porque convergimos e integramos com AMOR, VERDADE, RETIDÃO, PAZ E NÃO-VIOLÊNCIA

dedicamos este espaço a todos que estão na busca de agregar idéias sobre a condição humana no mundo contemporâneo, através de uma perspectiva holística, cujos saberes oriundos da filosofia, ciência e espiritualidade nunca são divergentes; pelo contrário exige-nos uma postura convergente àquilo que nos move ao conhecimento do homem e das coisas.
Acredito que quanto mais profundos estivermos em nossas buscas de respostas da consciência melhor será para alcançarmos níveis de entendimento de quem somos nós e qual o propósito que precisaremos dar as nossas consciências e energias objetivas e sutis para se cumprir o projeto de realização holística, feliz, transcendente, consciente e Amorosa.

"Trata-se do sentido da unidade das coisas: homem e natureza, consciência e matéria, interioridade e exterioridade, sujeito e objeto; em suma, a percepção de que tudo isso pode ser reconciliado. Na verdade, nunca aceitei sua separatividade, e minha vida - particular e profissional - foi dedicada a explorar sua unidade numa odisseia espiritual". Renée Weber

PORTANTO, CONVERGIR E INTEGRAR TUDO - TUDO MESMO! NAS TRÊS DIMENSÕES:ESPIRITUAL-SOCIAL-ECOLÓGICO

O cientista (psicólogo e reitor da Universidade Holística - UNIPAZ) PIERRE WEIL (1989) aponta os seguintes elementos para a falta de convergência e integração da consciência humana em geral: "A filosofia afastou-se da tradição, a ciência abandonou a filosofia; nesse movimento, a sabedoria dissociou-se do amor e a razão deixou a sabedoria, divorciando-se do coração que ela já não escuta. A ciência tornou-se tecnologia fria, sem nenhuma ética. É essa a mentalidade que rege nossas escolas e universidades"(p.35).

"Se um dia tiver que escolher entre o mundo e o amor...Lembre-se: se escolher o mundo ficará sem o amor, mas se escolher o amor, com ele conquistará o mundo" Albert Einstein

sexta-feira, 19 de junho de 2009

CRISE E OPORTUNIDADE: A MIRAGEM DO DESEJO



O que acontece na mente de um sujeito que vagando a esmo no deserto sem água e comida durante dias, vislumbra alguns metros a sua frente uma poça de água cristalina e ao lado dela vê algumas frutas caídas de uma árvore sadia e farta? É um fenômeno que podemos chamar de projeção. Assim, acontece também nas relações afetivas quando estamos carentes de algo que nos falta e que acreditamos que vai nos saciar a sede ou matar nossa fome de carinho e necessidade de Amor. E da mesma forma, que o peregrino solitário do deserto, nos comportamos da mesma forma, ou seja, saímos correndo e nos jogamos naquela imagem projetada e depois caímos na real e quente areia do imenso deserto carente de tudo. A fraqueza humana tem um momento limite em que o que era irreal se torna real para se fazer acreditar que é possível continuar acreditando em nossos sonhos ¿ mesmo que utópicos! O princípio da loucura começa quando perdemos o discernimento da linha divisória que separa o possível e o impossível, a fantasia e a realidade. De modo que, como pode um homem negar seus desejos de ter a beleza do ouro que resplandece na face divina de uma bela mulher de traços finos e delicados que ao mesmo tempo está e não está acessível aos desejos dele? E esse homem se projeta bebendo daquela água que não existe apesar de se poder ver a luz por trás de uma face e corpo extremamente encantador. Será a miragem do desejo ou será a realidade do Amor que ilumina por um segundo aquele ser e depois vai-se embora tão inesperadamente da mesma forma como veio?
Então, me pergunto que mistério é esse que se oculta nas projeções dos sentimentos e nos faz criar uma imaginação tão fértil e tão bela fazendo-nos suspirar de alegria e contentamento na velocidade de um raio de luz? E no momento seguinte a sensação do amargo fel da decepção e da frustração por não ter se saciado como pretendia o desejo. E assim, adia-se para mais um outro encontro a necessidade de sentir com o outro algo que somente percebemos quando estamos no deserto das paixões e das carências não resolvidas. O deserto simbolicamente representa a nossa caminhada em busca de uma fonte transcendente que venha nos suprir fortalecendo-nos com a pureza da vida bela e perfeita. E como não a encontramos em nosso íntimo ficamos vagando a esmo tentando encontrar de forma irreal projetada num espaço e tempo distante do EU. E cada um nesse jogo ilusório da percepção, atua de forma inconsciente querendo beber aonde não tem água; querendo colher e comer a fruta na árvore seca que nada tem para servir. É um mundo deserto criado pelas inúmeras carências humanas acumuladas ao longo da vida de desejos e sofrimentos. O resultado de tudo isso é a projeção psicológica de um mundo fictício sem as carências desejosas que nos afligem e nos faz agir no sentido da superação de fato ou mesmo apenas temporal. E quem em bom juízo pode negar que não tem carências ou fraquezas? Seria, então, parte de uma trajetória humana vencer a si mesmo superando suas projeções psicológicas? E assim, quem supera uma projeção psicológica se dá conta de quanto ainda tem a caminhar superando-se para se purificar na longa estrada de encontros e sofrimentos causados por sentimentos camuflados e latentes a espera de se expressarem no mundo das relações humanas para poderem ser vistos e compreendidos definitivamente. Em suma, ninguém está em terra farta, todos estão caminhando num longo deserto de carências e desejos. E como já dizia Dom Hélder Câmara: O deserto é fértil?. Só nos resta continuar esperando um dia não mais encontrar miragens a nossa frente, mas a verdadeira fonte que sacia definitivamente a nossa necessidade e desejo de Amar profundamente e completamente a tudo e a todos. Então, que seja eterno enquanto dure ou que seja duradouro porque é eterno? Mas, vale ter projeções do que não ter nenhum sonho utópico. Isto porque, quando projetamos estamos caminhando atendendo a um convite supremo e sagrado: TENTE NOVAMENTE VIVER AMANDO - SEMPRE! Prof. Bernardo Melgaço da Silva bernardomelgaco@yahoo.com.br

OS MUTANTES E OS ESTAGNANTES – Uma Nova Humanidade para um novo milênio”


LI RECENTEMENTE UM LIVRODE RELEVANTE VALOR ESPIRITUAL. O autor é o mestre e psicólogo Pierre Weil. Nesse livro ele discute as etapas evolutivas da consciência humana. Ele divide a evolução humana em três grandes fases. Num extremo temos o ser Estagnante, e no outro encontramos o ser Iluminado. E no meio entre esses dois extremos encontramos o ser Mutante. O ser mutante seria a ponte para um novo paradigma existencial onde desaparecia de vez por toda a ilusão de separatividade (ser-mundo, sujeito-objeto etc) e suas consequencias nefastas no mundo objetivo humano. A meta do Mutante é alcançar conscientemente o estado de consciência Transpessoal (em seu nível mais elevado é o Amor Divino). Essa meta é a realização plena onde o ser se encontrará consigo mesma numa viagem interior saindo de um pólo estagnante e terminando na sua descoberta transpessoal-espiritual. Essa transformação interior é tão profunda que transcende o tempo e espaço vivenciado pelo homem comum (estagnante) preso ainda as suas percepções racionais-instintivas da realidade psicológica tridimensional. No mundo inteiro, vários indivíduos experimentaram essa mudança de estado de consciência indescritível. No seu livro Pierre Weil cita vários casos de indivíduos que sentiram e iniciaram uma nova jornada a partir dessa mudança profunda e radical. E ela é tão radical que devolve ao ser a visão holística onde se pode perceber diretamente a unidade e a totalidade da vida e do saber em seus vários planos de realizações e valores. Assim comenta Pierre Weil em seu livro:
“Os valores que movem os mutantes são bem diferentes daqueles dos estagnantes. Embora integrem os valores do intelecto e da razão na busca da verdade como os estagnantes, os valores dos mutantes estão bastante ligados ao amor do coração, à compaixão, à ternura, ao carinho, à criatividade da inspiração, à poesia, à beleza, à alegria, à fome de saber, à intuição, ao conhecimento da verdade, à pureza de alma, à elevação espiritual, ao sagrado e ao divino” (p.113).
Assim, a humanidade atual segue um caminho de realização onde os estagnantes são mais predominantes do que os mutantes. Por isso, o mundo vivencia tanta violência, exploração, dor e insensibilidade. O que vemos na verdade é uma catarse global onde o ser manifesta a sua condição humana de confusão e caos interior. Nesse sentido, a mudança interior (profunda e radical) é condição primeira para uma transformação profunda de verdade da realidade social, política, ecológica, ética e espiritual. E nesse processo global atual em que vivenciamos continuaremos hipnotizados buscando cada vez mais do lado de fora racional – no exterior do mundo social, político e econômico – o princípio de tudo que já existe dentro de cada um: a condição transpessoal do humano e da humanidade.
Nesse contexto, a mudança do ser implicará numa mudança de perspectiva e sentido de vida: uma mudança tão profunda e radical que poucos conseguirão aceitar e trabalhar para o sucesso dessa transformação íntima-interior. Por isso, a educação de valores e a cultura de ensinamentos holísticos-espirituais deverão ser a tônica desse novo milênio. Pois, a vida tem um sentido transpessoal e eterno. Somos seres mutantes na jornada de si mesmo para si mesmo: autotransformação universal, espiritual, cósmica e quântica (energia sutil saltando e mudando de níveis e realidades paralelas).

Mais de 1 bilhão de pessoas passarão fome em 2009, segundo a FAO



http://br.noticias.yahoo.com/s/19062009/40/entretenimento-1-bilhao-pessoas-passarao-fome.html (19/06/2009)
42 minutos atrás
Roma, 19 jun (EFE).- Um total de 1,020 bilhão de pessoas passarão fome em 2009, o que representa um número recorde, segundo informou hoje a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO).

A FAO, em comunicado emitido em sua sede em Roma disse que se prevê que este ano o número de vítimas da fome aumente 11%.
Para estabelecer estas previsões, a FAO se baseou nas análises do departamento de Agricultura dos Estados Unidos.
Este organismo atribui esse aumento à crise econômica mundial, que originou uma diminuição da renda e um aumento do desemprego, o que ajudou na redução ao acesso aos alimentos por parte dos mais desfavorecidos.
A maior parte da população desnutrida do planeta vive em países em vias de desenvolvimento, informou esta organização.
Na Ásia e no Pacífico calcula-se que cerca de 642 milhões de pessoas sofrem com fome crônica, 265 milhões em África Subsaariana, 53 milhões na América Latina e no Caribe, 42 milhões na África do norte e Oriente Médio e 15 milhões nos países desenvolvidos.
A FAO disse que os pobres que moram em zonas urbanas serão os que terão mais dificuldades para enfrentar à recessão mundial, já que a queda da demanda de exportações e a redução do investimento estrangeiro direto causarão um aumento no desemprego urbano.
No entanto, o órgão informou que as áreas rurais deverão enfrentar o problema que vai representar o retorno de parte dessa população urbana para o campo.
Além disso, a FAO manifestou que os países em desenvolvimento terão uma menor capacidade de manobra nesta crise devido à rápida deterioração do contexto econômico e a que as turbulências afetam todo o mundo de forma mais ou menos simultânea.
Isto limita a capacidade de se recorrer a mecanismos reparadores para se ajustar aos vaivéns macroeconômicos, como a desvalorização da moeda ou empréstimos no mercado internacional de capitais. EFE

quinta-feira, 11 de junho de 2009

BUSCA-ME


(AMORC- CANTOS DO AMANHECER No 1)
Rubens Romanely
Quando nas horas de íntimo desgosto o desalento te invadir a alma e as lágrimas te aflorarem aos olhos.
Busca-ME!
EU SOU aquele que sabe sufocar teu pranto e estancar tuas lágrimas.

