saltos quânticos em direção à solução de problemas... onde é que estão as evidências empíricas disso? Onde estão as experiências que levam a esse tipo de conclusão? Porque ou a gente pode ter conhecimento do mundo que seja muito estruturado, como no caso da Física, ou conhecimento do mundo pouco estruturado. Não existe uma teoria, não existe um conjunto de idéias muito organizado por trás, mas sabemos empiricamente que são verdadeiras, ou parecem verdadeiras. Onde é que estão as evidências empíricas e onde está o raciocínio, eu diria, desculpe a palavra, científico, que o leva a declarar que existiria uma consciência cósmica que estaria governando tudo e resolvendo todos os problemas aqui, da Biologia, da Psicologia?... O senhor afirma que estas suas idéias explicariam o problema da biologia evolucionista dos 'gaps' na criação de espécies, por exemplo. O senhor não acha ambicioso demais e, repito, onde é que estão as evidências empíricas disso?
Amit Goswami: Boa pergunta. Pergunta muito boa. Precisamos sempre fazer esta pergunta: onde está a evidência? Falarei da evidência mais tarde. Antes, responderei à pergunta: a Física é matemática? Ela deve ser totalmente matemática? Essa é uma crença que cresceu gradualmente na Física, por causa do sucesso da matemática para expressar a Física. Há duas coisas que devemos lembrar. Primeiro: não há motivo para a Física ser matemática. Às vezes os filósofos levantam essa questão. Nancy Cartwright escreveu um livro: Why do laws of Physics lie. Ela estava argumentando que não há provas dentro da filosofia materialista de que a Matemática deve governar as leis da Física. De onde vem a Matemática? Pessoas como Richard Feynman, grande físico, Eugene Bigner, todos estudaram a questão. E não há resposta dentro da filosofia materialista. Platão tem uma resposta: a matemática molda a Física porque surgiu antes da Física, faz parte do mundo arquetípico que discutimos. Assim, o idealismo de Platão é fundamental para entender o papel da Matemática na Física, em primeiro lugar. A Física em si precisa de algo além da matéria, ou seja, da matemática e de arquétipos para ser uma ciência consistente. É preciso se lembrar disso. O segundo aspecto da questão é o mais importante. Na Física Quântica, procuramos insistentemente uma forma matemática de encerrar a Mecânica Quântica. Uma forma matemática para entender a medição quântica. Não fomos capazes. Niels Bohr demonstrou para Erwin Schrödinger, há muito tempo, quando a Mecânica Quântica estava sendo desenvolvida. Schrödinger achou que tinha obtido a continuidade e Bohr provou o contrário e o convenceu disso. E Schrödinger disse: "Se eu soubesse que essa descontinuidade, saltos quânticos, iriam permanecer, eu nunca teria descoberto a Mecânica Quântica". Bohr disse: "Estamos felizes que tenha descoberto". Essas descontinuidades vão continuar existindo, não há explicação matemática, e por não haver explicação matemática, portanto, há espaço para o livre-arbítrio. O livre-arbítrio, Deus, consciência, colapso, tudo isso entrou para a Física porque atingimos o conhecimento, a sabedoria, de que existe o princípio da incerteza, existem a probabilidade e possibilidades. E por existirem probabilidade e possibilidades, deve haver um agente que causa o colapso das possibilidades em eventos reais. E esse agente não pode ser matemático porque, se for, não poderá haver livre-arbítrio: seria determinista. Mas não é determinista. O princípio da incerteza é fundamental. Assim, nós chegamos à conclusão, após décadas de lutas nós conseguimos...
Cláudio Abramo: Quem é "nós"?
Amit Goswami: "Nós" quer dizer que há um consenso entre cientistas...
Cláudio Abramo: Há um consenso a respeito de suas idéias?
Amit Goswami: Não a respeito de minhas idéias. Esqueça as minhas idéias. Mas há um consenso de que não há solução matemática para o problema da medição quântica. Nisso, chegamos a um consenso. E por não haver uma solução matemática para isso, e por haver uma solução consistente em termos de consciência causando colapso de possibilidades quânticas em realidade, podemos falar sobre essas idéias publicamente. Quanto à segunda pergunta: Há evidência empírica? Acontece que os dois aspectos fundamentais da nova física, a consciência causa o colapso da possibilidade em realidade, e o segundo, que essa consciência é uma consciência cósmica, os dois aspectos foram confirmados por dados empíricos. Antes, darei os dados para o segundo, porque é o mais simples para o espectador. O primeiro é um pouco difícil. Talvez possamos incluir os dois. O primeiro experimento é muito importante porque já foi aplicado. Em 1993 e 1994, o neurofisiologista mexicano Jacobo Greenberg Silberman, ele e seus colaboradores fizeram um experimento, no qual havia dois observadores meditando por 20 minutos, com o propósito de terem comunicação direta. Comunicação direta no estilo de não-localidade. Sinais não-locais ocorrendo entre eles, e ainda assim eles teriam comunicação. Certo, eles meditaram juntos. Pediu-se que mantivessem o estado meditativo durante o resto do experimento. Mas então, um deles é levado para outro recinto. Eles ficam em câmaras de Faraday, onde não é possível a comunicação eletromagnética. Os cérebros deles são monitorados. Uma das pessoas vê uma série de 'flashes' brilhantes, o cérebro dele responde com atividade elétrica, obtém-se o potencial de resposta muito claro, picos muito claros, fases muito claras. O cérebro da outra pessoa mostra atividade, a partir da qual obtém-se um potencial de transferência que é muito semelhante em força e 70% idêntico em fases ao potencial de resposta da primeira pessoa. O mais interessante é que, se voce pegar duas outras pessoas, duas pessoas que não meditaram juntas, ou pessoas que não tinham a intenção de se comunicar, para elas, não há potencial de transferência. Mas para pessoas que meditam juntas, invariavelmente, muitas vezes, um em cada quatro casos, obtemos o fenômeno de potencial de transferência. E Peter Fenwick, na Inglaterra, há dois anos, confirmou isso, repetindo o experimento. Assim, temos evidência empírica. Se tivéssemos tempo, e voce tivesse paciência, eu poderia lhe dar inúmeros dados. Outro dado que é muito interessante: considere o caso de geradores de números aleatórios. Eles são realmente aparelhos quânticos, pois eles pegam eventos radiativos, que são aleatórios, e os convertem em seqüências de números, seqüências de zeros e uns. Em uma longa cadeia, deve haver número igual de zeros e uns. É o que se espera da sequência aleatória. Helmut Schmidt, um físico que pesquisa parapsicologia, tenta há quase 20 anos, fazer com que médiuns influenciem os geradores de números aleatórios para gerarem sequências não-aleatórias, mais zeros que uns. E ao longo dos anos ele conseguiu boas evidências de que, até certo ponto, os médiuns conseguem fazer isso. Um resultado com um grande desvio. Isso ainda não tem nada a ver com Física Quântica, mas recentemente, em um trabalho publicado em 1993, Schmidt retratou uma modificação revolucionária desses dados. O que ele fez, recentemente, é que o gerador de números aleatórios, os dados do gerador de números, a sequência, é armazenada num computador, ela é impressa, mas ninguém olha. Os dados impressos são fechados num envelope e enviados para um observador independente. Três meses depois, o observador, sem abrir o envelope, escolhe o que quer ver, mais zeros ou mais uns. Tudo segue um critério. Então ele liga para o pesquisador, o pesquisador diz ao médium para olhar os dados, e pede a ele para mudar os resultados, influenciá-los, se puder. E o médium tenta produzir mais zeros, se esse for o desejo do observador. E então, o observador abre o envelope e verifica se o médium conseguiu. E a incrível conclusão é (é um resultado sério, não é fácil contestá-lo) que o médium, em 4 de cada 5 tentativas, consegue mudar os números aleatórios gerados pelo aparelho, mesmo após três meses. Este mito de que o pensamento causa o colapso de si mesmo, que o colapso é objetivo, sem que o observador consciente as veja, é apenas um mito. Nada acontece, tudo é uma possibilidade até que o observador consciente veja. Numa experiência controlada, as pessoas intervieram. As pessoas viram, sem contar a ninguém, viram os dados, a impressão. Nesses casos, o médium não influenciou os dados. Está claro que a consciência exerce um efeito, exatamente como Bohr suspeitava, como Newman suspeitava. Agora estamos fazendo teorias mais completas e experimentos mais completos baseados nessas teorias. Henry Stab colaborou com todas essas idéias que apresentei, consciência causando o colapso de funções quânticas em eventos reais. Ele participou do experimento com Schmidt. Então, estamos vendo uma mudança revolucionária na Física, não menos revolucionária do que a acontecida com Copérnico. Claro que haverá reações, como a que apresentou, e temos de ser muito pacientes, calmos, e trabalharmos juntos para superar essas tendências contrárias. Mas temos a certeza de que existe algo que todos devemos olhar. Isso é revolucionário, é novo e pode mudar, como já discutimos, as dificuldades com valores que a sociedade vem enfrentando. Não vamos nos preocupar em como pode ser, mas vamos olhar os dados, olhar a teoria e perguntar: pode ser? Se pode, que oportunidade fantástica temos para integrar todos esses movimentos díspares de consciência que nos separaram por tanto tempo.
Heródoto Barbeiro: Ele é autor também do livro "O universo autoconsciente -Como a consciência cria o mundo material". Dr. Goswami, dentro dessas explicações que o senhor nos deu até agora, como fica a questão da reencarnação e da preservação dessa consciência dos seres humanos?
Amit Goswami: A questão da reencarnação, provavelmente, é a pergunta mais radical que pode ser feita. E é impressionante que a Física Quântica nos permita dar uma resposta afirmativa. Eu mesmo fiquei tão surpreso quanto qualquer um, com isto.. No início, quando me perguntavam isso, eu me recusava a discutir. Mas então, eu acordei de um sonho, e, basicamente, o sonho me dizia... eu ouvi isso no sonho: "O Livro Tibetano dos Mortos está certo e seu trabalho é provar". Após acordar desse sonho, eu passei a encarar reencarnação com seriedade. Basicamente, o problema com a reencarnação é este: o corpo físico morre, e o que resta? Se a consciência é a base do ser, vem a idéia de que o que resta é a consciência. É a primeira pista. A segunda pista é que tudo é possibilidade, no modo quântico de ver as coisas. Então, não é irrelevante dizer que as possibilidades podem viver. Algumas possibilidades morrem com o corpo material e o cérebro, mas pode haver outras possibilidades, outras possibilidades que se modificam ao longo da nossa vida, e essas modificações das probabilidades das possibilidades podem formar uma confluência que possa viver mais tarde na vida de outra pessoa. É essa idéia que pude desenvolver de forma mais completa, num livro que será lançado no ano que vem, e fico feliz em dizer que podemos lidar com essa questão. A vantagem de se fazerem essas perguntas é que podemos ver imediatamente a utilidade das novas ciências que virão. Porque são essas coisas que preocupam as pessoas. As pessoas são fundamentalmente incomodadas por perguntas como "o que acontecerá quando eu morrer?". E se a nova Física puder responder essas perguntas, a despeito da importância da Psicologia transpessoal, e da Psicologia junguiana, em que a nova ciência ajuda, e também da medicina alternativa, que nem discutimos ainda, acho que tocaremos o coração das pessoas quando pudermos dizer: "Finalmente, a Ciência pode ajudar a entender essa pergunta". Até agora, apenas o padre, o teólogo pode dar qualquer resposta para a pessoa. E se pudermos dizer a ela: "Faz sentido fazer essa pergunta, e voce pode fazer algo para ajudar voce com o que acontecerá após a morte". Não seria um progresso maravilhoso na ciência?