Quando te julgares incompreendido pelos que te circundam e vires que a tua volta a indiferença recrudesce.
Acerca-te de MIM!
EU SOU a luz sob cujos raios aclaram a pureza de tuas intenções e a nobreza de teus sentimentos.

Quando se te extinguir o ânimo para arrastares a vicissitudes da vida e te achares na eminência te desfalescer.
Chama-ME!
EU DOU a força capaz de remover-te as pedras dos caminhos e sobrepor-te as adversidades do mundo.

Quando inclementes te açoitarem os vendavais da sorte e já não souberes onde reclinar a cabeça.
Corre para junto de MIM!
EU SOU o refúgio em cujo seio encontrarás guarida para o teu corpo e tranqüilidade para o teu coração.

Quando te faltar a calma nos momentos de maior aflição e te julgares incapaz de conservar a serenidade.
Invoca-ME!
EU SOU a paciência que te faz vencer os caminhos mais dolorosos e triunfar nas situações mais difíceis.

Quando te debateres nos paroxismos da dor e tiveres a alma ulcerada pelos abrolhos caminhos.
Grita por MIM!
EU SOU bálsamo que cicatriza tuas chagas e minora teus padecimentos.

Quando o mundo te iludir com suas promessas falazes e perceberes que já ninguém podes inspirar-te confiança.
Venha a MIM!
EU SOU a sinceridade que sabe corresponder a fraqueza de tuas atitudes e a excelsitude de teus ideais.

Quando a tristeza e a melancolia te povoarem o coração e tudo te causar aborrecimento.
Chama por MIM!
EU SOU a alegria que insufla um alento novo e te faz conhecer o encanto de teu mundo interior.

Quando um a um te fenecerem os ideais mais belos e te sentires no auge do desespero.
Apela para MIM!
EU SOU a esperança que te robustece a fé e acalenta os sonhos.

Quando a impiedade se recusar de revelar-te as faltas e experimentares a dureza do coração humano.
Procura-ME!
EU SOU o perdão que te levanta o ânimo e promove a reabilitação do teu Espírito.

Quando duvidares de tudo até de tuas próprias convicções e o ceticismo te avassalar a alma.
Recorre a MIM!
EU SOU a Crença [Fé] que te inunda de luz e entendimento e que te reabilita para a conquista da felicidade.

Quando já não provares a sublimidade de uma aflição sincera e te desiludirem os sentimentos de teu semelhante.
Aproxima-te de MIM!
EU SOU a renúncia que te ensinou a não revidar a ingratidão dos homens e a esquecer a incompreensão do mundo.

Quando enfim quiseres saber quem SOU pergunte ao riacho que murmura e ao pássaro que canta; a flor que desabrocha e a estrela que cintila; ao moço que espera e ao velho que recorda.
EU SOU a dinâmica da vida e a harmonia da natureza.
Chama-ME Amor. O remédio para todos os males que atormenta o Espírito.

Estenda-me tua mão ó alma Filha da Minha Alma que eu te conduzirei numa seqüência de êxtase e deslumbramento às serenas mansões do infinito sob a luz brilhante da eternidade...DEUS!

terça-feira, 9 de junho de 2009

OS TRÊS IRMÃOS CRIADORES E AS TRÊS IRMÃS CRIADORAS: O TRABALHO, O TEMPO E A REALIZAÇÃO – A FÉ, A VONTADE E A SENSIBILIDADE

Contam os historiadores e filósofos que no mundo metafísico da consciência existe uma família composta por três irmãos e três irmãs que vivem construindo e desconstruindo a realidade ininterruptamente. Eles vivem para servir ao homem e ao Criador dos homens. Esses três irmãos sutis são conhecidos racionalmente por nós como: Trabalho, Tempo e Realização. E cada um deles tem uma característica especial. O trabalho, por exemplo, é movido por uma energia misteriosa oriunda do cosmo. O tempo, por sua vez, é guiado por uma lógica denominada razão. E a realização existe porque é a fonte de todo sentido da criação humana e surpra-humana. Eles vivem em constante interação e relação. A maneira como interagem e se relacionam produz dois caminhos de poder: riqueza, verdade, abundância, ética, Amor, compaixão, fraternidade, liberdade, etc. – ou pobreza, escassez, retórica, moral, ódio, intriga, egoísmo, escravidão, etc.
Eles nunca vão deixar de existir. São seres eternos e poderosos criados pelo Poder Soberano divino de Deus-Pai. Deus quis assim! Eles estão agindo em nossas consciências sem nos darmos conta. Emprestamos nossas energias a eles e eles em função de nossas intenções ou propósitos procuram manifestar os nossos desejos. Por isso, devemos sempre refletirmos o que vamos intencionar a cada momento do pensamento e do sentimento. Qualquer intenção é motivo de eles agirem e construirem a realidade que desejamos consciente ou inconscientemente.
O trabalho tem um poder fantástico, mas muitas das vezes se deixa limitar pelo irmão tempo. O tempo introduz uma divisão profunda no trabalho tornando-o pequeno demais. Mas, essa divisão não é de todo ruim porque permite ao trabalho se reorganizar em função dos limites impostos pelo tempo. Uma vez o trabalho dividido ele pode ser controlado em cada uma de suas partes. O lado negativo disso é que pode no extremo produzir uma mecanização e robotização humana. O ser humano inconsciente das ações do trabalho e do tempo perde a referência da existência da realização e todo o seu poder. Isso implica dizer que o poder do tempo afeta também a realização quando o trabalho se torna pequeno demais, isto é, quando o trabalho perde a sua razão de ser. Em outras palavras, a divisão de poder quando pende para o tempo produz conseqüências espirituais incalculáveis. Por isso, o equilíbrio de poder entre eles é fundamental para a construção de um mundo justo e harmonioso.
O poder entre eles tem de ser tal forma que permita cada um se manifestar de forma soberana e independente. A liberdade de ser do trabalho, do tempo e da realização é sine qua non para o processo de construção da vida em todas as esferas da existência. A realização se torna extremamente vulnerável quando as limitações impostas pelo poder do tempo obriga um sentido concreto de criação da realidade. Nesse sentido, a realização perde a essência de sua existência que é de conduzir toda a criação para uma ascensão fora do domínio do tempo e, portanto, fora do mundo concreto. E para além do poder do tempo a realização se torna de fato soberana e verdadeiramente amorosa. Por isso mesmo, existe uma tensão na relação entre eles. Cada um procura dar tudo de si para a criação da vida no trabalho, no tempo e no sentido de realização que o desejo humano intenciona obter ou decidir fazer.
Creio que foi Goethe quem afirmou:
“Todos os tipos de coisas ocorrem para nos ajudar, que em outras circunstâncias nunca teriam ocorrido. Todo um fluir de acontecimentos: formas imprevistas de coincidências, encontros e ajuda material, que nenhum homem jamais poderia ter sonhado encontrar em seu caminho, surge a nosso favor, como resultado da decisão. Qualquer coisa que você possa fazer ou sonhar. A coragem contém em si mesma, o poder, o gênio e a magia”.
A atenção para esses três irmãos-poderes é crucial para a ocorrência de coisas boas ou não. A fraqueza humana e a acomodação impedem que se realize a intenção ou decisão. De um modo geral, existe uma distração e diversão nos pensamentos e sentimentos que desviam a atenção humana para as ações deles. O homem comum se distrai com muita facilidade porque não se percebe como criadores do seu próprio mundo. O trabalho ao ser diminuído de sua condição maior oferece pouco de poder e esforço. O tempo quando valorizado na sua condição de ser predomina ocupando espaço-poder mais do que deveria nas relações com os outros dois irmãos criadores. E a realização quando deixa de se autofirmar como uma força de mudança se fragiliza permitindo que o trabalho ou o tempo ocupe o seu espaço e o seu poder de reformulação dos sentidos da vida e da existência humana.
Nesse sentido, faz-se necessário reivindicar a cada um deles que faça tudo na medida certa para que se cumpra a lei ou princípio de Paracelso quando disse: “Não é a substância que mata. É a dose!”. A dose certa de trabalho, tempo e realização eleva o homem à transcendência em si mesmo. O poder desses três irmãos está associado ao poder das três irmãs criadoras: a fé, a sensibilidade e a vontade. Uma vez que essas três irmãs são na verdade a contraparte de cada um deles. A vontade é a contraparte do trabalho. A fé é a contraparte da realização. E a sensibilidade é a contraparte do tempo. Em outras palavras, o poder do trabalho é sustentado pela vontade de ser ele próprio; o poder da realização é sustentado pela fé de ser ela em si mesma; o poder do tempo é sustentado pela sensibilidade de vê-lo em si mesmo. O homem gênio e o homem ordinário se distinguem pela atenção que é dada a essas forças sutis na consciência humana. E segundo FEUCHTERSLEBEN (1) :
"O que distingue o homem ordinario e o homem gênio é que, para ser feliz, o primeiro tem de se esquecer de si mesmo e de perder a consciência da sua individualidade, o segundo tem de se concentrar em si mesmo e de tomar posse do seu ser" (p.186).
O desequilíbrio dessas forças sutis no homem produz a consciência do homem ordinário (comum) e o equilíbrio delas produz o gênio, o profeta e o santo. Eis a força de cada um: ser criador ou destruidor! A paz humana depende de como essas forças sutis entre irmãs e irmãos agem de forma equilibrada e consciente em cada um de nós – na Terra!.
(1) Barão de FEUCHTERSLEBEN. Higiene da Alma, 8ª ed., Lisboa: Parceria Antonio Maria Pereira, 1914, p.205. trad.: Ramalho Ortigão.
Prof. Bernardo Melgaço da Silva – e-mail: bernardomelga10@hotmail.com -

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Por Que Gritamos?

Por Que Gritamos?

Meditando a Palavra Vera Cristina Weissheimer


Certa tarde, caminhando pelo bairro onde moro, com tristeza fui me despedindo das casas antigas que estão sendo demolidas e transformadas em escombros para dar lugar a prédios enormes. Nesses modernos edifícios já não haverá mais espaço para jardins com romãs, jabuticabeiras e trepadeiras floridas emoldurando o portão de entrada. Haverá um canteiro de grama e, se não for artificial, será proibido pisar. Que graça tem, não pisar na grama e não poder sentir aquelas cócegas no pé?

Parei em um pequeno café para tomar um capuccino e percebi que havia uma criança gritando com a mãe, que por sua vez gritava ainda mais alto com um adolescente, pelo que pude perceber era o filho mais velho que, ao chegar no carro, gritou com o pai.



Mas minha alma se aquietou quando ao meu lado sentou um casal de idosos que falavam baixinho e devagar, bebericavam sem pressa se deliciando com a espuma do café cremoso que só tem naquela esquina. Depois, reparei num casal jovem cujas palavras eram sussurros no ouvido um do outro.



Porque gritamos tanto uns com os outros se podemos falar, assim, devagar e com tanto carinho? Gritamos quando estamos aborrecidos. Gritamos porque perdemos a calma ou quando já não sabemos mais o que dizer. Mas por que gritar quando a outra pessoa está ali ao nosso lado?

O fato é que, quando duas pessoas estão magoadas, seus corações se afastam demais. Para cobrir esta distância precisam gritar para poderem escutar-se mutuamente. Quanto maior o aborrecimento ou a mágoa mais alto temos que gritar para ouvir um ao outro.



Por outro lado, quando amamos não gritamos. Falamos baixinho. E por quê? Porque nossos corações estão muito mais perto. Às vezes estamos tão próximos do coração do outro, que nem precisamos falar, somente sussurramos. E, quando o amor é mais intenso, não necessitamos sequer sussurrar, apenas um olhar basta. Os corações passam a se entender.

Antes de um problema ser grande ele é ainda um probleminha. Como poetiza Paulo Liminski: "Os problemas têm família grande, e aos domingos saem todos a passear. O problema, sua senhora e outros pequenos probleminhas."



Os problemas começam a se multiplicar quando as pessoas não conseguem mais conversar, quando já não tem mais o que dizer um ao outro. Então, se machucam até seus corações se afastarem tanto, mas tanto, que chegará o dia em que a distância será tamanha que não mais haverá possibilidade de voltar, por que no meio caminho haverá uma ponte quebrada.

Gostaríamos de ver nossos problemas resolvidos por decreto. Definitivamente não há decreto que resolva o que o coração quebrou. Às vezes há um retorno nessa estrada em que ambos sabotaram a ponte que os unia, acreditavam que estariam sabotando para o outro e, na verdade ambos ficaram parados em lados opostos do abismo enquanto empurravam a ponte ribanceira a baixo. Perdoar é reconstruir essa ponte. Talvez em outro lugar e de outra forma. Não conseguir perdoar é quebrar definitivamente a ponte sobre a qual se pode passar para reencontrar o outro. E, como diz, Jacques Derrida: "Só existe perdão, se existe, onde existe o imperdoável."



Reconstruir a ponte é resgatar o futuro. Porque o perdão ao acontecer é capaz de remover o peso morto do passado e devolver a vida. Muitas das vezes, antes de tentarmos começar qualquer construção de ponte em direção ao outro é preciso desobstruir os próprios ouvidos para novamente conseguir ouvir sem que o outro tenha que gritar. E diminuir os decibéis da própria voz para que o outro tenha vontade de desobstruir os seus.

Restaurar algumas pontes em nós mesmos – perdoar a si mesmo – ajuda a descobrir quem realmente somos e o que queremos. Os machucados que causamos a nós mesmos precisam ser perdoados para conseguirmos continuar nossa caminhada em busca do material para a restauração de outras pontes.



DEYSE ARAGÃO DE RANGEL MOREIRA

sábado, 6 de junho de 2009

Respiração, a chave para a meditação



Qui, 04 Jun, 02h12
(Matéria atualizada neste sábado, dia 06 de junho)
http://br.noticias.yahoo.com/s/04062009/25/entretenimento-respiracao-chave-meditacao.html

Por Eduardo Diório
São Paulo, 04 (AE) - A medicina tradicional tem realizado, cada vez mais, grandes avanços na descoberta de novos tratamentos para as enfermidades que afligem o ser humano. Paralelamente, as terapias alternativas também têm comprovado que, por meio da sensibilidade e das emoções bem-reguladas, é possível aumentar o bem-estar físico e mental.
A meditação é um poderoso aliado do corpo e da alma que consegue, com alguns exercícios, ajustar o que para muitos parece impossível de ser ajustado."A meditação acalma, nos ajuda a encontrar nossa fonte de luz, criatividade, intuição, saúde e fé", garante Ivete Costa, consultora holística especializada em psicologia transpessoal.
A palavra meditação vem do latim (meditare, que significa voltar-se para o centro, no sentido de afastar-se um curto período de tempo do mundo exterior e voltar a atenção para dentro de si). A técnica, ligada a religiões orientais, como o budismo, é considerada tão antiga quanto a humanidade. Atualmente, porém, não é preciso seguir uma seita para praticá-la. "Por não ser religiosa, demorei para me render aos benefícios da meditação, já que achava que teria de rezar ou conversar com Deus todos os dias.
Seria uma coisa forçada", lembra Fernanda Schultz, cantora e professora de inglês, de 30 anos. Foi um amigo do trabalho que apresentou a técnica a ela. "Ele me levou a um espaço lindíssimo e amei. Os meus pensamentos não eram dos melhores naquela época. Foi aí que percebi que não era preciso ter religião, mas sim estar aberta a novas vivências. Minha vida mudou para melhor. É a pura verdade."
Assim como Fernanda, milhares de pessoas tentam encontrar a luz no fim do túnel praticando diariamente a meditação. De acordo com uma pesquisa norte-americana elaborada no ano passado pela Universidade de Massachusetts, mais de 10 milhões de pessoas meditam regularmente somente nos Estados Unidos.
Para que a dedicação dê resultados, é preciso fazer uso de uma importantíssima ferramenta natural: a respiração. Não pense, porém, que é aquela respiração automática - e muitas vezes feita de maneira errada. É preciso reaprender a respirar e, assim, começar a usufruir de benefícios físicos e emocionais.
Segundo a equipe de profissionais da organização não-governamental (ONG) Arte de Viver, quando respiramos errado os pulmões são forçados e acabam precisando se movimentar rapidamente para garantir o fluxo de oxigênio necessário. Como consequência, o coração também é obrigado a acelerar o ritmo para conseguir fornecer sangue suficiente e transportar o oxigênio.
O resultado disso é a desorganização de vários órgãos, principalmente o cérebro, o que provoca reações negativas no corpo, como ansiedade e estresse. E a meditação é vista como capaz de exterminar esses dois vilões.
A respiração correta é como a dos bebês, que inspiram e expiram profunda e lentamente. Quando a pessoa leva ar para a parte inferior dos pulmões, onde as trocas de oxigênio são mais eficazes, tudo no corpo se modifica. O ritmo cardíaco e a pressão arterial diminuem, os músculos relaxam, a ansiedade cessa e a mente se acalma. "Com este tipo de respiração é possível melhorar a má digestão, aliviar a ansiedade, elevar a qualidade do sono, entre outros benefícios. Isso prova o poder da meditação", afirma Cristina Armelin, psicóloga e coordenadora da ONG .
Para alcançar uma forma de respiração mais eficiente, a receita é a prática: exercícios constantes, que podem ser feitos em casa ou nos centros de meditação, em sessões de aproximadamente 20 minutos por dia. Como a respiração correta ajuda a aliviar a mente das frustrações passadas e da ansiedade com o futuro, ela tem a capacidade de trazer o indivíduo para o momento presente, melhorando a sua qualidade de vida. Para muita gente, o problema está exatamente aí, por não saber como esvaziar a mente, principalmente durante o trabalho de meditação.
"No começo, quem é mais disperso terá um pouco de dificuldade para aprender a se desligar", avisa Lucimara Soares, professora de ioga e meditação da Escola Yoga HariOm. Ela, que pratica a técnica de relaxamento há 11 anos, garante que é possível neutralizar os pensamentos com o tempo.
"A pessoa precisa começar a prestar atenção na respiração. Feito isso, quando aquele turbilhão de ideias surgir, o importante é focar em apenas uma coisa por vez. Perceba no que está pensando e volte a focar na respiração." Assim, segundo Lucimara, a pessoa adquire a capacidade de se concentrar cada vez mais na respiração e menos nos pensamentos.
DE PÉ, SENTADO OU DEITADO?
A postura ideal para descansar a mente varia de pessoa para pessoa. "Tem gente que prefere meditar sentado, na chamada posição de lótus, com as pernas cruzadas. Outras gostam de relaxar deitadas em um local macio. O importante é deixar a coluna esticada e sentir-se confortável. Com o tempo, dá para incrementar com outros movimentos e até para meditar de pé", conta.
Para que isso ocorra, é importante ter dedicação diária de no mínimo 15 minutos. "Quando estiver seguro, aumente o tempo até chegar a uma hora. Aí, poderá sentir o corpo vibrando e conseguir emanar energia para os chacras."
De acordo com Pedro Tornaghi, astrólogo e professor de meditação, "todo ser humano tem sete chacras, ou centros de energia que, espalhados pelo corpo, funcionam como redemoinhos que captam, absorvem e distribuem a energia pelo organismo".
Por meio da meditação, é possível renovar a energia pessoal, livrando-se dos pensamentos negativos e das tensões focalizando em cada chacra. "Em consequência, também desaparecem as dores de origem psicossomáticas, provocadas pela distância entre o real e o idealizado pela mente."

quarta-feira, 3 de junho de 2009

OS VALORES HUMANOS E A SUTILIZAÇÃO DA SENSIBILIDADE

Segue abaixo parte do capitulo 2 da minha dissertação de mestrado defendida em 1982 na COPPE/UFRJ:


Os valores são os "nutrientes culturais" ou os alimentos de uma sociedade. Se ela está mal nutrida, a consequência é a debilidade psiquica-espiritual. A qualidade dos valores determinará a saúde de cada sociedade. A desorganização dos valores da sociedade moderna se reflete na desorganização psíquica do indivíduo que se "infecta" cada vez mais, sem conseguir recuperar o equilíbrio psíquico-espiritual.

"Os meios de comunicação - televisão, Hollywood, rádio, revistas e jornais - literalmente bombardeiam o ser em crescimento com toda sorte de estímulos e elementos sobre o que acreditar, como comportar-se, que espécie de linguagem usar, como vestir, que estilo de vida seguir, e até como evitar o envelhecimento. Há sempre a mensagem implícita: É assim que deve pensar e agir se quiser ir para a frente, ter sucesso, impressionar seus superiores e ser atraente sexualmente. Depois vem o grupo de pares, uma das mais influentes entre as forças moralizadoras. "Se quiser pertencer e ser aceito, eis como deve pensar e agir". Acrescente-se a essas os líderes políticos, os líderes do movimento juvenil, os heróis folclóricos e do rock, os vultos do esporte, cada qual acrescentando à confusão um novo conjunto de moralizações. e eis o dilema da criança de hoje.
Qualquer uma dessas moralizações pode ser muito sábia ou muito tola, útil ou prejudicial, moral ou imoral. Mas, quem sabe? Por certo, não o ser jovem, que, apanhado em meio ao fogo cruzado, mal pode entender alguma coisa.
Tentamos ensinar valores, mas num mundo de confusão e conflito em torno de valores isso não é bastante. Não importa o quão sinceros sejamos em nosso desejo de ajudar, tudo o que damos ao ser jovem é mais um elemento, mais uma mensagem moralizadora, que entra em seu superlotado computador para ser processada junto com o resto" (KIRSCHENBAUM e SIMON,1977,p.287-288).

Ainda segundo SKOLIMOWSKI (1989,p.3), os quatro valores que moldaram a psique ocidental são:
a) os valores gregos ou homéricos;
b) os valores judaico-cristãos ;
c) os valores renascentistas;
d) os valores econômicos e tecnológicos da sociedade moderna.

Esses valores podem estar num equilibrio harmônico ou podem se rejeitar, originando um desequilíbrio conflituoso e particularmente grave quando operam sem a supervisão de nossa consciência. E as técnicas de "sutilização da sensibilidade" são importante apoio para reforçar essa necessária supervisão.
A "areté" helênica, que podemos traduzir como "virtude", é um conceito significativamente mais amplo do que o nosso conceito de excelência técnica, vista em termos de eficiência industrial. A cultura grega não estava preocupada com a especialização mas sim com a busca da versatilidade. Segundo SKOLIMOWSKI (1989):
"Tal cultura abarcou uma diversidade de aspectos nos quais as coisas particulares tinham significação como partes de um todo maior [...] A mente moderna divide, classifica, especializa, pensa através de categorias enquanto a mente grega buscava a totalidade, a visão mais ampla e um todo orgânico" (p.4).

Embora ainda admiremos a areté dos gregos, infelizmente perdemos de nosso campo de visão seu significado de "sutilização da sensibilidade".

terça-feira, 2 de junho de 2009

ANTES QUE...