Joel Giglio: Professor Amit, eu vou fazer uma pergunta baseado no trabalho de um ex-orientando de tese de doutoramento que eu orientei na Universidade de Campinas, e que fez a primeira tese, pelo menos na Unicamp, e talvez em qualquer universidade estadual ou federal do Brasil, sobre parapsicologia. Ele fez uma tese sobre clarividência e eu não vou, naturalmente, falar da metodologia do trabalho que seria bastante extensa, mas resumir pelo menos os resultados principais. Várias pessoas, vários sujeitos tentavam adivinhar as cartas de um baralho de símbolos geométricos, baralho de Zener muito usado em pesquisa e parapsicologia, e tentava adivinhar as cartas de um baralho Tarô, que é baseado em imagens arquetípicas, o Rei, a Rainha, etc. Nos resultados que foram feitos seguindo uma metodologia tradicional, estatística, as pessoas acertaram, no baralho de Zener, um pouquinho acima do que era esperado ao acaso e 10% acima no baralho de Tarô, comparando com o de Zener. A explicação dada pelo meu orientando foi dentro da teoria da Psicologia Analítica, em relação aos arquétipos emergentes que, de uma certa forma, estariam mobilizados mais no baralho de Tarô do que simplesmente no baralho de símbolos geométricos. Mas essa explicação, embora nos satisfaça um pouco, ainda deixa muito a desejar. Eu perguntaria se o senhor teria alguma explicação a mais baseada na Teoria Quântica sobre essa maior adivinhação das cartas do baralho do Tarô, que são símbolos arquetípicos em relação ao baralho comum de Zener , que são cinco símbolos geométricos, quadrado, cículo, etc.?
Amit Goswami: Sim. Obrigado pela pergunta. Na verdade, somente no Brasil alguém pensaria em fazer um experimento tão brilhante. Tenho visitado o Brasil nos últimos 5 anos e o futuro parece promissor. Eu fico entusiasmado com a mente do brasileiro. Qual é a diferença entre o experimento original de adivinhação de cartas e as cartas de Tarô? A idéia que proponho, acho que voce pensa da mesma forma, é que quando o objeto que usamos na telepatia é significativo, ele é um objeto melhor. Os cientistas, os parapsicólogos anteriores preocupavam-se demais com a objetividade e ignoravam esse aspecto. Agora, nos novos experimentos parapsicológicos, espero usarmos cada vez mais objetos significativos na transferência telepática. E voce tem razão, a explicação completa tem de usar a palavra "telepatia", tem de usar a transferência não-local de informações, neste caso, transferência não-local de informações significativas, arquetípicas. E esse é o motivo para os melhores resultados. Mas a não-localidade, a não-localidade quântica, tem de ser evocada para se ter uma explicação completa do que ocorreu. Obrigado.
Mario Cortella: Doutor Amit, eu juntei algumas questões nisso que eu não vou tratar delas como perguntas, porque eu acho que na sua obra, pelo menos no que eu pude ler, há um aprofundamento disso e uma leitura mais detalhada ofereceria mais questões. Por exemplo, no campo da psicanálise essa idéia de que o universo é quando é percebido e até interferido, será que não seria uma postura um pouco ego-narcísica da nossa parte, um pouco antropocêntrica em relação ao próprio universo que dificulta a idéia de um cosmo, invertendo Dostoievsky. Dostoievsky disse que se Deus não existe, tudo é permitido. Nessa compreensão, parece que se Deus existe, aí é que tudo é permitido, porque existe aí uma probabilidade que pode ser interferida. E uma outra questão, que eu acho que está na sua obra mas acho que vale aprofundamento, é o ateísmo metodológico, sendo que foi tão caro para a ciência para poder buscar explicações, mas ele não é mais necessário. Mais aí a questão de fundo: eu tenho lido, não sei se é verdade, que a Física Quântica mostra que hoje o tempo é uma ilusão. Alguns têm dito que não se fala mais em universo, mas em multiverso, porque haveria vários universos paralelos. Isso traria um problema: a possibilidade de viajar no tempo. A maior explicação que achei até hoje contra a viagem no tempo, foi do Físico inglês, Stephen Hawking, que usou um argumento lógico. Ele disse: "É impossível viajar no tempo porque se um dia for possível isso, os homens do futuro já teriam voltado". Mas a Física Quântica ao falar em universos paralelos levanta a possibilidade de se ter o tempo como uma mera ilusão humana. Isso me coloca a seguinte pergunta aí para o senhor: será que nós chegaremos, com a Física Quântica, a voltar à origem do cosmos e, aí sim, encontrar o princípio explicativo?
Amit Goswami: Bem, suas duas colocações são muito boas, e a pergunta é extremamente fascinante. A primeira coisa que quero dizer é que 'não dizemos que tudo é possível' apenas por termos incluído aí a consciência em nossas teorias, porque ainda estamos concordando totalmente com a Física Quântica que a causalidade ascendente molda a forma das possibilidades, a partir da qual a consciência escolhe. Tanto a causalidade descendente, quanto a ascendente têm papel fundamental na nova Física, na nova Ciência. Essa é uma das virtudes que temos. A nova Ciência absorve a velha Ciência nos limites do princípio da correspondência, no limite de que poderíamos falar apenas em termos de probabilidades para um grande número de coisas e eventos. A velha Ciência não desaparece. Não poderia. É solidamente baseada em dados experimentais. A nova Ciência expande a velha Ciência em arenas com as quais a velha Ciência não pode lidar. Como eventos singulares de criação, criatividade. Esse é o primeiro ponto. Sobre voltar no tempo, há experimentos quânticos. O mais famoso é o experimento de Le Choice, mas é muito longo para explicar, e muito complicado para os espectadores realmente apreciarem. Embora, se alguém estiver interessado nele, há livros sobre ele. Leiam, por favor, é fascinante. Há algo acontecendo. Essa idéia de voltar no tempo é real na Física Quântica. Podemos ser afetados por coisas no futuro, assim como somos afetados por coisas no passado. Na Física Quântica, o tempo é não-linear. Isto posto, claro que experimentos recentes são tão impressionantes, tão surpreendentes, que muitos físicos convencionais, conservadores, procuram formas de viajar no tempo. Mas acho que o consenso é que a viagem no tempo envolve muito mais do que esta observação da Mecânica Quântica. Não podemos mais descartá-la, mas ela envolve muito mais pois ainda temos sérios problemas de como trazer os efeitos quânticos aos macrocorpos. Pois os efeitos quânticos são muito destacados apenas em objetos microscópicos, e não tão destacados em macro-objetos. A situação da medição é uma exceção. Mas normalmente descobrimos apenas raios 'laser', supercondutores, poucas coisas, poucos macro-objetos em que os efeitos quânticos persistem. Então temos de resolver esse problema de como macrocorpos podem ser transportados pelo tempo, e isso levará um tempo. Se a consciência voltar a essa equação, e ela precisa voltar, em algum ponto, então, outra dimensão de pensamento se abrirá e isso pode nos dar novas respostas, novas visões sobre isso. Mas é muito prematuro falar sobre isso, acho.
Rose Marie: Eu sou muito interessada em história da tecnologia, porque eu acho que através da tecnologia é que os sistemas econômicos se desenvolvem, que cresce uma dominação de potências hegemônicas. Isso vai muito na linha da pergunta do Cláudio Abramo. Eu sei que o senhor está trabalhando na construção do primeiro computador quântico. Eu quero perguntar uma coisa: o computador quântico dá saltos quânticos, ele cria? Qual a diferença dele do computador determinístico?
Amit Goswami: Essa é uma pergunta muito interessante. O que é um computador quântico? Um computador quântico em vez de usar um algoritmo específico, usa um algoritmo ambíguo. No computador quântico é usada a superposição de possibilidades e, dessa forma, espera-se que seja muito mais rápido que o computador convencional. Desde que o computador quântico opere apenas nesse nível, eu não espero que ele seja uma novidade tão grande, a não ser o fato de ele ser mais rápido. É isso que interessa aos cientistas da computação. Mas eu tenho um interesse diferente nesse computador. Se o computador for construído, por ter um processador quântico, por processar superpondo possibilidades...
Rose Marie: É tão realista.
Amit Goswami: Isso mesmo. Assim como o ser humano faz. O cérebro humano, de forma semelhante, processa de forma quântica as possibilidades, em vez de trabalhar diretamente, de maneira algoritmica, sem ambiguidade. Então, alguém pode fazer um computador que tenha todos os outros aspectos da medição quântica? A situação da medição quântica envolve um mecanismo que chamo de hierarquia embaraçada. É um pouco difícil de entender, mas um exemplo é a frase: "Eu sou mentiroso". Se pensar nela, verá que a relação hierárquica entre sujeito e predicado é recíproca. "Eu" qualifica mentiroso, e vice-versa. Um qualifica o outro. É o que chamo de hierarquia embaraçada. A medição quântica no cérebro é assim. A questão intrigante para mim é que: suponha que no futuro encontremos um computador com hierarquia embaraçada. O interessante é que a hierarquia embaraçada dá margem à auto-referência. Então, este computador quântico terá auto-referência? A consciência cooperará na criação de um aparelho feito por humanos, que não seguiu uma evolução, mas desenvolvido pela inteligência humana? A consciência cooperará? A consciência cósmica cooperará e o tornará um ser consciente? Eu não sei a resposta. Mas esta será uma verificação fundamental, uma das mais fantásticas, das idéias que discutimos hoje. Acho que essa pesquisa deve ser encorajada. Obrigado pela pergunta.
Lia Diskin: Tentando fazer uma síntese dentro das idéias da biologia, dentro das idéias da psicologia e, logicamente, de toda a Física que o senhor coloca, o que hoje sabemos é que apenas 2% de nosso cérebro utiliza vias neuro-cerebrais para entrada e saída de informação. E é a partir disso, que nós construímos o que chamamos "os objetos ideais e universais" que constituem a ciência. 98% restante pertence a um universo interno, nebuloso, no qual existe a fantasia, a ilusão, logicamente a irracionalidade e também a probabilidade. Até que ponto podemos dizer que é possível um verdadeiro diálogo com essa disparidade de porcentagens? Até que ponto podemos dizer que é possível uma cientificação das idéias, de Deus, ou das idéias internas, humanas, divinizadas, como queira chamá-las?