Antes que o tempo se escoe
Antes que a vida perca sentido
Antes do antes
Antes do depois
Antes do fim de tudo
Antes do nada
Antes que o sol se ponha
Antes que a lua apareça
Antes que a fantasia se vá
Antes que o sorriso saia da moda
Antes que o pássaro voe para o seu ninho
Antes que a rosa exale seu perfume
Antes que a escuridão seja trevas
Busque em ti o tesouro perdido
Não adie essa busca inevitável
Ela algum dia deverá ser feita
Você é o tesouro e o aventureiro
Você é o mapa e o território
Ame e converse consigo mesmo
Fale com sua essência divina
Que habita dentro de ti
Diga a ela sobre a sua vida
Suas angustias
Seus medos
Seus desejos
Sua covardia perante a vida
Abrace a si mesmo como se estivesse abraçando a sua essência
Não tenha vergonha
Não se ache louco
Pois Ela é o tesouro que jamais imaginaste
É algo tão belo
Que sua luz pode "cegá-lo"
Se defrontares com Ela de supetão
É a fragrância que jamais sentiste em toda a sua vida
É o prazer que nunca experimentaste
Está além do sexo, anos-luz de distância
É a estrela que você gostaria de ter em suas mãos
É a música jamais composta por alguém
Ela é real e bela
Ela é simplesmente a essência de Deus
Não acredites que Deus não existe
Isso é para os céticos duros de coração
Não para você
Deus é a natureza externa e interna do homem
A natureza interna virgem querendo ser viciada
Fale com Ela
Busque o mapa com os princípios leais
Siga um caminho ou método
Case com sua vontade no início de sua jornada interior
Se “apaixone” por sua fé
Faça de você uma relação experimento-experimentador
Analise e conclua os resultados
Corrija o método e o mapa assim que for necessário
Tome cuidado quando se apaixonar pela informação
Como alguém se apaixona por uma mulher ou homem
Pois a informação pode ser sua própria prisão ou liberdade
Depende como você a usar
Fique alerta consigo mesmo
Na espreita que na selva interior
Que você mesmo criou existe um mundo de feras
Você terá que enfrentá-las uma a uma
São feras de outras vidas e dessa também
Sabendo disso não crie mais feras quando iniciar a jornada interior
Cada palavra composta de pensamento-emoção pode ser uma fera
Seja inteligente e evite construir mais monstros interiores
A ilusão está em você acreditar que os monstros estão na selva da vida de fora
Alguém disse: “A Verdade é absoluta, isso é verdade”
Nesse momento essa pessoa jogou em si mesma uma chispa de luz
A cada insight que você tem
Você está se iluminando
Esteja alerta!
Os místicos, os religiosos, os crentes e os presidentes
Todos são Deuses assim como todos os homens e mulheres
Apesar de nós não percebermos assim
Isso porque nos cegamos para uma outra realidade
O cego não é só aquele que não vê com seus olhos físicos
Mas também e principalmente aquele que não vê com a alma
Deus fala através do próprio homem
Uma mesma palavra serve de comunicação
Para vários níveis da nossa consciência
Assim se não serve para você – respeite!
Admita humildemente que não captou a mensagem
Ou que a mensagem não está para o seu nível de consciência
Pois para o outro pode ser a própria chave para a Iluminação
É assim que o Criador estabelece um contato
Contato tão belo e tão inteligente
Que está muito além da nossa mente e da nossa emoção profana
Assim quando iniciares a viagem interior
Acordarás de madrugada fazendo poesia para você mesmo
Como eu estou fazendo agora
Rindo sozinho como os loucos fazem com tamanha naturalidade
Os loucos também são deuses!
Use a sua imaginação
Como o grande mestre Einstein brilhantemente usou a dele
Use a sua fé
Como o inesquecível mestre Jesus Cristo aplicou
Fale com os pássaros, as árvores e os animais
Como São Francisco de Assis
Não fiques tímido
A timidez é uma das resistências na busca do tesouro
Mas se por um instante se rebelares
Aprenda a se perdoar a cada instante
Quando a gente aprende a se perdoar
Saberemos perdoar o nosso semelhante
E aí estaremos dando passos importantes de aproximação rumo ao tesouro “perdido”
Adquira o hábito da concentração em seu pensamento-emoção
No início qualquer processo é árduo
Mas ao longo do “tempo” vai ficando suave e tão natural
Que um pensamento que antes era visto como poeira
Agora com a prática da meditação ou concentração
Se torna uma grande pedra a nossa frente
O que antes se tornava impossível de perceber
Agora lhe é tão familiar
Nosso poder de concentração é infinito!
Pense: seriam loucos os iogues?
Que há milhares de anos buscam a perfeição
Da concentração em si mesmos!
Estariam eles perdendo tempo a toa?
Alguém em sã consciência pode admitir que os budistas são pessoas vãs?
Que ficam fazendo mantras – que são repetições de expressões sagradas
Em posição de lótus
Tudo tem a ver com tudo
Nada é feito por acaso
O acaso é a mãe da ignorância
As vezes pensamos que somos aquilo que pensamos
Já pensou e percebeu intimamente que o pensamento é energia?
E que sendo energia deve existir uma fonte que a gera
E que próximo da fonte existe sempre uma carga
Então o pensamento-emoção negativo não é a fonte
Esse pensamento-emoção é a informação-carga
A fonte e a carga parecem ser a mesma coisa mas isso é ilusão
Assim como uma mãe gera um filho
Você gera um pensamento-emoção
O filho não pertence a mãe
Ele veio através dela
Da mesma forma o pensamento-emoção veio através de você
Ele não lhe pertence: não o aprisione, liberte-o
Ele já possui vida própria
Ele crescerá como cresce o filho
Você é “Deus e o Diabo” disse Jesus
Você é a “Fonte e a Carga” digo eu
Você é a “Energia e a Informação”
São coisas distintas que precisam ser percebidas
Para se encontrar o tesouro “perdido”
Caso você não consiga perceber
A carga poderá querer tomar o lugar da fonte
E aí é o cavalo que assume o comando no lugar do cavaleiro
Imagine o que pode acontecer
Sabendo que no seu caminho existem abismos
Qual será o destino dessa viagem?
Sem dúvida - o precipício!
A menos que o cavaleiro assuma o seu verdadeiro comando
E que o cavalo saiba que existe um cavaleiro
Inteligente e gentil para com ele
Você é os dois!
Assim como a moeda tem dois lados
Você é a moeda também
Vá em frente!
Continue buscando o seu tesouro “perdido”
Na certeza de que a vida é mais fantástica
Que qualquer filme já lhe causou emoção
E se um dia todos os homens ao mesmo tempo
Conseguissem fazer um contato por alguns segundos
Com suas centelhas divinas
Nesse instante a Terra mudaria
Todos os homens se abraçariam
E chorariam de alegria e felicidade
E perceberiam a estupidez da violência
Da competição
Da ignorância
Do medo
Da vergonha
Da desconfiança
Da mentira
Perceberia naquele instante
A beleza da vida
Que a morte física não existe
Que a vida é contínua
Que a felicidade só depende
De encontrarmos a nossa centelha divina
Pois essa é a verdadeira felicidade
O verdadeiro amor
A verdadeira sabedoria
A verdadeira compaixão
A verdadeira piedade
A verdadeira coragem
A verdadeira fé
O verdadeiro Deus em nós mesmos
Assim como um guerreiro se arma para a guerra
Faça o mesmo!
Arme-se de coragem, vontade e fé
A verdadeira luta como disse o mestre Buda
É interna
É a batalha mais difícil que podemos realizar
Como disse Buda:
“É mais fácil vencer uma ou mais batalhas com vários inimigos do que vencer a batalha interior”
É a certeza que durante essa batalha você tem que “morrer”
Simbolicamente ou alquimicamente
É a morte do ego, da personalidade
E não tem como fugir da batalha
É necessário enfrentarmos essa “morte”
Ë quando você começa morrer para essa vida
Você entende as palavras do mestre Jesus
“Precisamos nascer e morrer em vida para nascer para a eternidade”
Essa “morte” é da consciência e não do corpo físico
O pensamento-emoção é o desvio no mapa
O fluxo da energia divina é o território
Essa é a chave
Esse é o caminho
A medida que aperfeiçoamos o mapa
O caminho fica mais nítido
E o território vai se revelando
Em seqüências de êxtases deslumbrantes
A confiança aumenta
E o ser vai se ajustando...ajustando
Harmonizando e entrando um no outro
Até o acoplamento e finalmente o casamento das duas consciências
Aí nesse instante o grande sonho se revela
A vida fica colorida
O infinito se torna possível
E o paraíso nos espera para sempre
Não mais como homens
Mas como Filhos de Deus
Semelhantes ao Pai
Espero vocês nos braços do Pai
Retornando de volta a Casa do nosso Pai-Deus
Feliz!!!
Poema que escrevi em 1988 e dedicado ao meu amigo e professor Miguel de Simoni (falecido em 2002) da COPPE/UFRJ

terça-feira, 26 de maio de 2009

DO MUNDO VIRTUAL AO ESPIRITUAL - FREI BETTO‏

Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos e em paz nos seus mantos cor de açafrão. Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir: 'Qual dos dois modelos produz felicidade?'
Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: 'Não foi à aula?' Ela respondeu: 'Não, tenho aula à tarde'. Comemorei: 'Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde'. 'Não', retrucou ela, 'tenho tanta coisa de manhã... '. 'Que tanta coisa?', perguntei. 'Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina', e começou a elencar seu programa de garota robotizada. Fiquei pensando: 'Que pena - a Daniela não disse: 'Tenho aula de meditação!'
Estamos construindo super-homens e super-mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados.
Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: 'Como estava o defunto?'. 'Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!' Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?
Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizi¬nho de prédio ou de quadra! Tudo é virtual. Somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. E somos também eticamente virtuais...
A palavra hoje é 'entretenimento'; domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela. Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: 'Se tomar este refrigerante, vestir este tênis, ¬ usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá!' O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba¬ precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.
O grande desafio é começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis: amizades, auto-estima, ausência de estresse.
Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping center. É curioso: a maioria dos shoppings centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingo. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas...
Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus; se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório; mas se não pode comprar certamente vai se sentir no inferno... Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do McDonald...
Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: 'Estou apenas fazendo um passeio socrático'. Diante de seus olhares espantados, explico: 'Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia: "Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz!".







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"Preocupe-se mais com sua consciência do que com sua reputação. Porque sua consciência é o que você é, e sua reputação é o que os outros pensam de você. E o que os outros pensam, é problema deles!!!!"
"Existem mais mistérios entre o Céu e a Terra, do que possa imaginar sua vã filosofia." (William Shakespeare)

segunda-feira, 25 de maio de 2009

A VOZ DO SILÊNCIO DIVINO

Ainda que me apresentassem todo um discurso rebuscado filosófico e dados científicos concretos
Eu diria com fé, compaixão e humildade: cala-te homem!
Já ouvistes o silêncio da verdade?
Já frequentastes o templo da divina sensibilidade?

Se não fostes ao pico da Amorosa Verdade Silenciosa
Então nada sabes a respeito da tão falada e ignorada verdade!
Apenas resmunga palavras sem conteúdo e essência
Apenas dita verbos e substantivos intelectuais reproduzidos e mecanicamente decorados
Apenas teoriza hipóteses e paradigmas racionalizados e limitados
Apenas agoniza na ânsia pelo som inaudível que vem do Outro Lado

Ouça: a verdade é a voz do próprio silêncio conquistado!
Assim disse o admirável Albert Einstein: “O Velho me disse...”
Assim afirmou o magnifíco Sócrates: “Conhece-te a ti mesmo”
Então ouça: cala-te homem!
Firme-se nesse propósito de não dizer ou julgar aquilo que não ouviu diretamente do Silêncio Cósmico Ancião
Busque compreender o contexto da Rainha sensibilidade AMOROSA
Ela mora ao lado do Rei-silêncio profundo no princípio de todo Ser também humano

Se um dia encontrá-la verás e ouvirás um mundo de verdades nunca dito
E nesse novo modo de perceber saberás o que de fato pensavas sobre a arte de novo ser
Sem poder no entanto de fato nesse mundo de pseudas verdades se fazer compreender
Pois com certeza te chamarão de anormal, insano ou louco

É verdade sim!
Porque quem tem um olho da verdade é rei e quem tem a visão da sensibilidade é insano e louco!
Louco por querer falar o que não se fala com a poiesis da razão
Insano por querer mostrar o que não se vê senão com a práxis da intuição
E anormal por querer demonstrar o que não se comprova pela ciência da intervenção

És louco! És insano! És anormal!
Porque és para muitos deles apenas ruído e significado muito distante e totalmente desconhecido
Falando aquilo que somente pode ser ouvido quando se vive no templo do Silêncio Interior
Mostrando aquilo que somente pode ser visto pela luz na vivência da alta Sensibilidade sutil do Amor
Tentando provar aquilo que somente se saboreia pelo fervor da fé sensível na ciência da compreensão

És louco! És insano! És anormal!
E ao mesmo tempo és sincero, sensível, MESTRE e sábio!
Mas se tu ainda não fostes ao templo do silêncio soberano Criador
Então o primeiro Ato Existencial: aquieta-te e cala-te por Amor à Verdade!

Se reserve à própria ignorância existencial
De nada vale um titulo ou autoridade sem a sabedoria do Último e belo encontro de Amor Real
O majestoso encontro ontológico do Rei-silêncio com a Rainha-sensibilidade
Pois nesse encontro está o Poder Criador do Verbo que se torna carne
Que se torna muitas vezes humano
Que se comunica muito além de qualquer discurso-contexto do mundo profano
E que se transmuta na crença de conhecer a verdade
Que se oculta no caminho e na fonte da verdade do conhe-Ser-em-Si
Para ser aquilo que de fato diz ver e saber com propriedade

Ó homem só lhe resta um caminho de esperança e evolução!
Volte-se imediatamente para a luz interior do silêncio profundo
Deixem que lhe chamem várias vezes de cego e louco de paixão intuitiva existencial
Deixem que riam de teu caso solitário, perdido, inútil e insano
A maravilhosa diferença está na alteridade do encontro do silêncio da luz transcendental
A maravilhosa diferença é a tua própria sensibilidade-luz-essência de fonte espiritual

Siga o teu próprio e único trabalho-disciplina de conhe-Si-mento-transcendência
Siga o teu próprio e único caminho-encantamento agradável de paz-estrela-vivência
Siga a tua própria e única verdade de ser uma chama-viva-de-consciência
O Amor é o Sentido Cósmico no ato sagrado de Criação da gloriosa e eterna Existência
E a Presença do Verbo Divino é o referencial do Senhor em Seu Silêncio e Imanência
Um encontro com a Transcendência para muito além de tudo o que é racionalmente falado sem consciência

Bernardo Melgaço da Silva

sexta-feira, 22 de maio de 2009

A ORDEM NATURAL DOS ERROS: POR QUE BUSCAMOS NO FIM AQUILO QUE ESTÁ NO PRINCÍPIO?

O dinheiro é feito para ser colocado no banco. O lixo é feito para ser colocado na lixeira. O Amor foi feito para ser colocado no (chakra do) “coração”. Agora, podemos imaginar a seguinte desordem natural dos erros sociais comuns: o lixo colocado no (chakra do) coração; o dinheiro colocado na lixeira e; o Amor colocado no banco. A interpretação que podemos fazer desse contexto invertido nos permite compreender o atual caos social de um mundo desordenado, confuso e paradoxal. O lixo colocado no coração implica a poluição dos valores humanos e dos modelos decadentes da vida; o dinheiro colocado na lixeira implica o desperdício de verbas e consequentemente do mal uso dos recursos naturais; o amor colocado no banco implica a idolatria ao dinheiro e o fetiche da mercadoria.
A ordem natural dos erros faz com que cada coisa gire fora do seu eixo e fique fora de seu devido lugar. Ama-se o que não se deve sentir; compra-se o que não se deve vender e; guarda-se o que não se deve prestar para mais nada. As conseqüências dessa desordem natural das coisas podem ser percebidas pelo acúmulo de lixo no (chakra do) coração; pelo montante de riqueza desperdiçada na produção e aquisição de futilidades sociais; pelo desejo e apego obsessivo às coisas materiais efêmeras. Um mundo assim está em desequilibrio, ou seja, está efetivamente doente. A organização social desse mundo implica uma reformulação – em si mesmo! - da práxis natural dos valores humanos. Faz-se necessário valorizar cada coisa de acordo com sua especificidade: o lixo é para ser jogado fora na lixeira, o Amor é para ser guardado no (chakra do) coração, e o dinheiro é para ser empregado com sabedoria da liberdade e da igualdade de oportunidades, ou seja, que ele sirva para fluir igualmente com justica pelo banco, pelo bolso dos pobres e pela conta bancária honesta de qualquer cidadão.
As leis que regulam a ordem natural dos erros prioriza a produção daquilo que não é essencial para a humanidade; orienta a vida utilitária num tempo socialmente desnecessário; massifica a confusão dos valores (sub)humanos. Essas leis produzidas num ambiente desestruturado produzem seqüelas sociais imensas, tais como o aumento da violência e o sucateamento do sistema penitenciário e das vidas humanas inseridas nele, crescimento da angústia, fortalecimento da corrupção e petrificação da sensibilidade humana.
A ordem natural dos erros é implacavelmente imperfeita. Por onde essa ordem passa produz suas inevitáveis distorções e graves erros em desordem constante: exclusão social, educação super-racionalizada, violência generalizada, poder desgovernado, ganância planejada e globalizada, vida desqualificada e amor desvirtuado. O homem inserido num mundo governado por tais leis implacáveis sofrerá terrivelmente. O reconhecimento do valor desse homem será feito pelo poder do sucesso apenas material e utilitário. A verdade desse homem será ditada pelo mercado dos discursos ideológicos oportunistas, ou seja, somente terá voz aquele que servir ao mercado “lite-antenário” (internet, jornal, televisão ou rádio). A felicidade desse homem será normatizada pela compra de produtos de luxo (p.ex.: mega-carro, mega-computador do ano, mega-casa, mega-fazenda etc) sem os quais se sentirá vazio, inferior e isolado (excluído) no interior de uma imensa multidão na base da pirâmide social. O deus desse homem será aquele que perdoa o freqüente acúmulo da ganância humana, porque assim poderá sempre justificar a sua “ fé “, mas ao mesmo tempo condena o miserável à morte, ao sofrimento e ao esquecimento. A justiça desse homem será aquela ditada pelas normas do contrato social do capital e da interpretação comprada ou alugada por esse mesmo capital (e assim a maioria que não tiver dinheiro terá uma grande probabilidade de ser presa e uma minoria com capital terá tambem uma grande probabilidade de ser libertada – tudo justamente previsto por um bom advogado super-capitalista!). Assim, quem tiver sensibilidade num mundo de “cegos” nunca se tornará rei de fato. Isto porque esses “cegos” nunca poderão perceber e aceitar a orientação e poder do caminho ético daquele ser que desenvolveu a sua própria sensibilidade.
A vida natural tem suas próprias leis. E as leis naturais governam a vida social daqueles que se permitiram sintonizar com as Leis Cósmicas. Albert Einstein chegou afirmar que “ouvia” uma Inteligência da Natureza Cósmica. Quantos ouvem em si mesmo essa Inteligência da Natureza? Quantos estão poluindo seus corações com valores e modelos daninhos? Quantos estão escravos de uma produção social que somente beneficia 1/3 da humanidade? Quantos ensinam a mesmice do poder de realização contratual capitalista? Quantos decidiram servir de fato à humanidade (e não apenas à corporação a qual pertence!) em troca de nada (ou de sua própria vida)? Quantos amam e são felizes de verdade? Quantos acordaram para si mesmos? Quantos saíram de suas cavernas de ilusões materiais e sucessos enganosos? Quantos conseguem enxergar com os olhos da sensibilidade fina ou sutil? E quantos estão cegos pela intensa luz da racionalidade instrumental excessiva e pelo valor contratual das relações capitalistas?
Um cientista (Paracelso?) chegou afirmar: “ Não é a substância que mata, mas a dose [de poluição ou desordem natural]”. Urge que os homens não pensem tanto, mas sintam – em si mesmo! – mais e melhor a ordem natural dos erros agindo em suas mentes e (chakras dos) corações. A vida deveria ser bela, mas nos extraviamos porque não nos esforçamos adequadamente para produzir a ordem natural dos acertos que chamamos de CARÁTER, INTUIÇÃO, SENSIBILIDADE E AMOR. Na vida não existe acaso! O acaso (tal como o desespero) é a percepção de uma vida desequilibrada e desordenada. Vida essa limitada e desviada pela ordem natural dos erros ou pela desordem natural dos acertos. Mudar implica inverter a ordem vigente pela Desordem latente ou a desordem vigente pela Ordem latente. Cada um de nós é responsável pela ordem e desordem das coisas a nossa volta. Ninguém está isento dessa responsabilidade. Ninguém vive isolado e neutro. O caos e a ordem caminham lado a lado, assim como o poder de Deus-da-Ordem caminha ao lado (metafisicamente falando) do poder humano-da-desordem.
Assim, como afirmou Pascal “para se amar as coisas da terra precisamos conhecê-las: para se conhecer as coisas do Céu precisamos amá-las”, da mesma forma, para se amar a ordem na terra precisamos conhecer as causas de sua desordem; para se trazer o conhecimento da “Desordem” do Céu precisamos Amar a sua Ordem”. Esse paradoxo foi muito bem expresso por Jesus Cristo quando afirmou: “Eu vim para trazer luz aos cegos e cegar os que estão vendo”. E Ele completou os seus ensinamentos paradoxais afirmando: “Vim para trazer a espada, a divisão e a guerra” e “Amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei”. “Existe um caminho que parece correto, mas que nos leva à morte” (Bíblia Sagrada). Disse paradoxalmente Jesus: “Por que buscam no fim aquilo que está no princípio?”. Buda chamou de Maya a nossa construção da realidade objetiva. Bertrand Russel denominou esse modo racional e extremamente limitado de construir a realidade de “Realismo ingênuo”. Vejamos o que diz Bertrand Russell (apud EINSTEIN, COMO VEJO O MUNDO, 1981):
"Começamos todos com o realismo ingênuo, quer dizer, com a doutrina de que os objetos são assim como parecem ser. Admitimos que a erva é verde, que a neve é fria e que as pedras são duras. Mas a física nos assegura que o verde das ervas, o frio da neve e a dureza das pedras não são o mesmo verde, o mesmo frio e a mesma dureza que conhecemos por experiência, mas algo totalmente diferente. O observador que pretende observar uma pedra, na realidade observa, se quisermos acreditar na física, as impressões das pedras sobre ele próprio. Por isto a ciência parece estar em contradição consigo mesma; quando se considera extremamente objetiva, mergulha contra a vontade na subjetividade. O realismo ingênuo conduz à física, e a física mostra, por seu lado, que este realismo ingênuo, na medida em que é conseqüente, é falso. Logicamente falso, portanto falso" (p.46).

Um cientista japonês descobriu recentemente (ler livro e ver o filme QUEM SOMOS NÓS?)que o pensamento é energia pura emitida por cada um de nós, consciente ou inconscientemente,e que é capaz de criar desordem na estrutura molecular da água. Ele fez experiências em laboratório! Logo, podemos inferir se o pensamento e o sentimento humano tem esse poder fantástico eles podem modificar a vida a nossa volta de forma radical de acordo com a intensidade e permanência da emissão que cada um faz com suas energias sutis e metafísicas. Podemos criar uma nova ordem DE PAZ E FELICIDADE ou manter a ordem vigente de CAOS E CONFUSÃO.
Cabe ao homem MODERNO desfazer e ordenar corretamente a própria percepção de si e do mundo (vencer suas limitações internas de sua consciência) para trazer a Ordem Correta em si e consequentemente ao mundo. O desafio de todos NÓS é entender o paradoxo da necessidade da permanente mudança em si mesmo. Heráclito há milhares de anos já havia percebido e profetizado sobre esse epifenômeno humano! Ainda não percebemos o desvio natural dos erros. Por isso, "PAI, ELES NÃO SABEM O QUE FAZEM!" - autor bastante conhecido de todos nós.