Amit Goswami: Em outras palavras, deixe-me ver se entendi a pergunta, há muitas coisas que são fantasias e há muitas coisas que envolvem Deus. É possível transformar esses aspectos fantasiosos em científicos? É uma pergunta interessante. Claro, na criatividade, transformamos fantasias, transformamos algumas fantasias em algo científico. Porque algumas delas são fantasias criativas. Em outras palavras, a imaginação, a parte mental de nossas vidas, a parte interna de nossa vida, é fundamental no que fazemos no mundo externo. Na nova Ciência, por estarmos igualmente envolvidos com o mundo externo e o interno, pelo fato de a subjetividade ter voltado à ciência, estamos validando o conceito de que, talvez, devamos levar algumas de nossas fantasias a sério. Porque a idéia contrária também pode ser positiva, ou seja, de que tudo é uma fantasia. Fantasia da mente, fantasia da consciência. Porque a consciência é a base do ser, e o que pensávamos ser material e real, e o que pensávamos ser fantasia e irreal, esta distinção não é muito clara, agora. São todas possibilidades da consciência. Portanto, é a consciência que as valida, que escolhe entre elas, que lhes dá substancialidade. Então, qual delas será substancial depende totalmente da escolha, do contexto no qual a consciência as vê. Isso vai revolucionar a sociedade, como voce antecipou com sua pergunta. Em outras palavras, vamos levar nosso mundo interno muito mais a sério. Eu costumo dizer às pessoas que, se elas estudarem seus sonhos, o preconceito que costumamos ter é de que o sonho não é contínuo, portanto, de que adianta estudá-los? Há evidências de que os sonhos são contínuos, mas é preciso olhá-los sob o ponto de vista significativo. Alguns ficariam felizes com essa descoberta científica, de que os sonhos dão um relatório sobre a parte significativa das nossas vidas. Então, há outros aspectos da vida com os quais a ciência materialista não pode lidar e com os quais podemos lidar agora por colocar a consciência de volta, por exemplo, o pensamento. E, quando fazemos isso, nossa vida interna adquire uma enorme importância. Sim, a vida interna lida com o pensamento, a beleza, os arquétipos, de uma forma diferente que a vida externa, materialista, pode. E, focalizando na vida interna, não só podemos nos transformar, essa é a parte mística, mas também podemos ter enormes visões sobre o que criar, como criar, sobre nossas artes, sobre nossa música, até sobre a ciência.
Pierre Weil: Eu queria primeiro felicitar esse programa, Roda Viva, pelas iniciativas que está tomando. Eu quero dizer que é a primeira vez que eu vejo na televisão, problemas tratados no nível que merecem, na altitude que merecem, problemas como a parapsicologia, a psicologia transpessoal. Isso é feito graças a uma mudança de paradigma. E eu queria realçar de novo para o público telespectador que o que estamos tratando aqui tem uma influência muito grande sobre a destruição da vida no planeta e a grande crise de violência que está assolando atualmente o mundo, não é só o Brasil. Eu queria, já que estamos no fim do programa, deixar a oportunidade a Amit Goswami, que nós convidamos na nossa Universidade da Paz em Brasília, justamente porque ele representa um novo paradigma, como que o antigo paradigma é responsável pela violência atual do mundo, antiga visão que está responsável pela destruição da vida no planeta, e como o novo paradigma pode nos ajudar a nos tirar dessa crise, além de medidas policiais e de mudança de lei que são necessárias, mas são absolutamente insuficientes?
Amit Goswami: Obrigado. Acho muito importante dizer que, sem reconhecer a consciência e sem reconhecer o valor da nossa vida interna, sem reconhecer o valor da transformação, nunca mudaremos a violência na sociedade. Então, é muito importante ver que apenas pensando em não-violência, apenas falando dela, não deixaremos a violência. É preciso passar por todo o processo criativo. A nova Ciência, o novo paradigma, é extremamente importante porque sempre enfatiza a criatividade. Na velha Ciência, o determinismo e behaviorismo, essa idéia de que o condicionamento prevalece, nos cegou tanto quanto à transformação, nos cegou tanto que desistimos. Basicamente, os valores não eram necessários. Steve Weinberg disse que não há significado no universo, não há valores se o consenso é o julgamento dos cientistas materialistas, e isso ocorre dentro da sociedade, e o behaviorismo diz: "Não podemos fazer nada. Somos seres comportamentais, somos condicionados". E a nova Ciência diz: "Não. Também há forças criativas dentro de nós. Basta aprender a agir a partir desse estado de consciência não-ordinário no qual voce tem escolhas". E o meu novo lema, em vez do cartesiano "eu penso, logo existo", e pensamento é uma condição behaviorista, meu novo lema é: "escolho, logo existo". Se é "escolho, logo existo", posso escolher a não-violência. Mas tenho de aprender como escolher, e isso exige criatividade. Essa é, realmente... a nova confiança do novo paradigma: em vez de escolher a metade condicionada do mundo, vamos dividir o mundo em condicionamento e criatividade. Forças do Bem e do Mal, das quais falamos antes. Podemos ser muito otimistas. Se essa mudança para o novo paradigma vier logo, talvez possamos realmente lidar com a violência de uma forma realmente prática, em vez de apenas verbalmente, como fazemos.
Carlos Ziller: Quando eu estava fazendo a minha leitura dos seus trabalhos, percebi um sentimento que eu compartilho, de um incômodo profundo com relação a algumas conclusões que emergem de determinados meios científicos. Vou dar só um exemplo, acho que o telespectador vai se lembrar, certamente. Há algum tempo atrás apareceu um resultado de um laboratório do EUA que falava da descoberta do gene da homossexualidade. Mais recentemente falou-se no gene da obesidade, e há toda uma série de conclusões desse tipo que não deixam de produzir, nos homens de bom senso, uma certa surpresa, e, contudo, mesmo em homens que são materialistas e bem convencidos, que não aceitam, rejeitam esse determinismo radical que emerge de alguns ambientes científicos, sobretudo norte-americanos. Há um materialismo que convive muito bem com o livre-arbítrio. Há um realismo filosófico que convive muito bem, sem muito inconveniente, com paradoxos, com contradições. Isso não é, digamos, o todo, do que se poderia chamar de "atividade científica". Por fim, eu gostaria de fazer uma pergunta, e é a questão mais importante que eu teria a colocar, que emerge também de uma sensação que eu tive ao ler "O universo auto-consciente". Eu tive a sensação de retornar ao passado, aí sim uma viagem ao passado. Eu vi ali, arrumados, organizados de uma forma muito particular por voce, idéias e proposições que eu já havia conhecido em leituras, por exemplo, da obra do cardeal Nicolau de Cusa , grande pensador do século XV, que propôs que o universo era resultado de uma contração de Deus, e essa contração, enfim, não é o caso aqui de eu explanar essa filosofia. Mas esse tipo de pensamento, produziu, interagiu com concepções científicas do século XVI, do século XVII, com concepções que propunham que a divindade organizasse, ou enfim, propunha uma visão bastante parecida com essa, um projeto científico bastante parecido com esse que voce está propondo nesse seu livro. A humanidade passou por um processo muito longo, muito duro, para conseguir, digamos, não eliminar Deus da Ciência, mas pelo menos reduzir um pouco seu papel, esse processo foi longo e lento. Para concluir, como o senhor acredita poder convencer os cientistas desse seu projeto, depois de tanto esforço para conseguir criar uma noção de objetividade, de realidade, de realismo, com todos os exageros em alguns momentos, mas convencer esses homens depois de tanto esforço? O senhor imagina conseguir isso usando que gênero de recursos?
Amit Goswami: Eu acredito que as idéias se verificarão por si mesmas, serão confirmadas nos laboratórios e serão úteis. A ciência tem dois critérios fundamentais. Por isso Galileu é chamado de pai da ciência moderna, pois ele enunciou claramente esses dois critérios. Um é que a ciência deve ser verificável. Ela deve ser verificada experimentalmente. E a segunda idéia é que a ciência deve ser útil. No aspecto da verificação, já apresentei alguns experimentos a voces, pois o tempo é curto, não entrarei em outros experimentos, mas digo que há um número enorme de experimentos sendo realizados, graças à Parapsicologia e interessados em Parapsicologia. Mas também em Biologia, e a Medicina é uma grande área de verificação experimental de algumas de nossas idéias. Mas a questão da utilidade é a mais importante. Deepak Chopra ficou famoso por um livro que escreveu, chamado Cura Quântica, lançado há 10 anos. Ele começou a revolucionar a Medicina, de certa forma, pois há um fenômeno chamado "efeito placebo" para o qual os cientistas não têm explicação. E esse trabalho, que é muito semelhante à minha forma de pensar, e eu tenho lido trabalhos citando a conexão entre as nossas idéias... Mas veja as implicações disso. Se, de fato, houver cura quântica, se houver Medicina mental, o efeito da mente sobre a cura, então as pessoas serão de fato ajudadas, não apenas no campo da Psicologia, mas no campo da verdadeira saúde física. A saúde física real, que importa para muito mais pessoas do que a saúde mental, ainda não estamos esclarecidos o bastante para levar a saúde mental tão a sério. Mas todos se preocupam com a saúde física, levam muito a sério. É a aplicação da nova Ciência a essas áreas, especialmente na área da saúde, que vai trazer a revolução de que Deus é importante, a consciência é importante, a criatividade é importante, observar o livre-arbítrio e responsabilidade é importante, que temos um paradigma científico que pode unir todas essas coisas, trazê-las para junto da velha ciência e ter formas objetivas de proceder e prever. Será uma ciência previsível, poderá ser verificada e também será útil. Isso é o que mudará a percepção do público. A percepção dos cientistas, também. Obrigado.
Heródoto Barbeiro: Doutor Goswami, muito obrigado por vir.
Amit Goswami: Muito obrigado. Foi um prazer estar aqui.
porque convergimos e integramos com AMOR, VERDADE, RETIDÃO, PAZ E NÃO-VIOLÊNCIA
dedicamos este espaço a todos que estão na busca de agregar idéias sobre a condição humana no mundo contemporâneo, através de uma perspectiva holística, cujos saberes oriundos da filosofia, ciência e espiritualidade nunca são divergentes; pelo contrário exige-nos uma postura convergente àquilo que nos move ao conhecimento do homem e das coisas.
Acredito que quanto mais profundos estivermos em nossas buscas de respostas da consciência melhor será para alcançarmos níveis de entendimento de quem somos nós e qual o propósito que precisaremos dar as nossas consciências e energias objetivas e sutis para se cumprir o projeto de realização holística, feliz, transcendente, consciente e Amorosa.
"Trata-se do sentido da unidade das coisas: homem e natureza, consciência e matéria, interioridade e exterioridade, sujeito e objeto; em suma, a percepção de que tudo isso pode ser reconciliado. Na verdade, nunca aceitei sua separatividade, e minha vida - particular e profissional - foi dedicada a explorar sua unidade numa odisseia espiritual". Renée Weber
PORTANTO, CONVERGIR E INTEGRAR TUDO - TUDO MESMO! NAS TRÊS DIMENSÕES:ESPIRITUAL-SOCIAL-ECOLÓGICO
O cientista (psicólogo e reitor da Universidade Holística - UNIPAZ) PIERRE WEIL (1989) aponta os seguintes elementos para a falta de convergência e integração da consciência humana em geral: "A filosofia afastou-se da tradição, a ciência abandonou a filosofia; nesse movimento, a sabedoria dissociou-se do amor e a razão deixou a sabedoria, divorciando-se do coração que ela já não escuta. A ciência tornou-se tecnologia fria, sem nenhuma ética. É essa a mentalidade que rege nossas escolas e universidades"(p.35).
"Se um dia tiver que escolher entre o mundo e o amor...Lembre-se: se escolher o mundo ficará sem o amor, mas se escolher o amor, com ele conquistará o mundo" Albert Einstein
Acredito que quanto mais profundos estivermos em nossas buscas de respostas da consciência melhor será para alcançarmos níveis de entendimento de quem somos nós e qual o propósito que precisaremos dar as nossas consciências e energias objetivas e sutis para se cumprir o projeto de realização holística, feliz, transcendente, consciente e Amorosa.
"Trata-se do sentido da unidade das coisas: homem e natureza, consciência e matéria, interioridade e exterioridade, sujeito e objeto; em suma, a percepção de que tudo isso pode ser reconciliado. Na verdade, nunca aceitei sua separatividade, e minha vida - particular e profissional - foi dedicada a explorar sua unidade numa odisseia espiritual". Renée Weber
PORTANTO, CONVERGIR E INTEGRAR TUDO - TUDO MESMO! NAS TRÊS DIMENSÕES:ESPIRITUAL-SOCIAL-ECOLÓGICO
O cientista (psicólogo e reitor da Universidade Holística - UNIPAZ) PIERRE WEIL (1989) aponta os seguintes elementos para a falta de convergência e integração da consciência humana em geral: "A filosofia afastou-se da tradição, a ciência abandonou a filosofia; nesse movimento, a sabedoria dissociou-se do amor e a razão deixou a sabedoria, divorciando-se do coração que ela já não escuta. A ciência tornou-se tecnologia fria, sem nenhuma ética. É essa a mentalidade que rege nossas escolas e universidades"(p.35).
"Se um dia tiver que escolher entre o mundo e o amor...Lembre-se: se escolher o mundo ficará sem o amor, mas se escolher o amor, com ele conquistará o mundo" Albert Einstein
sexta-feira, 19 de junho de 2009
CRISE E OPORTUNIDADE: A MIRAGEM DO DESEJO

O que acontece na mente de um sujeito que vagando a esmo no deserto sem água e comida durante dias, vislumbra alguns metros a sua frente uma poça de água cristalina e ao lado dela vê algumas frutas caídas de uma árvore sadia e farta? É um fenômeno que podemos chamar de projeção. Assim, acontece também nas relações afetivas quando estamos carentes de algo que nos falta e que acreditamos que vai nos saciar a sede ou matar nossa fome de carinho e necessidade de Amor. E da mesma forma, que o peregrino solitário do deserto, nos comportamos da mesma forma, ou seja, saímos correndo e nos jogamos naquela imagem projetada e depois caímos na real e quente areia do imenso deserto carente de tudo. A fraqueza humana tem um momento limite em que o que era irreal se torna real para se fazer acreditar que é possível continuar acreditando em nossos sonhos ¿ mesmo que utópicos! O princípio da loucura começa quando perdemos o discernimento da linha divisória que separa o possível e o impossível, a fantasia e a realidade. De modo que, como pode um homem negar seus desejos de ter a beleza do ouro que resplandece na face divina de uma bela mulher de traços finos e delicados que ao mesmo tempo está e não está acessível aos desejos dele? E esse homem se projeta bebendo daquela água que não existe apesar de se poder ver a luz por trás de uma face e corpo extremamente encantador. Será a miragem do desejo ou será a realidade do Amor que ilumina por um segundo aquele ser e depois vai-se embora tão inesperadamente da mesma forma como veio?
Então, me pergunto que mistério é esse que se oculta nas projeções dos sentimentos e nos faz criar uma imaginação tão fértil e tão bela fazendo-nos suspirar de alegria e contentamento na velocidade de um raio de luz? E no momento seguinte a sensação do amargo fel da decepção e da frustração por não ter se saciado como pretendia o desejo. E assim, adia-se para mais um outro encontro a necessidade de sentir com o outro algo que somente percebemos quando estamos no deserto das paixões e das carências não resolvidas. O deserto simbolicamente representa a nossa caminhada em busca de uma fonte transcendente que venha nos suprir fortalecendo-nos com a pureza da vida bela e perfeita. E como não a encontramos em nosso íntimo ficamos vagando a esmo tentando encontrar de forma irreal projetada num espaço e tempo distante do EU. E cada um nesse jogo ilusório da percepção, atua de forma inconsciente querendo beber aonde não tem água; querendo colher e comer a fruta na árvore seca que nada tem para servir. É um mundo deserto criado pelas inúmeras carências humanas acumuladas ao longo da vida de desejos e sofrimentos. O resultado de tudo isso é a projeção psicológica de um mundo fictício sem as carências desejosas que nos afligem e nos faz agir no sentido da superação de fato ou mesmo apenas temporal. E quem em bom juízo pode negar que não tem carências ou fraquezas? Seria, então, parte de uma trajetória humana vencer a si mesmo superando suas projeções psicológicas? E assim, quem supera uma projeção psicológica se dá conta de quanto ainda tem a caminhar superando-se para se purificar na longa estrada de encontros e sofrimentos causados por sentimentos camuflados e latentes a espera de se expressarem no mundo das relações humanas para poderem ser vistos e compreendidos definitivamente. Em suma, ninguém está em terra farta, todos estão caminhando num longo deserto de carências e desejos. E como já dizia Dom Hélder Câmara: O deserto é fértil?. Só nos resta continuar esperando um dia não mais encontrar miragens a nossa frente, mas a verdadeira fonte que sacia definitivamente a nossa necessidade e desejo de Amar profundamente e completamente a tudo e a todos. Então, que seja eterno enquanto dure ou que seja duradouro porque é eterno? Mas, vale ter projeções do que não ter nenhum sonho utópico. Isto porque, quando projetamos estamos caminhando atendendo a um convite supremo e sagrado: TENTE NOVAMENTE VIVER AMANDO - SEMPRE! Prof. Bernardo Melgaço da Silva bernardomelgaco@yahoo.com.br
OS MUTANTES E OS ESTAGNANTES – Uma Nova Humanidade para um novo milênio”

LI RECENTEMENTE UM LIVRODE RELEVANTE VALOR ESPIRITUAL. O autor é o mestre e psicólogo Pierre Weil. Nesse livro ele discute as etapas evolutivas da consciência humana. Ele divide a evolução humana em três grandes fases. Num extremo temos o ser Estagnante, e no outro encontramos o ser Iluminado. E no meio entre esses dois extremos encontramos o ser Mutante. O ser mutante seria a ponte para um novo paradigma existencial onde desaparecia de vez por toda a ilusão de separatividade (ser-mundo, sujeito-objeto etc) e suas consequencias nefastas no mundo objetivo humano. A meta do Mutante é alcançar conscientemente o estado de consciência Transpessoal (em seu nível mais elevado é o Amor Divino). Essa meta é a realização plena onde o ser se encontrará consigo mesma numa viagem interior saindo de um pólo estagnante e terminando na sua descoberta transpessoal-espiritual. Essa transformação interior é tão profunda que transcende o tempo e espaço vivenciado pelo homem comum (estagnante) preso ainda as suas percepções racionais-instintivas da realidade psicológica tridimensional. No mundo inteiro, vários indivíduos experimentaram essa mudança de estado de consciência indescritível. No seu livro Pierre Weil cita vários casos de indivíduos que sentiram e iniciaram uma nova jornada a partir dessa mudança profunda e radical. E ela é tão radical que devolve ao ser a visão holística onde se pode perceber diretamente a unidade e a totalidade da vida e do saber em seus vários planos de realizações e valores. Assim comenta Pierre Weil em seu livro:
“Os valores que movem os mutantes são bem diferentes daqueles dos estagnantes. Embora integrem os valores do intelecto e da razão na busca da verdade como os estagnantes, os valores dos mutantes estão bastante ligados ao amor do coração, à compaixão, à ternura, ao carinho, à criatividade da inspiração, à poesia, à beleza, à alegria, à fome de saber, à intuição, ao conhecimento da verdade, à pureza de alma, à elevação espiritual, ao sagrado e ao divino” (p.113).
Assim, a humanidade atual segue um caminho de realização onde os estagnantes são mais predominantes do que os mutantes. Por isso, o mundo vivencia tanta violência, exploração, dor e insensibilidade. O que vemos na verdade é uma catarse global onde o ser manifesta a sua condição humana de confusão e caos interior. Nesse sentido, a mudança interior (profunda e radical) é condição primeira para uma transformação profunda de verdade da realidade social, política, ecológica, ética e espiritual. E nesse processo global atual em que vivenciamos continuaremos hipnotizados buscando cada vez mais do lado de fora racional – no exterior do mundo social, político e econômico – o princípio de tudo que já existe dentro de cada um: a condição transpessoal do humano e da humanidade.
Nesse contexto, a mudança do ser implicará numa mudança de perspectiva e sentido de vida: uma mudança tão profunda e radical que poucos conseguirão aceitar e trabalhar para o sucesso dessa transformação íntima-interior. Por isso, a educação de valores e a cultura de ensinamentos holísticos-espirituais deverão ser a tônica desse novo milênio. Pois, a vida tem um sentido transpessoal e eterno. Somos seres mutantes na jornada de si mesmo para si mesmo: autotransformação universal, espiritual, cósmica e quântica (energia sutil saltando e mudando de níveis e realidades paralelas).
Mais de 1 bilhão de pessoas passarão fome em 2009, segundo a FAO

http://br.noticias.yahoo.com/s/19062009/40/entretenimento-1-bilhao-pessoas-passarao-fome.html (19/06/2009)
42 minutos atrás
Roma, 19 jun (EFE).- Um total de 1,020 bilhão de pessoas passarão fome em 2009, o que representa um número recorde, segundo informou hoje a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO).
A FAO, em comunicado emitido em sua sede em Roma disse que se prevê que este ano o número de vítimas da fome aumente 11%.
Para estabelecer estas previsões, a FAO se baseou nas análises do departamento de Agricultura dos Estados Unidos.
Este organismo atribui esse aumento à crise econômica mundial, que originou uma diminuição da renda e um aumento do desemprego, o que ajudou na redução ao acesso aos alimentos por parte dos mais desfavorecidos.
A maior parte da população desnutrida do planeta vive em países em vias de desenvolvimento, informou esta organização.
Na Ásia e no Pacífico calcula-se que cerca de 642 milhões de pessoas sofrem com fome crônica, 265 milhões em África Subsaariana, 53 milhões na América Latina e no Caribe, 42 milhões na África do norte e Oriente Médio e 15 milhões nos países desenvolvidos.
A FAO disse que os pobres que moram em zonas urbanas serão os que terão mais dificuldades para enfrentar à recessão mundial, já que a queda da demanda de exportações e a redução do investimento estrangeiro direto causarão um aumento no desemprego urbano.
No entanto, o órgão informou que as áreas rurais deverão enfrentar o problema que vai representar o retorno de parte dessa população urbana para o campo.
Além disso, a FAO manifestou que os países em desenvolvimento terão uma menor capacidade de manobra nesta crise devido à rápida deterioração do contexto econômico e a que as turbulências afetam todo o mundo de forma mais ou menos simultânea.
Isto limita a capacidade de se recorrer a mecanismos reparadores para se ajustar aos vaivéns macroeconômicos, como a desvalorização da moeda ou empréstimos no mercado internacional de capitais. EFE
quinta-feira, 11 de junho de 2009
BUSCA-ME

(AMORC- CANTOS DO AMANHECER No 1)
Rubens Romanely
Quando nas horas de íntimo desgosto o desalento te invadir a alma e as lágrimas te aflorarem aos olhos.