Por isso, escuto numa rádio aqui em Madureira-RJ UMA MÚSICA (pagode) QUE TOCA E A SUA LETRA DIZ - AGORA! - assim: "Todo mundo erra. E todo mundo vai errar1"

OBS>; AOS CATADORES DE ERROS ORTOGRÁFICOS (que catam pulgas e esquecem de ver o contexto como um todo - O ELEFANTE principal é ignorado) DESSE BLOG: OS ERROS DE ACENTO NÃO SÃO MEUS MAS DO EDITOR DE TEXTO QUE ESTOU UTILIZANDO AQUI E AGORA. Obrigado!
Bernardo Melgaco da Silva – E-mail: bernardomelga10@hotmail.com

terça-feira, 12 de maio de 2009

EDUCAÇÃO PARA A TRANSFORMAÇÃO E ELEVAÇÃO DA ALMA HUMANA


TEXTO ANÔNIMO - CADERNO DE ESTUDOS JM - No. 1, s.d., Rio de Janeiro, p.16
“Por mais que estudemos e nos esforcemos para compreender o comportamento humano e seu desenvolvimento, ele sempre reserva surpresas e imprevistos. Antes de ser negativa, esta imprevisão e esta incerteza é que dão sabor, graça a beleza à vida humana. Esse desajuste do ser humano a padrões pré-estabelecidos é que produz o avanço, o progresso, a mudança. Como disse Piaget, é o desequilíbrio que gera o desenvolvimento, pois este “é uma equilibração progressiva, uma passagem contínua de um estado de menor equeilíbrio para um estado de equilíbrio superior” (p.10)

“A educação tem de se inspirar na filosofia devido à convicção de que o homem não pode ser tratado como objeto, mas como algo excepcional, que se revela pela sua criatividade, sua tendência para a liberdade, sua capacidade de autolimitar-se e de aspirar, bem como pela sua inquietação interior, que o impele para o transcendental.
Para todas essas características, o homem não pode ser manipulado como objeto, mas deve ser tratado como algo próprio, espontâneo, que traz dentro de si condições peculiares que precisam manifestar-se através das diferenças individuais.
Assim, o homem não pode ser moldado ou sufocado, mas orientado para manifestar toda a sua originalidade, voltada para uma reflexão e atuação capazes de enriquecer a vida pessoal e a social.
É a filosofia, pois, que deve orientar o homem para o reconhecimento de certos valores inerentes à sua própria vida e elaborar outros que o tornem mais humanos, mais conscientes, mais responsável” (p.6).

“O conceito de educação aqui adotado é o seguinte: “Educação é o processo que visa a levar o indivíduo, concomitantemente, a explicitar as suas virtualidades e a encontrar-se com a realidade, para na mesma atuar de maneira consciente, eficiente e responsável, a fim de serem atendidas necessidades e aspirações pessoais e sociais”.
O presente conceito focaliza, primordialmente, o homem, como centro e objeto fundamental da educação, porque dentro das circunstâncias em que se processa o fenômeno “vida humana”, ele, individualmente ou em grupo, é responsável pelo seu próprio destino.
A educação tem de ajudar o indivíduo a se revelar como pessoa. Tem de ajudar o indivíduo a manifestar, de forma atuante, as suas potencialidades, a fim de que possa dizer “para que veio ao mundo”.
Mas tudo isso tem de ser feito em consonância com a realidade de suas possibilidades e do mundo exterior.
Só assim a educação não será alienada. Não uma educação para as nuvens, mas para a objetividade, a fim de que o esforço humano tenha um sentido de ajuda a si mesmo.
Este encontro com a realidade não deve ser os limites fechados do “puro pragmatismo” ou do estrito “cientificismo”, porque seria matar muito do que o ser humano tem dentro de si...
O encontro com a realidade tem por obrigação convencer o homem da inelutabilidade do princípio de causa e efeito e que lhe dará meios para torná-lo senhor do seu próprio destino. Tem por obrigação, também, despertá-lo para o estético, a fim de sensibilizá-lo para o belo que possa apreender em toda parte e em todos os fenômenos e que ele mesmo possa criar. Obrigação mais de sacudi-lo para a sua condição social, de convívio com seus semelhantes. Obrigação, além disso, de conscientizá-lo para o transcendental, em que todo o científico, o estético e o social podem alcançar uma dimensão maior” (p.5).


“A educação deve levar o indivíduo a atuar na realidade porque é dela e nela que ele vive.
...Atuar de maneira responsável, eis a culminância do processo da educação, que se refere à formação do homem moral. A educação tem de sensibilizar o indivíduo pelos valores sócio-morais. Assim, a educação não pode deixar de cuidar da formação do homem moral... A falta de preocupação com a formação moral tem sido, a nosso ver, a falha maior da educação, para ceder passo a um liberalismo suicida... O homem moral é aquele que avalia as conseqüências de seus atos em sentido profundo de respeito pelo seu semelhante. E o que se nota é que o homem tem agido, individual e coletivamente, de forma egoística, no sentido de querer impor os seus desígnios aos outros, “a ferro e a fogo”, chegando mesmo, friamente, a matar com a pseudo-intenção de salvar ou libertar... O comportamento moral do homem deriva do respeito que ele tiver pelo seu semelhante, seja ele forte ou fraco, rico ou pobre, inteligente ou não, perfeito ou mutilado, saudável ou doente, jovem ou velho, parente ou não... É preciso reprisar que nada terá sentido se não se formar o homem moral, que cultiva profundo sentido de respeito pelo seu semelhante e, também pela natureza em geral. O homem que não depreda, mas reflete, admira e constrói. Homem que não atira pedras, mas que as retira por onde se deva passar; que não agride, mas coopera, que não ridiculariza, mas reconhece e estimula; que, no dizer de Emerson, não só deixar, como ajudar a viver... Enfim, homem que não destrói, mas que, de uma forma ou de outra, constrói”. (p.5)

“Auto-educação

É talvez o mais elevado grau de realização educacional, pois representa o fato de que o próprio indivíduo procura promover a sua própria educação, buscando ele mesmo caminhos para aprofundar-se na compreensão da realidade e de si mesmos, a fim de melhorar o seu comportamento perante a si e a sociedade” (p.5)

“O ponto nevrálgico de todo o processo de educação, está na intenção e na ação em direção à elevação espiritual do homem, a fim de torná-lo mais sensível com relação ao mundo que o cerca e aos seus semelhantes.
Toda e qualquer ação educativa que não tenha em mira a elevação espiritual do homem falhará, como, aliás, todas têm falhado até hoje, uma vez que nenhuma teoria educacional baseada somente em princípios sócio-econômicos-políticos conseguiu um vislumbre sequer, no sentido de se marchar para a realização plena da vida, com respeito irrestrito à natureza e, notadamente, ao seu semelhante.
O que se tem visto, seja de que lado se olhar, são grupos humanos tentando estabelecer hegemonias para atrelarem e, direta ou indiretamente, escravizarem outros grupos humanos...
E tudo indica que o caminho a seguir, para que o homem consiga se elevar à condição de humanidade, é o da elevação espiritual. com ou sem a colaboração de ordens religiosas ou ideologias políticas.
Assim, a educação estará ajudando o homem a transcender do seu concreto, que é o seu substrato material, a fim de, mais alto, pela escalada da espiritualidade, poder ver e admirar o panorama físico e humano da vida e sobre o mesmo poder refletir responsavelmente, no sentido de condução para um sentimento e uma solidariedade universais” (p.5)

“Aliás, o que caracteriza o homem, o que o diferencia dos demais seres vivos, é a sua capacidade de aspirar, de ir além da sua realidade presente, para alcançar outra realidade projetada, elaborada com a inteligência e o coração. O homem, neste sentido, é um projetista. Projetista de sua própria vida. Aliás, o homem começa a definhar e mesmo morrer quando não mais projeta e só se atem a satisfazer necessidades...” (p.5).

A GRANDE BATALHA INVISÍVEL: O VENCEDOR E O VENCIDO NO MESMO PROCESSO EVOLUTIVO CÓSMICO



Já dizia Buda: “É mais fácil vencer uma ou mais batalhas exteriores do que vencer a batalha mais difícil de todas: a interior em si mesmo”. A sabedoria de Buda vai além da nossa compreensão humana racional. Pois, não vemos claramente os inimigos e muito menos as suas posições estratégicas. Vivemos todos no interior de uma batalha invisível entre a transcendência e a permanência; entre evoluir espiritualmente ou progredir materialmente. Uma nova ordem mundial precisará nascer do resultado da vitória do transcendente-espiritual sobre a aliança entre o instinto-animal e a razão-humana. Isto porque cada um de nós carrega em si mesmo o lado animal, o lado humano e o lado divino. Na atualidade o lado divino vem sendo ignorado, enfraquecido ou esquecido em nossas ações e comportamentos. E como resultado temos um mundo fortalecido de egos lutando para manter o poder político, econômico e bélico. A luz interior de cada um é obscurecida pela escuridão dos pensamentos e sentimentos do ego (formado pela aliança entre a razão e o instinto).
E segundo VACLAV HAVEL (O DOLOROSO PARTO DE UMA NOVA ERA, 1995):

"Existem razões para crer que a Idade Moderna terminou. Muitos sinais indicam que estamos atravessando um período de transição em que algo está morrendo e algo está nascendo, num parto doloroso.

Está ocorrendo uma amálgama de culturas. Uma era está sucedendo a outra e, como nossa civilização não tem um estilo próprio unificado, nem um espírito próprio, nem uma estética própria, qualquer coisa pode acontecer. Tudo é possível, mas nada é certo.

Como em período de transição anteriores, estão sendo agora derrubados até os mais consistentes sistemas de valores e existe uma tendência a citar as opiniões alheias, a imitar e amplificar, em vez de afirmar com autoridade ou integrar.

O sinal central e característico deste período é a crise, ou a transformação da ciência como base da concepção moderna do mundo.

O vertiginoso desenvolvimento desta ciência, com sua fé incondicional na realidade objetiva e sua completa dependência das leis gerais e racionais do conhecimento, conduziu ao nascimento da civilização tecnológica moderna.

Mas a relação com o mundo, que a ciência moderna promove, parece agora ter esgotado sua potencialidade. Torna-se cada vez mais claro que está faltando alguma coisa a esta relação, pois não se consegue ligar à mais intrínseca natureza da realidade nem à experiência natural do homem e, na realidade, é mais uma fonte de desintegração e de dúvidas do que de integração e de sentido.

Produz um estado de esquizofrenia em que o homem, como observador, está se alienando completamente de si mesmo como ser. Embora atualmente saibamos infinitamente mais a respeito do universo do que nossos antepassados, parece cada vez mais claro que eles sabiam algo que nos escapa.

Quanto mais a fundo são descritos nossos órgãos e suas funções, tanto menos conseguimos captar o espírito, o propósito e o significado do sistema que eles formam em seu conjunto e constitui nosso próprio "eu".

Assim, estamos numa situação paradoxal. Desfrutamos de todas as conquistas da civilização moderna, mas não sabemos para onde ir. O mundo de nossas vivências parece caótico, desconexo e confuso.

Em nossa percepção do mundo parece não haver forças integradoras, nem significados unificadores, nem uma verdadeira compreensão interior dos fenômenos.

Esse estado de coisas tem conseqüências sociais e políticas. Esta singular civilização planetária, a que todos pertencemos, nos põe em confronto com desafios globais, perante os quais reagimos sem esperança, porque ela globalizou apenas a superfície de nossas vidas.