Busca-ME!
EU SOU aquele que sabe sufocar teu pranto e estancar tuas lágrimas.
Quando te julgares incompreendido pelos que te circundam e vires que a tua volta a indiferença recrudesce.
Acerca-te de MIM!
EU SOU a luz sob cujos raios aclaram a pureza de tuas intenções e a nobreza de teus sentimentos.
Quando se te extinguir o ânimo para arrastares a vicissitudes da vida e te achares na eminência te desfalescer.
Chama-ME!
EU DOU a força capaz de remover-te as pedras dos caminhos e sobrepor-te as adversidades do mundo.
Quando inclementes te açoitarem os vendavais da sorte e já não souberes onde reclinar a cabeça.
Corre para junto de MIM!
EU SOU o refúgio em cujo seio encontrarás guarida para o teu corpo e tranqüilidade para o teu coração.
Quando te faltar a calma nos momentos de maior aflição e te julgares incapaz de conservar a serenidade.
Invoca-ME!
EU SOU a paciência que te faz vencer os caminhos mais dolorosos e triunfar nas situações mais difíceis.
Quando te debateres nos paroxismos da dor e tiveres a alma ulcerada pelos abrolhos caminhos.
Grita por MIM!
EU SOU bálsamo que cicatriza tuas chagas e minora teus padecimentos.
Quando o mundo te iludir com suas promessas falazes e perceberes que já ninguém podes inspirar-te confiança.
Venha a MIM!
EU SOU a sinceridade que sabe corresponder a fraqueza de tuas atitudes e a excelsitude de teus ideais.
Quando a tristeza e a melancolia te povoarem o coração e tudo te causar aborrecimento.
Chama por MIM!
EU SOU a alegria que insufla um alento novo e te faz conhecer o encanto de teu mundo interior.
Quando um a um te fenecerem os ideais mais belos e te sentires no auge do desespero.
Apela para MIM!
EU SOU a esperança que te robustece a fé e acalenta os sonhos.
Quando a impiedade se recusar de revelar-te as faltas e experimentares a dureza do coração humano.
Procura-ME!
EU SOU o perdão que te levanta o ânimo e promove a reabilitação do teu Espírito.
Quando duvidares de tudo até de tuas próprias convicções e o ceticismo te avassalar a alma.
Recorre a MIM!
EU SOU a Crença [Fé] que te inunda de luz e entendimento e que te reabilita para a conquista da felicidade.
Quando já não provares a sublimidade de uma aflição sincera e te desiludirem os sentimentos de teu semelhante.
Aproxima-te de MIM!
EU SOU a renúncia que te ensinou a não revidar a ingratidão dos homens e a esquecer a incompreensão do mundo.
Quando enfim quiseres saber quem SOU pergunte ao riacho que murmura e ao pássaro que canta; a flor que desabrocha e a estrela que cintila; ao moço que espera e ao velho que recorda.
EU SOU a dinâmica da vida e a harmonia da natureza.
Chama-ME Amor. O remédio para todos os males que atormenta o Espírito.
Estenda-me tua mão ó alma Filha da Minha Alma que eu te conduzirei numa seqüência de êxtase e deslumbramento às serenas mansões do infinito sob a luz brilhante da eternidade...DEUS!
terça-feira, 9 de junho de 2009
OS TRÊS IRMÃOS CRIADORES E AS TRÊS IRMÃS CRIADORAS: O TRABALHO, O TEMPO E A REALIZAÇÃO – A FÉ, A VONTADE E A SENSIBILIDADE
Contam os historiadores e filósofos que no mundo metafísico da consciência existe uma família composta por três irmãos e três irmãs que vivem construindo e desconstruindo a realidade ininterruptamente. Eles vivem para servir ao homem e ao Criador dos homens. Esses três irmãos sutis são conhecidos racionalmente por nós como: Trabalho, Tempo e Realização. E cada um deles tem uma característica especial. O trabalho, por exemplo, é movido por uma energia misteriosa oriunda do cosmo. O tempo, por sua vez, é guiado por uma lógica denominada razão. E a realização existe porque é a fonte de todo sentido da criação humana e surpra-humana. Eles vivem em constante interação e relação. A maneira como interagem e se relacionam produz dois caminhos de poder: riqueza, verdade, abundância, ética, Amor, compaixão, fraternidade, liberdade, etc. – ou pobreza, escassez, retórica, moral, ódio, intriga, egoísmo, escravidão, etc.
Eles nunca vão deixar de existir. São seres eternos e poderosos criados pelo Poder Soberano divino de Deus-Pai. Deus quis assim! Eles estão agindo em nossas consciências sem nos darmos conta. Emprestamos nossas energias a eles e eles em função de nossas intenções ou propósitos procuram manifestar os nossos desejos. Por isso, devemos sempre refletirmos o que vamos intencionar a cada momento do pensamento e do sentimento. Qualquer intenção é motivo de eles agirem e construirem a realidade que desejamos consciente ou inconscientemente.
O trabalho tem um poder fantástico, mas muitas das vezes se deixa limitar pelo irmão tempo. O tempo introduz uma divisão profunda no trabalho tornando-o pequeno demais. Mas, essa divisão não é de todo ruim porque permite ao trabalho se reorganizar em função dos limites impostos pelo tempo. Uma vez o trabalho dividido ele pode ser controlado em cada uma de suas partes. O lado negativo disso é que pode no extremo produzir uma mecanização e robotização humana. O ser humano inconsciente das ações do trabalho e do tempo perde a referência da existência da realização e todo o seu poder. Isso implica dizer que o poder do tempo afeta também a realização quando o trabalho se torna pequeno demais, isto é, quando o trabalho perde a sua razão de ser. Em outras palavras, a divisão de poder quando pende para o tempo produz conseqüências espirituais incalculáveis. Por isso, o equilíbrio de poder entre eles é fundamental para a construção de um mundo justo e harmonioso.
O poder entre eles tem de ser tal forma que permita cada um se manifestar de forma soberana e independente. A liberdade de ser do trabalho, do tempo e da realização é sine qua non para o processo de construção da vida em todas as esferas da existência. A realização se torna extremamente vulnerável quando as limitações impostas pelo poder do tempo obriga um sentido concreto de criação da realidade. Nesse sentido, a realização perde a essência de sua existência que é de conduzir toda a criação para uma ascensão fora do domínio do tempo e, portanto, fora do mundo concreto. E para além do poder do tempo a realização se torna de fato soberana e verdadeiramente amorosa. Por isso mesmo, existe uma tensão na relação entre eles. Cada um procura dar tudo de si para a criação da vida no trabalho, no tempo e no sentido de realização que o desejo humano intenciona obter ou decidir fazer.
Creio que foi Goethe quem afirmou:
“Todos os tipos de coisas ocorrem para nos ajudar, que em outras circunstâncias nunca teriam ocorrido. Todo um fluir de acontecimentos: formas imprevistas de coincidências, encontros e ajuda material, que nenhum homem jamais poderia ter sonhado encontrar em seu caminho, surge a nosso favor, como resultado da decisão. Qualquer coisa que você possa fazer ou sonhar. A coragem contém em si mesma, o poder, o gênio e a magia”.
A atenção para esses três irmãos-poderes é crucial para a ocorrência de coisas boas ou não. A fraqueza humana e a acomodação impedem que se realize a intenção ou decisão. De um modo geral, existe uma distração e diversão nos pensamentos e sentimentos que desviam a atenção humana para as ações deles. O homem comum se distrai com muita facilidade porque não se percebe como criadores do seu próprio mundo. O trabalho ao ser diminuído de sua condição maior oferece pouco de poder e esforço. O tempo quando valorizado na sua condição de ser predomina ocupando espaço-poder mais do que deveria nas relações com os outros dois irmãos criadores. E a realização quando deixa de se autofirmar como uma força de mudança se fragiliza permitindo que o trabalho ou o tempo ocupe o seu espaço e o seu poder de reformulação dos sentidos da vida e da existência humana.
Nesse sentido, faz-se necessário reivindicar a cada um deles que faça tudo na medida certa para que se cumpra a lei ou princípio de Paracelso quando disse: “Não é a substância que mata. É a dose!”. A dose certa de trabalho, tempo e realização eleva o homem à transcendência em si mesmo. O poder desses três irmãos está associado ao poder das três irmãs criadoras: a fé, a sensibilidade e a vontade. Uma vez que essas três irmãs são na verdade a contraparte de cada um deles. A vontade é a contraparte do trabalho. A fé é a contraparte da realização. E a sensibilidade é a contraparte do tempo. Em outras palavras, o poder do trabalho é sustentado pela vontade de ser ele próprio; o poder da realização é sustentado pela fé de ser ela em si mesma; o poder do tempo é sustentado pela sensibilidade de vê-lo em si mesmo. O homem gênio e o homem ordinário se distinguem pela atenção que é dada a essas forças sutis na consciência humana. E segundo FEUCHTERSLEBEN (1) :
"O que distingue o homem ordinario e o homem gênio é que, para ser feliz, o primeiro tem de se esquecer de si mesmo e de perder a consciência da sua individualidade, o segundo tem de se concentrar em si mesmo e de tomar posse do seu ser" (p.186).
O desequilíbrio dessas forças sutis no homem produz a consciência do homem ordinário (comum) e o equilíbrio delas produz o gênio, o profeta e o santo. Eis a força de cada um: ser criador ou destruidor! A paz humana depende de como essas forças sutis entre irmãs e irmãos agem de forma equilibrada e consciente em cada um de nós – na Terra!.
(1) Barão de FEUCHTERSLEBEN. Higiene da Alma, 8ª ed., Lisboa: Parceria Antonio Maria Pereira, 1914, p.205. trad.: Ramalho Ortigão.
Prof. Bernardo Melgaço da Silva – e-mail: bernardomelga10@hotmail.com -
Eles nunca vão deixar de existir. São seres eternos e poderosos criados pelo Poder Soberano divino de Deus-Pai. Deus quis assim! Eles estão agindo em nossas consciências sem nos darmos conta. Emprestamos nossas energias a eles e eles em função de nossas intenções ou propósitos procuram manifestar os nossos desejos. Por isso, devemos sempre refletirmos o que vamos intencionar a cada momento do pensamento e do sentimento. Qualquer intenção é motivo de eles agirem e construirem a realidade que desejamos consciente ou inconscientemente.
O trabalho tem um poder fantástico, mas muitas das vezes se deixa limitar pelo irmão tempo. O tempo introduz uma divisão profunda no trabalho tornando-o pequeno demais. Mas, essa divisão não é de todo ruim porque permite ao trabalho se reorganizar em função dos limites impostos pelo tempo. Uma vez o trabalho dividido ele pode ser controlado em cada uma de suas partes. O lado negativo disso é que pode no extremo produzir uma mecanização e robotização humana. O ser humano inconsciente das ações do trabalho e do tempo perde a referência da existência da realização e todo o seu poder. Isso implica dizer que o poder do tempo afeta também a realização quando o trabalho se torna pequeno demais, isto é, quando o trabalho perde a sua razão de ser. Em outras palavras, a divisão de poder quando pende para o tempo produz conseqüências espirituais incalculáveis. Por isso, o equilíbrio de poder entre eles é fundamental para a construção de um mundo justo e harmonioso.
O poder entre eles tem de ser tal forma que permita cada um se manifestar de forma soberana e independente. A liberdade de ser do trabalho, do tempo e da realização é sine qua non para o processo de construção da vida em todas as esferas da existência. A realização se torna extremamente vulnerável quando as limitações impostas pelo poder do tempo obriga um sentido concreto de criação da realidade. Nesse sentido, a realização perde a essência de sua existência que é de conduzir toda a criação para uma ascensão fora do domínio do tempo e, portanto, fora do mundo concreto. E para além do poder do tempo a realização se torna de fato soberana e verdadeiramente amorosa. Por isso mesmo, existe uma tensão na relação entre eles. Cada um procura dar tudo de si para a criação da vida no trabalho, no tempo e no sentido de realização que o desejo humano intenciona obter ou decidir fazer.
Creio que foi Goethe quem afirmou:
“Todos os tipos de coisas ocorrem para nos ajudar, que em outras circunstâncias nunca teriam ocorrido. Todo um fluir de acontecimentos: formas imprevistas de coincidências, encontros e ajuda material, que nenhum homem jamais poderia ter sonhado encontrar em seu caminho, surge a nosso favor, como resultado da decisão. Qualquer coisa que você possa fazer ou sonhar. A coragem contém em si mesma, o poder, o gênio e a magia”.
A atenção para esses três irmãos-poderes é crucial para a ocorrência de coisas boas ou não. A fraqueza humana e a acomodação impedem que se realize a intenção ou decisão. De um modo geral, existe uma distração e diversão nos pensamentos e sentimentos que desviam a atenção humana para as ações deles. O homem comum se distrai com muita facilidade porque não se percebe como criadores do seu próprio mundo. O trabalho ao ser diminuído de sua condição maior oferece pouco de poder e esforço. O tempo quando valorizado na sua condição de ser predomina ocupando espaço-poder mais do que deveria nas relações com os outros dois irmãos criadores. E a realização quando deixa de se autofirmar como uma força de mudança se fragiliza permitindo que o trabalho ou o tempo ocupe o seu espaço e o seu poder de reformulação dos sentidos da vida e da existência humana.
Nesse sentido, faz-se necessário reivindicar a cada um deles que faça tudo na medida certa para que se cumpra a lei ou princípio de Paracelso quando disse: “Não é a substância que mata. É a dose!”. A dose certa de trabalho, tempo e realização eleva o homem à transcendência em si mesmo. O poder desses três irmãos está associado ao poder das três irmãs criadoras: a fé, a sensibilidade e a vontade. Uma vez que essas três irmãs são na verdade a contraparte de cada um deles. A vontade é a contraparte do trabalho. A fé é a contraparte da realização. E a sensibilidade é a contraparte do tempo. Em outras palavras, o poder do trabalho é sustentado pela vontade de ser ele próprio; o poder da realização é sustentado pela fé de ser ela em si mesma; o poder do tempo é sustentado pela sensibilidade de vê-lo em si mesmo. O homem gênio e o homem ordinário se distinguem pela atenção que é dada a essas forças sutis na consciência humana. E segundo FEUCHTERSLEBEN (1) :
"O que distingue o homem ordinario e o homem gênio é que, para ser feliz, o primeiro tem de se esquecer de si mesmo e de perder a consciência da sua individualidade, o segundo tem de se concentrar em si mesmo e de tomar posse do seu ser" (p.186).
O desequilíbrio dessas forças sutis no homem produz a consciência do homem ordinário (comum) e o equilíbrio delas produz o gênio, o profeta e o santo. Eis a força de cada um: ser criador ou destruidor! A paz humana depende de como essas forças sutis entre irmãs e irmãos agem de forma equilibrada e consciente em cada um de nós – na Terra!.
(1) Barão de FEUCHTERSLEBEN. Higiene da Alma, 8ª ed., Lisboa: Parceria Antonio Maria Pereira, 1914, p.205. trad.: Ramalho Ortigão.
Prof. Bernardo Melgaço da Silva – e-mail: bernardomelga10@hotmail.com -
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Por Que Gritamos?
Por Que Gritamos?
Meditando a Palavra Vera Cristina Weissheimer
Certa tarde, caminhando pelo bairro onde moro, com tristeza fui me despedindo das casas antigas que estão sendo demolidas e transformadas em escombros para dar lugar a prédios enormes. Nesses modernos edifícios já não haverá mais espaço para jardins com romãs, jabuticabeiras e trepadeiras floridas emoldurando o portão de entrada. Haverá um canteiro de grama e, se não for artificial, será proibido pisar. Que graça tem, não pisar na grama e não poder sentir aquelas cócegas no pé?
Parei em um pequeno café para tomar um capuccino e percebi que havia uma criança gritando com a mãe, que por sua vez gritava ainda mais alto com um adolescente, pelo que pude perceber era o filho mais velho que, ao chegar no carro, gritou com o pai.
Mas minha alma se aquietou quando ao meu lado sentou um casal de idosos que falavam baixinho e devagar, bebericavam sem pressa se deliciando com a espuma do café cremoso que só tem naquela esquina. Depois, reparei num casal jovem cujas palavras eram sussurros no ouvido um do outro.
Porque gritamos tanto uns com os outros se podemos falar, assim, devagar e com tanto carinho? Gritamos quando estamos aborrecidos. Gritamos porque perdemos a calma ou quando já não sabemos mais o que dizer. Mas por que gritar quando a outra pessoa está ali ao nosso lado?
O fato é que, quando duas pessoas estão magoadas, seus corações se afastam demais. Para cobrir esta distância precisam gritar para poderem escutar-se mutuamente. Quanto maior o aborrecimento ou a mágoa mais alto temos que gritar para ouvir um ao outro.
Por outro lado, quando amamos não gritamos. Falamos baixinho. E por quê? Porque nossos corações estão muito mais perto. Às vezes estamos tão próximos do coração do outro, que nem precisamos falar, somente sussurramos. E, quando o amor é mais intenso, não necessitamos sequer sussurrar, apenas um olhar basta. Os corações passam a se entender.
Antes de um problema ser grande ele é ainda um probleminha. Como poetiza Paulo Liminski: "Os problemas têm família grande, e aos domingos saem todos a passear. O problema, sua senhora e outros pequenos probleminhas."
Os problemas começam a se multiplicar quando as pessoas não conseguem mais conversar, quando já não tem mais o que dizer um ao outro. Então, se machucam até seus corações se afastarem tanto, mas tanto, que chegará o dia em que a distância será tamanha que não mais haverá possibilidade de voltar, por que no meio caminho haverá uma ponte quebrada.
Gostaríamos de ver nossos problemas resolvidos por decreto. Definitivamente não há decreto que resolva o que o coração quebrou. Às vezes há um retorno nessa estrada em que ambos sabotaram a ponte que os unia, acreditavam que estariam sabotando para o outro e, na verdade ambos ficaram parados em lados opostos do abismo enquanto empurravam a ponte ribanceira a baixo. Perdoar é reconstruir essa ponte. Talvez em outro lugar e de outra forma. Não conseguir perdoar é quebrar definitivamente a ponte sobre a qual se pode passar para reencontrar o outro. E, como diz, Jacques Derrida: "Só existe perdão, se existe, onde existe o imperdoável."
Reconstruir a ponte é resgatar o futuro. Porque o perdão ao acontecer é capaz de remover o peso morto do passado e devolver a vida. Muitas das vezes, antes de tentarmos começar qualquer construção de ponte em direção ao outro é preciso desobstruir os próprios ouvidos para novamente conseguir ouvir sem que o outro tenha que gritar. E diminuir os decibéis da própria voz para que o outro tenha vontade de desobstruir os seus.
Restaurar algumas pontes em nós mesmos – perdoar a si mesmo – ajuda a descobrir quem realmente somos e o que queremos. Os machucados que causamos a nós mesmos precisam ser perdoados para conseguirmos continuar nossa caminhada em busca do material para a restauração de outras pontes.
DEYSE ARAGÃO DE RANGEL MOREIRA
Meditando a Palavra Vera Cristina Weissheimer
Certa tarde, caminhando pelo bairro onde moro, com tristeza fui me despedindo das casas antigas que estão sendo demolidas e transformadas em escombros para dar lugar a prédios enormes. Nesses modernos edifícios já não haverá mais espaço para jardins com romãs, jabuticabeiras e trepadeiras floridas emoldurando o portão de entrada. Haverá um canteiro de grama e, se não for artificial, será proibido pisar. Que graça tem, não pisar na grama e não poder sentir aquelas cócegas no pé?
Parei em um pequeno café para tomar um capuccino e percebi que havia uma criança gritando com a mãe, que por sua vez gritava ainda mais alto com um adolescente, pelo que pude perceber era o filho mais velho que, ao chegar no carro, gritou com o pai.
Mas minha alma se aquietou quando ao meu lado sentou um casal de idosos que falavam baixinho e devagar, bebericavam sem pressa se deliciando com a espuma do café cremoso que só tem naquela esquina. Depois, reparei num casal jovem cujas palavras eram sussurros no ouvido um do outro.
Porque gritamos tanto uns com os outros se podemos falar, assim, devagar e com tanto carinho? Gritamos quando estamos aborrecidos. Gritamos porque perdemos a calma ou quando já não sabemos mais o que dizer. Mas por que gritar quando a outra pessoa está ali ao nosso lado?
O fato é que, quando duas pessoas estão magoadas, seus corações se afastam demais. Para cobrir esta distância precisam gritar para poderem escutar-se mutuamente. Quanto maior o aborrecimento ou a mágoa mais alto temos que gritar para ouvir um ao outro.
Por outro lado, quando amamos não gritamos. Falamos baixinho. E por quê? Porque nossos corações estão muito mais perto. Às vezes estamos tão próximos do coração do outro, que nem precisamos falar, somente sussurramos. E, quando o amor é mais intenso, não necessitamos sequer sussurrar, apenas um olhar basta. Os corações passam a se entender.
Antes de um problema ser grande ele é ainda um probleminha. Como poetiza Paulo Liminski: "Os problemas têm família grande, e aos domingos saem todos a passear. O problema, sua senhora e outros pequenos probleminhas."
Os problemas começam a se multiplicar quando as pessoas não conseguem mais conversar, quando já não tem mais o que dizer um ao outro. Então, se machucam até seus corações se afastarem tanto, mas tanto, que chegará o dia em que a distância será tamanha que não mais haverá possibilidade de voltar, por que no meio caminho haverá uma ponte quebrada.
Gostaríamos de ver nossos problemas resolvidos por decreto. Definitivamente não há decreto que resolva o que o coração quebrou. Às vezes há um retorno nessa estrada em que ambos sabotaram a ponte que os unia, acreditavam que estariam sabotando para o outro e, na verdade ambos ficaram parados em lados opostos do abismo enquanto empurravam a ponte ribanceira a baixo. Perdoar é reconstruir essa ponte. Talvez em outro lugar e de outra forma. Não conseguir perdoar é quebrar definitivamente a ponte sobre a qual se pode passar para reencontrar o outro. E, como diz, Jacques Derrida: "Só existe perdão, se existe, onde existe o imperdoável."