E, ao que parece, quanto menos respostas esta era de conhecimento racional oferece às perguntas básicas do ser humano, tanto mais profundamente as pessoas se aferram às velhas certezas de sua tribo. Por isso, as culturas individuais, cada vez mais misturadas pela civilização contemporânea, estão tentando com renovados impulsos readquirir ou reforçar sua identidade, reconhecendo-se em suas próprias características internas e ressaltando as diferenças que as separam das outras.

Daí resulta que os conflitos culturais são, logicamente, cada vez mais perigosos e mais difíceis de resolver do que em qualquer outro período da história.

O fim da era do racionalismo foi catastrófico: apetrechados com as mesmas armas supermodernas de outrora, freqüentemente obtidas das mãos dos fornecedores de sempre, e acompanhados pontualmente pelas câmaras de TV, os membros de variados cultos tribais estão em guerra entre si.

Durante o dia, trabalhamos com as estatísticas e, ao anoitecer, consultamos a astrologia e nos assustamos com histórias truculentas sobre vampiros.

O abismo entre o racional e o espiritual, a técnica e a moral ou universo e o singular se torna cada vez mais profundo.
A principal tarefa política dos últimos anos deste século é, portanto, criar um novo modelo de coexistência entre as diferentes culturas, povos, raças e esferas religiosas, dentro de uma única civilização interconectada.

Esta tarefa é sobretudo extremamente urgente, pois estão aumentando de forma mais séria do que nunca outras ameaças contra a humanidade, provocadas pelo desenvolvimento unidimensional. da civilização.

Na busca de fontes mais naturais para a criação de uma nova ordem mundial geralmente recorremos às idéias básicas da democracia moderna: respeito pelo ser humano como indivíduo, tanto homem como mulher, e por suas liberdades e direitos inalienáveis, bem como pelo princípio de que todo o poder vem do povo.

Sinto porém, com cada vez mais força, que estas idéias não são suficientes, mas devemos ir mais além e mais fundo. A solução que elas oferecem ainda é moderna e tem origem num clima do Século das Luzes, bem como numa visão do homem e de seu relacionamento com o mundo que foi característica da esfera euro-americana durante os dois últimos séculos.

Contudo, hoje em dia, as soluções clássicas da era moderna não dão por si mesmas uma resposta satisfatória aos problemas apresentados.

O mesmo princípio de que os direitos inalienáveis do homem foram concedidos pelo Criador nasceu da noção tipicamente moderna de que o ser humano era o pináculo da criação e o senhor do mundo.

Este moderno antropomorfismo pretende, inevitavelmente, dizer que o Criador, que, segundo se afirma, outorgou ao homem seus direitos inalienáveis, começa a desaparecer do mundo.

O Criador, que estava muito além da compreensão e do alcance da ciência moderna, foi sendo gradualmente empurrado para a esfera privada das pessoas e mesmo para a esfera das fantasias privadas, isto é, para um lugar onde os deveres públicos não se aplicavam mais.

Na minha opinião, a idéia de que os direitos e as liberdades do homem devem ser parte integral de toda ordem mundial legítima precisa ser aplicada num lugar diferente e de um modo diverso atual.

Para ser algo mais que um slogan repetido e não respeitado pela metade do mundo, esta idéia não pode ser expressa na linguagem desta era agonizante, caracterizada pela fé numa relação puramente científica com o mundo.

Hoje, a única verdadeira esperança das pessoas reside, provavelmente, na renovação da certeza de que estamos enraizados na terra e, ao mesmo tempo, no cosmos. A consciência deste enraizamento nos dá a capacidade de autotranscendência.

Nos foros internacionais, os políticos podem reiterar mil vezes que a base para uma nova ordem mundial é o respeito universal pelos direitos humanos, mas este não significará nada se o imperativo não vier do respeito pelo milagre do ser, do universo, da natureza e de nossa própria existência.

No mundo atual, multicultural, o único caminho seguro para a coexistência pacífica deverá ser inspirado pela autotranscendência, porque a transcendência é a única alternativa real para a extinção.

Penso que o homem só poderá se realizar na liberdade, se não esquecer que esta é um dom de seu Criador".

Texto publicado no JORNAL O ESTADO DE SÃO PAULO - 23/04/95 - PAG.A2

Vaclav Havel, escritor e ex-presidente da República Checa.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

EM ALGUM LUGAR DO PASSADO


“Num tempo que transcende minha capacidade de entendimento atual, e que difere das limitações impostas por um corpo denso, me propus como voluntário a participar da implantação da Luz. Tenho seqüelas desta caminhada e lampejos breves de recordação. Procuro como tantos outros, recordar a promessa que fiz a quem em mim confiou, e no mínimo, corresponder à expectativa.
Caí por diversas vezes; falhei em muitas missões, mas tenho consciência de que apenas experienciando é que eu aprenderia nos erros. Como entender o espírito sem antes ter passado por um corpo físico? Como saber o que é amor sem ter sentido o antagonismo do ódio? Como valorizar o bem estar se nunca me senti mal? Como sentir alegria de vencer se jamais fui derrotado? Como valorizar a alegria sem ter chorado? E vou por aí afora.
Enfrento obstáculos que eu mesmo coloquei. Arranho-me nos espinhos que plantei, colho o que semeei. Que força interior é essa que parece não existir, mas que aflora em momentos de desânimo? A imagem e semelhança do Pai habita em meu interior. Ela quer se expandir mas a casca ainda é grossa. Sinto-a em lampejos de amor incondicional, diferente do possessivo, passional, carnal; percebo-a nas lágrimas roubadas da dureza do meu coração; tento agarrá-las nos momentos de equilíbrio e lucidez.
Não sou parte de um Todo. Sou espelho de todos os seres viventes e reflito e sou refletido por todos os atos, sentimentos, ações e dramas de cada um. Tenho consciência que o que acontece ao outro reflete em mim. Temos unicidade tanto nos propósitos como de origem. Nossas casas natais são diferenciadas, mas lembremo-nos, sempre no terreno do Criador. Movido por emoções, vou procurando transmutá-las em ações sadias, fraternas, altruístas.
Reta final de um tempo que jamais vou querer vivenciar novamente. Não posso ver meu semelhante padecer de necessidades, mesmo compreendendo que é seu aprendizado. Não aceito separatividade, racismo e individualidade. Não quero que a Terra se transforme pela dor. Creio que por estarmos galgando a quarta dimensão, já caminhamos muito para estar aqui, não sendo coerente este comportamento humano que lembra estágio em dimensões inferiores.
As forças que combatem a luz, sabem que o momento é decisivo. É hora da conquista final: ou ficamos no mesmo degrau, ou galgamos mais um. Tem gente nos puxando para baixo, mas tem muito mais nos puxando para cima. Quem decide para onde? Nós, somente nós. Ninguém salva ninguém. Ninguém caminha pelo outro. O degrau só é galgado por nós.
Momentos de grandes transformações irreversível. Conflitos afloram pois estão enraizados em nosso ser. Chegou a hora de zerar nosso passivo, pois ninguém alcança a quadrimensionalidade com saldo devedor. Cada um sabe como pagar sua conta; não há empréstimos, não há crédito, só mérito. E lembre-se, sua tarefa é fazer com que todos subam com você, pois com egoísmo não há evolução” (p.1).


EUSTÁQUIO ANDRÉA PATOUNAS, “EM ALGUM LUGAR DO PASSADO”, CORREIO EXTRATERRESTRE, ED.23, JUNHO/97

SADHANA: O CAMINHO INTERIOR



Uma vida de sadhana (disciplina) implica dedicar todos os atos a Deus, ofertar aos pés do Senhor o que quer que faça, pense e fale.
A mente deve gravitar em torno de um centro - Deus. Você tem de concentrar-se firme e forte. Por que tem você de travar batalha para concentrar-se? A razão é esta: você não tem tido ânsia por Deus, apego profundo por Ele, nem tampouco amor. Mas, mantenha esforço. Pela disciplina contínua, você o conseguirá.
Sadhana é uma atividade excepcionalmente preciosa, que não deve ser vulgarizada, e posta ao alcance dos olhos do público. O peixe é vendido em lojas abertas ou ar livre, em plena rua. Os diamantes, porém, são vendidos em lojas fechadas, que só admitem genuínos compradores, e são guardados em reforçadas criptas subterrâneas. O sadhana é mais valioso que todos os diamantes. A disciplina espiritual perderá muito, se praticada a céu aberto.
...Deus é tão misericordioso que dará dez passos em sua direção se você tiver a iniciativa de dar um somente na direção d’Ele.
O verdadeiro Amor só pode ser por Deus, mas não um amor qualquer. Hoje se tornou comum ver crianças amando os pais somente tanto quanto estes sejam vantajosos. Mas, uma vez que os pais tenham envelhecido e se aposentado do serviço, seus conselhos são ignorados. Similarmente, o amor entre esposo e esposa, com a passagem do tempo, empalidece. O verdadeiro amor é tal que se mantém imutável, e este é o Amor para Deus. Acredite em você mesmo. Então você terá fé em Deus.
Se Deus não o sustentar, você cai. O que quer que faça, qualquer que seja seu lugar, saiba que Deus o colocou aí para trabalhar. Então isso se tornará uma educação, uma sadhana (disciplina). Todos os dias, em cada ato, em cada pensamento, em cada palavra, aproxime-se cada vez mais de Deus. Isso lhe dará a Felicidade Suprema, e a Libertação.
Atma é Deus; o particular é o Universal, nada menos que isso. Portanto, reconheça em cada ser, em cada homem, um irmão, um filho de Deus, e ignore todos os pensamentos e preconceitos de status, cor, classe, nascimento e casta. Entre no mundo objetivo, após tornar-se consciente do Atma, porque então verá a Natureza sob nova luz, e sua vida se tornará uma longada festa de Amor.

O ideal de uma melhor qualidade de vida, em detrimento de um alto nível ético de viver, vem arruinando a sociedade humana.

Um alto nível ético de viver insiste em verdade, humildade, desapego e compaixão. Agora o homem se fez um escravo de seus desejos. Encontra-se incapaz para vencer a avassaladora sede de prazer e luxúria. Reconhece-se muito débil para manter sob controle sua natureza (material). Não sabe como expandir a Consciência Divina, que está latente dentro dele. A solução disso está no sadhana (disciplina espiritual), por se tratar de uma transmutação fundamental.
...“Aquele que conhece o mais vasto o mais vasto se torna” (“Brahmavid Brahmavathi”), dizem os sábios (rishis).
SATHYA SAI BABA - SADHANA: O Caminho Interior, 2a ed., Rio de Janeiro , Record, 1993.
Bernardo Melgaço da Silva -