Reconstruir a ponte é resgatar o futuro. Porque o perdão ao acontecer é capaz de remover o peso morto do passado e devolver a vida. Muitas das vezes, antes de tentarmos começar qualquer construção de ponte em direção ao outro é preciso desobstruir os próprios ouvidos para novamente conseguir ouvir sem que o outro tenha que gritar. E diminuir os decibéis da própria voz para que o outro tenha vontade de desobstruir os seus.
Restaurar algumas pontes em nós mesmos – perdoar a si mesmo – ajuda a descobrir quem realmente somos e o que queremos. Os machucados que causamos a nós mesmos precisam ser perdoados para conseguirmos continuar nossa caminhada em busca do material para a restauração de outras pontes.
DEYSE ARAGÃO DE RANGEL MOREIRA
sábado, 6 de junho de 2009
Respiração, a chave para a meditação

Qui, 04 Jun, 02h12
(Matéria atualizada neste sábado, dia 06 de junho)
http://br.noticias.yahoo.com/s/04062009/25/entretenimento-respiracao-chave-meditacao.html
Por Eduardo Diório
São Paulo, 04 (AE) - A medicina tradicional tem realizado, cada vez mais, grandes avanços na descoberta de novos tratamentos para as enfermidades que afligem o ser humano. Paralelamente, as terapias alternativas também têm comprovado que, por meio da sensibilidade e das emoções bem-reguladas, é possível aumentar o bem-estar físico e mental.
A meditação é um poderoso aliado do corpo e da alma que consegue, com alguns exercícios, ajustar o que para muitos parece impossível de ser ajustado."A meditação acalma, nos ajuda a encontrar nossa fonte de luz, criatividade, intuição, saúde e fé", garante Ivete Costa, consultora holística especializada em psicologia transpessoal.
A palavra meditação vem do latim (meditare, que significa voltar-se para o centro, no sentido de afastar-se um curto período de tempo do mundo exterior e voltar a atenção para dentro de si). A técnica, ligada a religiões orientais, como o budismo, é considerada tão antiga quanto a humanidade. Atualmente, porém, não é preciso seguir uma seita para praticá-la. "Por não ser religiosa, demorei para me render aos benefícios da meditação, já que achava que teria de rezar ou conversar com Deus todos os dias.
Seria uma coisa forçada", lembra Fernanda Schultz, cantora e professora de inglês, de 30 anos. Foi um amigo do trabalho que apresentou a técnica a ela. "Ele me levou a um espaço lindíssimo e amei. Os meus pensamentos não eram dos melhores naquela época. Foi aí que percebi que não era preciso ter religião, mas sim estar aberta a novas vivências. Minha vida mudou para melhor. É a pura verdade."
Assim como Fernanda, milhares de pessoas tentam encontrar a luz no fim do túnel praticando diariamente a meditação. De acordo com uma pesquisa norte-americana elaborada no ano passado pela Universidade de Massachusetts, mais de 10 milhões de pessoas meditam regularmente somente nos Estados Unidos.
Para que a dedicação dê resultados, é preciso fazer uso de uma importantíssima ferramenta natural: a respiração. Não pense, porém, que é aquela respiração automática - e muitas vezes feita de maneira errada. É preciso reaprender a respirar e, assim, começar a usufruir de benefícios físicos e emocionais.
Segundo a equipe de profissionais da organização não-governamental (ONG) Arte de Viver, quando respiramos errado os pulmões são forçados e acabam precisando se movimentar rapidamente para garantir o fluxo de oxigênio necessário. Como consequência, o coração também é obrigado a acelerar o ritmo para conseguir fornecer sangue suficiente e transportar o oxigênio.
O resultado disso é a desorganização de vários órgãos, principalmente o cérebro, o que provoca reações negativas no corpo, como ansiedade e estresse. E a meditação é vista como capaz de exterminar esses dois vilões.
A respiração correta é como a dos bebês, que inspiram e expiram profunda e lentamente. Quando a pessoa leva ar para a parte inferior dos pulmões, onde as trocas de oxigênio são mais eficazes, tudo no corpo se modifica. O ritmo cardíaco e a pressão arterial diminuem, os músculos relaxam, a ansiedade cessa e a mente se acalma. "Com este tipo de respiração é possível melhorar a má digestão, aliviar a ansiedade, elevar a qualidade do sono, entre outros benefícios. Isso prova o poder da meditação", afirma Cristina Armelin, psicóloga e coordenadora da ONG .
Para alcançar uma forma de respiração mais eficiente, a receita é a prática: exercícios constantes, que podem ser feitos em casa ou nos centros de meditação, em sessões de aproximadamente 20 minutos por dia. Como a respiração correta ajuda a aliviar a mente das frustrações passadas e da ansiedade com o futuro, ela tem a capacidade de trazer o indivíduo para o momento presente, melhorando a sua qualidade de vida. Para muita gente, o problema está exatamente aí, por não saber como esvaziar a mente, principalmente durante o trabalho de meditação.
"No começo, quem é mais disperso terá um pouco de dificuldade para aprender a se desligar", avisa Lucimara Soares, professora de ioga e meditação da Escola Yoga HariOm. Ela, que pratica a técnica de relaxamento há 11 anos, garante que é possível neutralizar os pensamentos com o tempo.
"A pessoa precisa começar a prestar atenção na respiração. Feito isso, quando aquele turbilhão de ideias surgir, o importante é focar em apenas uma coisa por vez. Perceba no que está pensando e volte a focar na respiração." Assim, segundo Lucimara, a pessoa adquire a capacidade de se concentrar cada vez mais na respiração e menos nos pensamentos.
DE PÉ, SENTADO OU DEITADO?
A postura ideal para descansar a mente varia de pessoa para pessoa. "Tem gente que prefere meditar sentado, na chamada posição de lótus, com as pernas cruzadas. Outras gostam de relaxar deitadas em um local macio. O importante é deixar a coluna esticada e sentir-se confortável. Com o tempo, dá para incrementar com outros movimentos e até para meditar de pé", conta.
Para que isso ocorra, é importante ter dedicação diária de no mínimo 15 minutos. "Quando estiver seguro, aumente o tempo até chegar a uma hora. Aí, poderá sentir o corpo vibrando e conseguir emanar energia para os chacras."
De acordo com Pedro Tornaghi, astrólogo e professor de meditação, "todo ser humano tem sete chacras, ou centros de energia que, espalhados pelo corpo, funcionam como redemoinhos que captam, absorvem e distribuem a energia pelo organismo".
Por meio da meditação, é possível renovar a energia pessoal, livrando-se dos pensamentos negativos e das tensões focalizando em cada chacra. "Em consequência, também desaparecem as dores de origem psicossomáticas, provocadas pela distância entre o real e o idealizado pela mente."
quarta-feira, 3 de junho de 2009
OS VALORES HUMANOS E A SUTILIZAÇÃO DA SENSIBILIDADE
Segue abaixo parte do capitulo 2 da minha dissertação de mestrado defendida em 1982 na COPPE/UFRJ:
Os valores são os "nutrientes culturais" ou os alimentos de uma sociedade. Se ela está mal nutrida, a consequência é a debilidade psiquica-espiritual. A qualidade dos valores determinará a saúde de cada sociedade. A desorganização dos valores da sociedade moderna se reflete na desorganização psíquica do indivíduo que se "infecta" cada vez mais, sem conseguir recuperar o equilíbrio psíquico-espiritual.
"Os meios de comunicação - televisão, Hollywood, rádio, revistas e jornais - literalmente bombardeiam o ser em crescimento com toda sorte de estímulos e elementos sobre o que acreditar, como comportar-se, que espécie de linguagem usar, como vestir, que estilo de vida seguir, e até como evitar o envelhecimento. Há sempre a mensagem implícita: É assim que deve pensar e agir se quiser ir para a frente, ter sucesso, impressionar seus superiores e ser atraente sexualmente. Depois vem o grupo de pares, uma das mais influentes entre as forças moralizadoras. "Se quiser pertencer e ser aceito, eis como deve pensar e agir". Acrescente-se a essas os líderes políticos, os líderes do movimento juvenil, os heróis folclóricos e do rock, os vultos do esporte, cada qual acrescentando à confusão um novo conjunto de moralizações. e eis o dilema da criança de hoje.
Qualquer uma dessas moralizações pode ser muito sábia ou muito tola, útil ou prejudicial, moral ou imoral. Mas, quem sabe? Por certo, não o ser jovem, que, apanhado em meio ao fogo cruzado, mal pode entender alguma coisa.
Tentamos ensinar valores, mas num mundo de confusão e conflito em torno de valores isso não é bastante. Não importa o quão sinceros sejamos em nosso desejo de ajudar, tudo o que damos ao ser jovem é mais um elemento, mais uma mensagem moralizadora, que entra em seu superlotado computador para ser processada junto com o resto" (KIRSCHENBAUM e SIMON,1977,p.287-288).
Ainda segundo SKOLIMOWSKI (1989,p.3), os quatro valores que moldaram a psique ocidental são:
a) os valores gregos ou homéricos;
b) os valores judaico-cristãos ;
c) os valores renascentistas;
d) os valores econômicos e tecnológicos da sociedade moderna.
Esses valores podem estar num equilibrio harmônico ou podem se rejeitar, originando um desequilíbrio conflituoso e particularmente grave quando operam sem a supervisão de nossa consciência. E as técnicas de "sutilização da sensibilidade" são importante apoio para reforçar essa necessária supervisão.
A "areté" helênica, que podemos traduzir como "virtude", é um conceito significativamente mais amplo do que o nosso conceito de excelência técnica, vista em termos de eficiência industrial. A cultura grega não estava preocupada com a especialização mas sim com a busca da versatilidade. Segundo SKOLIMOWSKI (1989):
"Tal cultura abarcou uma diversidade de aspectos nos quais as coisas particulares tinham significação como partes de um todo maior [...] A mente moderna divide, classifica, especializa, pensa através de categorias enquanto a mente grega buscava a totalidade, a visão mais ampla e um todo orgânico" (p.4).
Embora ainda admiremos a areté dos gregos, infelizmente perdemos de nosso campo de visão seu significado de "sutilização da sensibilidade".
Os valores são os "nutrientes culturais" ou os alimentos de uma sociedade. Se ela está mal nutrida, a consequência é a debilidade psiquica-espiritual. A qualidade dos valores determinará a saúde de cada sociedade. A desorganização dos valores da sociedade moderna se reflete na desorganização psíquica do indivíduo que se "infecta" cada vez mais, sem conseguir recuperar o equilíbrio psíquico-espiritual.
"Os meios de comunicação - televisão, Hollywood, rádio, revistas e jornais - literalmente bombardeiam o ser em crescimento com toda sorte de estímulos e elementos sobre o que acreditar, como comportar-se, que espécie de linguagem usar, como vestir, que estilo de vida seguir, e até como evitar o envelhecimento. Há sempre a mensagem implícita: É assim que deve pensar e agir se quiser ir para a frente, ter sucesso, impressionar seus superiores e ser atraente sexualmente. Depois vem o grupo de pares, uma das mais influentes entre as forças moralizadoras. "Se quiser pertencer e ser aceito, eis como deve pensar e agir". Acrescente-se a essas os líderes políticos, os líderes do movimento juvenil, os heróis folclóricos e do rock, os vultos do esporte, cada qual acrescentando à confusão um novo conjunto de moralizações. e eis o dilema da criança de hoje.
Qualquer uma dessas moralizações pode ser muito sábia ou muito tola, útil ou prejudicial, moral ou imoral. Mas, quem sabe? Por certo, não o ser jovem, que, apanhado em meio ao fogo cruzado, mal pode entender alguma coisa.
Tentamos ensinar valores, mas num mundo de confusão e conflito em torno de valores isso não é bastante. Não importa o quão sinceros sejamos em nosso desejo de ajudar, tudo o que damos ao ser jovem é mais um elemento, mais uma mensagem moralizadora, que entra em seu superlotado computador para ser processada junto com o resto" (KIRSCHENBAUM e SIMON,1977,p.287-288).
Ainda segundo SKOLIMOWSKI (1989,p.3), os quatro valores que moldaram a psique ocidental são:
a) os valores gregos ou homéricos;
b) os valores judaico-cristãos ;
c) os valores renascentistas;
d) os valores econômicos e tecnológicos da sociedade moderna.
Esses valores podem estar num equilibrio harmônico ou podem se rejeitar, originando um desequilíbrio conflituoso e particularmente grave quando operam sem a supervisão de nossa consciência. E as técnicas de "sutilização da sensibilidade" são importante apoio para reforçar essa necessária supervisão.
A "areté" helênica, que podemos traduzir como "virtude", é um conceito significativamente mais amplo do que o nosso conceito de excelência técnica, vista em termos de eficiência industrial. A cultura grega não estava preocupada com a especialização mas sim com a busca da versatilidade. Segundo SKOLIMOWSKI (1989):
"Tal cultura abarcou uma diversidade de aspectos nos quais as coisas particulares tinham significação como partes de um todo maior [...] A mente moderna divide, classifica, especializa, pensa através de categorias enquanto a mente grega buscava a totalidade, a visão mais ampla e um todo orgânico" (p.4).
Embora ainda admiremos a areté dos gregos, infelizmente perdemos de nosso campo de visão seu significado de "sutilização da sensibilidade".
terça-feira, 2 de junho de 2009
ANTES QUE...

Antes que o tempo se escoe
Antes que a vida perca sentido
Antes do antes
Antes do depois
Antes do fim de tudo
Antes do nada
Antes que o sol se ponha
Antes que a lua apareça
Antes que a fantasia se vá
Antes que o sorriso saia da moda
Antes que o pássaro voe para o seu ninho
Antes que a rosa exale seu perfume
Antes que a escuridão seja trevas
Busque em ti o tesouro perdido
Não adie essa busca inevitável
Ela algum dia deverá ser feita
Você é o tesouro e o aventureiro
Você é o mapa e o território
Ame e converse consigo mesmo
Fale com sua essência divina
Que habita dentro de ti
Diga a ela sobre a sua vida
Suas angustias
Seus medos
Seus desejos
Sua covardia perante a vida
Abrace a si mesmo como se estivesse abraçando a sua essência
Não tenha vergonha
Não se ache louco
Pois Ela é o tesouro que jamais imaginaste
É algo tão belo
Que sua luz pode "cegá-lo"
Se defrontares com Ela de supetão
É a fragrância que jamais sentiste em toda a sua vida
É o prazer que nunca experimentaste
Está além do sexo, anos-luz de distância
É a estrela que você gostaria de ter em suas mãos
É a música jamais composta por alguém
Ela é real e bela
Ela é simplesmente a essência de Deus
Não acredites que Deus não existe
Isso é para os céticos duros de coração
Não para você
Deus é a natureza externa e interna do homem
A natureza interna virgem querendo ser viciada
Fale com Ela
Busque o mapa com os princípios leais
Siga um caminho ou método
Case com sua vontade no início de sua jornada interior
Se “apaixone” por sua fé
Faça de você uma relação experimento-experimentador
Analise e conclua os resultados
Corrija o método e o mapa assim que for necessário
Tome cuidado quando se apaixonar pela informação
Como alguém se apaixona por uma mulher ou homem
Pois a informação pode ser sua própria prisão ou liberdade
Depende como você a usar
Fique alerta consigo mesmo
Na espreita que na selva interior
Que você mesmo criou existe um mundo de feras
Você terá que enfrentá-las uma a uma
São feras de outras vidas e dessa também
Sabendo disso não crie mais feras quando iniciar a jornada interior
Cada palavra composta de pensamento-emoção pode ser uma fera
Seja inteligente e evite construir mais monstros interiores
A ilusão está em você acreditar que os monstros estão na selva da vida de fora
Alguém disse: “A Verdade é absoluta, isso é verdade”
Nesse momento essa pessoa jogou em si mesma uma chispa de luz
A cada insight que você tem
Você está se iluminando
Esteja alerta!
Os místicos, os religiosos, os crentes e os presidentes
Todos são Deuses assim como todos os homens e mulheres
Apesar de nós não percebermos assim
Isso porque nos cegamos para uma outra realidade
O cego não é só aquele que não vê com seus olhos físicos
Mas também e principalmente aquele que não vê com a alma
Deus fala através do próprio homem
Uma mesma palavra serve de comunicação
Para vários níveis da nossa consciência
Assim se não serve para você – respeite!
Admita humildemente que não captou a mensagem
Ou que a mensagem não está para o seu nível de consciência
Pois para o outro pode ser a própria chave para a Iluminação
É assim que o Criador estabelece um contato
Contato tão belo e tão inteligente
Que está muito além da nossa mente e da nossa emoção profana
Assim quando iniciares a viagem interior
Acordarás de madrugada fazendo poesia para você mesmo
Como eu estou fazendo agora
Rindo sozinho como os loucos fazem com tamanha naturalidade
Os loucos também são deuses!
Use a sua imaginação
Como o grande mestre Einstein brilhantemente usou a dele
Use a sua fé
Como o inesquecível mestre Jesus Cristo aplicou
Fale com os pássaros, as árvores e os animais
Como São Francisco de Assis
Não fiques tímido
A timidez é uma das resistências na busca do tesouro
Mas se por um instante se rebelares
Aprenda a se perdoar a cada instante
Quando a gente aprende a se perdoar
Saberemos perdoar o nosso semelhante
E aí estaremos dando passos importantes de aproximação rumo ao tesouro “perdido”
Adquira o hábito da concentração em seu pensamento-emoção
No início qualquer processo é árduo
Mas ao longo do “tempo” vai ficando suave e tão natural
Que um pensamento que antes era visto como poeira
Agora com a prática da meditação ou concentração
Se torna uma grande pedra a nossa frente
O que antes se tornava impossível de perceber
Agora lhe é tão familiar
Nosso poder de concentração é infinito!
Pense: seriam loucos os iogues?
Que há milhares de anos buscam a perfeição
Da concentração em si mesmos!
Estariam eles perdendo tempo a toa?
Alguém em sã consciência pode admitir que os budistas são pessoas vãs?
Que ficam fazendo mantras – que são repetições de expressões sagradas
Em posição de lótus
Tudo tem a ver com tudo
Nada é feito por acaso
O acaso é a mãe da ignorância
As vezes pensamos que somos aquilo que pensamos
Já pensou e percebeu intimamente que o pensamento é energia?
E que sendo energia deve existir uma fonte que a gera
E que próximo da fonte existe sempre uma carga
Então o pensamento-emoção negativo não é a fonte
Esse pensamento-emoção é a informação-carga
A fonte e a carga parecem ser a mesma coisa mas isso é ilusão
Assim como uma mãe gera um filho
Você gera um pensamento-emoção
O filho não pertence a mãe
Ele veio através dela
Da mesma forma o pensamento-emoção veio através de você
Ele não lhe pertence: não o aprisione, liberte-o
Ele já possui vida própria
Ele crescerá como cresce o filho
Você é “Deus e o Diabo” disse Jesus
Você é a “Fonte e a Carga” digo eu
Você é a “Energia e a Informação”
São coisas distintas que precisam ser percebidas
Para se encontrar o tesouro “perdido”
Caso você não consiga perceber
A carga poderá querer tomar o lugar da fonte
E aí é o cavalo que assume o comando no lugar do cavaleiro
Imagine o que pode acontecer
Sabendo que no seu caminho existem abismos
Qual será o destino dessa viagem?
Sem dúvida - o precipício!
A menos que o cavaleiro assuma o seu verdadeiro comando
E que o cavalo saiba que existe um cavaleiro
Inteligente e gentil para com ele
Você é os dois!
Assim como a moeda tem dois lados
Você é a moeda também
Vá em frente!
Continue buscando o seu tesouro “perdido”
Na certeza de que a vida é mais fantástica
Que qualquer filme já lhe causou emoção
E se um dia todos os homens ao mesmo tempo
Conseguissem fazer um contato por alguns segundos
Com suas centelhas divinas
Nesse instante a Terra mudaria
Todos os homens se abraçariam
E chorariam de alegria e felicidade
E perceberiam a estupidez da violência
Da competição
Da ignorância
Do medo
Da vergonha
Da desconfiança
Da mentira
Perceberia naquele instante
A beleza da vida
Que a morte física não existe
Que a vida é contínua
Que a felicidade só depende
De encontrarmos a nossa centelha divina
Pois essa é a verdadeira felicidade
O verdadeiro amor
A verdadeira sabedoria
A verdadeira compaixão
A verdadeira piedade
A verdadeira coragem
A verdadeira fé
O verdadeiro Deus em nós mesmos
Assim como um guerreiro se arma para a guerra
Faça o mesmo!
Arme-se de coragem, vontade e fé
A verdadeira luta como disse o mestre Buda
É interna
É a batalha mais difícil que podemos realizar
Como disse Buda:
“É mais fácil vencer uma ou mais batalhas com vários inimigos do que vencer a batalha interior”
É a certeza que durante essa batalha você tem que “morrer”
Simbolicamente ou alquimicamente
É a morte do ego, da personalidade
E não tem como fugir da batalha
É necessário enfrentarmos essa “morte”
Ë quando você começa morrer para essa vida
Você entende as palavras do mestre Jesus
“Precisamos nascer e morrer em vida para nascer para a eternidade”
Essa “morte” é da consciência e não do corpo físico
O pensamento-emoção é o desvio no mapa
O fluxo da energia divina é o território
Essa é a chave
Esse é o caminho
A medida que aperfeiçoamos o mapa
O caminho fica mais nítido
E o território vai se revelando
Em seqüências de êxtases deslumbrantes
A confiança aumenta
E o ser vai se ajustando...ajustando
Harmonizando e entrando um no outro
Até o acoplamento e finalmente o casamento das duas consciências
Aí nesse instante o grande sonho se revela
A vida fica colorida
O infinito se torna possível
E o paraíso nos espera para sempre
Não mais como homens
Mas como Filhos de Deus
Semelhantes ao Pai
Espero vocês nos braços do Pai
Retornando de volta a Casa do nosso Pai-Deus
Feliz!!!
Poema que escrevi em 1988 e dedicado ao meu amigo e professor Miguel de Simoni (falecido em 2002) da COPPE/UFRJ
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