terça-feira, 5 de maio de 2009

O MUTANTE E O ESTAGNANTE: UMA NOVA HUMANIDADE PARA UM NOVO MILÊNIO

No momento estou terminando de ler um livro de grande valor com ensinamentos profundos. O livro tem o seguinte título: “OS MUTANTES – Uma Nova Humanidade para um novo milênio” (Ed. VERUS). O autor é o mestre e psicólogo Pierre Weil. Nesse livro ele discute as etapas evolutivas da consciência humana. Ele divide a evolução humana em três grandes fases. Num extremo temos o ser Estagnante, e no outro encontramos o ser Iluminado. E no meio entre esses dois extremos encontramos o ser Mutante. O ser mutante seria a ponte para um novo paradigma existencial onde desaparecia de vez por toda a ilusão de separatividade (ser-mundo, sujeito-objeto etc) e suas consequencias nefastas no mundo objetivo humano. A meta do Mutante é alcançar conscientemente o estado de consciência Transpessoal (em seu nível mais elevado é o Amor Divino). Essa meta é a realização plena onde o ser se encontrará consigo mesma numa viagem interior saindo de um pólo estagnante e terminando na sua descoberta transpessoal-espiritual. Essa transformação interior é tão profunda que transcende o tempo e espaço vivenciado pelo homem comum (estagnante) preso ainda as suas percepções racionais-instintivas da realidade psicológica tridimensional. No mundo inteiro, vários indivíduos experimentaram essa mudança de estado de consciência indescritível. No seu livro Pierre Weil cita vários casos de indivíduos que sentiram e iniciaram uma nova jornada a partir dessa mudança profunda e radical. E ela é tão radical que devolve ao ser a visão holística onde se pode perceber diretamente a unidade e a totalidade da vida e do saber em seus vários planos de realizações e valores. Assim comenta Pierre Weil em seu livro:
“Os valores que movem os mutantes são bem diferentes daqueles dos estagnantes. Embora integrem os valores do intelecto e da razão na busca da verdade como os estagnantes, os valores dos mutantes estão bastante ligados ao amor do coração, à compaixão, à ternura, ao carinho, à criatividade da inspiração, à poesia, à beleza, à alegria, à fome de saber, à intuição, ao conhecimento da verdade, à pureza de alma, à elevação espiritual, ao sagrado e ao divino” (p.113).
Assim, a humanidade atual segue um caminho de realização onde os estagnantes são mais predominantes do que os mutantes. Por isso, o mundo vivencia tanta violência, exploração, dor e insensibilidade. O que vemos na verdade é uma catarse global onde o ser manifesta a sua condição humana de confusão e caos interior. Nesse sentido, a mudança interior (profunda e radical) é condição primeira para uma transformação profunda de verdade da realidade social, política, ecológica, ética e espiritual. E nesse processo global atual em que vivenciamos continuaremos hipnotizados buscando cada vez mais do lado de fora racional – no exterior do mundo social, político e econômico – o princípio de tudo que já existe dentro de cada um: a condição transpessoal do humano e da humanidade.
Nesse contexto, a mudança do ser implicará numa mudança de perspectiva e sentido de vida: uma mudança tão profunda e radical que poucos conseguirão aceitar e trabalhar para o sucesso dessa transformação íntima-interior. Por isso, a educação de valores e a cultura de ensinamentos holísticos-espirituais deverão ser a tônica desse novo milênio. Pois, a vida tem um sentido transpessoal e eterno. Somos seres mutantes na jornada de si mesmo para si mesmo: autotransformação universal, espiritual, cósmica e quântica (energia sutil saltando e mudando de níveis e realidades paralelas).

Bernardo Melgaço da Silva – bernardomelgaco@hotmail.com

sexta-feira, 1 de maio de 2009

O SACRO-OFÍCIO DA TRAVESSIA ESPIRITUAL



PENSAMENTO PARA O DIA 01/05/2009
(retirado do site:
http://pensamentos.sathyasai.org.br)

“A vida é uma longa peregrinação pela estrada áspera e tortuosa deste mundo. Mas, com o Nome de Deus em seus lábios, o peregrino não terá sede; com a forma de Deus em seu coração, ele não se sentirá esgotado. A companhia do sagrado o inspirará a viajar com esperança e fé. A segurança de que Deus está sempre próximo conferirá força a seus membros. Lembre-se de que, a cada passo, você está se aproximando de Deus e Deus está Se aproximando de você, pois Ele dá dez passos em sua direção quando você dá um passo em direção a Ele. Essa jornada não tem paradas. Ela é uma viagem contínua através de lágrimas e sorrisos, através de nascimentos e mortes. Quando a estrada termina e a Meta é alcançada, o peregrino descobre que apenas viajou se si para si mesmo porque compreende que Deus que procurou estava o tempo todo nele, ao seu redor e ao seu lado! Ele mesmo era sempre Divino”. Sathya Sai Baba

domingo, 1 de março de 2009

O MÉTODO, O CAMINHO E O RITMO CÓSMICO UNIVERSAL



No mundo em que vivemos estamos repletos de idéias, ideologias e crenças que nos apontam ou nos avisam dos obstáculos ou surpresas da vida. E essas surpresas nos obrigam a buscar um sentido e uma compreensão do mistério que nos cerca. Nesse sentido, vivemos num estado de consciência humana-animal querendo que tudo passe e se mostre claramente visível. Mas, a vida invisível nos cobra: “decifra-me ou te devoro”. Raras vezes conseguimos decifrar e por isso somos diariamente devorados por nossos medos, incertezas, dúvidas e tropeços. A alma humana vive um mundo aparentemente iluminado pelas descobertas objetivas que as ciências realizam. Temos a sensação de que um dia chegaremos à iluminação e clareza total sobre o mistério da vida. Mas, a luz que se acende a nossa frente empurra a escuridão mais ainda para frente e para além de si mesma. Nunca acabaremos com a escuridão da consciência racional comum. Apenas expandimos os limites entre claridade e escuridão. A escuridão é uma claridade que não foi ainda tocada diretamente pela fonte tal como um dos lados da terra em sua rotação entorno do sol. Assim, é a vida humana na terra, pois iluminada em uma de suas partes, a outra se encontra na escuridão. E o lado escuro somente receberá luz quando completar o ciclo de rotação na sua jornada cósmica ontológica. Em outras palavras, cada etapa de nossas vidas é um lento movimento de rotação e translação ontológica da consciência. E chegado o momento certo a luz da fonte jogará seus raios revelando a natureza escondida por um longo período de escuridão. E cada ser humano tem um movimento próprio de rotação-translação em seu tempo próprio e específico. A diferença entre o ser humano e a terra é o período em que se alterna a claridade e a escuridão. O ciclo da terra é curto – uma questão de horas. E o ciclo do ser humano é longo – bem longo! – podendo durar uma ou várias encarnações. Em outras palavras, a natureza cósmica dos planetas e estrelas se assemelha à natureza cósmica dos seres humanos. Somos um cosmos que segue as leis cíclicas da vida cósmica exterior que vemos. O que fazer? Apenas aprender e ficar atento aos movimentos de translação e rotação da vida. Viveremos estações de diferentes estados de ânimo. A cada hora, dia, semana, mês, ano estaremos sofrendo os movimentos cíclicos da natureza cósmica: “o que está embaixo está em cima – o que está fora, está dentro também”. Somos e viemos do cosmos. A ordem das leis da natureza segue um princípio tanto para o que é grande e universal quanto para o que é pequeno e individual. O criador é o ciclo cósmico que nutre e altera tudo num processo de transformação e interação cósmica, pois “nada se cria – nada se perde – tudo se transforma [interativamente]”(Lavoisier). A morte é o lado complementar da vida e vice-versa; a sabedoria é o lado complementar da ignorância; a sensibilidade é o lado complementar da inteligência; a pobreza é o lado complementar da riqueza”. O fim é o início de uma nova etapa. E a vida nunca se repete, tudo se renova num ciclo de evolução eterna. Então, porque nos matamos de tanto querer controlar o que não é controlável, de querer pensar o que não se constrói pela mente, de querer sempre o útil esquecendo a essência, de querer encontrar do lado de fora quando o que precisamos está dentro de nós? É nessa visão incompleta que seguimos na esperança de um dia chegar o nosso momento de luz e iluminação. Por isso, somente a Vida Cósmica pode mudar o nosso destino cósmico. Eu aprendi em 1988 que somente compreenderemos esse ritmo cósmico quando desejarmos profundamente mudar o nosso modo de caminhar-girar e buscar e encontrar o ritmo interior sutil e cósmico. O Amor de Deus será revelado no peito daqueles que descobrirem O RITMO OU ENERGIA DA LUZ INTERIOR! Eu sou testemunha desse RITMO CÓSMICO UNIVERSAL – QUÂNTICO E DIVINO!
Prof. Bernardo Melgaço da Silva – bernardomelgaco@hotmail.com

domingo, 1 de fevereiro de 2009

PREZADO AMIGO E PROFESSOR TOLOVI (URCA): A UNIDADE PERDIDA E A DIÁSPORA CIENTÍFICA

A história da peregrinação humana pode ser definida como a busca da unidade e do equilíbrio. E nessa busca tivemos que optar ou ceder, criar ou absorver e depois decidir: se adaptar ou “morrer” para si mesmo! E foram tantas as opções que surgiram que optamos (ou cedemos) por caminhos diversificados. E assim formamos civilizações e culturas distintas, porém complementares. E cada povo precisou sair de si em busca de sua unidade na diversidade cultural e natural. E assim houve dispersão por motivos políticos e religiosos - uma diáspora! E nessa dispersão perdemos o sentido da busca da unidade cósmica. A natureza da ciência não fugiu à regra em busca da unidade. Ela se desequilibrou, se dispersou, se fragmentou em diversos pedaços, em pequenos departamentos e em grandes feudos intelectuais. Estamos vivendo atualmente uma diáspora científica. A pressão do poder ideológico dentro dos espaços acadêmicos fez com que muitos saíssem de seu campo e domínio científico, e tentaram viver em espaços estranhos e ideológicos em conflito. A luta pelo poder e conquista de espaço fez com que perdessem o sentido da busca original: a compreensão das leis da vida, dos universos micro e macro, da verdade primeira e fundamental: quem somos nós?
Nesse sentido, tanto os homens comuns como os cientistas perderam a direção da idéia primeira que apontava para uma solução universal: a harmonia na complementariedade dos opostos, dos diferentes e dos desiguais. E esse caminho é a unidade na multidiversidade do multiverso. A condição para se trilhar esse difícil caminho era, e ainda é até hoje, a contemplação e a crítica num processo de criação sensível e inteligente. Mas, infelizmente a consciência crítica se perdeu no processo de dispersão ou diáspora. A crítica (“como revelar o que não se revelou ainda, dizer o que o outro não disse” – Convite à Filosofia de Marilena Chauí) se reduziu a uma crença dogmática ou ideológica oposta ao poder dominante ou dominado. E a contemplação (Theoria em grego) foi reduzida também a uma observação racional direcionada para o mundo concreto e funcional. As leis da vida social estão sendo, portanto, criadas segundo a ótica da negação do ócio (contemplação ou theoria) ou “negócio”. Hoje, o poder político dominante se resume na dispersão racional daqueles que não conseguiram retornar à origem de sua busca primeira e fundamental. A nossa universidade é também retrato fiel dessa incapacidade humana de perceber o desvio que ocorreu desde o início da criação do homem em que ele era uma semente onde deveria germinar o Amor, a Verdade e o Poder Cósmico Transcendental.
Hoje, nos perguntamos: o que estamos fazendo com as nossas consciências? Qual é o sentido da vida e do conhecimento? Que homem queremos ser ou cultivar? Que verdade queremos descobrir ou revelar? O que a nossa universidade pode fazer para devolver a capacidade de cada um de refletir ou fletir sobre si (re-fletir), tal como um fio ou arame flexível que se verga e une circularmente o fim e o início de si mesmo? Infelizmente o conhecimento não percebeu que a sua complementariedade está no seu autoconhecimento (a ponta do fio do conhecimento se vergando sobre si mesmo). Estamos pagando o preço da ignorância das leis cósmicas da evolução da consciência! Por isso, nos chocamos quando se retira a filosofia (e outras disciplinas importantes como p.ex.: a psicologia) dos currículos universitários. A filosofia é a porta para o autoconhecimento contemplativo e crítico. Mas, a vida material, tecnológica, ideológica e supercontrolada diz que não se precisa de filosofia na URCA. Essa forma pragmática e programada de viver quer ardente e inconscientemente inserir e enfraquecer a todos na dispersão de si mesmos. Creio, que foi Pascal quem afirmou que os homens se distraíam (se dispersavam) demais. Todos os grandes Gênios da Humanidade focaram sobre si mesmos: “a maioria prefere olhar para fora do que para dentro de si mesmo” – Albert Einstein.
Então, cabe aquele que tem autocontrole, ou seja com foco sobre si mesmo, alertar a todos sobre o perigo da dispersão racional da vida. “A ciência sem consciência [de si] é a ruína da alma” – Rabelais
Prof. Bernardo Melgaço da Silva – bernardomelgaco@hotmail.com